jehozadakpereira

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Amigo!

In Crônicas on October 10, 2008 at 5:38 am

Jehozadak Pereira

Amigo é coisa pra se guardar

Debaixo de sete chaves

Dentro do coração

Assim falava a canção

Que na América ouvi

Mas quem cantava chorou

Ao ver seu amigo partir

E quem ficou, no pensamento voou

Com seu canto que o outro lembrou

E quem voou, no pensamento ficou

Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa pra se guardar

No lado esquerdo do peito

Mesmo que o tempo e a distância digam não

Mesmo esquecendo a canção

E o que importa é ouvir

Você já teve um amigo assim, que guardou debaixo de sete chaves, e mais ainda, trancou e jogou as chaves todas fora? Aquele amigo do peito que você nunca esquece, e que sabe mais da sua vida do que sua mulher ou seu marido?

Muitos de nós ao partirmos dos nossos cantos, deixamos para trás nossas histórias de vida e temos de refazer tudo de novo. Já passou por isto?

Ou ainda daquele seu amigo dileto ou amiga querida que ficou ou já morreu? Eu tive um amigo assim, tempos atrás e que depois de uma longa enfermidade morreu. Quando nos conhecemos, as afinidades eram poucas, mas a paixão pelo Palmeiras, a mesma visão da vida e os problemas em comum trataram de estreitar e iniciar uma amizade que durou anos.

Nossas conversas duravam horas e dias a fio. Um assunto nunca se esgotava no mesmo dia e invariavelmente continuava no dia seguinte. Partilhávamos as caronas. Ele no meu jornal e eu no seu carro ao final de cada dia.

Aprendi muito com meu amigo, e um dia ele disse o mesmo para mim, embora a nossa diferença de anos fosse considerável. Aprendi com ele a ler mais e seletivamente, a dar valor ao profissionalismo, a fazer as coisas de modo que não tivesse de refazê-las de modo algum. Uma das suas frases prediletas era a de que se algo fosse bem feito, o seria para a vida toda.

Relembrei com ele uma coisa que meu pai sempre me disse – a de que se preciso recuar e pedir desculpas, não era vergonha alguma, e sim uma virtude do caráter.

Como o passar do tempo ele deixou de ser meu superior para ser de fato meu amigo, e vi que um amigo nunca adula, e sim, fala a verdade o tempo todo, mesmo que esta verdade doa, e se doer é relevada, pois de um amigo às vezes suportamos o jugo. Outro dia ouvi, uma coisa interessante numa palestra. Amigo é aquele que come um quilo de sal junto com você e não reclama. Uma verdade que já ouvira no passado, e que a mente se encarregara de jogar e deixar escondida num canto qualquer do inconsciente. Algumas vezes este amigo comeu junto comigo uma porção de sal, e eu tive a oportunidade de fazer o mesmo com ele. E se precisasse faríamos o mesmo novamente.

Muitos são solitários por não ter de fato um amigo ou amiga com quem partilhar as coisas do espírito e da alma, às vezes tão atribuladas com as circunstâncias que nos cercam. Sem contar que cortamos deliberadamente as nossas raízes e nos esquecemos dos pequenos gestos que só uma amizade sincera pode proporcionar. Sem contar que as vezes nos surpreendemos com aqueles que achavámos que eram nossos amigos, mas que pensam que amigo verdadeiro é aquele que por mero interesse lhe dá – ou vende mais barato um mimo qualquer…

Uma pena…

A Canção da América, que magistralmente Milton Nascimento, entre outros, declama em forma de música, expressa tudo isto e mais um pouco, e nos remete aos nossos amigos. Uma pena é aqueles que já partiram, mas para os que ficaram, o bom é que pudéssemos dizer

A voz que vem do coração

Pois seja o que vier

Venha o que vier

Qualquer dia, amigo

Eu volto, prá te encontrar

Qualquer dia, amigo

A gente vai se encontrar.

