jehozadakpereira

Archive for April, 2009

Pais folgados, filhos estressados

In Comportamento on April 29, 2009 at 4:30 pm

Jehozadak Pereira

Outro dia ouvi uma coisa interessante. Uma menina de sete anos de idade desabafou diante de todos que já não agüentava mais tantos compromissos que sua mãe havia arrumado para ela.

Balé, natação, inglês, informática, futebol, tênis, e outras tantas atividades que as crianças sequer podem suportar.

- Eu quero brincar! Disse a pequena menina, num lamento choroso e confuso. Sua mãe para se livrar das obrigações e da tarefa de ter de educar e amparar a menina arrumou tantos compromissos para ela que sequer lhe sobrava tempo para ser o que ela queria de fato ser – uma criança de sete anos, vivendo como uma criança de sete anos.

Muitos pais passaram nas suas infâncias, adolescência e juventude privações e vontades que buscam dar aos seus filhos aquilo que eles não tiveram.

Por isso enchem seus filhos de compromissos e tarefas que eles sequer podem suportar. Há crianças que tem agendas lotadas, são tantas festas e compromissos que são lhes impostos que eles não conseguem compreender direito o que se passa.

Em paralelo a tudo isto, vemos que pais são de sobremodo atarefados que também não lhes sobra tempo para dedicarem-se aos seus filhos como deveriam dedicar-se.

Nos nossos dias, é comum além do homem a mulher trabalhar fora, pois para terem um padrão de vida melhor é necessário que ambos trabalhem, antes os homens eram os únicos provedores do lar, hoje não, a tarefa é partilhada com as mulheres, quando não são elas que mantém a casa.

Com isto a rotina dos filhos é profundamente alterada. Mas e aquelas famílias cujas mães não trabalham fora?

Para muitos ter filhos é um suplício, e não fazem questão de esconder isto de ninguém. Daí arrumarem múltiplos afazeres para se livrarem dos filhos.

Há crianças que são submetidas a pressões cada vez maiores, no sentido de que sejam os melhores em tudo o que fazem. Se o menino joga futebol, ele deve forçosamente ser o melhor de todos. Se a menina faz balé, deve ser a que melhor dança. Se as notas na escola são boas, devem na opinião dos pais ser as melhores notas da turma.

Sem contar que pais não dedicam aos seus filhos o tempo que deveriam dedicar. Estão sempre envolvidos em algum projeto pessoal que exclua os seus filhos. Nas nossas igrejas é muito comum vermos isto, homens e mulheres que fazem do seu sacerdócio o bem estar dos outros abandonando suas famílias, especialmente seus filhos, relegando-os a um segundo ou terceiro plano nas suas vidas.

Sem contar que há mães e pais que nas suas horas de lazer empurram seus filhos para a companhia de outras crianças ou os tais muitos afazeres para se livrar deles.

Observe a sua volta e veja quantas crianças há que não conseguem se concentrar em nada, e que choram o tempo todo num lamurioso pedido de socorro, que os pais teimam em não enxergar. E os pais que excluem deliberadamente seus filhos das suas vidas? Se o pai vai jogar futebol, leve o filho junto, ou se a mãe vai ao cabeleireiro, porque não levar a filha a tiracolo?

Principalmente na América os filhos são mais apegados a baby sitter, ou aos professores do que aos pais. Privar os filhos do convívio com os pais, é legar-lhes desprezo e falta de cuidado. Vivemos na era dos filhos solitários e jogados pelos cantos abatidos pela falta de cuidado e atenção adequados e a mercê da negligencia dos seus pais. E não estou falando de pais separados não, estou falando de famílias que em tese moram sob o mesmo teto.

Mesmo que sua vida seja atarefada e cheia de compromissos, tire horas diárias e mostre aos seus filhos o quanto eles são importantes para você pai e mãe.

Certa vez ouvi uma história interessante, de um pai que deu ao filho um brinquedo muito caro. Ao receber a visita de um amigo ele se gabou de poder trabalhar para dar ao pequeno menino o valioso presente, só que o moleque deixou o carrinho de lado e brincou o tempo todo com a caixa. O que isto significa? Mostra que a criança não quer nada rebuscado, ou mesmo ficar com a babá e ter a sua disposição uma geladeira cheia de guloseimas ou ainda, ou armário cheio de presentes caros, dos quais elas preferem as caixas.

Criança e filhos querem colo, carinho, amor e atenção, mesmo que seja só um pouco por dia. Pensem nisto.

 Copyright©2004 – todos os direitos reservados ao autor – setembro/2004.  

