jehozadakpereira

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Criando filhos da maneira certa

In Comportamento on August 21, 2009 at 3:01 am

Jehozadak Pereira

Não bata. Discipline.

Não acostume a criança com gritos. Fale com voz audível.

Mostre para a criança quem manda de fato. Você.

Não corrija a criança com beliscões, puxões de orelha ou safanões.

Não bata na cara da criança, isto faz com que ela se sinta humilhada.

Se a criança errou, tire privilégios dela.

Nunca corrija a criança fisicamente, na hora da raiva. Você pode se exceder.

Não aceite interferências na educação dos seus filhos.

Se prometeu castigar a criança, faça.

Converse bastante com seu filho.

Ambos vão ganhar com isto.

Seja o melhor amigo ou amiga do seu filho

Ame seus filhos. Você só tem a ganhar com isto.

A negligência é o pior crime que uma criança pode sofrer.

Todos os direitos reservados ao autor

Pais ocupados

In Comportamento on July 31, 2009 at 4:36 am

Jehozadak Pereira

Tempos atrás eu recebi um e-mail de uma mãe desesperada. Ela pedia conselhos de como tratar a sua filha adolescente – rebelde, segundo ela – que certo dia ameaçou pular da sacada do prédio onde elas moravam.

Respondi-lhe, dizendo que queria saber o histórico de vida das duas, relacionamento de mãe e filha, etc. A resposta veio rapidamente. A mulher era separada do marido, havia se convertido há pouco mais de três anos, e queria por força que a filha também se convertesse. Com a menina se recusasse, a mulher não a deixava sair com freqüência – ou ia para a igreja ou ficava em casa.

A mulher era conselheira e orientadora de um grupo de jovens na igreja três vezes por semana, inclusive aos sábados à tarde, e ela deixava a filha trancada dentro de casa para orientar jovens em crise.

Um dia chamaram-na ao telefone e ela quase desmaiou de susto – a sua filha estava sentada na varanda pronta para pular no vazio. Correria, gritos e desespero, e finalmente depois de algumas horas a menina voltou para dentro do apartamento, e ela lendo um dos artigos que eu havia escrito pedia orientação de como proceder com a educação de filhos, resolveu escrever-me pedindo ajuda. Aconselhei-a que deixasse o grupo de jovens e se dedicasse somente a sua filha, desse atenção diuturnamente, que se tornasse amiga da sua filha e que não a forçasse a se converter, que orasse e mostrasse o quanto sua filha era importante para ela.

Meses depois recebi um outro e-mail, dizendo que a menina havia se batizado, e que ambas trabalhavam juntas aconselhando outros jovens a encontrar a paz e a amizade com seus familiares.

Pensem que uma multidão de crianças, jovens e adolescentes como a menina, “gritam” pedindo por atenção e carinho, para ser ouvidos e atendidos nas suas necessidades emocionais básicas. Por outro lado, há pais que são relapsos e omissos, que não dão atenção devida aos seus filhos. Certa vez eu ouvi uma história interessante de um pastor. Ele foi visitar uma família da sua igreja, e lá chegando o pai todo orgulhoso exibia o novo brinquedo que ele havia comprado para o pequeno filho. Só que o menino estava mais interessado na caixa do que no brinquedo propriamente dito.

O pai dispusera de uma pequena fortuna para comprar aquele brinquedo, e o garoto gostava mais da caixa. É um engano pensar que carinho, atenção, educação, disciplina, companheirismo, amizade pode ser suprida com presentes.

Um determinado pai, diretor executivo de uma multinacional estrangeira no Brasil, estava indo para uma reunião com seus subordinados, e recebeu o recado de que seu filho havia ligado e precisava falar com urgência. Como estava atrasado para a reunião, decidiu não retornar a ligação. Mais tarde descobriu que o filho havia caído da bicicleta e se ferido gravemente, precisando da ajuda de vizinhos para ir ao hospital.

Chocado, o pai viu o tamanho do erro cometido – havia negligenciado auxílio ao filho, em detrimento dos seus negócios. Como este são muitos os pais que negligenciam seus filhos, tornando-os assuntos secundários, quando deveriam ser prioridade nas suas vidas.

Tenho a certeza de que com você isto não acontece. Não é mesmo?

Todos os direitos reservados ao autor – fevereiro/2004

Pais folgados, filhos estressados

In Comportamento on April 29, 2009 at 4:30 pm

Jehozadak Pereira

Outro dia ouvi uma coisa interessante. Uma menina de sete anos de idade desabafou diante de todos que já não agüentava mais tantos compromissos que sua mãe havia arrumado para ela.

