jehozadakpereira

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Os enganados

In Opinião on June 3, 2009 at 3:13 am

Jehozadak Pereira

Efésios 5.6

Com o lançamento do filme Nárnia, principalmente no Brasil, um grande número de pessoas – principalmente os devotos de C. S. Lewis, se alvoroçaram literalmente. Minha caixa de e-mail ficou entulhada de mensagens de gente que se emocionou ao conseguir ver tantas semelhanças e literalidade entre os escritos, o filme e a Bíblia.

No entanto, houve quem não se deixasse levar pelos encantos desta obra esotérica, pagã e totalmente fora dos padrões bíblicos e espirituais. Houve um teólogo – destes que ostentam os seus mestrados, pós-mestrados, doutorados e pós-doutorados, teses e tantos títulos que só vendo, inclusive na área de divindade – que me escreveu querendo tripudiar. Aceitei a provocação dele e fiz uma única pergunta. Bem simples e singela, que ele com todos os seus títulos poderia me responder sem consultar livro algum.

Perguntei o que ele fazia com o que Paulo escreveu em 1 Timóteo 1.4; 2 Timóteo 4.4; Tito 1.14 e 2 Pedro 2.16, onde o autor se refere a fábulas engenhosamente inventadas que não eram seguidas pelos mestres cristãos genuínos. Essas histórias fantasiosas, possivelmente criações dos primeiros mestres gnósticos, que produziram os evangelhos apócrifos, são, aqui, contrastadas com o verdadeiro relato sobre a transfiguração de Cristo, segundo transmitido por Pedro. As fábulas, mencionadas em 1 Timóteo 1.4 eram provavelmente lendas baseadas em narrativas do Antigo Testamento, pois são descritas, em Tito 1.14, como judaicas. Tais fábulas são ridicularizadas em 1 Timóteo 4.7 pelos epítetos profanas e de velhinhas caducas; eram ímpias por não estarem baseadas na revelação divina; e só prestavam para mulheres velhas.

A resposta dele veio célere. Aquilo que Paulo disse nas referências citadas aplica-se somente às fábulas e mitos judaicos, e C. S. Lewis era fascinado pelos arcanos da mitologia nórdica. Portanto, o nosso bom doutor mestre em teologia e divindade, estava livre para crer que Paulo não falava sobre isto.

Pois é. Isto mesmo. Como pode um cristão genuíno recusar o que diz claramente a Palavra de Deus? Não quero julgar o douto homem e as suas convicções, mas que elas soam estranhas, isto soam.

Triste mesmo é ver tantos intelectuais cristãos fazendo pajelança e prestando reverências para esta trama esotérica escrita por Lewis. Fico imaginando o que leva tantos homens e mulheres que dedicaram a sua vida a estudar as sagradas escrituras, a corroborar e principalmente a “ver” tantas ferramentas que podem ser usadas para a pregação do evangelho nesta série nefasta.

Mais ainda, desafio qualquer destes intelectuais e pastores a apresentar uma única vida que tenha sido resgatada do pecado através das Crônicas de Nárnia. Tempos atrás eu vi um cristão genuíno dar uma lição nuns pastores que eu mesmo fiquei com vergonha por eles. Eles conversavam sobre vinhos. Um dos pastores disse que bebia vinho por causa do estômago, outro por causa do coração, já o outro por causa do colesterol, a aí o irmãozinho disse que bebia vinho porque gostava, e que uma garrafa durava dois anos para ele. Ou seja, quem gosta e não tem coragem de assumir, fica buscando desculpas e mais desculpas para corroborar o seu mau gosto, e pior ainda, trocam a pureza do Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo, por porcarias e lixo místico. Fico imaginando o teor das mensagens que eles pregam nos seus púlpitos e a qualidade da cátedra que ensinam nas escolas teológicas.

Estes intelectuais que são tão afeitos ao estudo, poderiam fazer mais uma coisa. Abrir Nárnia diante de um dicionário esotérico, e ver as – muitas – semelhanças de conteúdo entre ambos, depois abram as suas Bíblias – se é quem tem uma – e façam uma análise isenta e crítica. Duvido que encontrem qualquer passagem ou versículo que confirme Nárnia.

Embora tenha sido criado com um protestante, ao chegar a idade adulta rejeitou qualquer forma de fé religiosa e se descrevia como um agnóstico, e depois de muito conversar com Tolkien sobre religião a sua visão de Deus, não era o da ortodoxia cristã, e sim de um Deus das várias religiões orientais, quase portanto, panteísta, muito longe de qualquer discrição bíblica.

Com uma convicção panteísta de Deus, Lewis não podia e não queria abraçar o cristianismo ortodoxo, que na sua essência quer que se exerça a crença em Jesus Cristo, além da convicção de que Ele foi enviado para morrer para que as almas fossem salvas. Lewis dizia que todas estas coisas eram mito, e a história de Cristo, nada mais que uma lenda, um mito, e achava que os mitos eram na realidade mentiras. Considerados por ele como contos de carochinha. Esta afirmação pode ser lida em Memoirs of the Lewis Family, carta a Sheldon Vanauken, 17 de abril de 1951. Lewis se converteu em 1931, e conheceu Tolkien em 11 de maio de 1926, no Merton College na Inglaterra, e tornaram-se amigos. E por causa do inconformismo de Tolkien, por Lewis não ter se tornado um católico eles se afastaram posteriormente um do outro.

Foi com este estado de espírito que Lewis escreveu Nárnia, e jamais tornou atrás nele. Logo, é de se estranhar que tanta gente boa enrede pelos caminhos do esoterismo contidos na trama.

Não há como negar que C. S. Lewis foi um prolífico e criativo escritor cristão, incensá-lo é exagero e fanatismo. Escreveu mais de 40 livros, e exageros à parte seus aficionados estimam que foram vendidas mais de 200 milhões de cópias, traduzidas em mais de 30 línguas. Entre as suas obras estão: “Regresso do Peregrino”, “O Problema do Sofrimento”, “Milagres”, “Cartas do Inferno”, uma trilogia de ficção científico-religiosa “Longe do Planeta Silencioso”, “Perelandra”, “That Hideous Strength”.

Seus admiradores afirmam que os seus livros foram lidos pelos seis últimos presidentes norte-americanos, o que não é referencial algum. Todos nós sabemos que no governo Reagan, foi onde mais se teve a influência do ocultismo na cúpula do mais importante cargo da face da terra. Quem não se lembra das inúmeras reportagens afirmando que Ronald Reagan não dava um passo sem consultar uma famosa vidente.

Todos eles leram de tudo, de Brian Weiss à Deprak Shopra, fora os confusos gurus indianos, e até Paulo Coelho, foi lido, ou por acaso não nos lembramos de Clinton sendo fotografado com um livro do prolixo brasileiro nas mãos? Pesquisas indicam que o leitor contumaz ou eventual lê o que está na moda, ou o que lhes é recomendado sem muito critério.

Inclusive as Crônicas de Nárnia e seu misticismo explícito, ainda que tenham sido escritas por C. S. Lewis…

Copyright©2006 – todos os direitos reservados ao autor – janeiro/2006.

Um evangelho barato

In Opinião on February 28, 2009 at 8:00 am

Escrevi este artigo em 2004 e vejo que a coisa piorou desde então, daí, torno a republicá-lo aqui neste espaço.

Jehozadak Pereira

Madrugada de insônia e ao abrir a caixa de e-mails lá está mais um dos tantos que recebo com críticas ásperas e às vezes inconseqüentes.

O cidadão que se diz pastor escreveu o seguinte – “Caro, sou pastor evangélico e devo confessar que fiquei muito espantado com a postura de sua página, não apenas suas opiniões e a forma como foi exposta, mas também a sua reação para com pessoas que ainda não são cristãos. Mais espantado ainda fiquei ao ver que seu site é hospedado por um outro site evangélico. Me diga: Qual a sua igreja, onde costuma congregar? Gostaria mesmo de ter algum contato com sua igreja e entender o motivo de tanta fúria”.

É mais um dos tantos ofendidos pelos meus escritos. Outro dia recebi um e-mail de um outro que resolvia me desancar – “E quem é esse tal de Jehozadak que se auto-intitula a VOZ DA VERDADE. É mais um desses que se opõe a tudo e a todos com supostas pretensões, mas esconde, na verdade, um desejo insano e ardente de aparecer, ser notado, iluminado pelos holofotes da fama? Espero que não tenha um fim como o de muitos outros que seguiram nessa linha: envolvimento em escândalos morais e financeiros”.

Quem mandou o segundo e-mail colocou o artigo Crentes que xingam, numa lista de discussões e diante da minha resposta ele ficou “consternado”.

A cantilena é sempre a mesma – você nem parece cristão, quer aparecer, isto não é verdade, etc, etc.

