jehozadakpereira

Archive for June, 2009

Michael Jackson – A morte de um mito

In Comportamento on June 26, 2009 at 4:24 am

Jehozadak Pereira

Michael Jackson encantou pelo menos três gerações de enlouquecidos fãs, durante fases importantes da sua carreira. Jackson esteve na mídia pelo menos por trinta anos, desde que junto com seus irmãos compunha o Jackson’s Five, um dos mais famosos grupos da música americana. Do menino mirrado e de cabelo black power sobrou muito pouco. Ao se tornar adulto, Michael optou por seguir carreira solo e começou aí a sua metamorfose. Raul Seixas diria que é uma metamorfose ambulante, e certamente foi. A transformação de Michael, apesar das insistentes negativas se deu às vistas de todos. Perplexos, os seus fãs viram-no transmutar-se num espectro daquilo que era no passado. Junto com sua voz, a sua aparência transformou-se radicalmente. Primeiro o nariz, que achatado, virou aquilino, cada vez mais arrebitado, depois os olhos, as pálpebras, a face, e a pele cada vez mais clara; o cabelo foi substituído por perucas, e os onipresentes óculos davam-lhe uma aparência andrógina, corroborada por uma fragilidade sobretudo emocional, com manias – como a de andar de luvas, máscaras cirúrgicas, cercado de mistério e de imensos guarda-costas.

Os escândalos começaram a aparecer, como as dívidas não pagas, e as acusações de assédio sexual. O casamento com Lisa Marie Presley, as festas imensas no seu rancho – Never Land ou Terra do Nunca, onde dizem – os brinquedos funcionavam a noite, para um seleto grupo de convidados – sempre crianças. Os filhos nascidos envolto no mais profundo mistério, são um capítulo a parte na vida de Jackson, que espantou o mundo ao balançar o caçula na sacada de um hotel na Alemanha, tempos atrás.

Por ocasião da primeira acusação de assedio sexual, a Pepsi-Cola que era sua patrocinadora vitalícia cancelou o contrato, e seus discos que vendiam aos milhões, já não mais atraiam os seus admiradores. Jackson passou a freqüentar a mídia, agora como acusado e não mais como astro famoso e quase inacessível, numa queda irreversível para o ostracismo e a decadência.

Michael Jackson foi um personagem que a história e o talento guindou a categoria de super estrela na música e mostrou ao mundo com o passar dos anos, que não estava preparado para a fama e as suas conseqüências. Jackson foi a maior vítima de si mesmo, um homem que desejou ardentemente que o tempo não caminhasse implável, como é para todos. Um homem destrutivo e profundamente afetado tanto psicologica como emocionalmente.

Cercou-se de pessoas que o explorou em todos os aspectos, e o abandonou a mercê da sua própria sorte, fama e as voltas com dificuldades financeiras insolúveis. O glamour que cercava Michel se foi em busca de quem sabe, outros talentos despreparados para a fama, mas a mercê da vida. Dura vida que cobra o seu preço. Cedo ou tarde.

Pedofilia

Em 2005, o julgamento de Michael Jackson, revelou detalhes sórdidos das suas predileções sexuais por meninos. Para se ter uma idéia de como as atitudes de Jackson mexeram com a opinião pública, a lei na Califórnia foi modificada a partir de um outro caso rumoroso que o pop star esteve envolvido em 1993, onde um acordo milionário estimado em US$ 25 milhões pôs fim a acusações de Jackson havia molestado sexualmente um garoto. O acordo garantia que os detalhes do caso jamais seriam revelados. A partir dai casos semelhantes não poderiam mais ser objeto de acordos financeiros, e teriam de forçosamente ser levados as cortes.

Incansável, o promotor Thomas Sneddon, ofereceu acusação contra o cantor, que foi acatada pelo juiz Rodney Melville, da Corte de Santa Maria, na Califórnia. O pretexto para a acusação foi o polêmico documentário “Living With Michael Jackson” – Vivendo com Michael Jackson, do jornalista britânico Martin Bashir, onde o cantor admitia ter dividido a cama com crianças.

O documentário exibido em horário nobre na televisão americana mostrava Jackson ao lado do menino, cuja mãe acusava-o de abuso sexual. A repercussão mundial do julgamento de Michael Jackson, trouxe a tona os esforços das autoridades do mundo todo contra a pedofilia. Por mais que se caçe, prenda, reprima a pedofilia, sempre haverá pedófilos a solta para abusar sexualmente de crianças. Apesar de todos os esforços da promotoria Michael Jackson, foi inocentado de todas as acusações – conspiração, extorsão, seqüestro e abuso, foram as principais – pelo juri composto por oito mulheres e quatro homens – todos brancos. As decisões de inocentar Jackson das dez acusações foram unânimes.

Os rumores de que Jackson era pedófilo circularam durante anos, e os advogados de acusação classificaram o cantor de predador e pervertido sexual. A mãe do acusador de Jackson foi mostrada como uma oportunista que se aproveitou da ingenuidade do cantor para tirar proveito de uma situação – a de que seu filho que sofria de câncer na ocasião dos supostos abusos – e pedir uma indenização milionária, caso houvesse a condenação.

