jehozadakpereira

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Lição

In Cotidiano on December 18, 2009 at 3:33 pm

Jehozadak Pereira

Assistir Mississippi Burning é poder ver que a a imbecilidade humana não tem limites. O filme conta as agruras dos negros no Mississippi e no Alabama lá no final dos anos 50 e início dos anos 60. Para terminar de vez com o racismo explícito e exacerbado surgiu a figura ímpar de Martin Luther King Jr.

Homens como ele fazem falta nos nossos dias. Homens capazes de com a palavra vencer a intolerância e a estupidez. Na sua lápide está este trecho do seu famoso discurso na Marcha sobre Washington, que foi um marco divisor na questão dos direitos civis nos Estados Unidos.

“FREE AT LAST, FREE AT LAST;

THANK GOD ALMIGHTY

I’M FREE AT LAST!”

“Enfim livre, enfim livre! Graças a Deus Todo-Poderoso sou finalmente livre!”

ET a carreira de Martin Luther King Jr terminou com uma bala disparada por um fanático.

O flagelo do ciúme

In Comportamento on December 1, 2009 at 5:05 am

Jehozadak Pereira

Ao que se recorda Geraldo foi feliz até que um dia conheceu Dalva e por ela se enamorou, paixão que o levou ao casamento meses depois. A partir daí foram vinte e cinco anos de muita raiva e frustração contida, pois Geraldo não é homem de explodir ou de reclamar, mas, poucos homens queriam estar no seu lugar.

Dalva sofre de ciúme patológico e transformou a vida da família num verdadeiro centro de torturas por causa das suas constantes explosões e cenas que não escolhem hora, lugar, data ou mesmo motivo. A última viagem de férias a Governador Valadares no Natal foi abortada logo na primeira semana, porque uma prima que Geraldo não via há anos o beijou e o abraçou, motivos suficientes para que móveis, pratos e copos fossem quebrados, roupas rasgadas e a prima fosse posta para correr sem a menor cerimônia. E não foi a primeira vez que isto aconteceu.

Geraldo perdeu a conta das vezes que trocaram de igreja e de casa por causa das suspeitas da mulher. Os três filhos foram crescendo e vendo tudo, e nem quando vieram todos para os Estados Unidos a coisa acalmou.

Sem ter vida social porque a medida que as pessoas se aproximavam do casal, logo as mulheres eram acusadas de dar em cima de Geraldo, e até a namorada do filho mais velho preferiu nunca mais voltar na casa por causa de Dalva, que sente ciúmes até das filhas.

A última e decisiva cena foi por causa de um atraso de Geraldo na hora de voltar para casa. Ao passar por uma das lojas brasileiras da cidade onde mora, Geraldo encontrou com um amigo dos tempos da juventude e perdeu alguns minutos conversando com ele e não atendeu ao telefone celular que havia ficado no carro.

Dalva o esperava na porta da casa e explodiu por causa da desconfiança de que o marido a estava traindo. O resultado foi o carro incendiado protagonizando mais um escândalo na vida deles. Quando a polícia e os bombeiros chegaram para apagar o fogo, Geraldo minimizou o fato e não prestou queixa contra a mulher, mas naquela tarde, junto com os filhos tomou a decisão de dar um basta naquilo tudo e foram embora deixando Dalva sozinha.  

Nos dias seguintes Dalva o seguiu, ameaçou, pressionou até que ele foi na Court mais próxima e pediu o divórcio, sem se importar com as ameaças da ex-mulher. Os filhos estão morando com ele e pela primeira vez em anos conseguiram rir e se divertir sem medo do que a mãe e mulher pudesse pensar.

Quantas histórias como esta você já viu ao longo da sua vida? Se não for a sua própria história de vida. Pois isto é uma realidade constante na vida de muitos. Quantas carreiras e vocações foram desprezadas e abandonadas por causa dos ciúmes? Quantas vocês conhecem?

Ao longo da história da humanidade o ciúme tem destruído lares, rompido com amizades, acabado com laços familiares, e invariavelmente não tem sido tratado com a devida atenção. O ciumento duvida de tudo e de todos, exaspera-se, o ciumento tem medo de perder.