O jogo acabou! Começa a matança de Columbine School

In Comportamento on April 19, 2009 at 6:29 pm

Jehozadak Pereira

Uma das maiores tragédias ocorridas nos Estados Unidos foi protagonizada por adeptos de violentos jogos de videogames. No dia 20 de abril de 1999, Eric e Dylan, cometeriam uma das maiores tragédias e seriam os responsáveis pela chacina de escolares. De onde haviam tirado inspiração e motivo para cometerem atrocidades que chocaram a todos? Porque tanto ódio e dureza contra tudo e contra todos?

Semanas antes, na sala cercados por uma dúzia de outros jovens vestidos com folgadas camisetas, ouviu-se um grito: – matei mais um!? Nas mãos, poderosos joysticks eram agitados de um lado para outro em nervosas manobras, disparando tiros, atingindo homens, mulheres, crianças, velhos e negros. Caixas acústicas amplificavam ainda mais o som tornando insuportável o barulho dos efeitos especiais dos jogos, – matei mais um!? E outro e outro. Invariavelmente o placar apontava uma quantidade impensável de cadáveres.

O palco de Eric e Dylan era a tela de um computador e os jogos de videogame tinham nomes estranhos – Mortal Combat, Quake, Carmageddon, Destruição, etc. Além de assassinos e armas poderosas, havia ainda demônios e monstros. Corações eram dilacerados por balas explosivas, cabeças eram cortadas por afiadas lâminas, tudo na tela do computador. Os garotos ali reunidos disputavam entre si, para ver quem seria o recordista de mortes daquele dia.

O jogo acabou! E com ele à volta a realidade – era tudo ficção!

Um deles teve a idéia: – e se matássemos gente de verdade?

Começaria então um outro jogo, este real e terrivelmente letal. O planejamento foi feito detalhe por detalhe, minuciosamente. Nada foi esquecido. A quantidade de armas que os dois portavam daria para matar uma multidão. Como no jogo, o tempo era escasso e quanto mais matassem, mais pontos seriam alcançados. Só que agora não era mais um simples jogo.

Era de verdade! Tal como no jogo eletrônico, Eric e Dylan, foram abatendo impiedosamente, um a um, 12 alunos e um professor, e em meio a balburdia ouvia-se as gargalhadas dos dois. Horripilantes gargalhadas! Vendo que já não era possível matar mais ninguém, e encurralados na biblioteca, Eric e Dylan, voltaram às armas contra suas próprias cabeças e o que se ouviu foram os dois últimos tiros de potentes armas automáticas, pondo fim a um drama que atordoou os Estados Unidos e deixou perplexo o resto do mundo.

Todos buscavam explicações e, sobretudo motivos para a atitude de Eric Harris e Dylan Klebold. De onde haviam tirado inspiração para cometer o mais brutal assassinato coletivo de todos os tempos até então, cometido por jovens?

O videogame foi inventado em 1966, e era destinado a crianças e jovens. Basicamente seus jogos eram destinados para outro contexto, onde não havia a violência exacerbada dos dias de hoje. Em pouco mais de quarenta anos, os jogos de videogame mudaram assustadoramente, tornando a diversão em pavor e invariavelmente horror; uma constatação é evidente – o sobrenatural sempre influenciou os criadores dos videogames. Os temas e personagens dos jogos de videogame continuam assombrando e atraindo, mesmo que superficialmente os mestres do joystick, pelos mais profundos padrões mitológicos.

Muito do sobrenaturalismo dos videogames tem sua origem nos temas de espada e feitiçaria que misturam bruxos, monstros e esgrima, as quais criados por Robert E. Howard nos anos 30. J. R. R. Tolkien refinou o gênero, imputando-lhe uma mitologia pura, e o seu O Senhor dos Anéis talvez tenha sido a principal influência do programador de computadores Don Woods, quando no começo dos anos 70 criou o primeiro videogame de aventura no laboratório de inteligência artificial da Stanford University, na Califórnia.

O jogo era dominado por enigmas e um humor colegial, mas o seu cenário – uma caverna cheia de duendes, dragões e baús com tesouros – estabeleceu definitivamente já na sua criação, o padrão para a miríade de fantasmagorias digitais que viriam a seguir no decorrer dos anos.

Os jogos de estratégias passavam por uma revolução silenciosa. No lugar de movimentar tropas sobre mapas hexagonais, os aficionados tornavam-se personagens do jogo. Jogava-se não só com os dados, mas também com a imaginação, e não foi surpresa nenhuma o ocultismo tornar-se junto com as lutas e os quebra-cabeças, parte essencial e primordial da estrutura dos videogames e RPG ou role-playing games, jogos repletos de conjurações e encantamentos.