Balé, natação, inglês, informática, futebol, tênis, e outras tantas atividades que as crianças sequer podem suportar.

- Eu quero brincar! Disse a pequena menina, num lamento choroso e confuso. Sua mãe para se livrar das obrigações e da tarefa de ter de educar e amparar a menina arrumou tantos compromissos para ela que sequer lhe sobrava tempo para ser o que ela queria de fato ser – uma criança de sete anos, vivendo como uma criança de sete anos.

Muitos pais passaram nas suas infâncias, adolescência e juventude privações e vontades que buscam dar aos seus filhos aquilo que eles não tiveram.

Por isso enchem seus filhos de compromissos e tarefas que eles sequer podem suportar. Há crianças que tem agendas lotadas, são tantas festas e compromissos que são lhes impostos que eles não conseguem compreender direito o que se passa.

Em paralelo a tudo isto, vemos que pais são de sobremodo atarefados que também não lhes sobra tempo para dedicarem-se aos seus filhos como deveriam dedicar-se.

Nos nossos dias, é comum além do homem a mulher trabalhar fora, pois para terem um padrão de vida melhor é necessário que ambos trabalhem, antes os homens eram os únicos provedores do lar, hoje não, a tarefa é partilhada com as mulheres, quando não são elas que mantém a casa.

Com isto a rotina dos filhos é profundamente alterada. Mas e aquelas famílias cujas mães não trabalham fora?

Para muitos ter filhos é um suplício, e não fazem questão de esconder isto de ninguém. Daí arrumarem múltiplos afazeres para se livrarem dos filhos.

Há crianças que são submetidas a pressões cada vez maiores, no sentido de que sejam os melhores em tudo o que fazem. Se o menino joga futebol, ele deve forçosamente ser o melhor de todos. Se a menina faz balé, deve ser a que melhor dança. Se as notas na escola são boas, devem na opinião dos pais ser as melhores notas da turma.

Sem contar que pais não dedicam aos seus filhos o tempo que deveriam dedicar. Estão sempre envolvidos em algum projeto pessoal que exclua os seus filhos. Nas nossas igrejas é muito comum vermos isto, homens e mulheres que fazem do seu sacerdócio o bem estar dos outros abandonando suas famílias, especialmente seus filhos, relegando-os a um segundo ou terceiro plano nas suas vidas.

Sem contar que há mães e pais que nas suas horas de lazer empurram seus filhos para a companhia de outras crianças ou os tais muitos afazeres para se livrar deles.

Observe a sua volta e veja quantas crianças há que não conseguem se concentrar em nada, e que choram o tempo todo num lamurioso pedido de socorro, que os pais teimam em não enxergar. E os pais que excluem deliberadamente seus filhos das suas vidas? Se o pai vai jogar futebol, leve o filho junto, ou se a mãe vai ao cabeleireiro, porque não levar a filha a tiracolo?

Principalmente na América os filhos são mais apegados a baby sitter, ou aos professores do que aos pais. Privar os filhos do convívio com os pais, é legar-lhes desprezo e falta de cuidado. Vivemos na era dos filhos solitários e jogados pelos cantos abatidos pela falta de cuidado e atenção adequados e a mercê da negligencia dos seus pais. E não estou falando de pais separados não, estou falando de famílias que em tese moram sob o mesmo teto.

Mesmo que sua vida seja atarefada e cheia de compromissos, tire horas diárias e mostre aos seus filhos o quanto eles são importantes para você pai e mãe.

Certa vez ouvi uma história interessante, de um pai que deu ao filho um brinquedo muito caro. Ao receber a visita de um amigo ele se gabou de poder trabalhar para dar ao pequeno menino o valioso presente, só que o moleque deixou o carrinho de lado e brincou o tempo todo com a caixa. O que isto significa? Mostra que a criança não quer nada rebuscado, ou mesmo ficar com a babá e ter a sua disposição uma geladeira cheia de guloseimas ou ainda, ou armário cheio de presentes caros, dos quais elas preferem as caixas.

Criança e filhos querem colo, carinho, amor e atenção, mesmo que seja só um pouco por dia. Pensem nisto.

 Copyright©2004 – todos os direitos reservados ao autor – setembro/2004.  

Filhos. Amigos ou inimigos?

In Comportamento on December 11, 2007 at 10:34 am

Jehozadak Pereira

Certa vez eu falava para um grupo de jovens e citei que filhos devem honrar seus pais. Uma jovem muito bonita quase me pulou em cima de tanta raiva e ira. Ela disse aos gritos que eu dizia aquilo por que não conhecia seu pai. Bruto, mal educado, mau humorado, arrogante, violento, bêbado, alcoólatra, espancador dela, dos irmãos e da mãe. Coisas de chocar qualquer um.