As pessoas ciumentas são como todos nós, nossos vizinhos e parentes, talvez com uma diferença: sofrem e muito pelos seus comportamentos e atitudes.

São maridos com comportamentos bruscamente alterados em relação à esposa, após o nascimento do primeiro filho. São esposas que não suportam ver o sucesso de seus maridos; mães que agem com as suas filhas, como se elas fossem suas inimigas, ou são irmãos que passam a vida se digladiando e disputando a atenção dos seus pais a qualquer preço. São homens e mulheres possessivos que se agridem, se destroçam e até se matam, tudo por causa do ciúme.

O ciumento tem medo de perder. A ação à sua atitude é o choro e a autocomiseração. Por vezes o ciumento fica cego e não consegue ouvir a voz da razão. Chora, pede perdão e torna a fazer de novo, e pior. Dizem que o ciúme é o amor possessivo. Mentira, pois o amor jamais é possessivo. Ao procurar as razões do ciumento, vamos encontrá-lo mergulhado desde a sua infância com ciúmes de seus carrinhos, suas bonecas, dos seus pais, do seu cachorrinho de estimação.

Invariavelmente o ciumento tem baixa-estima, e julga-se ultrajado, desprezado e é extremamente possessivo. Ao se relacionar no casamento, com o seu cônjuge ele o tem como sua propriedade exclusiva e torna a vida em comum um suplício e um tormento para ambos.

É comum o cônjuge do ciumento passar a vida toda justificando o que não fez, e somente o faz para ter ou obter um pouco de paz, e pensa que no dia seguinte tudo vai voltar ao normal.

Quantas vezes são acusados sem nada ter feito, ou condenados sem culpa alguma. Por conta disto o ciumento vai vigiar, revistar bolsos, escutar conversas, vasculhar agendas, rediscar o último número chamado no telefone, olhar para onde o outro olha, fuçar o e-mail e fazer de tudo para “descobrir” uma infidelidade.

Quantas vezes o ciúme leva a morte, pois o ciumento é despeitado, invejoso, e por causa disto tem medo e receio de perder alguma coisa. E por conta disto põe tudo a perder, tal como fez Dalva a vida inteira.

Todos os direitos reservados ao autor

Viver perigosamente

In Opinião on November 6, 2009 at 10:17 pm

Jehozadak Pereira

É sempre constrangedor quando se ouve a notícia de que um alucinado qualquer sai disparando a esmo e matando a torto e a direito. Ontem um militar surtou no Fort Hood, no Texas e matou 13 pessoas, além de ferir outras 30. Agora há pouco em Orlando, Florida, um outro crime coletivo, matou uma pessoa e feriu outras seis. Um horror. 

Tudo isto é a conjunção letal de arma de fogo + alucinação = mortos em profusão. Resta saber quando isto vai ter fim, se é que vai ter. O que não falta é tiroteio, e o grande problema é que quem acaba pagando a conta é gente inocente que não tem nada a ver com o problema.

Embora se debata nos Estados Unidos a questão da venda de armas, o problema parece longe do fim, pois muitos defendem o direito de se armar, armas que muitas vezes estão em mãos erradas e que não hesitam dispará-las provocando massacres.

Os descompensados

In Comportamento on June 24, 2008 at 1:55 am

Jehozadak Pereira

Escrevi este artigo um tempo atrás, e lembrei dele pois recentemente convivi com uma pessoa descompensada que me fez passar raiva. Mas a vida é assim mesmo. Cada uma destas pessoas existe e por respeito a eles, não vou citar o seu nome aqui, mas os sintomas são os mesmos. Sem tirar nem por.

Juliano Cruz já foi de tudo na vida. Feirante, vendedor, mágico, despachante, mecânico, cozinheiro, seminarista, garçom, motorista e propagandista. Foi dono de uma pastelaria, de uma agência de viagens, de boutique num shopping em Curitiba, de uma pousada em Caldas Novas e outra em Porto Seguro, até que faliu o hotel da família em Florianópolis e decidiu vir para os Estados Unidos.