Os jogos de videogames hipnotizam crianças e adolescentes, assustam os pais e levam o jogador a pensar que pode dominar o monstro na tela. Ledo engano. Milhões de jogadores obcecados e dominados.

Não há como mensurar o que está por trás dos jogos de videogames. Os resultados são seres humanos com suas mentes profundamente comprometidas pela perversidade maligna.

Anos atrás o Ministério da Justiça brasileiro obrigou que se retirasse do mercado o game Carmageddon, cujo tema consistia em dirigir na contra-mão, destruir veículos e espalhar pedaços dos corpos de pedestres. Devia-se matar crianças, gestantes e idosos, e com isto garantir pontos adicionais e bônus extras. A atitude do governo brasileiro foi o reflexo de protestos de entidades. Procedimento igual foi adotado por outros governos estrangeiros. Há na Internet mais de três mil páginas fazendo referências ao Carmageddon. Jogo diabólico, criado por mente diabólica.

Os jogos de videogames vendem muito, por diversos e variados motivos. Publicidade massificante, violência em excesso, misticismo em larga escala, muita ação e aventura além de investimentos bilionários da indústria no desenvolvimento de novos jogos. Para cada dólar investido, a indústria tem um retorno de milhares de outros dólares. Por isso é que não se pára com o lançamento de novos produtos, as cifras são espantosamente inimagináveis. Nada acontece por acaso, tudo é minuciosamente pensado e planejado com o único objetivo de capturar mentes.

Alie a tudo isto, profissionais que trabalham diuturnamente voltados para elaboração de jogos, cuja temática seja o esoterismo, magos, bruxos, feiticeiros, e demônios. Na maioria das vezes veremos aliados o misticismo e a violência numa simbiose genuinamente maligna, além de enredos e tramas terrivelmente grotescos e estapafúrdios.

A chacina perpetrada por Eric e Dylan fez com que as autoridades americanas refletissem profundamente sobre o conteúdo dos jogos de videogames.

Reagindo ao massacre o senador republicano Bailey Hutchison, denunciou no Congresso americano fabricantes de videogames com a seguinte afirmação – Isto – o videogame – permite que as nossas crianças arranquem corações, estilhassem espinhas, explodam cabeças e agitem os dejetos sangrentos nas nossas caras. Hutchison, tachou ainda de imoral a indústria do entretenimento acusando-as de não fazer nada para evitar que as crianças tenham acesso a produtos cada vez mais violentos. Lembrou ainda que tais produtos são anunciados no canal MTV, e vendidos em lojas de brinquedos, sem qualquer restrição ou advertência do seu conteúdo.

Concluímos que a violência precisa ser debatida e excluída dos jogos de videogames. Mas e o misticismo? Não há qualquer menção à prática. É certo que raramente outros garotos seguirão o exemplo de Eric e Dylan, que com as mentes contaminadas pegaram em armas e trucidaram seus colegas de escola, e depois se mataram, influenciados que foram pelos jogos de videogames.

Dez anos depois do massacre da Columbine School, Eric Jharris e Dylan Klebold são reverenciados como heróis por uma multidão de jovens que os têm como heróis de um tempo nefasto e corrompido. Pior ainda, eles encontraram seguidores que fizeram as mesmas coisas ou pior ainda.

Estudiosos e pesquisadores buscam encontrar as razões de ambos, mas não conseguem encontrar. A realidade é que uma criação frouxa, misticismo, irrealidade virtual, contaminação espiritual, mentes corrompidas e deturpadas, contribuiram para que inocentes perecessem sem razão aparente.

Outros massacres em escolas americanas e em outros lugares no mundo se seguiram, tendo os dois de Columbine como modelos, o que fez com que as autoridades agissem, mas mesmo assim ficou o gosto amargo de quem está sempre um passo atrás destas mentes assassinas e frias. 

Todos os direitos reservados – julho/2003.

A Comparação – A Inveja no Mundo Secular

In Comportamento on April 7, 2009 at 4:18 am

 Jehozadak Pereira  

A inveja só é exercida no tangível, ou seja, naquilo que se vê. Raramente alguém vai sentir inveja de quem está longe ou distante. Um homem sempre vai invejar outro homem, uma mulher sempre vai invejar outra mulher. Dificilmente um velho vai sentir inveja de um jovem, o mesmo já não acontece em relação à mulher.

Muitas vezes uma mulher velha tem inveja de uma jovem ou adolescente, porque vai ver nela uma rival em potencial. Logicamente há exceções. Um empresário vai sentir inveja de um outro empresário, um pedreiro vai sentir inveja de um igual, porque vai ver nele um concorrente no seu campo de ação.