Foi o ápice de uma carreira que daí por diante foi sepultada e Jackson tornou-se ainda mais uma vaga lembrança daquilo que havia sido no auge da sua carreira.

Sua morte aos 50 anos sepulta um artista que esteve anos a frente do seu tempo, mas que foi engolido por um turbilhão de emoções e sentimentos das quais Jackson não conseguiu sair incólume. Provavelmente depois do enterro vai vender mais discos na morte do que vendeu em vida a exemplo de outros tantos mitos que se tornaram ainda mais lembrados pela mistura do seu talento e excentricidade e neste quesito, certamente Michael Jackson foi o maior de todos eles.

Boca costurada

In Coisas que o dinheiro não pode comprar on June 19, 2009 at 3:29 am

Jehozadak Pereira

Tem umas horas que a gente precisa costurar a boca para não dar tanta risada de uma vez só. Uma destas oportunidades é ver o São Paulo tomar uma senhora cacetada e sem poder reclamar que foi roubado ou coisas que só eles costumam ver.

Salve o Palestra Itália de Belo Horizonte!

Impressões de uma viagem – parte 1

In Comportamento on June 8, 2009 at 4:36 am

Jehozadak Pereira

Depois de algum tempo sem viajar para lugar algum, precisei ir à California e fazer a viagem de volta para Boston de carro. Três mil milhas. Sim, três mil milhas, ou 44 horas e alguns minutos, ou mais ainda, um caminho interminável.

Já conhecia a California e me surpreendi logo na chegado ao aeroporto de Long Beach, cujas formas arquitetônicas são dos anos 60, e um certo ar de nostalgia. A vida lá parece ter parado no tempo. Circulando pelo aeroporto deu para ver velhinhos de cabelos impecáveis e velhinhas que pareciam ter ido no mesmo cabelereiro do Bozo, pois os penteados eram rigorosamente iguais, sem contar aquelas de cabelo azul, que a gente só vê em filmes.

Circular pelas estradas da California, especialmente pela região de Los Angeles, é um desafio para quem dirige no trânsito de New England, onde a velocidade é reprimida e não se permite ir cinco milhas além do limite permitido sem que sejamos parados pela polícia, aliás, os policiais de New England teriam ataques só de ver o quanto andam os motoristas na California.

Bela, muito bela California, com suas montanhas e riqueza que chega a beira do exagero. Há pobreza também, mas isto é uma outra história. Meu destino era a região de Palm Desert, por sinal muito quente no inverno e por isso mesmo, povoado de gente que já se aposentou e foge do frio como o cão da cruz. Há também os bon vivants, com seus paletós de botões dourados, mocasins sem meia e mulheres de todas as idades com carteiras recheadas de dólares e muita disposição para deixá-los em alguma loja.

Para chegar a região do low desert, passo por centenas, milhares de hélices heólicas gerando energia, a partir da captação do vento, num balé ritimado e belo ao mesmo tempo, deve ser por isso que este estado é tão rico. Passo pela segunda rua mais cara dos Estados Unidos – a El Paseo, mas antes cruzo a Frank Sinatra Boulevard, deve ser por que ele morava por aqui. Morava mesmo. Tinha um rancho no sopé das montanhas. Fico imaginando como deve ser o rancho do The Voice.

Em Palm Desert que fica no Desert Area – a segunda região mais rica dos Estados Unidos, há restaurantes e lojas em profusão – todos muito caros, e é onde se vende a gasolina mais cara do país, mas nada que faça qualquer rombo nas contas milionárias. Um nome familiar me chama a atenção pelo nome brasileiro – Picanha, uma churrascaria que serve rodízio e caipirinha que é consumida às centenas todas as noites, e de preço salgado – US$ 35,96 mais serviço, bebida e sobremesa. O dono? É um egípicio que foi fazer um estágio de seis meses no Rio Grande do Sul para ver como se faz um churrasco de verdade. Já o arroz e feijão muito bom por sinal, quem faz é o Tonho e a Lupe, dois mexicanos, como a maioria dos funcionários.

O filme Ocean 12, foi filmado num dos muitos cassinos existentes na região, e muita gente lembra da beleza ímpar de Catherine Zeta Jones, já o público feminino prefere Brad Pitt, George Clooney e Michael Douglas, que embora não trabalhasse no filme, estava cuidando de Zeta Jones, cuidados plenamente justificáveis.

Nas ruas cruza-se e é possível parar ao lado de bólidos como Mercedes Benz, Ferrari, Porshe, Maserati, Rolls Royce, Lamborghini, Jaguar, dirigidos sem culpa nenhuma e por gente que só quer ser feliz, e parecem ser mesmo.

A opulência é tanta que a renda per capita ali é de US$ 138 mil por ano, um exagero para os padrões americanos. Há vilas e condomínios lindíssimos. Andando mais um pouco e dá para ver o estádio de tênis de Indian Wells, construído especialmente para a etapa anual do Master Series, que em 2005 foi vencida pelo suiço Roger Federer, chamado lá de Federexpress, pela qualidade do seu jogo.

O café da manhã dominical foi tomado num cassino – muito bom por sinal, numa mesa farta e variada, o que justifica a fama de que na California tudo é superlativo. A California fala inglês e espanhol – não necessariamente nesta ordem – e a influência espanhola está em todos os lugares, a começar pelo nome das cidades. Los Angeles, San Bernardino, San Diego, Santa Ana, San Francisco, Santa Barbara, Santa Monica, e, chega de santos, pois a relação é imensa.

Voltando ao café da manhã, era possível encontrar em muitas mesas turistas japoneses, coreanos e filipinos recuperando as forças para apostar mais ainda. Na California, como em todos os Estados Unidos os cassinos ficam em reservas indígenas, que arrecadam milhões de dólares por ano. Os caciques de verdade andam em picapes que custam verdadeiras fortunas e alguns têm até avião, sem contar aqueles que se formam nas melhores universidades americanas.

Ao pegar a estrada noto que não há Chips em lugar algum, por mais que eu procure. Procuro também por Frank Poncherello e John Baker, patrulheiros cujos papéis eram de Eric Estrada e Larry Wilcox. Nem sinal deles, Já Eric Estrada pode ser encontrado na Florida, onde vende terrenos, casas e oferece uma série de vantagens. Ia esquecendo que Chips é California Higway Patrol, que foi imortalizada num seriado que teve 139 episódios e passou durante anos no Brasil, marcando a vida de muita gente que hoje é adulta.

Havia uma longa jornada pela frente e logo estava no estado do Arizona com seus cactos, desertos e uma paisagem de desolação. Ao olhar para o deserto interminável fiquei imaginando que é em paisagens inóspitas como estas que nossos patrícios arriscam a vida para ter uma vida melhor, em alguns lugares à beira da estrada era possível ver placas alertando para o perigo das serpentes venenosas e outros animais peçonhentos. O telefone toca e alguém informa que em Boston já cai a primeira neve com chuva; já a temperatura lá era quente e nem parece que estamos no inverno. Polícia? Nem sinal. E como não há árvores ou placas, onde eles possam estar escondidos a espreita de algum apressadinho, concluo que eles devem estar ocupados com outras coisas. O deserto é vencido e logo entramos no estado de New Mexico, com suas montanhas e pedras vermelhas. Este é o estado de onde saiu a maioria dos soldados do pelotão Navajo Talkers. Mas, já são sete e meia da noite e na estrada sumiu todo mundo, e antes que os hotéis lotem e os perigos da noite cheguem paro em Gallup, para dormir.

Todos os direitos reservado ao autor – outubro/2005.

Impressões de uma viagem – parte 2

In Cotidiano on June 8, 2009 at 4:32 am

Jehozadak Pereira

A estrada interminável foi sendo superada aos poucos. A infra-estrutura é muito boa e sempre há bons postos de gasolina – mais barata que na região de Boston, hotéis, restaurantes – sempre há uma loja de fast food – para matar a fome, e a medida em que se vai avançando o preços vão subindo assustadoramente. No Arizona e New Mexico, a impressão que se tem é a de que a maioria dos carros velhos dos Estados Unidos estão lá, assim como as paisagens – parece que literalmente o último filme de Hollywood foi filmado naqueles lugares e os cenários ficaram lá.

A presença indígena é marcante e é comum ser atendido nos hotéis, bares, restaurants e postos de gasolina por legítimos índios. Passa-se por cidades muito bonitas e por outras que são caóticas como Albuquerque em New Mexico – há quem diga que é um verdadeiro buraco, e parece ser mesmo. Faltou tempo para ir visitar a Petrified Forest National Park, a Meteor Crater e o Grand Canyon. Uma pena.

Ao entrar no Texas uma desagrádavel surpresa – uma multa por estar algumas milhas acima do limite, e sem apelação. Duro mesmo foi entender o que dizia o policial texano, a partir daí acabou-se o sossego, pois era um olho no velocidade e outro na viaturas policiais todas devidamente escondidas e prontas para reprimir qualquer engraçadinho, e o que não faltava era engraçadinho com o pé pesado sendo autuados.

Em Saint Louis no Missouri uma das mais bonitas cidades do caminho. Um arco – Gateway Arch – um imenso monumento de aço e concreto com altura equivalente a um prédio de 65 andares, e que marca a entrada do Oeste americano.

De Saint Louis partiram muitas caravanas de pioneiros que desbravaram o Oeste, tal como vemos nos filmes de faroeste. O Gateway Arch – dá as boas vindas a quem chega e homenageia quem parte, principalmente quem vai rumo ao desconhecido. Significa também a junção do velho com o novo, do antigo e do moderno e do conhecido com o desconhecido.