Juliano é daquelas pessoas que tem boas idéias e excelentes iniciativas, mas que se perdem em pouco tempo e poem tudo a perder, fazendo o que se espera que eles façam de fato. Juliano é uma das milhões de pessoas que são atingidas pela incapacidade de o organismo restabelecer o equilíbrio físico ou mental alterado por um problema estrutural ou funcional – definição patológica. Por isso não conseguem se concentrar em absolutamente nada.

Juliano sempre arruma um problema com quem está próximo dele, a ponto de nem seus irmãos o suportarem. Quando veio para a América em 1998, foi trabalhar numa uma igreja evangélica, e logo o ambiente que era perfeito, deteriorou-se de tal maneira que a direção da igreja o dispensou com a recomendação que jamais tornasse a pisar naquele lugar novamanente.

Tal como Juliano, são pessoas que se intrometem nas vidas alheias, escutam conversas, dão palpites fora de hora, acham que as suas idéias são sempre brilhantes, querem impor a sua vontade sempre, e quando contrariados acham-se perseguidos por tudo e por todos.

Quando se sentem ultrajados partem para outra sem a menor cerimônia, sem se importar com investimentos de tempo e de dinheiro. A exemplo de Juliano que deixou na mão alguns sócios, sem ao menos se dignar a dar qualquer tipo de justificativa ou satisfação.

Os descompensados são ressentidos e dizem que fracassaram porque o mundo conspirou contra eles. Geralmente a origem dos seus problemas está na infância ou na adolescência. Juliano, por exemplo, era chamado de desastrado e trapalhão pelos seus pais e irmãos, daí a sua insegurança e hesitação constante.

As vezes o descompensado pode ser briguento e hostil com quem os cerca. Cristiana Silva, é um exemplo disto. Em quatro anos de América já morou em tantos lugares que nem se lembra deles todos. Já teve muitas amigas e namorados e rompeu com todos eles a ponto de ninguém querer saber dela quando se acidentou em 2005 e ficou quatro meses internada.

Uma cena comum na sua vida nos Estados Unidos é dormir no carro com todas as suas coisas, por ter brigado novamente. A última foi há um tempo atrás, quando chegou em casa e as duas pessoas com quem ela dividia uma casa estavam rindo e ela perguntou o motivo. Não era nada de importante disseram as duas. Foi o suficiente para que ela se revoltasse a partisse para cima de uma delas, achando que era dela que elas riam.

Foram parar na polícia e como conseqüência ela foi posta para fora da casa no meio da noite, foram noites dormindo no carro até que ela arrumasse uma outra casa para morar.

Quem convive com um descompensado fica perplexo diante de cada nova trapalhada ou atitude incoveniente feita mais uma vez. As vezes busca alguma resposta e se pergunta se o problema é seu ou se fez alguma coisa que justificasse o ato do descompensado.

Raramente o descompensado se dá conta das suas atitudes e por causa disto não buscam ajuda clínica ou terapêutica, mesmo porque acham que não precisam, e que o mundo mais uma vez está contra eles.

Há algum tempo, a atriz Cassia Kiss, esteve no programa Mais Você da apresentadora Ana Maria Braga e contou o drama que a afligiu por muitos anos. Ela sofria de transtorno bipolar, que hoje é controlada com remédio e terapia recomendada pelo seu psicanalista e psiquiatra. Cassia lamentou o tempo perdido em que desconhecia o seu problema, e que hoje é uma outra mulher em todos os aspectos.  

911 – Os filhos da América

In Comportamento on April 1, 2008 at 2:49 am

Jehozadak Pereira

A América é a terra e pátria dos ditos direitos humanos, tudo é permitido em nome das liberdades civis, desde declarar abertamente a opção sexual, que eles fazem questão absoluta de que isto fique patente e evidente, sendo possível ver nos carros adesivos com o arco-íris estilizado em vidros e pára-choques, sem contar os lugares onde a freqüência é de homossexuais – masculinos ou femininos – igualmente identificados pela bandeira multicolorida. Tempos atrás em passeatas, os homossexuais saíram com seus respectivos pares, para a indiferença da população americana.