Se você, leitor, lembrou do seu amigo ou da sua amiga que ficou para trás ou que partiu de volta, se puder ligue e diga da importância deles na sua vida, afinal amigo não é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, com sete chaves?

O que você faz com as chaves? Joga fora!

Os falsos amigos – 2

In Comportamento on July 4, 2008 at 2:46 am

Jehozadak Pereira

A cada dia que passa eu me sinto mais decepcionado com alguns oportunistas que me cercam e que somente querem se aproveitar de algumas coisas que eles pensam que eu tenho. Há muitos anos eu tinha um amigo que já morreu e ele me dizia algumas coisas que jamais esqueço. Uma das suas frases prediletas era que algumas pessoas nada mais såo do que bundas – me perdoem a grosseria – que buscam uma cadeira para sentar. Isto nunca me saiu da mente. E não é que a vida está cheia de “bundas” buscando uma cadeira para sentar? Tempos atrás conheci duas bundas. Simpáticas, sorridentes, falando mansinho, cheias de cordialidade, mas que na realidade queriam mesmo era uma cadeira para sentar. Quando a máscara das duas bundas caiu, deu para ver o maquiavelismo e a premeditação, bem típica do que relaciono abaixo.

O que eles querem mesmo é só uns trocados a mais por mês. Talvez seja por isso que jamais vão chegar a lugar algum.

Uma pena constatar que cada vez mais chego a conclusão de que o melhor é se isolar mesmo…

PS me perdoem o desabafo e o modo rude, mas precisava escrever isto.

Almoços, jantares, presentes, telefonemas a toda hora, agrados, palavras boas, sorrisos e muitos tapinhas nas costas. Esta é a tática que muitos usam para conseguir alguma coisa. Escamoteiam seus sorrisos, agem com frieza absoluta e se dizem amigos, quando na realidade não são amigos de ninguém.

Você já passou por uma situação destas alguma vez? Já partilhou da amizade de alguém que queria somente tirar alguma coisa de você – mesmo que você não tivesse nada para oferecer? Mas o que na realidade importa ao falso amigo? À vontade ou o interesse dele, claro.

A realidade que vivemos aqui as vezes nos torna presas fáceis de oportunistas que querem fazer rápidas escaladas e não hesitam em fazer nas costas alheias o seu alpinismo. E quando encontramos pessoas que são arredios a tudo e a todos? Gente bonita e simpática, mas que vive um para o outro; ao conviver um pouco com eles, é possível senti-los ressentidos, arredios e ariscos com relação ao ser humano. O motivo?

Falsos amigos. Oportunistas. Alpinistas sociais. A mesma história de sempre. Sorrisos, tapinhas nas costas, almoços, jantares, presentes, agrados, e quando conseguem o querem bye, bye…

Outro dia mesmo eu conversava longamente com um casal que conheci tempos atrás e que me parecia muito arredio a tudo e a todos. Gente bonita e simpática, mas que vive um para o outro; ao conviver um pouco com eles, pude senti-los ressentidos, arredios e ariscos com relação ao ser humano. Fiquei me perguntando durante algum tempo o que os havia magoado tanto. Certa feita conversamos durante horas, e pude entender o que de fato aconteceu com eles. Haviam partilhado da amizade de um outro casal durante algum tempo, sem se dar conta de que estavam sendo usados descaradamente.

Um dia, encontraram um amigo de longa data num casamento, e quando ele viu que eles tinham amizade com aquelas pessoas, disse-lhes para tomar cuidado, pois não eram pessoas confiáveis. Eles ignoraram e não deram ouvidos ao que lhes dizia o amigo. Achavam que com eles não iria acontecer nada demais, e os seus amigos eram amigos de verdade e não fariam nada que lhes prejudicasse.

Tempos depois uma outra amiga que não viam já há algum tempo, alertou-os a respeito dos seus supostos amigos. Conversando entre si, os interlocutores diziam um para o outro que era impossível que falassem aquelas coisas do casal que era tão amigo e cordial.

Ignoraram tudo, e mesmo que fossem prejudicados não iriam romper com a amizade. Amizade que continuou por algum tempo. Um belo dia, simplesmente do nada o casal de amigos de afastou do convívio deles, não lhes respondiam aos telefonemas e nem aos e-mails enviados. Silêncio absoluto. Nenhuma palavra, nenhuma manifestação por pequena que fosse.

Um dia se encontraram e o outro casal constrangido tentou se justificar, dando explicações que não convenceram de modo algum. O tempo foi passando e as respostas para o afastamento dos amigos teimavam em não chegar. Ai eles se lembraram do que havia dito o outro amigo na festa do casamento onde se encontraram. O que dissera o amigo? Assim que eles alcançassem os seus objetivos, iriam descartá-los sem a menor cerimônia ou respeito por eles, que seriam meros instrumentos de escalada social.

Sairiam por uma porta qualquer e agiriam como se não os conhecesse ou sequer tivessem um dia partilhado do seu convívio e amizade. Mais ainda; iriam falar deles para outras pessoas e eles não teriam sequer o direito ou a chance de defesa ou de se explicar, e ainda revelariam a sua soberba e arrogância. Dito e feito. Fora tudo aquilo e mais um pouco.

Daí a sua profunda decepção com o ser humano. Haviam acreditado em alguém e foram traídos na sua confiança. Logo, para eles, nova amizade era coisa impensável.

Ainda assim, tem aqueles que continuam acreditando que há pessoas que não se decepcionam com o ser humano. É difícil, e mesmo assim continuam tentando…

Filhos. Amigos ou inimigos?

In Comportamento on December 11, 2007 at 10:34 am

Jehozadak Pereira

Certa vez eu falava para um grupo de jovens e citei que filhos devem honrar seus pais. Uma jovem muito bonita quase me pulou em cima de tanta raiva e ira. Ela disse aos gritos que eu dizia aquilo por que não conhecia seu pai. Bruto, mal educado, mau humorado, arrogante, violento, bêbado, alcoólatra, espancador dela, dos irmãos e da mãe. Coisas de chocar qualquer um.

Levei-a diante de todos a ler e refletir sobre o que está escrito em Êxodo 20.12. Fiz com que ela lesse na Bíblia dela a passagem reiteradas vezes. Então perguntei se ali havia alguma condição para que ela respeitasse e honrasse seu pai? Continuei perguntando se ela deveria respeitar e honrar seu pai se ele fosse respeitador, educado, cordato, gentil, que não tivesse quaisquer vícios? E ela foi respondendo não para todas as minha indagações. Logo ela pode entender onde eu queria chegar.

Não há nenhuma vírgula, senão, hiato, condição, reparo, desvio, nada, não há nada que diga que pai e mãe não devem ser honrados, independentemente da sua condição.

Pois bem, há pais e mães que são inimigos viscerais dos seus filhos, e igualmente há filhos que são inimigos figadais dos seus pais e mães. Eu conheço um monte deles.

E por que são inimigos? Os motivos são diversos e variados.

Covarde, trapaceiro, negligente e mentiroso. Foi exatamente com estas palavras que Guillaume Depardieu, definiu seu pai, o ator francês Gerard Depardieu. A inimizade de ambos é notória e beira muitas vezes o escárnio. Guillaume ataca o pai, por causa do desprezo deste na infância, e da indiferença com que foi tratado a vida toda pelo pai. Em 1996 Guillaume sofreu um grave acidente quando dirigia em alta velocidade uma motocicleta, e tempos depois teve de amputar a perna direita por causa de uma infecção hospitalar.

Gerard trata o filho como desequilibrado emocional, e este devolve o insulto xingando o pai pela imprensa.