Procuro viver o Evangelho como ele tem de ser vivido, sem falsidades ou buscando agradar este ou aquele segmento, e tenho aprendido na minha vida que, quando se fala a verdade que as pessoas não estão acostumadas a ouvir, há reações como a destes dois acima.

Se para um eu causei “espanto”, para outro um “desejo ardente e insano de aparecer”.

E os que querem explicações para as coisas que escrevo? Entulham-me com mensagens e mais mensagens, como se a minha opinião não estivesse evidente e patente. Agora deram até para implicar com o lugar onde hospedo o meu site? Onde é que devo hospedá-lo?

Fora os que se dizendo com “muita influência”, vão falar mal de mim, para os “influenciáveis” para me desprezarem.

Acho que é por isso que estou com insônia…

O que choca gente como estes aí e outros tantos? É repercutir nos meus artigos posturas dúbias de pastores e líderes que se beneficiam de dinheiro de campanhas políticas, de gente que ganha para apoiar candidatos, mas não fala isto para ninguém, e depois vem querer impor a mesma postura a toda a coletividade cristã?

Ou ainda de quem tem um pé no misticismo de O Senhor dos Anéis e em alguns dos escritos esotéricos e contaminados de C. S. Lewis e consegue ali, apesar de os textos dos próprios livros dizerem exatamente o contrário? De gente que discorda na teologia não aceitando determinadas passagens bíblicas, mas aceitando de pronto o esoterismo?

Ou ainda quem quer ver e aceitar que na vida do cristão há maldição, quando a Bíblia diz que não há? Ou o que choca e “espanta” alguns é a verdade?

Talvez estes estejam acostumados a praticar um evangelho barato e vagabundo das conveniências e das contextualizações, e quando alguém – não sou o único – fala as verdades, há o espanto como o destes ai.

É gente mofina e distante da pureza do Evangelho verdadeiro, só assim posso entender algumas mentes.

Infelizmente!

Copyright©2004 – todos os direitos reservados ao autor - março/2004.

A critica e o crítico devoto

In Opinião on March 1, 2008 at 6:14 pm

Jehozadak Pereira

Anos atrás quando escrevia para um jornal em São Paulo, criticava a tudo e a todos. Especialmente políticos e autoridades. Somente uma vez um deles estressou, mandou uma carta para o jornal, ameaçou me processar e recuou. O motivo?

O irmão deste político havia se candidatado ao cargo de vereador, e na sua propaganda enviada por mala direta, ele dizia que aquilo tudo estava sendo pago pelos amigos, correligionários e incentivadores da campanha.

Num dos meus textos eu usei de ironia com aquilo tudo, e disse que se dependesse dos amigos, correligionários e incentivadores da campanha, o nosso bom candidato não teria votos sequer para se eleger juiz de paz.

O parlamentar ficou apoplético, nervoso, irritado, e soube depois que queria me dar uma surra. Abertas às urnas, a minha previsão se concretizou. A votação foi pífia.

Recentemente tenho criticado a devoção que muitos dos nossos irmãos em Cristo tem por J. R. R. Tolkien e sua obra – no bom sentido, claro – pagã, especialmente O Senhor dos Anéis.

Isto tem me trazido alguns dissabores, como ouvir desaforos e xingamentos, além de estar em listas e listas e fóruns de discussão, onde invariavelmente sou destratado a exaustão.

Tempos atrás escrevi o artigo Tolkien e os meninos mimados, onde entre estas coisas repercuti a critica que Fernando Passarelli, crítico de cinema da seção Diversão & Arte do www.bibliaworldnet.com.br, fez para o filme As Duas Torres.

Meses depois sou surpreendido por um e-mail do Fernando Passarelli, cujo transcrição está abaixo:

From: “ferpanet” <ferpanet@uol.com.br>

To: “edson” <edson@estudosbiblicos.com>

Sent: Thursday, September 23, 2004 12:18 AM

Subject: [spam] AÇÃO NA JUSTIÇA

Aos cuidados do sr.

Edson Kawano

responsável pelo site www.evangelicos.com

Informo que encontrei no referido site, citações à minha

pessoa, tecidas pelo sr. Jehozadak A Pereira, na URL abaixo :

www.evangelicos.com/artigos/jehozadakap22.shtml

Solicito que essas citações sejam removidas ou estarei

acionando judicialmente o autor do texto, a partir desta

data, e o site como co-autor das ofensas, tendo em vista sua

veiculação. Como bem explica a lei de imprensa, o outro lado

de uma informação deve ser ouvido sempre que citado.

No aguardo de sua manifestação

Fernando Passarelli

Fiquei imaginando em que calo de Passarelli eu pisei, ou se pisei em todos eles de uma vez só. Deixei o Edson Kawano à vontade para retirar do ar o texto, mas resolvi colocá-lo no Destaque aqui.

Muito engraçado este crítico, que não aceita critica. O que fiz foi notar no texto as loas e elogios que Passarelli fez do filme As Duas Torres, talvez ele tenha ficado aborrecido por ter exposto a devoção dele a Tolkien e sua obra – sem nenhum sentido fisiológico – pagã.

Espanto maior ainda é que ele encontra guarida num site sério como o www.bibliaworldnet.com.br, fazendo apologia de paganismo e coisas demoníacas. Ser processado por Passarelli, será a prova de a devoção de alguns não tem limites.

Uma pena. Pena mesmo.

O Senhor dos Anéis e as Duas Torres – Os filmes

Postado por Gustavo D. – quinta-feira, 02 de janeiro de 2003 – 08:10 am:

Acho realmente tudo isso ridículo. Não sei se Jehozadak sabe, mas Tolkien era cristão fervoroso, defensor da moral e dos bons costumes. Dizem que não ouvia rádio nem assistia televisão, enfim, um padrão de comportamento. Como uma pessoa com estas credenciais poderia escrever “heresias”? É tudo fantasia, nada disso exerce influências negativas. Talvez apenas aos desequilibrados.

A mensagem acima foi postada no fórum principal do www.evangelicos.com, onde estão publicados muitos dos meus textos e onde há espaço aberto para os comentários dos leitores. Logicamente não me irrito ou me aborreço com aqueles que fazem comentários me criticando ou xingando. Mas um outro dia eu recebi um e-mail de um dos muitos devotos de Tolkien, perguntando-me porque eu os irritava tanto com as minhas críticas e “insistência” em mostrar comprometimentos, onde, segundo o bravo devoto não há comprometimentos.

Deixei para lá. Tratar com fanáticos é complicado. Tratar com gente adulta que se parece com meninos mimados é pior ainda. Eles sapateiam, rangem os dentes, mugem a grande, mas não conseguem escapar de uma realidade: em Tolkien, há sim comprometimentos espirituais em larga escala.

Há uma grande desinformação de quem foi Tolkien. Alguns o consideram – como Gustavo D – um cristão. Biblicamente um cristão é todo aquele que está devidamente imbuído dos princípios do genuíno Evangelho de Jesus Cristo. Os princípios são; regeneração – transformação de vida; adoração única e exclusiva ao Senhor e verdadeiro Deus. Regeneração significa mudança de vida associada com santificação. Dizer que um católico devoto – com todos os seus comprometimentos idólatras é um cristão, é no mínimo temerário e denota ignorância das Escrituras.

Deus não comunga com ídolos. Ao contrário, condena a idolatria. Ao que parece Tolkien era um idólatra. Tolkien foi um católico devoto, apaixonado pelo santíssimo sacramento influenciado que foi pela sua mãe – Mabel Tolkien. Tolkien era ligado por gratidão ao padre Francis que o levou a converter-se ao catolicismo, incutindo nele – Tolkien – a necessidade de seguir a devoção de Mabel a Roma e ao papa.

Nada ao longo da vida de Tolkien o fez perder a fé na igreja católica. Edith a mulher de Tolkien não gostava de confissão e não compreendia direito o alívio espiritual que Tolkien e outros católicos devotos diziam sentir.

Mesmo sendo um católico devoto, Tolkien tinha a sua mente voltada para o mundo místico e fantástico. Uma das suas leituras aos sete anos de idade foi Red Fairy Book – Livro vermelho de fadas – e por causa das muitas influências que recebeu ao longo da vida, Tolkien baseado em antigas tradições mitológicas descreve um mundo sem cristandade – o que derruba por terra o argumento de muitos de que há relação entre os demônios de Tolkien e o Evangelho.

A Terra Média, criada por Tolkien é um mundo imerso em magia e inteiramente intocado por qualquer forma de cristianismo. O contraste com o Evangelho, é que enquanto Tolkien fala de uma “terra-média” a Bíblia diz de uma Terra Prometida. Em palestras em Oxford, onde dava aulas sobre Literatura Medieval, alunos consideravam Tolkien “louco varrido”, porque abandonava o tema das suas palestras e se punha a falar de duendes e elfos.

Além de escritor prolífico Tolkien era pintor de aquarelas com figuras de dragões, fortemente influenciado pelo amor infantil que sentia pelo Livro Vermelho de Fadas.

Tolkien renegou ao longo de toda a sua vida qualquer influência oculta ou escamoteada na sua obra. Contudo, seus personagens vivem num mundo onde a magia é real e palpável. W. H. Auden, amigo e patrocinador de Tolkien afirmou que As crenças não declaradas de O Senhor dos Anéis são cristãs. Em meio as milhões de palavras de Tolkien sobre a Terra-Média, não aparece uma única vez sequer a palavra Deus. Tolkien se irritava sobremaneira quando lhe perguntavam se o seu mundo mitológico era alegórico. Resta então saber que tipo de crenças cristãs são estas que estão ao lado e em conluio com elfos, anões duendes, demônios, feiticeiros, magos?

O mundo de Tolkien é um mundo pagão, sem Deus e desprovido de qualquer tipo de luz divina, embora seus devotos afirmem o contrário.

C. S. Lewis um dos melhores amigos de Tolkien – amizade que com o passar dos anos esvaiu-se – era um agnóstico, provocou o desapontamento de Tolkien a quem considerava um devoto cristão – e ainda por cima católico, mais ainda, um quase fundamentalista católico – por aproximar-se do protestantismo e deixar de lado o catolicismo, que Tolkien desprezava. A opção de Lewis pelo protestantismo desapontou profundamente Tolkien.

Nada há contra os católicos, mas as suas práticas estão muito longe das práticas de um cristão verdadeiro – aquele que se parece com Cristo, a palavra de Deus é que julga a todos.

Igualmente nada há contra quem quer ser devoto de Tolkien. Cada um crê no que quer. Mas aqueles que se dizem convertidos e que devotam paixão por Tolkien e seus escritos devem rever a sua fé, ou melhor, a sua convicção pessoal de salvação.

Mesmo no nosso meio há alguns lugares onde a devoção a Tolkien é exacerbada. Um destes lugares é o site www.uol.com.br/bibliaworld, primeiro com Marcelo Gióia Oliveira e agora com Fernando Passarelli. Passarelli exacerbou na pajelança que fez do filme As Duas Torres – recentemente lançado – e que é a continuação de O Senhor dos Anéis. Ao babar e derramar-se em elogios e loas ao filme e a obra de Tolkien, Passarelli causa enjôo e deixa perplexo na crítica As duas torres – quem encara o pecado? A peroração do crítico talvez ficasse melhor num site secular, voltado para as coisas mundanas, nunca num site voltado para o público cristão.

Que Passarelli queira ser devoto de Tolkien que o faça com seus próprios argumentos e palavras e não use as Sagradas Escrituras para torcer o seu (mau) gosto pessoal, querendo fazer pensar a qualquer incauto, se é que há incautos – que na obra de Tolkien há qualquer semelhança ou um pequeno vislumbre que seja que se aproxime do Evangelho, e nem que busque distorcer as santas verdades bíblicas com as mazelas malditas de Tolkien.

O mais perto que Tolkien chegou do Evangelho foi a sua devoção ao catolicismo, devoção que carregou até o final da vida. Dizer o contrário é dar pérolas aos porcos. Ou querer enganar-se com argumentos fracos e inconsistentes.

Para os devotos de Tolkien falar contra as obras do professor como era chamado é querer ver o mal em tudo. Nem de ser legalista, xiita, fundamentalista ou o que queiram chamar, pois sou liberal nas minhas preferências, e como disse no início é só ler Tolkien para ver que na sua narrativa não há nada de espiritual, ao contrário é possível encontrar duendes, feiticeiros, magos, elfos, demônios, anões e todo o tipo de lixo espiritual. Como corroborar, ou melhor, como conjugar tudo isto com a Bíblia? Qualquer coisa distante disto é balela, enganação, tapeação, ou como queiram gosto pessoal deturpado, que não fica bem em quem se diz cristão.

Resta saber se estes que se dizem cristãos professam o Cristo vivo, ou se são “cristãos” como Tolkien foi? A mim me parece que eles são mais que meninos mimados a ranger os dentes quando contrariados quando perdem o doce que estão comendo.

De que adianta não assistir televisão ou mesmo defender a moral e os bons costumes e escrever livros repletos de misticismo e ocultismo? Devotos como Gustavo D confundem estes princípios morais inerentes a qualquer cidadão cumpridor dos seus deveres com qualidades de um verdadeiro cristão, que ao que parece não era o caso de Tolkien.

Cada um vê o que quer ver, inclusive cristianismo nas obras de Tolkien.

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