Por vezes é possível encontrar pelas ruas, portas de escolas, metrô e ônibus com criaturas andróginas no modo de falar, de vestir, alguns com tantos piercings, brincos e alfinetes que as feições ficam disformes. E os cabelos? Pink, blue, green, entre outras tantas matizes. As idades? É possível identificar entre tantos alguns com onze, doze anos. E como fumam e bebem álcool! Diga-se que em muitos estados americanos tanto o fumo como a bebida alcoólica é proibida. Mas nunca os jovens e adolescentes americanos beberam e fumaram tanto como neste dias. Uma das filhas de George W. Bush, o presidente americano, foi multada pela polícia do Estado do Texas, por tentar comprar bebida alcoólica usando a identidade de uma amiga.

Em muitas escolas, é possível ver carros destruídos com os respectivos nomes dos adolescentes mortos em acidentes por causa da ingestão de álcool.

Outro dia, na cidade em que moro, um fato me chamou a atenção. Um garoto, talvez com catorze, quinze anos, estava fortemente escoltado por policiais armados, que conduziam o menino algemado nas mãos e pés, com as correntes passando pela cintura. Fiquei pensando qual foi o crime que aquele garoto cometeu? Conversando com algumas pessoas, inclusive americanos, fui informado que para que o garoto estivesse algemado daquele modo, o crime cometido foi muito grave, provavelmente assassinato ou tentativa, e se ele estava acorrentado daquele jeito, é porque o seu comportamento é agressivo e violento, além de perigoso. Certamente o menino ainda imberbe, se tiver cometido algo escabroso vai pagar a sua dívida com a sociedade até o último dia da sua pena.

É a lei.

A cada dia na América, mais jovens e adolescentes se envolvem em delitos, que vão desde dirigir sem a driver license – a carteira de motorista, tráfico de droga, porte ilegal de armas, violência – inclusive sexual, roubo, e assassinato entre outros tantos crimes. As estatísticas apontam que a cada ano a quantidade de crimes e contravenções praticadas por jovens e adolescentes é maior em relação ao no anterior.

Nas escolas as crianças são ensinadas a denunciar as autoridades eventuais maus tratos praticados por pais, mães, irmãos, parentes. Qualquer correção que deixe marcas é denunciada incontinenti. Tempos atrás eu conversava com um pastor de uma grande igreja, que me contou um caso muito interessante ocorrido com ele e sua filha. A menina, na época com doze/treze anos fez lá uma peraltice qualquer e o pai disse que ia corrigi-la. Qual não foi a sua surpresa ao ouvir da garota, que se ele atrevesse a toca-la ela ia ligar para o 911, para denunciá-lo às autoridades policiais. Não é preciso dizer que a reação do pai, foi à altura da insolência da menina, e ela foi devidamente corrigida e disciplinada. Onde ela aprendeu que devia denunciar a correção como violência doméstica?

Na escola.

Conheci um pai, que ao se separar da esposa, precisou corrigir fisicamente o filho de onze anos. No dia seguinte o menino comunicou a assistente social da escola que comunicou o fato ao departamento de polícia, que levou o pai à corte, e como conseqüência disto ele recebeu uma probation – restrição imposta pelo juiz, que no caso dele tinha de ficar por seis meses afastado do filho, não podia aproximar-se do menino por uma distância não inferior a 500 metros, e sequer podia telefonar ao filho. Onde ele aprendeu que tinha de denunciar o pai?

Na escola.

A grande e crucial questão é que os Estados Unidos, tem negligenciado a educação e correção dos seus filhos, e o que vemos são cenas chocantes, como a de Nathaniel Brazill, o adolescente de 14 anos que em 2000 assassinou seu professor de inglês com um tiro no rosto, na Flórida, e foi condenado a 28 anos de prisão. Quando deixar a prisão, aos 42 anos, Brazill – ainda terá de passar dois anos em prisão domiciliar e mais cinco em liberdade condicional. Neste período, terá de fazer cursos de “reinserção na sociedade”.

Brazill foi julgado como adulto. Em maio, o adolescente, que tinha 13 anos quando cometeu o crime, foi declarado culpado por homicídio em segundo grau (não premeditado).

Se o crime fosse de primeiro grau – premeditado, ele seria condenado possivelmente à prisão perpétua, ou ainda a tragédia na Columbine School, onde dois ensandecidos adolescentes mataram também a tiros treze pessoas, e por fim colocaram fim nas suas vidas. Poderia citar dezenas de casos de adolescentes americanos que cometeram assassinatos por motivos fúteis, ou sem uma motivação aparente, se bem que nenhum crime de morte é justificável.