Levei-a diante de todos a ler e refletir sobre o que está escrito em Êxodo 20.12. Fiz com que ela lesse na Bíblia dela a passagem reiteradas vezes. Então perguntei se ali havia alguma condição para que ela respeitasse e honrasse seu pai? Continuei perguntando se ela deveria respeitar e honrar seu pai se ele fosse respeitador, educado, cordato, gentil, que não tivesse quaisquer vícios? E ela foi respondendo não para todas as minha indagações. Logo ela pode entender onde eu queria chegar.

Não há nenhuma vírgula, senão, hiato, condição, reparo, desvio, nada, não há nada que diga que pai e mãe não devem ser honrados, independentemente da sua condição.

Pois bem, há pais e mães que são inimigos viscerais dos seus filhos, e igualmente há filhos que são inimigos figadais dos seus pais e mães. Eu conheço um monte deles.

E por que são inimigos? Os motivos são diversos e variados.

Covarde, trapaceiro, negligente e mentiroso. Foi exatamente com estas palavras que Guillaume Depardieu, definiu seu pai, o ator francês Gerard Depardieu. A inimizade de ambos é notória e beira muitas vezes o escárnio. Guillaume ataca o pai, por causa do desprezo deste na infância, e da indiferença com que foi tratado a vida toda pelo pai. Em 1996 Guillaume sofreu um grave acidente quando dirigia em alta velocidade uma motocicleta, e tempos depois teve de amputar a perna direita por causa de uma infecção hospitalar.

Gerard trata o filho como desequilibrado emocional, e este devolve o insulto xingando o pai pela imprensa.

Há inúmeros exemplos de pais e filhos que se odiavam uns aos outros. Jânio Quadros foi um dos que detestava seu pai. Quando Gabriel Quadros morreu assassinado por marido traído, Jânio sequer lamentou. A divergência de um com outro atravessou décadas de desprezo, indiferença e rancor.

Geralmente conflitos entre pais e filhos passam por uma educação deficiente e falha. Quando pequenos quem decide o que a criança vai comer, vestir, quando ir deitar-se, tomar banho, se pode fazer o quer, etc.

Nesta etapa de vida, não há conflitos, e os filhos vêem os pais como seus heróis e heroínas prediletos.
Porém, na adolescência surgirão os problemas. Os filhos passarão a ver os pais como eles são na realidade – pessoas falíveis, com problemas, com dificuldades diversas, quebrando um pouco daquele elã infantil que havia, e que mascarava certas situações.

Nesta situação, muitos pais não “toleram” perder o posto que pensavam desfrutar – e há pais que controlam absolutamente tudo dos seus filhos.

Gerações separam pais e filhos e os comportamentos destes tendem a desagradar os pais. É comum, ouvir certos pais dizendo – no meu tempo isto era diferente, repetindo assim aquilo que ouviram por sua vez dos seus pais.

Pais que não tolerarão as amizades, os gostos musicais, as leituras, as roupas, o modo de estudar, o comportamento e tudo o que se relaciona ao bem-estar dos filhos. Tentarão controlar a privacidade deles como indivíduos de cabeças – ainda que imaturas – pensantes. Hoje um adolescente tem muito mais opção de se divertir do que seus pais. Televisão, internet, livros, filmes são alguns dos recursos disponíveis para a educação e o conhecimento de muitos ainda que não estejam totalmente preparados para tal. Querem exercer um controle exagerado sobre os filhos, querem demonstrar força, quando deveriam mostrar coerência e inteligência.

Sem contar que os nossos dias são invariavelmente mais dificultosos do que os dias dos nossos pais. Há mais violência, a iniciação sexual e os perigos decorrentes dela são muito mais evidentes e notórios, pois adolescentes se iniciam sexualmente e muitos têm vidas ativas neste aspecto. Nunca se contraiu tanta doença sexualmente transmissível – a exemplo da AIDS, e drogas injetáveis como nos nossos dias.

Hoje um adolescente de quinze anos, sabe mais de sexo e da vida do que seus avós quando estes tinham trinta anos de vida. Uma única edição diária do jornal The New York Times, traz mais informação do que um homem podia assimilar durante um período de cinco anos, há três décadas atrás.

Os tempos mudaram, só que alguns pais não acompanharam estas mudanças, e falam uma linguagem diferente dos filhos. Nesta situação os conflitos familiares tendem a se acirrar, tornando a convivência insuportável. O pai gritará com o filho, a filha o responderá, e a mãe ao tentar intervir, para não ficar mal com nenhum dos lados fará com que as coisas se tornem ainda mais ruins do que já estão. O que mais se vê hoje em dia são adolescentes irritados com seus pais.

O que para os jovens é normal e compreensível, para os pais não é. O que uns toleram os outros não suportam. Nesta altura da vida, os filhos desejam ter amigos, sair, passear, ir ao cinema, viajar com quem partilha os mesmos interesses, e invariavelmente os pais estão numa outra dimensão frontalmente contrária a dos filhos.

É muito comum pais e filhos serem amigos depois de muitos anos. Primeiro porque os pais passam a ver a vida de outro modo, entendendo e aceitando as mudanças impostas pelo tempo, e depois porque os filhos ao se tornarem pais vão passar certamente pelos mesmos problemas que seus pais enfrentaram com eles. Eu mesmo, só fui entender muito das atitudes dos meus pais, no instante em que fui pai, e passei a enfrentar os mesmos problemas que eles haviam enfrentado comigo. Com o passar dos anos tornei-me amigo deles, mas precisei tomar uma lição que nunca vou esquecer.

Hoje uma das minhas maiores alegrias é poder falar com meus pais, e sinto a reciprocidade neles, orgulho-me de ser amigo deles, e não abro mão deste privilégio. Problemas de pais com filhos, não significam necessariamente passar por drogas, sexo, mau comportamento, portanto, fora do âmbito e da convivência familiar, para ser estritamente de ordem interna dos lares.

Meu pai conta que na sua infância, seu pai somente olhava para ele e seus irmãos, e isto era o suficiente para que todos eles entendessem o que queria dizer meu avô. Não se falava sem pedir licença, não se entrava, saia, ou se mexia em nada sem permissão. Se tivesse visitas em casa a prioridade era destes, havia a imposição rígida de uma disciplina que não dava abertura para que qualquer um deles fizesse o que desejasse.

Já a criação da minha mãe foi diferente da do meu pai, e nem por isso minha mãe e tios eram indisciplinados. Acho que meu avô materno nunca disciplinou fisicamente um filho, era um homem dócil e amigo dos filhos, assim como – ao seu jeito e modo, meu avô paterno.

Parte da minha infância foi passada sob estes métodos. Meu pai olhava e pelo jeito dele olhar já sabia de antemão o que iria acontecer. Para muitos este sistema é arcaico e ultrapassado. Não é não. Das coisas da minha criação que reclamo, foi a falta de diálogo, do resto não reclamo de nada. Com meus filhos apliquei muito das coisas que aprendi com meus pais, só que tinha por obrigação de melhorar aquilo que aprendi e recebi deles.

Aliás, nós temos a obrigação de melhorar a nossa história de vida e a herança que recebemos dos nossos pais. Se ela foi deficiente, temos o dever de educar nossos filhos de modo digno e diferente daquela que fomos educados. Se ela foi boa, nosso dever é aperfeiçoá-la de todos os modos.

O que nos resta então é tornarmo-nos amigos dos nossos filhos. Por maior que sejam as divergências e diferenças existentes entre uns e outros, nossa obrigação e dever é sermos amigos sempre uns dos outros.
Freqüentemente recebo e-mails de filhos reclamando dos seus pais. Falta de atenção, ausência de carinho, diálogo, indiferença e até desprezo são alguns dos itens que mais se queixam os filhos dos seus pais.

Conheci certa feita um rico empresário em São Paulo, que se gabava das atitudes dos seus filhos. Um deles certa vez foi viajar com mais dois amigos para a Itália, e lá por um motivo qualquer foi preso. Havia levado um cartão de crédito do pai escondido e havia sido pilhado falsificando a assinatura nos recibos das compras.

O que ele fez? Nada. Orgulhava-se disto. Eu já estava morando na América quando li nos jornais que o mesmo rapaz havia se envolvido num seqüestro de uma prima para tirar dinheiro do tio. Uma das perguntas que o delegado que o prendeu fez, foi o porque da atitude, visto que não havia necessidade daquilo.

Vingança pela falta de atenção do pai e da mãe, foi o motivo alegado.

Assim, muitos filhos estão ai a deriva vingando-se dos seus pais, tratando-os como inimigos mortais, quando deviam honrá-los e prezá-los. Do mesmo modo, pais que tratam seus filhos como rivais que somente venceram na vida por causa da ajuda deles, pais.

Quem é pai ou mãe, os amigos dos seus filhos? Vocês? Ou os amigos deles são os colegas de trabalho, de turma ou da escola? Seus diálogos são conversas agradáveis ou uma gritaria insana e inconseqüente? Seu filho só o procura nas horas de necessidades? Que tal ser amigos dos seus filhos ainda hoje?

Pensem nisso.