Há inúmeros exemplos de pais e filhos que se odiavam uns aos outros. Jânio Quadros foi um dos que detestava seu pai. Quando Gabriel Quadros morreu assassinado por marido traído, Jânio sequer lamentou. A divergência de um com outro atravessou décadas de desprezo, indiferença e rancor.

Geralmente conflitos entre pais e filhos passam por uma educação deficiente e falha. Quando pequenos quem decide o que a criança vai comer, vestir, quando ir deitar-se, tomar banho, se pode fazer o quer, etc.

Nesta etapa de vida, não há conflitos, e os filhos vêem os pais como seus heróis e heroínas prediletos.
Porém, na adolescência surgirão os problemas. Os filhos passarão a ver os pais como eles são na realidade – pessoas falíveis, com problemas, com dificuldades diversas, quebrando um pouco daquele elã infantil que havia, e que mascarava certas situações.

Nesta situação, muitos pais não “toleram” perder o posto que pensavam desfrutar – e há pais que controlam absolutamente tudo dos seus filhos.

Gerações separam pais e filhos e os comportamentos destes tendem a desagradar os pais. É comum, ouvir certos pais dizendo – no meu tempo isto era diferente, repetindo assim aquilo que ouviram por sua vez dos seus pais.

Pais que não tolerarão as amizades, os gostos musicais, as leituras, as roupas, o modo de estudar, o comportamento e tudo o que se relaciona ao bem-estar dos filhos. Tentarão controlar a privacidade deles como indivíduos de cabeças – ainda que imaturas – pensantes. Hoje um adolescente tem muito mais opção de se divertir do que seus pais. Televisão, internet, livros, filmes são alguns dos recursos disponíveis para a educação e o conhecimento de muitos ainda que não estejam totalmente preparados para tal. Querem exercer um controle exagerado sobre os filhos, querem demonstrar força, quando deveriam mostrar coerência e inteligência.

Sem contar que os nossos dias são invariavelmente mais dificultosos do que os dias dos nossos pais. Há mais violência, a iniciação sexual e os perigos decorrentes dela são muito mais evidentes e notórios, pois adolescentes se iniciam sexualmente e muitos têm vidas ativas neste aspecto. Nunca se contraiu tanta doença sexualmente transmissível – a exemplo da AIDS, e drogas injetáveis como nos nossos dias.

Hoje um adolescente de quinze anos, sabe mais de sexo e da vida do que seus avós quando estes tinham trinta anos de vida. Uma única edição diária do jornal The New York Times, traz mais informação do que um homem podia assimilar durante um período de cinco anos, há três décadas atrás.

Os tempos mudaram, só que alguns pais não acompanharam estas mudanças, e falam uma linguagem diferente dos filhos. Nesta situação os conflitos familiares tendem a se acirrar, tornando a convivência insuportável. O pai gritará com o filho, a filha o responderá, e a mãe ao tentar intervir, para não ficar mal com nenhum dos lados fará com que as coisas se tornem ainda mais ruins do que já estão. O que mais se vê hoje em dia são adolescentes irritados com seus pais.

O que para os jovens é normal e compreensível, para os pais não é. O que uns toleram os outros não suportam. Nesta altura da vida, os filhos desejam ter amigos, sair, passear, ir ao cinema, viajar com quem partilha os mesmos interesses, e invariavelmente os pais estão numa outra dimensão frontalmente contrária a dos filhos.

É muito comum pais e filhos serem amigos depois de muitos anos. Primeiro porque os pais passam a ver a vida de outro modo, entendendo e aceitando as mudanças impostas pelo tempo, e depois porque os filhos ao se tornarem pais vão passar certamente pelos mesmos problemas que seus pais enfrentaram com eles. Eu mesmo, só fui entender muito das atitudes dos meus pais, no instante em que fui pai, e passei a enfrentar os mesmos problemas que eles haviam enfrentado comigo. Com o passar dos anos tornei-me amigo deles, mas precisei tomar uma lição que nunca vou esquecer.