Ao deixar para as autoridades a tarefa de educar seus filhos, o que vemos é uma sociedade exasperada e sem a devida paciência com a delinqüência, que não hesita em corrigir aplicando a força fria da lei. Que os digam os reformatórios juvenis e as penitenciárias cada vez mais lotadas. Num dos estados do sul dos Estados Unidos, um pastor foi preso por cerca de dezoito vezes. O seu crime? Pregar no seu púlpito que filhos devem ser corrigidos por seus pais, que os pais devem utilizar os preceitos bíblicos na correção dos seus filhos. O velho pastor foi denunciado por incitação a violência e a cada vez que é recolhido a penitenciaria estadual, faz questão de afirmar aos juizes que o condenam que mais importa obedecer aos preceitos bíblicos, e na última vez narrou um episódio que emocionou a todos.

Ele narrou a vida  de um assassino confesso condenado à morte, que em lágrimas, contou a sua triste história. O jovem com pouco mais de vinte anos, afirmou que seus pais negligenciaram o princípio bíblico, e a cada ameaça de correção ele discava o 911, o resultado estava ali diante dele – um condenado à morte. Por isso o velho pastor insistia em pregar a palavra. 

Logicamente que há as exceções, existem pais que educam seus filhos de modo adequado e segundo os padrões bíblicos, mas parte considerável de gerações tem-se perdido por causa da severidade das leis de proteção aos jovens e adolescentes.

O quadro atual é o de uma geração que se assoma sem a devida atenção de pais e mães, que está à mercê das autoridades, que somente aplicarão o preceito legal. O resultado é que temos visto, atrevimento, insolência, falta de regras e de educação, ausência de preceitos hierárquicos, uma geração sem limites que não respeita absolutamente nada.

Esta é uma geração que tem sido criada sob os auspícios do famoso 911, que não hesita em punir quem corrige os seus filhos, a pretexto de os proteger. Mas é este mesmo 911 que será chamado para corrigir os delinqüentes de hoje que ontem protegeu. Uma sociedade permissiva e indulgente que já começa a se questionar sobre tanta liberalidade na educação dos seus filhos.

É o preço que a América tem pago. Um preço caro. Muito caro. Será que vale a pena?

Todos os direitos reservados ao autor – copyright©2001

As contradições morais da América

In Opinião on March 12, 2008 at 9:58 pm

Jehozadak Pereira

PS Escrevi este artigo há alguns meses, e decidi publicá-lo, depois da renúncia de Eliot Spitzer – governador de New York, cuja vida pública foi toda feita em cima da moralidade, e foi desmascarado depois de uma investigação federal que o envolvia com prostituição de luxo. Um comentário? Ô p#*@ que custou caro…

Definitivamente a América é uma nação repleta de contradições e fatos que surpreendem a cada dia. As programações de televisão são repletas de programas de todos os tipos.

Desde o consagrado e esperado American Idol, seriados variados e reality shows de todos os tipos, desde o sempre mau-humorado Paul Teutul Senior com suas tiradas corrosivas e suas motocicletas maravilhosas, até os que retratam decadentes de Hollywood e do show business, incluindo ai os exibicionistas que manipulam animais selvagens, com preferência para serpentes venenosas e de riscos diversos.

Sem contar a eterna predileção pelos fuxico e a fofoca que cerca a vida das celebridades, hoje muito mais exposta por causa dos papparazis que não dão trégua e sossego. Tudo vira notícia de um momento para outro.

Tem também os de furiosas perseguições perseguições policiais que termina invariavelmente com o motorista preso por oficiais raivosos, ou então fazem o maior escarcéu quando apanham algum bêbado mais afoito. Sem contar os policiais que ficam escondidos a espreita de algum motorista que resolve andar mais rápido que o permitido e se dá mal. Nas ruas da América todos os dias milhares de motoristas são parados, multados e presos por infrações menores no trânsito, que transformam a indústria das multas e penalidades num negócio bilionário a cargo do estado, que educa, mas reprime e penaliza sem a menor consideração.