São lindas fazendas e paisagens que parecem ter sidos desenhadas por um artista e colocadas na terra para ornamentar e embelezar. O outono deixa ainda mais bonito tudo com as folhas ora vermelhas, ora amarelas, mas o clima ainda não é ainda de outono.

Anda-se já pela 90 que vai até Massachusetts. Interessante é notar que o lendária rota 66 cruza e parece se interligar com este caminho o tempo todo. Para quem não sabe a rota 66 foi cenário de Easy Rider – Sem Destino, o famoso filme estrelado por Peter Fonda e Dennis Hoper, dois motoqueiros muito loucos e drogados, que desafiam todos os perigos da estrada em busca de uma partida de droga.

Tudo na região é voltado para a mística 66. Na entrada de Illinois uma placa indica que é possível ir a Milwaukee no Wisconsin – Land of the Harley-Davidson. Quem nunca pensou em ter uma?

Convive-se com a história o tempo todo e lamento não ter tempo para explorar cada um destes pontos, pois faria da viagem uma oportunidade mais inesquecível ainda. Enquanto isto na estrada gigantescos caminhões transportam o progresso o tempo todo. E o meu destino está cada vez mais próximo, embora faltem ainda muitas milhas.

Logo estamos em Ohio, e Cleveland me faz lembrar de que ali é o lugar onde mais se fazem cirúrgias cardíacas no mundo todo, espero que nunca precisemos ir lá um dia, a não ser, claro para passear e ir embora rapidinho. Vai que alguma válvula falhe…, é melhor não abusar.

Finalmente o último dia da viagem e chegamos à Pennsylvania e suas paragens cada vez mais belas e que inspiraram e inspiram muitos apaixonados. Vale a pena ir lá um dia, principalmente no outono. Entramos na região vinícola, que dizem ter os melhores vinhos do lugar, que termina em New York State, e seus pedágios caríssimos. Um horror. Aí estamos perto do Canada e o trânsito – embora estejamos a quase 500 milhas de New York City, é um horror.

Na hora que o cansaço bate uma parada estratética para esticar as pernas, reabastecer, comer e pegar a 90 de novo.

A conclusão é a de que os Estados Unidos é lindo. Lindo mesmo. Agora só me falta ir ao estado de Washington e descer de carro rumo ao Idaho, Montana, Utah, Colorado, Wyoming e desta vez ir na Petrified Forest. Mas isto é assunto para outra viagem, que desta eu quero descansar por um bom tempo.

Já ia esquecendo do Navajo Talkers. Na Segunda Guerra, um estrategista militar dos Estados Unidos sugeriu uma brigada de comunicadores indígenas que falariam no seu idioma e com isto enganar os inimigos que interceptavam as comunicações. Bem, se você quiser saber mais assista o filme que é uma lição de coragem e destemor. Logo que dê uma folga eu vou assistir de novo, principalmente depois que estive em Gallup no New Mexico, onde moram alguns dos remanescentes do pelotão, que é o maior orgulho do lugar.

Todos os direitos reservados ao autor – outubro/2005.

O namorado da Vera Fisher

In Crônicas on June 7, 2009 at 3:23 am

Jehozadak Pereira

Gente boa o Nequinha. Mora nos Estados Unidos há anos, e muito engraçado faz a alegria dos amigos com as suas histórias – ou seriam estórias – hilárias. Ele jura de pé juntos que a Vera Fisher – sim a estonteante – foi apaixonada por ele. Para provar tira da carteira uma foto preto e branca já meio surrada, onde é possível ver um rapaz, que jura ser ele mesmo e uma loira bonitona – que ele insiste ser a atriz global. Olhando direito a foto não dá para saber se é ou não.

Os amigos insistem que o cara da foto não é ele, e que a loiraça não é a Fisher, e sim uma outra Vera qualquer. Mas ele bate o pé e garante que a mulher foi apaixonada por ele, lá em Santa e bela Catarina. Mas ele não ligava para ela, o negócio dele era uma morena que ele não esquece, e garante a cada conversa que a Vera – a Fisher, como dizem os amigos foi caidona por ele. Difícil de acreditar olhando para a silhueta rotunda, para a cabeça quase sem cabelos, e segundo os amigos, casos de um manézinho pescador. O que faz o Nequinha? Sorri meio de lado tentando esconder a banguelice…

Todos os direitos reservados ao autor – abril/2004

Os enganados

In Opinião on June 3, 2009 at 3:13 am

Jehozadak Pereira

Efésios 5.6

Com o lançamento do filme Nárnia, principalmente no Brasil, um grande número de pessoas – principalmente os devotos de C. S. Lewis, se alvoroçaram literalmente. Minha caixa de e-mail ficou entulhada de mensagens de gente que se emocionou ao conseguir ver tantas semelhanças e literalidade entre os escritos, o filme e a Bíblia.

No entanto, houve quem não se deixasse levar pelos encantos desta obra esotérica, pagã e totalmente fora dos padrões bíblicos e espirituais. Houve um teólogo – destes que ostentam os seus mestrados, pós-mestrados, doutorados e pós-doutorados, teses e tantos títulos que só vendo, inclusive na área de divindade – que me escreveu querendo tripudiar. Aceitei a provocação dele e fiz uma única pergunta. Bem simples e singela, que ele com todos os seus títulos poderia me responder sem consultar livro algum.

Perguntei o que ele fazia com o que Paulo escreveu em 1 Timóteo 1.4; 2 Timóteo 4.4; Tito 1.14 e 2 Pedro 2.16, onde o autor se refere a fábulas engenhosamente inventadas que não eram seguidas pelos mestres cristãos genuínos. Essas histórias fantasiosas, possivelmente criações dos primeiros mestres gnósticos, que produziram os evangelhos apócrifos, são, aqui, contrastadas com o verdadeiro relato sobre a transfiguração de Cristo, segundo transmitido por Pedro. As fábulas, mencionadas em 1 Timóteo 1.4 eram provavelmente lendas baseadas em narrativas do Antigo Testamento, pois são descritas, em Tito 1.14, como judaicas. Tais fábulas são ridicularizadas em 1 Timóteo 4.7 pelos epítetos profanas e de velhinhas caducas; eram ímpias por não estarem baseadas na revelação divina; e só prestavam para mulheres velhas.

A resposta dele veio célere. Aquilo que Paulo disse nas referências citadas aplica-se somente às fábulas e mitos judaicos, e C. S. Lewis era fascinado pelos arcanos da mitologia nórdica. Portanto, o nosso bom doutor mestre em teologia e divindade, estava livre para crer que Paulo não falava sobre isto.

Pois é. Isto mesmo. Como pode um cristão genuíno recusar o que diz claramente a Palavra de Deus? Não quero julgar o douto homem e as suas convicções, mas que elas soam estranhas, isto soam.

Triste mesmo é ver tantos intelectuais cristãos fazendo pajelança e prestando reverências para esta trama esotérica escrita por Lewis. Fico imaginando o que leva tantos homens e mulheres que dedicaram a sua vida a estudar as sagradas escrituras, a corroborar e principalmente a “ver” tantas ferramentas que podem ser usadas para a pregação do evangelho nesta série nefasta.

Mais ainda, desafio qualquer destes intelectuais e pastores a apresentar uma única vida que tenha sido resgatada do pecado através das Crônicas de Nárnia. Tempos atrás eu vi um cristão genuíno dar uma lição nuns pastores que eu mesmo fiquei com vergonha por eles. Eles conversavam sobre vinhos. Um dos pastores disse que bebia vinho por causa do estômago, outro por causa do coração, já o outro por causa do colesterol, a aí o irmãozinho disse que bebia vinho porque gostava, e que uma garrafa durava dois anos para ele. Ou seja, quem gosta e não tem coragem de assumir, fica buscando desculpas e mais desculpas para corroborar o seu mau gosto, e pior ainda, trocam a pureza do Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo, por porcarias e lixo místico. Fico imaginando o teor das mensagens que eles pregam nos seus púlpitos e a qualidade da cátedra que ensinam nas escolas teológicas.

Estes intelectuais que são tão afeitos ao estudo, poderiam fazer mais uma coisa. Abrir Nárnia diante de um dicionário esotérico, e ver as – muitas – semelhanças de conteúdo entre ambos, depois abram as suas Bíblias – se é quem tem uma – e façam uma análise isenta e crítica. Duvido que encontrem qualquer passagem ou versículo que confirme Nárnia.

Embora tenha sido criado com um protestante, ao chegar a idade adulta rejeitou qualquer forma de fé religiosa e se descrevia como um agnóstico, e depois de muito conversar com Tolkien sobre religião a sua visão de Deus, não era o da ortodoxia cristã, e sim de um Deus das várias religiões orientais, quase portanto, panteísta, muito longe de qualquer discrição bíblica.

Com uma convicção panteísta de Deus, Lewis não podia e não queria abraçar o cristianismo ortodoxo, que na sua essência quer que se exerça a crença em Jesus Cristo, além da convicção de que Ele foi enviado para morrer para que as almas fossem salvas. Lewis dizia que todas estas coisas eram mito, e a história de Cristo, nada mais que uma lenda, um mito, e achava que os mitos eram na realidade mentiras. Considerados por ele como contos de carochinha. Esta afirmação pode ser lida em Memoirs of the Lewis Family, carta a Sheldon Vanauken, 17 de abril de 1951. Lewis se converteu em 1931, e conheceu Tolkien em 11 de maio de 1926, no Merton College na Inglaterra, e tornaram-se amigos. E por causa do inconformismo de Tolkien, por Lewis não ter se tornado um católico eles se afastaram posteriormente um do outro.

Foi com este estado de espírito que Lewis escreveu Nárnia, e jamais tornou atrás nele. Logo, é de se estranhar que tanta gente boa enrede pelos caminhos do esoterismo contidos na trama.

Não há como negar que C. S. Lewis foi um prolífico e criativo escritor cristão, incensá-lo é exagero e fanatismo. Escreveu mais de 40 livros, e exageros à parte seus aficionados estimam que foram vendidas mais de 200 milhões de cópias, traduzidas em mais de 30 línguas. Entre as suas obras estão: “Regresso do Peregrino”, “O Problema do Sofrimento”, “Milagres”, “Cartas do Inferno”, uma trilogia de ficção científico-religiosa “Longe do Planeta Silencioso”, “Perelandra”, “That Hideous Strength”.

Seus admiradores afirmam que os seus livros foram lidos pelos seis últimos presidentes norte-americanos, o que não é referencial algum. Todos nós sabemos que no governo Reagan, foi onde mais se teve a influência do ocultismo na cúpula do mais importante cargo da face da terra. Quem não se lembra das inúmeras reportagens afirmando que Ronald Reagan não dava um passo sem consultar uma famosa vidente.

Todos eles leram de tudo, de Brian Weiss à Deprak Shopra, fora os confusos gurus indianos, e até Paulo Coelho, foi lido, ou por acaso não nos lembramos de Clinton sendo fotografado com um livro do prolixo brasileiro nas mãos? Pesquisas indicam que o leitor contumaz ou eventual lê o que está na moda, ou o que lhes é recomendado sem muito critério.

Inclusive as Crônicas de Nárnia e seu misticismo explícito, ainda que tenham sido escritas por C. S. Lewis…

Copyright©2006 – todos os direitos reservados ao autor – janeiro/2006.

O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa – As Crônicas de Nárnia

In Opinião on June 3, 2009 at 3:09 am

Jehozadak Pereira

Como preâmbulo deste artigo que escrevi tempos atrás, acrescento algumas considerações.

1. Ao filmar as Crônicas de Nárnia, a Disney quis agradar aos evangélicos?

Não, a Disney não quer agradar nenhum segmento religioso filmando As Crônicas de Nárnia. O interesse da Disney é meramente comercial.

2. As Crônicas de Nárnia é uma história cristã?

Não. Não é. Compare a trama com a Bíblia e jamais vai se encontrar por menor que seja qualquer coisa que se pareça com o cristianismo. Compare a trama com qualquer dicionário ou enciclopédia esotérica ou mística e vai ser possível encontrar muitas e muitas coisas relacionadas com o esoterismo, o misticismo, feitiçaria e bruxaria.

 3. C. S. Lewis não foi um escritor cristão?

Sim, após a sua conversão ele escreveu muita coisa boa, mas nunca renegou esta história esotérica, por mais que o defendam os seus devotos.

O irlandês Clive Staples Lewis, escreveu mais de 40 livros, e estima-se que da sua obra foram vendidos mais de 200 milhões de cópias, traduzidos em mais de 30 línguas. Entre as suas obras estão: “Regresso do Peregrino”, “O Problema do Sofrimento”, “Milagres”, “Cartas do Inferno”, uma trilogia de ficção científico-religiosa “Longe do Planeta Silencioso”, “Perelandra”, “That Hideous Strength”. Para crianças escreveu a série de fábulas “Crônicas de Nárnia” e nelas “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”. Considerado conto-de-fada cristão.

E é exatamente deste livro que quero tratar neste artigo. C. S. Lewis é considerado por muitos como o maior escritor cristão que o mundo já teve. Lewis é citado por pregadores, recomendado por homens influentes, estudado nas faculdades, nos seminários e nos institutos bíblicos. É comum ouvir em certos púlpitos mensagens onde Lewis é mais citado do que Jesus Cristo, e seus livros de referencial em lugar da Bíblia.

Há uma verdadeira febre e devoção a Lewis, muitos o incensam como o modelo ideal de escritor. Ateu desde a sua infância converteu-se ao cristianismo em 1929, na Igreja Anglicana, e é tido como o porta-voz não oficial do cristianismo, como se o cristianismo precisasse de um porta-voz, oficioso ou oficial a despeito de que o nominado seja C. S. Lewis.

Talvez Lewis tenha sido levado a este panteão por seus fiéis seguidores, que ignoram tantos outros nomes de relevância na pregação e divulgação do Evangelho ao longo dos séculos.

Será que podemos considerar este “laurel” como uma prova de fanatismo, semelhante aos seguidores e admiradores de Freud e Jung? Lembro aos meus leitores de que os seguidores de Jung o têm como um deus, e o consideram como o profeta escolhido dos deuses para dar-lhes o caminho da redenção. Que estes últimos tenham suas preferências vá lá, mas crentes o fazendo é no mínimo muito estranho.

Tempos atrás eu conversava com um amigo a respeito de Lewis e Tolkien, e ele me disse uma coisa que me fez pensar bastante. Desde quando o mundo secular elogia e respeita o que é nosso – ou melhor, o que se diz cristão, especialmente na área da literatura? Não é estranho que o mundo elogie um dos “nossos”?

Não estou discutindo a fé de Lewis, e nem as outras obras dele, estou expondo os problemas que existem em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa. A trama é repleta de simbolismos, e ouso dizer que é uma história com fundo esotérico. Certamente esta afirmação vai provocar o espanto de muitos. Mas o que você diria duma história onde há faunos, um guarda-roupa que é um portal, ninfas, anões, dríades, Lilith – a tradição cabalística diz que Lilith, seria o nome da primeira mulher criada antes de Eva, não da sua costela, mas diretamente da terra, tal como Adão. – Somos todos os dois iguais, teria dito Adão; e após uma discussão, Lilith encolerizada, pronunciou o nome de Deus, e fugiu para iniciar a sua carreira demoníaca, ou que ainda Caim e Abel brigaram por causa de Lilith.

Alimento enfeitiçado, sátiros, centauro, minotauro, cavalo alado, náiades, unicórnio, um leão que morre e ressuscita, ogres, duendes, vampiros, espíritos que moram nas árvores, fantasmas, lobisomens, íncubo – demônio masculino que, segundo velha crença popular, vem pela noite copular com uma mulher, perturbando-lhe o sono e causando-lhe pesadelos – mortos que ressurgem para a vida, e finalmente uma feiticeira.

Mas não uma feiticeira qualquer. É uma feiticeira branca. Não se trata de ver o mal. A perversidade das trevas no escrito de Lewis, somente porque há a feiticeira, seja ela de qual cor for. O comprometimento é muito maior do que se pensa, além do que a Bíblia nos diz o que acontecerá com os feiticeiros, repito – seja lá de qual cor forem.

A feiticeira é o menor dos problemas…

Ao que parece, aqui quer se “santificar” a feiticeira branca, somente porque foi Lewis quem a colocou na história, e para muitos isto basta, afinal foi um homem “santo” quem o disse. Mas voltando aos comprometimentos do livro, este exército de demônios luta ao lado do bem – de Aslam, o leão que é morto e ressuscitado, contra o mal – a feiticeira.

A trama toda começa quando Lúcia entra no guarda-roupa mágico e quando se dá conta que está num país, onde é inverno o tempo todo. Dentro deste país – Nárnia, Lúcia conhece o Sr. Tumnus – um fauno – divindade campestre caprípede, cornuda e cabeluda – conforme a descrição do livro da cintura para cima parecia um homem, com pernas de bode, com pêlos pretos e acetinados, com cascos de bode no lugar dos pés e uma cauda.

Mas eu quero deter-me nas palavras da Professora Gabriele Greggersen que dizem literalmente o seguinte no seu artigo Um encontro e tanto: “Como autora de uma dissertação a respeito de O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa, a primeira obra escrita da famosa série de contos-de-fada com fundo cristão – as Crônicas de Nárnia…”. Como pode ser cristão, um texto repleto de seres fantásticos? De seres advindos das trevas que lutam ao lado do “bem”?

Vejamos o que são os tais contos-de-fada na definição de quem entende e sabe o que significa. Nise da Silveira no seu livro Jung Vida e Obra escreveu o seguinte: “Jung diz que os contos de fadas têm as suas origens nas camadas mais profundas do subconsciente, comuns à psique de todos os seres humanos. Os homens sempre gostaram de histórias maravilhosas. Assim como as crianças. Afirma ainda que é salutar para os homens ouvirem a narração dos contos de fadas, e a narração de velhos mitos.

Jung prossegue dizendo que tanto os mitos quantos os contos de fadas são a mais perfeita expressão dos processos subconscientes. O homem pressentirá obscuramente que ali se espelham acontecimentos em desdobramento no seu próprio e mais profundo íntimo. Afirma que não se trata de acreditar nos feitos heróicos e nos encantamentos que as histórias descrevem, e que as verdades não são objetivas e sim verdades subjetivas, que são narradas na linguagem dos símbolos. Jung, porém tem consciência e admite que tanto as histórias quanto os mitos não passarão pelo crivo das exigências racionais. Finaliza afirmando que são essas ressonâncias que fazem no conceito dele o eterno fascínio dos contos de fadas”.

O professor e escritor Bruno Bettelheim define assim os contos-de-fada.“Os contos de fada, considerados por pais e educadores até pouco tempo como ‘irreais, falsos’ e cheios de crueldade, são para as crianças, o que há de mais real, algo que lhes fala, em linguagem acessível, do que é real dentro delas. Os pais temem que os contos de fadas afastem as crianças da realidade, através de mágicas e fantasias. Porém, o real, a quem os adultos comumente se referem, é o externo, é o mundo circundante, enquanto que o conto de fadas fala de um mundo bem mais real para as crianças. Durante muito tempo, os contos de fadas jazeram esquecidos, desprezados e banidos sob alegação de irreais e selvagens, em vista de suas tramas sempre altamente dramáticas. Depois que a psicologia desmistificou a inocência e a simplicidade do mundo das crianças, os contos de fadas voltaram a ser lidos e discutidos, justamente por descreverem um mundo pleno de experiências, de amor, mas também de destruição, de selvageria e de ambivalências. A psicanálise provou que os pais temem que seus filhos os identifiquem com bruxas e monstros, ogres e madrastas e com conseqüência os deixe de amar. Porém ao contrário, podendo vivenciar tudo, identificando-se e os pais com os personagens dos contos, os filhos têm sua agressividade diminuída, podendo amar os pais de maneira mais sadia. O conto assim contribui para um melhor relacionamento familiar. Entretanto, a maior contribuição dos contos de fadas é em termos emocionais, propondo-se e realizando concretamente quatro tarefas: fantasia, escape, recuperação e consolo. Desenvolvem a capacidade de fantasia infantil: fornecem escapes necessários falando aos medos internos da criança, às suas ansiedades e ódios, seja como vencer a rejeição (como em João e Maria) ou os conflito edípicos com a mãe (como em Branca de Neve) ou a rivalidade com os irmãos (como em Cinderela) ou sentimento de inferioridade (como em As Três Plumas). Os contos aliviam as pressões exercidas por esses problemas; favorecem a recuperação, incutindo coragem na criança, mostrando-lhe que sempre é possível encontrar saídas. Finalmente os contos consolam e muito: o final feliz, que tanto adultos consideram irreal e falso é a grande contribuição que os contos favorecem as crianças, encorajando-as à luta por valores amadurecidos e a uma crença positiva da vida”.

A mim me parece deslealdade, afirmar que o fabulário mundial está repleto de seres e entidades demoníacos, e ao mesmo tempo dizer que não há problemas em se aceitar isto como regra de fé e prática, pois afinal tudo é “fantasia”.

Mas quem precisa de fantasia? Já ouvi algumas vezes, que Aslam, é o protótipo de Jesus Cristo, pois ele morre e ressuscita, para resgatar a vida de muitos. Ouvi inclusive relatos emocionados acerca disto. Outro fato que emociona a muitos é quando Aslam convoca a todos para derrotar o mal – ou a feiticeira. E desde quando o bem personificado em Jesus Cristo precisa da companhia de ratos e um leão fedorento para vencer o mal.

Mas como o mal pode vencer o mal?

Centauros, unicórnios, cavalos, gigantes, anões, bichos menores, faunos, leões, cães, compunham o exército de Aslam, na sua luta contra o mal. Não preciso dizer que muitos destes são demônios literais. E vejam que não sou eu quem o digo. E muito menos fui eu quem os colocou ao lado de Aslam.

Qualquer dicionário de esoterismo pode dizer o que é um centauro ou mesmo um unicórnio, ou esclarecer ainda o que é um fauno ou um sátiro. Outro dia recebi um e-mail falando que a Bíblia cita em Isaías 34.14, a palavra sátiro. Queriam me mostrar e convencer de que o simples fato de a Bíblia citar é o suficiente para corroborar e confirmar o uso do termo por Lewis.

Que queiram acreditar e mais ainda, crer que o livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, é um “poderoso” instrumento de evangelização e uma “alegoria” do Evangelho, que creiam, mas desde quando o Evangelho precisa de “alegoria”? Desde quando um livro repleto de citações de demônios pode ser uma “alegoria” do Evangelho?

Se isto – demônios for “um poderoso” aliado do Evangelho o que vamos fazer com Hebreus 4:12? Que Palavra VIVA é esta que precisa do suporte de demônios para ser pregada? Que Palavra EFICAZ é esta que precisa de “alegoria” para ser aceita? Que Palavra CORTANTE é esta que necessita de apoio na mitologia e no misticismo?

As semelhanças de Aslam com Jesus Cristo são muitas. Uma delas é chocante. Quando Aslam morre a Mesa de Pedra se rompe e parte em dois pedaços; “Mas, se fosse um pouco mais longe, de penetrar na escuridão e no silêncio que reinam antes da aurora do tempo, teria aprendido outro sortilégio. Saberia que, se uma vitima voluntária, inocente de traição, fosse executada no lugar de um traidor, a mesa estalaria e a própria morte começaria a andar para trás… E agora…”

Qual foi o inocente que fez romper o véu? Que traído e inocente foi sacrificado para vencer o mal? Certamente muitos me contestarão, mas com certeza não responderão ou não terão argumentos para dizer que em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, não há misticismo e criaturas fantásticas. Certa vez eu escrevi um artigo repercutindo uma matéria publicada na Revista Veja, que citava Lewis e Tolkien, como autores de literatura semelhante à de J. K. Rowling, a nefanda autora de Harry Potter. Foi o suficiente para que recebesse uma enxurrada de e-mails desaforados defendendo Lewis.

Com certeza desta vez emitirão uma fatwa contra mim. Mas não me importo. O que me importa é a verdade é dizer em alto e bom som que em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, há contaminação espiritual, a começar do guarda-roupa que é um portal esotérico e a findar em Aslam, em nome de quem se deseja que as aventuras continuem.

Perigosas aventuras…

Copyright©2003 – todos os direitos reservados ao autor – agosto/2003