Hoje uma das minhas maiores alegrias é poder falar com meus pais, e sinto a reciprocidade neles, orgulho-me de ser amigo deles, e não abro mão deste privilégio. Problemas de pais com filhos, não significam necessariamente passar por drogas, sexo, mau comportamento, portanto, fora do âmbito e da convivência familiar, para ser estritamente de ordem interna dos lares.

Meu pai conta que na sua infância, seu pai somente olhava para ele e seus irmãos, e isto era o suficiente para que todos eles entendessem o que queria dizer meu avô. Não se falava sem pedir licença, não se entrava, saia, ou se mexia em nada sem permissão. Se tivesse visitas em casa a prioridade era destes, havia a imposição rígida de uma disciplina que não dava abertura para que qualquer um deles fizesse o que desejasse.

Já a criação da minha mãe foi diferente da do meu pai, e nem por isso minha mãe e tios eram indisciplinados. Acho que meu avô materno nunca disciplinou fisicamente um filho, era um homem dócil e amigo dos filhos, assim como – ao seu jeito e modo, meu avô paterno.

Parte da minha infância foi passada sob estes métodos. Meu pai olhava e pelo jeito dele olhar já sabia de antemão o que iria acontecer. Para muitos este sistema é arcaico e ultrapassado. Não é não. Das coisas da minha criação que reclamo, foi a falta de diálogo, do resto não reclamo de nada. Com meus filhos apliquei muito das coisas que aprendi com meus pais, só que tinha por obrigação de melhorar aquilo que aprendi e recebi deles.

Aliás, nós temos a obrigação de melhorar a nossa história de vida e a herança que recebemos dos nossos pais. Se ela foi deficiente, temos o dever de educar nossos filhos de modo digno e diferente daquela que fomos educados. Se ela foi boa, nosso dever é aperfeiçoá-la de todos os modos.

O que nos resta então é tornarmo-nos amigos dos nossos filhos. Por maior que sejam as divergências e diferenças existentes entre uns e outros, nossa obrigação e dever é sermos amigos sempre uns dos outros.
Freqüentemente recebo e-mails de filhos reclamando dos seus pais. Falta de atenção, ausência de carinho, diálogo, indiferença e até desprezo são alguns dos itens que mais se queixam os filhos dos seus pais.

Conheci certa feita um rico empresário em São Paulo, que se gabava das atitudes dos seus filhos. Um deles certa vez foi viajar com mais dois amigos para a Itália, e lá por um motivo qualquer foi preso. Havia levado um cartão de crédito do pai escondido e havia sido pilhado falsificando a assinatura nos recibos das compras.

O que ele fez? Nada. Orgulhava-se disto. Eu já estava morando na América quando li nos jornais que o mesmo rapaz havia se envolvido num seqüestro de uma prima para tirar dinheiro do tio. Uma das perguntas que o delegado que o prendeu fez, foi o porque da atitude, visto que não havia necessidade daquilo.

Vingança pela falta de atenção do pai e da mãe, foi o motivo alegado.

Assim, muitos filhos estão ai a deriva vingando-se dos seus pais, tratando-os como inimigos mortais, quando deviam honrá-los e prezá-los. Do mesmo modo, pais que tratam seus filhos como rivais que somente venceram na vida por causa da ajuda deles, pais.

Quem é pai ou mãe, os amigos dos seus filhos? Vocês? Ou os amigos deles são os colegas de trabalho, de turma ou da escola? Seus diálogos são conversas agradáveis ou uma gritaria insana e inconseqüente? Seu filho só o procura nas horas de necessidades? Que tal ser amigos dos seus filhos ainda hoje?

Pensem nisso.

Os falsos amigos

In Comportamento on June 30, 2007 at 3:43 pm

Almoços, jantares, presentes, telefonemas a toda hora, agrados, palavras boas, sorrisos e muitos tapinhas nas costas. Esta é a tática que muitos usam para conseguir alguma coisa. Escamoteiam seus sorrisos, agem com frieza absoluta e se dizem amigos, quando na realidade não são amigos de ninguém.