Mesmo com um estado repressor, os Estados Unidos são um dos lugares do mundo onde mais se praticam fraudes de todos os tipos. Roubo de identidade, fraudes contra instituições bancárias e principalmente seguradoras, operadoras de cartões de crédito, ou de falsas instituições de caridades que arrecadam milhões de dólares, mas não distribui um centavo sequer.

É certo que cada vez que um crime deste tipo é descoberto e se consegue prender os seus autores, eles passam uma boa temporada na cadeia; tempo suficiente para refletir no que fizeram.

É interessante notar que a mesma sociedade que assiste a tudo isto, e que não tolera uma infração qualquer no trânsito ou que vigia a vida dos famosos faça a fama de alguns programas de gosto duvidoso e transformem os seus protagonistas em celebridades.

Tempos atrás Don Imus, um radialista branco que trabalhava na rede CBS. Num ataque de verboragia explicíta resolveu xingar as jogadoras de basquete da Rutgers University de New Jersey. O time que é composto de jogadoras negras que foram ofendidas, pelo radialista que perdeu o emprego e os patrocínios que tinha por vausa disto.

Há algumas semanas foi a vez de Duane “Dog” Chapman, um caçador de recompensas, que é o astro de um programa televisivo. O figurino de “Dog” Chapman, da sua mulher e companhia é digna de nota. A impressão que se tem é a de que tanto Chapman quanto a sua mulher esgotaram todo o estoque de água oxigenada da farmácia mais próxima para usá-la nos cabelos. Ambos são um espetáculo a parte, por causa da soberba, da arrogância e da prepotência que empregam na caça de fugitivos das cortes americanas. Além de se vestirem de forma espalhafatosa e única.

“Dog” Chapman derrapou na gramática ao tecer comentários racistas sobre a namorada negra do seu filho Tucker, numa gravação telefônica que foi divulgada. Mesmo pedindo desculpas e dizendo que não é racista ou preconceituoso, o seu programa deixou de ser veiculado pelo canal A&E que cancelou a série toda. A exemplo do que já havia acontecido com Don Imus, patrocinadores cancelaram os seus contratos com “Dog” Chapman, principalmante para não perderem consumidores dos seus produtos, e nem para ter a sua imagem ligada a racistas e preconceituosos.

Perdulária, permissiva, contraditória e conservadora, esta é a melhor definição que se pode ter da América, que aplaude ao mesmo tempo em que condena e deixa de bancar gente do calibre de Imus e Chapman.

TV Globo e o imigrante. Nada a ver

In Opinião on February 7, 2008 at 9:45 pm

Jehozadak Pereira

O Jornal Nacional veiculou na segunda-feira, 28 uma matéria sobre brasileiros que estão abandonando tudo e voltando para a casa. Até aí não há novidade nenhuma, pois todos os dias tem-se notícia de que milhares de brasileiros estão voltando para o Brasil levando na bagagem um pouco do que amealharam no período em que viveram na América, além dos sonhos e frustrações por não terem conseguido alcançar aquilo que desejavam plenamente.

Só que gente voltando para casa nunca foi novidade para a comunidade brasileira nos Estados Unidos. Então qual é a diferença desta vez? É que nunca os meios de comunicação deram tanto ênfase e cobertura para o assunto. Ou talvez, nunca tantos tenham voltado ao mesmo tempo.

Mas há sim, os exageros de sempre. E a matéria é pródiga em exageros, pois ao se editar os textos, carregou-se nas tintas pessimistas, teimando em dizer que todos estão indo embora. Todos não. Alguns é possível que sim. Há também um fator que não é levado em consideração, de que somos aproximadamente 1,2 milhão de pessoas. Quantos estão indo embora? 10 mil? 20 mil?

Que impacto isto tem na vida de quem fica? E a migração interna de brasileiros? Há alguns anos, milhares de trabalhadores foram para o sudoeste da Florida, na região de Fort Myers, Naples, Tampa e outras cidades. Segundo diziam, havia muito trabalho na área da construção civil e embora os salários fossem menores, o custo de vida também era menor, o que possibilitava uma vida sem maiores problemas, sem contar que nesta região há sol quase que o ano inteiro. Há as migrações para a Georgia, para a California e outros estados em menor escala.

Muitos disseram que jamais voltariam para as regiões frias e saturadas de brasileiros no norte. Passados alguns anos, não só voltaram, como tentam refazer as suas vidas, pois já não há mais trabalho na construção civil, que diga-se, chegou primeiro por lá. Um dos grandes problemas causados pela chegada de muita gente nesta região por exemplo, foi a queda dos salários, pois a mão de obra era farta e com isto os salários caíram.

È certo que alguns quando vieram para cá, o fizeram na incerteza do que de fato encontrariam em terras americanas, pois por mais que se diga que a vida aqui é dura e as vezes complicada, não se consegue transmitir o quanto para quem deseja vir. Há também a desilusão dos que já estão aqui há algum tempo que ao verem o tempo passar sem conseguir muitas coisas decidem pela volta.

Há uma teoria de que esta se voltando para o Brasil, porque o dólar se desvalorizou em relação ao real, e a pergunta que se faz é até quando a política monetária brasileira conseguirá manter as coisas neste patamar? Já vimos este filme antes e o final dele não é dos mais felizes não.

A falta de documentos é um agravante, mas não é o único, pois sempre se viveu na América desde sempre sem documentos e basta conversar um pouco com os mais antigos para se ter a noção exata das dificuldades enfrentadas por eles.

A realidade é que grande parte dos imigrantes brasileiros nunca foram lá muito fiéis a nada por aqui. Basta conversar com alguns líderes religiosos para se ter a noção exata disto. Hoje a pessoa congrega aqui numa igreja e amanhã estará em outra, e depois de amanhã noutra. Com o comércio é a mesma coisa. Não há garantia nenhuma de que o cliente de hoje será o mesmo de amanhã.

A crise por aqui vai passar, como já passaram todas as anteriores, e o negócio è esperar por dias melhores que virão sem dúvida alguma. Mais uma vez a TV Globo presta um desserviço à comunidade brasileira ao veicular meias verdades, carregando nas tintas do exagero mais uma vez. Certamente a crise vai passar, como a Globo também…

I have a dream – Eu tenho um sonho

In Crônicas on January 20, 2008 at 8:12 pm

Jehozadak Pereira 

1 de dezembro de 1955, Montgomery, Alabama, Sul dos Estados Unidos. Rosa Parks dá sinal e embarca no ônibus que a levaria para casa depois de um dia exaustivo de trabalho. Como na parte de trás havia muita gente, Rosa sentou-se num dos bancos da frente do ônibus. Por causa disto o motorista pediu que ela se levantasse, embora ali houvesse muitos assentos vagos. Rosa recusou-se a levantar e o motorista chamou a polícia que a levou presa. Rosa Parks era mais uma das vítimas da lei de segregação racial que vigorava no Alabama. Rosa era uma negra.

Por conta da prisão de Rosa houve em Montgomery um boicote à companhia de transportes que durou mais de um ano e que pôs fim à discriminação nos transportes públicos. A frente dos protestos estava Martin Luther King Júnior, que pregava a não-violência como forma de protesto e modo de alcançar o que se desejava.

Martin Luther King Junior, esteve além do seu tempo e foi um batalhador incansável pela causa da integração racial e dos direitos dos negros nos Estados Unidos e seu desejo era uma sociedade americana justa e livre de preconceitos raciais. Era o pastor da Igreja Batista da Avenida Dexter, em Montgomery, Alabama, onde iniciou a sua cruzada pelos direitos civis das minorias.

Em 1956 sua casa foi explodida por uma bomba e uma multidão de negros enfurecidos formou-se em frente à casa, querendo fazer justiça com as próprias mãos aos que injustamente os perseguiam. King, usando sempre da sua política de não-violência, pediu que depusessem as armas e voltassem para suas casas, dizendo o que seria o seu lema: “Devemos responder ao ódio com amor“.

Por conta do seu ativismo e da sua liderança, King foi preso mais de dez vezes, algumas por motivos fúteis como excesso de velocidade, mas na realidade tudo era mero pretexto para o pressionar e fazer calar a sua voz.

Além de ser aprisionado, King era ameaçado de morte em cada lugar que ia, e dizia que se tivesse de morrer pela causa dos direitos civis, morreria. Em 1963 na célebre Marcha sobre Washington proferiu o discurso Eu Tenho um Sonho que serviria de marco definitivo para que os negros americanos conseguissem os seus direitos que eram tolhidos por leis segregacionistas e racistas.

Ao optar por não atacar pessoas e sim preceitos e preconceitos segregacionistas e raciais, King mostrou ao mundo que a igualdade era possível, ainda que instigada por ódios incompreensíveis e repugnantes.

Entre todos os prêmios e lauréis que ganhou, o mais importante deles foi o prêmio Nobel da Paz em 1965. Celebrado e respeitado por muitos e odiado por outros – “vergonha para todo o mundo” foi a expressão utilizada por racistas do Sul dos Estados Unidos na ocasião.

Sua cruzada em busca da igualdade foi interrompida em 4 de abril de 1968, com um tiro no rosto dado por um branco na cidade de Memphis no Tennessee. O silêncio da cerimônia fúnebre de King trouxe uma profunda reflexão ao povo americano e impôs ao mundo uma nova ordem na área dos direitos civis. Não se podia matar impunemente – por mais dura que fosse a pena, a morte de King não seria reparada – que buscava direitos iguais para iguais, ainda que diferentes por causa da cor da sua pele, não se podiam transformar um embate num combate.

Não se podia conter ou exterminar uma busca pacífica de igualdade com balas letais, pancadaria e intimidação. Martin Luther King Junior deixou um legado de respeito e de admiração que é seguido por muitos. Na sua sepultura estão gravadas as palavras que ele pronunciou na Marcha Sobre Washington:

 

“FREE AT LAST, FREE AT LAST;

THANK GOD ALMIGHTY

I’M FREE AT LAST!”

 

“Enfim livre, enfim livre! Graças a Deus Todo-Poderoso sou finalmente livre!”

Malafaia e a questão do homossexualismo

In Opinião on October 27, 2007 at 3:19 pm

Jehozadak Pereira

Outro dia alguém me perguntou o que eu penso a respeito da gritaria do Silas Malafaia contra os homossexuais no seu programa na televisão brasileira. Como tudo o que se refere a Malafaia é ambíguo e de falsa polêmica, e tem algum interesse específico, logo, logo, ele vai lançar – se já não lançou – algum livro medíocre falando a respeito do assunto e vai faturar em cima.

A minha resposta foi a de que primeiro precisamos delimitar se Silas Malafaia falou como apresentador de televisão, como pastor, como psicológo, como homem de negócios ou como um mero cidadão que tem todo o direito de opinar sobre assuntos que estão em pauta no cotidiano e na sociedade brasileira.

O problema é a verborragia e a falsa indignação sempre exasperada, como se isto fizesse a diferença. A questão do multiforme Silas é a de querer estar sempre na dianteira dando opiniões, mesmo que elas sejam as mais retrógradas e distanciadas da verdade absoluta.

Homossexuais sempre existiram e vão existir a despeito de gostarmos ou não de conviver com eles, pois estão em todos os segmentos da sociedade, inclusive na igreja cristã. A abordagem é que parece ser o problema, para o qual nem de longe estamos preparados para enfrentar.

Tempos atrás, me vi tentando ajudar uma pessoa envolvida com o homossexualismo, e me deparei com o absoluto despreparo nosso para tratar do assunto, e depois de tanto procurar achei boa vontade e interesse no Moses – Movimento pela Sexualidade Sadia, mas que não puderam ajudar pela falta de recursos e pela quantidade de pessoas que os procuravam na época sem que eles tivessem condições de auxiliá-los adequadamente.

Poucos são os que no nosso meio dispendem tempo e recursos para tentar ajudar os homossexuais que querem abandonar o homossexualismo.

Agora mesmo, recebi um e-mail dizendo que o programa de Malafaia, corre o risco de ser reclassificado e ter que mudar de horário, por causa da linguagem imprópria e inadequada, ao que o seu apresentador se insurge e diz que se isto acontecer será uma forma de discriminação e de preconceito por parte do governo federal.

Será mesmo? