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A critica e o crítico devoto

In Opinião on March 1, 2008 at 6:14 pm

Jehozadak Pereira

Anos atrás quando escrevia para um jornal em São Paulo, criticava a tudo e a todos. Especialmente políticos e autoridades. Somente uma vez um deles estressou, mandou uma carta para o jornal, ameaçou me processar e recuou. O motivo?

O irmão deste político havia se candidatado ao cargo de vereador, e na sua propaganda enviada por mala direta, ele dizia que aquilo tudo estava sendo pago pelos amigos, correligionários e incentivadores da campanha.

Num dos meus textos eu usei de ironia com aquilo tudo, e disse que se dependesse dos amigos, correligionários e incentivadores da campanha, o nosso bom candidato não teria votos sequer para se eleger juiz de paz.

O parlamentar ficou apoplético, nervoso, irritado, e soube depois que queria me dar uma surra. Abertas às urnas, a minha previsão se concretizou. A votação foi pífia.

Recentemente tenho criticado a devoção que muitos dos nossos irmãos em Cristo tem por J. R. R. Tolkien e sua obra – no bom sentido, claro – pagã, especialmente O Senhor dos Anéis.

Isto tem me trazido alguns dissabores, como ouvir desaforos e xingamentos, além de estar em listas e listas e fóruns de discussão, onde invariavelmente sou destratado a exaustão.

Tempos atrás escrevi o artigo Tolkien e os meninos mimados, onde entre estas coisas repercuti a critica que Fernando Passarelli, crítico de cinema da seção Diversão & Arte do www.bibliaworldnet.com.br, fez para o filme As Duas Torres.

Meses depois sou surpreendido por um e-mail do Fernando Passarelli, cujo transcrição está abaixo:

From: “ferpanet” <ferpanet@uol.com.br>

To: “edson” <edson@estudosbiblicos.com>

Sent: Thursday, September 23, 2004 12:18 AM

Subject: [spam] AÇÃO NA JUSTIÇA

Aos cuidados do sr.

Edson Kawano

responsável pelo site www.evangelicos.com

Informo que encontrei no referido site, citações à minha

pessoa, tecidas pelo sr. Jehozadak A Pereira, na URL abaixo :

www.evangelicos.com/artigos/jehozadakap22.shtml

Solicito que essas citações sejam removidas ou estarei

acionando judicialmente o autor do texto, a partir desta

data, e o site como co-autor das ofensas, tendo em vista sua

veiculação. Como bem explica a lei de imprensa, o outro lado

de uma informação deve ser ouvido sempre que citado.

No aguardo de sua manifestação

Fernando Passarelli

Fiquei imaginando em que calo de Passarelli eu pisei, ou se pisei em todos eles de uma vez só. Deixei o Edson Kawano à vontade para retirar do ar o texto, mas resolvi colocá-lo no Destaque aqui.

Muito engraçado este crítico, que não aceita critica. O que fiz foi notar no texto as loas e elogios que Passarelli fez do filme As Duas Torres, talvez ele tenha ficado aborrecido por ter exposto a devoção dele a Tolkien e sua obra – sem nenhum sentido fisiológico – pagã.

Espanto maior ainda é que ele encontra guarida num site sério como o www.bibliaworldnet.com.br, fazendo apologia de paganismo e coisas demoníacas. Ser processado por Passarelli, será a prova de a devoção de alguns não tem limites.

Uma pena. Pena mesmo.

O Senhor dos Anéis e as Duas Torres – Os filmes

Postado por Gustavo D. – quinta-feira, 02 de janeiro de 2003 – 08:10 am:

Acho realmente tudo isso ridículo. Não sei se Jehozadak sabe, mas Tolkien era cristão fervoroso, defensor da moral e dos bons costumes. Dizem que não ouvia rádio nem assistia televisão, enfim, um padrão de comportamento. Como uma pessoa com estas credenciais poderia escrever “heresias”? É tudo fantasia, nada disso exerce influências negativas. Talvez apenas aos desequilibrados.

A mensagem acima foi postada no fórum principal do www.evangelicos.com, onde estão publicados muitos dos meus textos e onde há espaço aberto para os comentários dos leitores. Logicamente não me irrito ou me aborreço com aqueles que fazem comentários me criticando ou xingando. Mas um outro dia eu recebi um e-mail de um dos muitos devotos de Tolkien, perguntando-me porque eu os irritava tanto com as minhas críticas e “insistência” em mostrar comprometimentos, onde, segundo o bravo devoto não há comprometimentos.

Deixei para lá. Tratar com fanáticos é complicado. Tratar com gente adulta que se parece com meninos mimados é pior ainda. Eles sapateiam, rangem os dentes, mugem a grande, mas não conseguem escapar de uma realidade: em Tolkien, há sim comprometimentos espirituais em larga escala.

Há uma grande desinformação de quem foi Tolkien. Alguns o consideram – como Gustavo D – um cristão. Biblicamente um cristão é todo aquele que está devidamente imbuído dos princípios do genuíno Evangelho de Jesus Cristo. Os princípios são; regeneração – transformação de vida; adoração única e exclusiva ao Senhor e verdadeiro Deus. Regeneração significa mudança de vida associada com santificação. Dizer que um católico devoto – com todos os seus comprometimentos idólatras é um cristão, é no mínimo temerário e denota ignorância das Escrituras.

Deus não comunga com ídolos. Ao contrário, condena a idolatria. Ao que parece Tolkien era um idólatra. Tolkien foi um católico devoto, apaixonado pelo santíssimo sacramento influenciado que foi pela sua mãe – Mabel Tolkien. Tolkien era ligado por gratidão ao padre Francis que o levou a converter-se ao catolicismo, incutindo nele – Tolkien – a necessidade de seguir a devoção de Mabel a Roma e ao papa.

Nada ao longo da vida de Tolkien o fez perder a fé na igreja católica. Edith a mulher de Tolkien não gostava de confissão e não compreendia direito o alívio espiritual que Tolkien e outros católicos devotos diziam sentir.

Mesmo sendo um católico devoto, Tolkien tinha a sua mente voltada para o mundo místico e fantástico. Uma das suas leituras aos sete anos de idade foi Red Fairy Book – Livro vermelho de fadas – e por causa das muitas influências que recebeu ao longo da vida, Tolkien baseado em antigas tradições mitológicas descreve um mundo sem cristandade – o que derruba por terra o argumento de muitos de que há relação entre os demônios de Tolkien e o Evangelho.

A Terra Média, criada por Tolkien é um mundo imerso em magia e inteiramente intocado por qualquer forma de cristianismo. O contraste com o Evangelho, é que enquanto Tolkien fala de uma “terra-média” a Bíblia diz de uma Terra Prometida. Em palestras em Oxford, onde dava aulas sobre Literatura Medieval, alunos consideravam Tolkien “louco varrido”, porque abandonava o tema das suas palestras e se punha a falar de duendes e elfos.

Além de escritor prolífico Tolkien era pintor de aquarelas com figuras de dragões, fortemente influenciado pelo amor infantil que sentia pelo Livro Vermelho de Fadas.

Tolkien renegou ao longo de toda a sua vida qualquer influência oculta ou escamoteada na sua obra. Contudo, seus personagens vivem num mundo onde a magia é real e palpável. W. H. Auden, amigo e patrocinador de Tolkien afirmou que As crenças não declaradas de O Senhor dos Anéis são cristãs. Em meio as milhões de palavras de Tolkien sobre a Terra-Média, não aparece uma única vez sequer a palavra Deus. Tolkien se irritava sobremaneira quando lhe perguntavam se o seu mundo mitológico era alegórico. Resta então saber que tipo de crenças cristãs são estas que estão ao lado e em conluio com elfos, anões duendes, demônios, feiticeiros, magos?

O mundo de Tolkien é um mundo pagão, sem Deus e desprovido de qualquer tipo de luz divina, embora seus devotos afirmem o contrário.

C. S. Lewis um dos melhores amigos de Tolkien – amizade que com o passar dos anos esvaiu-se – era um agnóstico, provocou o desapontamento de Tolkien a quem considerava um devoto cristão – e ainda por cima católico, mais ainda, um quase fundamentalista católico – por aproximar-se do protestantismo e deixar de lado o catolicismo, que Tolkien desprezava. A opção de Lewis pelo protestantismo desapontou profundamente Tolkien.

Nada há contra os católicos, mas as suas práticas estão muito longe das práticas de um cristão verdadeiro – aquele que se parece com Cristo, a palavra de Deus é que julga a todos.

Igualmente nada há contra quem quer ser devoto de Tolkien. Cada um crê no que quer. Mas aqueles que se dizem convertidos e que devotam paixão por Tolkien e seus escritos devem rever a sua fé, ou melhor, a sua convicção pessoal de salvação.

Mesmo no nosso meio há alguns lugares onde a devoção a Tolkien é exacerbada. Um destes lugares é o site www.uol.com.br/bibliaworld, primeiro com Marcelo Gióia Oliveira e agora com Fernando Passarelli. Passarelli exacerbou na pajelança que fez do filme As Duas Torres – recentemente lançado – e que é a continuação de O Senhor dos Anéis. Ao babar e derramar-se em elogios e loas ao filme e a obra de Tolkien, Passarelli causa enjôo e deixa perplexo na crítica As duas torres – quem encara o pecado? A peroração do crítico talvez ficasse melhor num site secular, voltado para as coisas mundanas, nunca num site voltado para o público cristão.

Que Passarelli queira ser devoto de Tolkien que o faça com seus próprios argumentos e palavras e não use as Sagradas Escrituras para torcer o seu (mau) gosto pessoal, querendo fazer pensar a qualquer incauto, se é que há incautos – que na obra de Tolkien há qualquer semelhança ou um pequeno vislumbre que seja que se aproxime do Evangelho, e nem que busque distorcer as santas verdades bíblicas com as mazelas malditas de Tolkien.

O mais perto que Tolkien chegou do Evangelho foi a sua devoção ao catolicismo, devoção que carregou até o final da vida. Dizer o contrário é dar pérolas aos porcos. Ou querer enganar-se com argumentos fracos e inconsistentes.

Para os devotos de Tolkien falar contra as obras do professor como era chamado é querer ver o mal em tudo. Nem de ser legalista, xiita, fundamentalista ou o que queiram chamar, pois sou liberal nas minhas preferências, e como disse no início é só ler Tolkien para ver que na sua narrativa não há nada de espiritual, ao contrário é possível encontrar duendes, feiticeiros, magos, elfos, demônios, anões e todo o tipo de lixo espiritual. Como corroborar, ou melhor, como conjugar tudo isto com a Bíblia? Qualquer coisa distante disto é balela, enganação, tapeação, ou como queiram gosto pessoal deturpado, que não fica bem em quem se diz cristão.

Resta saber se estes que se dizem cristãos professam o Cristo vivo, ou se são “cristãos” como Tolkien foi? A mim me parece que eles são mais que meninos mimados a ranger os dentes quando contrariados quando perdem o doce que estão comendo.

De que adianta não assistir televisão ou mesmo defender a moral e os bons costumes e escrever livros repletos de misticismo e ocultismo? Devotos como Gustavo D confundem estes princípios morais inerentes a qualquer cidadão cumpridor dos seus deveres com qualidades de um verdadeiro cristão, que ao que parece não era o caso de Tolkien.

Cada um vê o que quer ver, inclusive cristianismo nas obras de Tolkien.

Copyright©2003 – todos os direitos reservados ao www.jehozadakpereira.com – agosto/2003.

Crise nos gabinetes

In Comportamento on November 16, 2007 at 3:59 am

Jehozadak Pereira

Quebra de maldição, evangelho da prosperidade e outras neobesteiras
2 Pedro 2 – Gálatas 1.8-9 – Tito 1.11-15, 16

Como você leitor reagiria se eu te dissesse que o evangelho está morto e cheio de dogmas? Ou ainda se eu recomendasse uma unção peniana para você e uma unção de vagina para a sua esposa? Ou se eu quisesse te vender um sabonete “abençoado” que tira mau-olhado, cura inveja, quebra feitiço? Ou mais, te convidasse para uma regressão intra-uterina profunda, e ao mesmo tempo lhe informasse que você tem maldições que te acompanham desde os tempos imemoriais do bisavô, do seu tataravô, e que elas precisam ser quebradas, e que somente eu, o “ungido” de Deus posso fazê-lo? Acho que você iria achar que eu estou louco e delirando, não é? Deixa-me abusar mais um pouco da tua paciência. Que tal se eu me anunciasse como o “teólogo” do século?

Outra coisa é o tal diálogo com os demônios. Manda o demônio ficar no chão de joelhos, com as mãos amarradas para trás e ficam dialogando com o mesmo. Existe base bíblica para isso?

Que eu me recordo – só uma vez Jesus conversou, quando permitiu que os espíritos imundos entrassem nos porcos – Mateus 8.32 e Marcos 5.8,9. Em Marcos 1.5, Cristo diz apenas – “Cala-te, e sai dele“. Em Lucas 9:42 “… Jesus repreendeu o espírito imundo…”. Vejamos ainda em Lucas 10.17 “Senhor, pelo teu nome até os demônios se nos submetem” e em Atos 16:18 “Em nome de Jesus Cristo, ordeno-te que saias dela…”.

Antigamente a atitude era sempre assim. Quando se percebia que alguma manifestação iria acontecer, todos oravam – enquanto o dirigente – falava simplesmente – sai em nome de Jesus. Muitas vezes havia resistência. Não saio não, etc… Mas a expressão era sempre a mesma. – Sai, sim, em nome de Jesus.

Agora é tanta novidade. Antes de expulsar querem saber o nome, e alguns já conhecem uma porção deles. Talvez esses até estejam contentes de serem conhecidos e mencionados nos púlpitos.

Pois este é o quadro em que estamos vivendo na igreja brasileira. Você pode me dizer com absoluta razão que na sua igreja não é assim que se procede. Eu acredito em você. Grande parte destas práticas veio de fora do Brasil. É a tal da globalização chegando nas nossas hostes. O que eu disse no início deste artigo é o que estão fazendo muitas igrejas, dita evangélicas. Não preciso dizer que para ungir as mulheres tem fila de espertalhões. Eu bem que gostaria de ver o que estes que ungem fariam se chegasse um homossexual e pedisse para ser ungido? Creio que ele o ungiria para não perder o cliente.

Somente mentes perversas e pervertidas para engendrar tais situações, lançar o poderoso Evangelho no escárnio e no ridículo. E levam junto o seu povo com as suas práticas e os mergulham numa escuridão profunda.

Cada hora é uma novidade. Quem não se lembra dos tais dentes de ouro? Foi uma febre, uma onda. Todo mundo queria ter um dente de ouro. Lembro-me da história de um homem que usava dentadura, e ele também queria ter o seu dente de ouro. O bispo – na época ainda não tinha apóstolo, disse para ele jogar fora a dentadura que Deus iria dar-lhe todos os dentes de ouro, e jogar fora a dentadura seria uma prova inequívoca de fé. Não é preciso dizer que o homem ficou banguela, banguelinha, e estaria até hoje se não tivesse mandado fazer uma dentadura nova.

Espanta-me ver crentes se vendendo por tão pouco, indo atrás do que falam homens arrogantes e pretensiosos que afirmam sem medo nenhum que o evangelho está morto e cheio de dogmas. Estes que afirmam isto precisam ler mais a Bíblia, ou vai ver que eles aplicaram aqui a velha história do pastor que ao visitar um doente combalido, espantou-se ao ver que a Bíblia do irmão estava toda retalhada. Perguntou-lhe o por que? A resposta foi a de que cada vez que ele lia um texto e não concordava, fazia uso de uma tesoura e cortava fora tudo aquilo que lhe desagradava. O resultado foi uma Bíblia totalmente desfigurada e inútil. É exatamente isto o que fazem estes vestais.

Vejam que quem disse que o evangelho está morto e cheio de dogmas, não foi nenhum ateu convicto, ou mesmo um incrédulo empedernido. Foi um dos tantos “apóstolos” que povoam o mercado. Certamente você está pasmo, como eu fiquei. Há também um outro agravante perigoso. O evangelho deixou de ser evangelho, para ser gospel. Tudo é gospel. E por causa disto identidades estão sendo perdidas. Igrejas há que por medo de perderem seus jovens e crentes para a concorrência, deixaram de lado a pregação do evangelho, para aderirem ao nefando gospel, e o digo com tristeza, pois este neologismo inglesado que nos impuseram não deve ser chamado de evangelho. O evangelho elucida, enquanto que o gospel – pelo menos esta versão brasileira confunde e avilta.

O agravante é que alguns espertos registraram o nome gospel como marca, como propriedade e fazem então do nome o que querem fazer. Isto lembra anos atrás quando um piloto de carros de corrida registrou a marca Jesus Saves – Cristo Salva e com isto ganhou dinheiro. O adesivo vermelho ficou famoso e certa vez disputava espaço no cockpitt de um carro ao lado de uma propaganda de cigarros.

Troca-se a pureza do Evangelho pelo mercantilismo do mercado, em meros negócios travestidos de igrejas. Se tomássemos conhecimento do que se passa nos bastidores destes negócios – que alguns teimam em chamar de igrejas – ficaríamos horrorizados.

Igrejas que por temerem uma debandada mudaram seus padrões de conduta e de procedimento. Pura covardia. Conheci um velho pastor. Homem temente a Deus em todos os aspectos. Quando começou a moda gospel, a mocidade e alguns crentes da sua igreja se alvoroçaram. Começaram a freqüentar uma das ditas igrejas precursoras, e ele chamou a atenção de todos para o erro; foi-lhe proposto pelo líder do grupo, que todos ficariam se ele mudasse o procedimento dos cultos. Queriam bagunça.

A atitude do pastor foi a de dizer a todos eles, que em querendo podiam ir embora, pois ele não arredaria pé das suas convicções. Numa assembléia ele foi afrontado e disse a igreja que se ali houvesse um fiel que não se contaminasse com o modismo ele estaria disposto a ficar. Pelo menos um terço da igreja se levantou e foi embora atrás do modismo gospel. Dois terços da igreja ficaram ao lado do pastor e da verdade. Tempos depois a maioria dos que se foram retornaram, pois viram que não valia a pena trocar a bênção da palavra pela fragilidade e argumentação pífia do dito movimento gospel.

Infelizmente muitos se acovardaram e permitiram que suas igrejas fossem contaminadas pelos “novos” ventos e perderam a sua identidade definitivamente. Isto me faz lembrar uma frase de Charles Spurgeon – “A igreja deve atrair pela diferença e não pela igualdade”. Bons tempos aqueles em que éramos diferentes. Hoje somos todos iguais e igualdade aqui significa derrota. Derrotados no nosso próprio campo de ação. Derrotados por querer imitar os modismos.

Certamente você notou que eu citei alguns parágrafos atrás a palavra mercado. Assustou-se? Veja qual é o mote principal desta malta ávida por dinheiro hoje. O objetivo precípuo deles é crescer cada vez mais. Quanto mais igrejas melhor. Fazem dos púlpitos verdadeiras máquinas registradoras que visam somente arrecadar cada vez mais dinheiro. É só ver o fausto como vivem os donos destes empreendimentos. E pensar que por causa destes homens, nós – os crentes em Cristo fomos ridicularizados num programa humorístico da Rede Globo, com o mote de que templo é dinheiro.

Para estes – os espertos – templo sempre será sinônimo de dinheiro.

Muito dinheiro.

Dinheiro em excesso.

Numa economia de mercado vende mais quem tem o melhor produto, quem tem a melhor qualidade, quem investe mais em publicidade, etc. Quem faz isto se sobressai à concorrência. Estranhando por eu falar em concorrência? Pois é exatamente isto ai. Concorrência pura e desleal. Desleal porque avilta e profana aquilo que é sagrado, aquilo que é santo.

E por tratarem a fé como uma mercadoria é que inventam coisas como unção de pênis e vaginas; quem não quer prazer sexual? Se perguntarmos para dez pessoas isto, pelo menos metade responderá que querem, estes são os potenciais fregueses, logo estes é que deverão ser alcançados.

Qual será a próxima moda? Igrejas que são edificadas em outro fundamento que não o Evangelho, precisam desesperadamente de novidades, ou então os seus membros debandarão sem dó nem piedade…

Agora vejam, se pregarem o Evangelho, suas igrejas serão abençoadas, mas eles não querem igrejas abençoadas. Querem igrejas ricas.

Eu fico por vezes imaginando que no dia em que as autoridades resolverem investigar as finanças dessas igrejas prósperas, não será surpresa se nos depararmos com um dos maiores escândalos financeiros que se terá notícia. Estes proprietários dessas igrejas não devem satisfação alguma a ninguém, fazem o que bem entendem, manobram, conspurcam, e o fazem porque sabem que não serão punidos de forma alguma.

Certamente irmãos, vocês vão se lembrar dos seus velhos pastores, que entravam no ministério por amor às almas. Entravam pobres e saiam pobres, alguns sequer tiveram a oportunidade de ter um carro, por velho que fosse. Hoje, é comum vermos pastores, apóstolos e bispos em carros importados, alguns até blindados, e com seguranças, pois são homens de negócios.

Tristes negócios.

Negociatas as custas do povo iludido e enganado.

Por vezes unem-se em associações, mas logo se desentendem pois não se sujeitam uns aos outros. Podem ver, se estes homens, via de regra, não estão sozinhos dominando seus respectivos grupos. Se há unidade por que então não se juntam? E como são arrogantes e pretensiosos estes “apóstolos”? Dizem-se portadores da revelação divina. Por conta de um outro artigo recebi muitos e-mails. Um deles dizia que o próximo passo destes homens é ser chamados, ou reconhecidos como arcanjos. Dei muita risada. Já pensaram anunciar-lhes assim: – com vocês o arcanjo… Mas pela falta de humildade deles melhor seria se fossem chamados de arcanjão…

Risível, não?

Risível é um deles jactanciar-se como “teólogo” do século. Você compraria um livro dele?

Eu não. E não é preconceito não. É que os livros são ruins mesmo.

Muitos dizem como argumento que foram salvos em muitas destas igrejas. Ora, o argumento pode ser válido, pois Deus pode salvar o homem até num chiqueiro. Ou não é esta a história do filho pródigo? E notem que lá não tinha ninguém para falar que ele era um pecador. O Espírito Santo que convence o homem trabalha em silêncio. Silêncio absoluto.

Poderia haver dezenas ou centenas de convertidos onde há apenas um se houvesse a pregação do verdadeiro evangelho. As pessoas ficam tão empolgadas com a possibilidade curas, milagres, prodígios e progresso financeiro que acabam se esquecendo da simplicidade do Evangelho de Jesus Cristo. Simplicidade esquecida a partir de muitos gabinetes que de olho em prosperidade financeira, fazem da igreja de Cristo um verdadeiro comércio do qual eles são os verdadeiros donos.

Pela volta da pregação da redentora graça somente encontrada na pureza da Palavra de Deus – O Santo e Verdadeiro Evangelho de redenção para todo o homem!

Malafaia e a questão do homossexualismo

In Opinião on October 27, 2007 at 3:19 pm

Jehozadak Pereira

Outro dia alguém me perguntou o que eu penso a respeito da gritaria do Silas Malafaia contra os homossexuais no seu programa na televisão brasileira. Como tudo o que se refere a Malafaia é ambíguo e de falsa polêmica, e tem algum interesse específico, logo, logo, ele vai lançar – se já não lançou – algum livro medíocre falando a respeito do assunto e vai faturar em cima.