Você já passou por uma situação destas alguma vez? Já partilhou da amizade de alguém que queria somente tirar alguma coisa de você – mesmo que você não tivesse nada para oferecer? Mas o que na realidade importa ao falso amigo? À vontade ou o interesse dele, claro.

A realidade que vivemos aqui as vezes nos torna presas fáceis de oportunistas que querem fazer rápidas escaladas e não hesitam em fazer nas costas alheias o seu alpinismo. E quando encontramos pessoas que são arredios a tudo e a todos? Gente bonita e simpática, mas que vive um para o outro; ao conviver um pouco com eles, é possível senti-los ressentidos, arredios e ariscos com relação ao ser humano. O motivo?

Falsos amigos. Oportunistas. Alpinistas sociais. A mesma história de sempre. Sorrisos, tapinhas nas costas, almoços, jantares, presentes, agrados, e quando conseguem o querem bye, bye…

Outro dia mesmo eu conversava longamente com um casal que conheci tempos atrás e que me parecia muito arredio a tudo e a todos. Gente bonita e simpática, mas que vive um para o outro; ao conviver um pouco com eles, pude senti-los ressentidos, arredios e ariscos com relação ao ser humano. Fiquei me perguntando durante algum tempo o que os havia magoado tanto. Certa feita conversamos durante horas, e pude entender o que de fato aconteceu com eles. Haviam partilhado da amizade de um outro casal durante algum tempo, sem se dar conta de que estavam sendo usados descaradamente.

Um dia, encontraram um amigo de longa data num casamento, e quando ele viu que eles tinham amizade com aquelas pessoas, disse-lhes para tomar cuidado, pois não eram pessoas confiáveis. Eles ignoraram e não deram ouvidos ao que lhes dizia o amigo. Achavam que com eles não iria acontecer nada demais, e os seus amigos eram amigos de verdade e não fariam nada que lhes prejudicasse.

Tempos depois uma outra amiga que não viam já há algum tempo, alertou-os a respeito dos seus supostos amigos. Conversando entre si, os interlocutores diziam um para o outro que era impossível que falassem aquelas coisas do casal que era tão amigo e cordial.

Ignoraram tudo, e mesmo que fossem prejudicados não iriam romper com a amizade. Amizade que continuou por algum tempo. Um belo dia, simplesmente do nada o casal de amigos de afastou do convívio deles, não lhes respondiam aos telefonemas e nem aos e-mails enviados. Silêncio absoluto. Nenhuma palavra, nenhuma manifestação por pequena que fosse.

Um dia se encontraram e o outro casal constrangido tentou se justificar, dando explicações que não convenceram de modo algum. O tempo foi passando e as respostas para o afastamento dos amigos teimavam em não chegar. Ai eles se lembraram do que havia dito o outro amigo na festa do casamento onde se encontraram. O que dissera o amigo? Assim que eles alcançassem os seus objetivos, iriam descartá-los sem a menor cerimônia ou respeito por eles, que seriam meros instrumentos de escalada social. Sairiam por uma porta qualquer e agiriam como se não os conhecesse ou sequer tivessem um dia partilhado do seu convívio e amizade. Mais ainda; iriam falar deles para outras pessoas e eles não teriam sequer o direito ou a chance de defesa ou de se explicar, e ainda revelariam a sua soberba e arrogância. Dito e feito. Fora tudo aquilo e mais um pouco.

Daí a sua profunda decepção com o ser humano. Haviam acreditado em alguém e foram traídos na sua confiança. Logo, para eles, nova amizade era coisa impensável.

Ainda assim, tem aqueles que continuam acreditando que há pessoas que não se decepcionam com o ser humano. É difícil, e mesmo assim continuam tentando…