Antonio Wilson Honório, foi o melhor companheiro de Edson Arantes do Nascimento. Ficaram conhecidos como Coutinho e Pelé e não Pelé e Coutinho. Jogaram no Santos Futebol Clube por dez anos. Juntos demoliram defesas adversárias, levaram os seus talentos pelos quatro cantos do mundo, por serem negros quando vistos à distância era impossível saber quem era quem. Coutinho encerrou a carreira aos 26 anos de idade por problemas nos joelhos. Pelé continuou a sua com êxitos e mais êxitos. Tempos depois, um melancólico Coutinho deu uma série de entrevistas dizendo que se não fosse ele, Pelé jamais teria chegado aonde chegou, acrescentou que se fosse naqueles dias ele deixaria de dar muitas bolas para que Pelé fizesse tantos gols. Uma vez, procurado para falar de um prêmio que Pelé havia ganhado, disse não ter nada a declarar. E sempre que pode dá demonstrações de desagrado quando o assunto é Pelé.

Nos anos 80, o atletismo americano tinha dois atletas de ponta. Um deles era Edwin Moses e o outro Carl Lewis. Atletas que competiam em modalidades diferentes no atletismo, foram supercampeões, Moses chegou a ganhar mais de 150 provas consecutivas. Mas Lewis não o tolerava, e em algumas provas do circuito internacional, impunha a sua participação ao não convite a Moses. Mesmo depois que Moses parou de competir, Lewis recusava-se a tocar no nome do “rival”.

Antonio Salieri foi um competente e respeitado compositor de mais de 40 óperas e teve como alunos, entre outros, Beethoven, Liszt e Schubert. Mas, alguma coisa não caminhou bem entre Salieri e Wolfgang Amadeus Mozart. Salieri, então começou a sua perseguição pessoal contra Mozart. Usou de calúnia junto ao círculo do poder imperial, difamou, infamou, empurrou para a miséria e envenenou o seu “desafeto” pessoal. A história de ambos foi pesquisada, analisada, estudada e ninguém conseguiu chegar a uma conclusão satisfatória do porquê Salieri perseguia Mozart. Mas o caso é um dos exemplos clássicos do que um invejoso pode fazer com o objeto do seu desejo.

Sandra por algum tempo recebeu ligações telefônicas dizendo que seu marido a traía com diversas mulheres. Que nas viagens profissionais do seu esposo – ele era um requisitado publicitário – sempre havia a companhia de uma mulher. Confrontado, o marido de Sandra sempre negou tudo, dizia que era honesto e fiel, mas as ligações continuavam. Sandra certa vez percebeu um caroço num dos seios, e por recomendação médica submeteu-se a uma biopsia.

A véspera de um feriado prolongado, Sandra recebeu uma ligação do consultório do médico, dizendo que o resultado da biopsia dera positivo. A voz informava que ela era portadora de um tipo raro de câncer, letal em 98% dos casos.

O fim de semana de Sandra foi dos piores, até que no primeiro dia útil subseqüente a notícia, ela descobriu que o caroço no seu seio era benigno e ela não precisava sequer operar. Mas uma coisa a intrigava. Quem teria interesse em desestabilizá-la emocionalmente? Poucas pessoas sabiam do seu problema, ela fez uma relação de quem sabia. Suas duas irmãs, sua cunhada e Taís, sua comadre, amiga de longa data e vizinha.

As ligações informando das infidelidades do marido continuavam. A esta altura, o casamento ia de mal a pior. Brigas e discussões que transformaram a vida do casal num martírio constante e interminável.

Um dos cunhados de Sandra era juiz de direito, e ela contou a ele a respeito das ligações, e do fato que a intrigava profundamente: a ligação do consultório do médico. Carlos, o cunhado, protocolou um pedido de interceptação telefônica, e a companhia providenciou um aparelho – que na época existia para uso restrito – que identificava as chamadas. Perplexa, Sandra descobriu que quem telefonava para a sua casa passando os trotes era Taís, sua comadre, a amiga de longa data e vizinha.

Confrontada Taís revelou o motivo de tudo: inveja. Tinha inveja mortal da amiga. Inveja do casamento dela, dos seus filhos, da sua beleza, das suas roupas, do seu modo de vida. Revelou que se pudesse mataria Sandra, tamanho era o seu ódio por ela. Como não tinha coragem de matá-la, resolveu atormentá-la com os telefonemas. Uma das formas para que isto acontecesse era primeiro acabar com o casamento feliz de Sandra. Taís queria ver a ruína da “inimiga”.

No episódio da ligação do “consultório” do médico, ela chorou junto com Sandra, para depois dentro de casa gargalhar e se alegrar com a tristeza e o abalo emocional da “amiga”. Quase havia conseguido o seu intento.

Normalmente a inveja é exercida onde se pode ver, onde pode se botar o olho. Por isso ela é tangível e palpável. Um jovem, por exemplo, não vai invejar o jogador de futebol que faz sucesso no momento, ou um ator qualquer de telenovelas. Mas inveja o seu vizinho, o colega de classe na escola, o companheiro de trabalho, e por aí adiante.

Coutinho marcou mais de trezentos e setenta gols na sua carreira igualmente vitoriosa, Carl Lewis, ganhou medalhas de ouro em três olimpíadas, Salieri, tinha um talento inato para a música, e cada um há seu tempo e a seu modo fizeram e marcaram história, mas ao se compararem com os seus “rivais” eles se rebaixaram e diminuíram-se diante do outro.

O invejoso é daquele que torce para que o “desafeto”, ao tirar a música no violino, arrebente uma das cordas. Ele às vezes, não vai querer que você morra, ele quer te ver dando vexame, fazendo papelão, que você seja um fiasco, e que todos riam de você. Ele vai tramar e urdir algo que te atrapalhe, e se você não perceber – melhor para ele. Vai mandar uma carta anônima, vai passar um trote telefônico, vai fazer com que a camisa do marido da amiga tenha uma mancha de batom, vai plantar a desconfiança no coração da amiga a respeito da demora do marido.

O jogador de futebol vai achar que o companheiro de time não lhe passa a bola porque não quer que ele faça o gol, o atleta que pratica atletismo, vai desejar que o “rival” tropece no obstáculo, ou que torça o tornozelo e fique inutilizado por um bom período. Por seu turno, o empresário é capaz de mandar um fiscal amigo e corrupto para atazanar a vida do concorrente que fechou um grande contrato.

Ou ainda é sórdido a ponto de “plantar” um funcionário seu na outra empresa para que ele faça sabotagem e atrapalhe a vida do rival. Ouvi uma história interessante sobre inveja nas grandes corporações. Uma das maiores empresas brasileiras de eletro eletrônico destinado ao uso doméstico demitiu todo o departamento de desenvolvimento de produtos – do diretor ao mensageiro – porque eles trabalhavam para o seu concorrente. Você pode afirmar que isto é espionagem industrial, quando na realidade é a inveja praticada com requintes.

No competitivo mercado empresarial, esportivo, artístico, o que mais se vê é gente jogando sujo para fazer com que o outro não obtenha êxito algum. Uma das características da inveja é que ela é eclética. É possível encontrar pessoas invejosas em todas as camadas sociais. Um empresário vai sentir inveja de outro empresário, especialmente se este comprar um avião ou um iate novo. Um jornalista vai corroer-se de inveja pelo texto de outro jornalista, uma atriz vai enfurecer-se contra outra, um vizinho de outro vizinho, um futebolista de outro futebolista, e até pasmem, um mendigo na sua absoluta miséria vai sentir inveja de outro maltrapilho como ele. Raramente, os ídolos da música, do esporte, das artes são invejados, porque são inacessíveis.

O invejoso devia ter como símbolo à serpente rastejante – que precisa estar perto para dar o bote. Não há escapatória. A inveja incorpora a ganância, a avareza, à voracidade, o ciúme e, sobretudo o ódio, escamoteado e surdo. Um ódio que se conserva, se armazena, que é permanente e que não pode ser aplacado. (sic)

A inveja é tão presente e entranhada no ser humano que não escolhe credo, cor, raça, nação, classe social, nível cultural, e não respeita ética, moral e limites. Santo Agostinho definiu bem e definitivamente a inveja. Para ele a inveja é o pecado diabólico por excelência e afirmava: “Da inveja nascem o ódio, a maledicência, a calúnia; a alegria causada pela desgraça do próximo e o desprazer causado por sua prosperidade”.

A inveja, infelizmente não respeita nada. Nada mesmo! O homem ou a mulher por melhor que sejam ao se compararem ao outro ou outra, sempre sairão perdendo. E dificilmente se recuperarão da comparação.

Dizem que você pode mexer com a moral de uma pessoa que ela não sente, você pode invadir o bolso e tomar-lhe o dinheiro e você provocará uma reação selvagem às vezes, mas igual a da comparação de similares não há. Ela – a comparação de similares – provoca dor e agonia, tristeza e revolta, rejeição e perda, humilhação e desprezo. Tudo por causa da inveja.

Maldita inveja.

Todos os direitos reservados ao autor - 24.03.2005