A minha resposta foi a de que primeiro precisamos delimitar se Silas Malafaia falou como apresentador de televisão, como pastor, como psicológo, como homem de negócios ou como um mero cidadão que tem todo o direito de opinar sobre assuntos que estão em pauta no cotidiano e na sociedade brasileira.

O problema é a verborragia e a falsa indignação sempre exasperada, como se isto fizesse a diferença. A questão do multiforme Silas é a de querer estar sempre na dianteira dando opiniões, mesmo que elas sejam as mais retrógradas e distanciadas da verdade absoluta.

Homossexuais sempre existiram e vão existir a despeito de gostarmos ou não de conviver com eles, pois estão em todos os segmentos da sociedade, inclusive na igreja cristã. A abordagem é que parece ser o problema, para o qual nem de longe estamos preparados para enfrentar.

Tempos atrás, me vi tentando ajudar uma pessoa envolvida com o homossexualismo, e me deparei com o absoluto despreparo nosso para tratar do assunto, e depois de tanto procurar achei boa vontade e interesse no Moses – Movimento pela Sexualidade Sadia, mas que não puderam ajudar pela falta de recursos e pela quantidade de pessoas que os procuravam na época sem que eles tivessem condições de auxiliá-los adequadamente.

Poucos são os que no nosso meio dispendem tempo e recursos para tentar ajudar os homossexuais que querem abandonar o homossexualismo.

Agora mesmo, recebi um e-mail dizendo que o programa de Malafaia, corre o risco de ser reclassificado e ter que mudar de horário, por causa da linguagem imprópria e inadequada, ao que o seu apresentador se insurge e diz que se isto acontecer será uma forma de discriminação e de preconceito por parte do governo federal.

Será mesmo? Logo ele falando em preconceito…

Quando o divórcio foi aprovado no Brasil, a igreja – principalmente a denominação da qual o reverendo Silas faz parte, satanizou o falecido senador Nelson Carneiro, e teve gente até orando para que ele queimasse no fogo do inferno, sem se dar conta de que aquela era uma realidade que existia na sociedade, e que em pouco tempo se alastraria pela igreja. Impossível diziam alguns. Qual é o quadro que vemos dentro das igrejas hoje? Aprendemos a conviver com isto, mesmo porque a igreja continua despreparada para ajudar e a interagir com o divórcio em todos os seus níveis, inclusive ministerial.

Sempre lembrando que a Bíblia condena o divórcio, tal como o homossexualismo.

O reverendo Malafaia fala do homossexualismo do mesmo modo que falou do G12, e da mesma forma com que prega sobre prosperidade sem corar de vergonha. Mero oportunismo. Só isto. Para ele é só mais um assunto a ser abordado, e o DVD tratando do assunto já esta a venda, e que a opinião enviesada dele seja a opinião de parte da igreja brasileira.

Eu tinha uma idéia completamente diferente do homossexualismo e de quem o pratica, até que me vi tentando ajudar alguém. Vi que nem todo homossexual é promíscuo, assim como há heterossexuais que o são ao extremo, e sim pessoas carentes que precisam de quem fale para eles o que são e o que devem fazer, tal como eu fiz.

Claro que a Bíblia tem razão quando fala no assunto e corroboro 100% com as escrituras no tocante ao homossexualismo e quem o pratica, e não podia como cristão que sou pensar diferente.

Malafaia quer se fazer de vítima e de quebra faturar mais uns trocados em cima, da malta de gente que é tangida por gente como ele, que não tendo opinião formada sobre o assunto se deixa levar por qualquer palpite.

Nos Estados Unidos existe a pressão para que entre outras coisas se aprove o casamento de pessoas do mesmo sexo, mas apesar de todos os esforços das entidades homossexuais a sociedade tem rejeitado a idéia, pois me parece esclarecida o suficiente para debater o assunto e dar um claro recado aos políticos que não aceita a legalização, fato que parece não acontecer no Brasil, principalmente no meio cristão-evangélico.

A questão é muito mais complexa e ampla do que se possa imaginar, principalmente do que possa pensar Silas Malafaia, que como disse só quer faturar em cima do assunto.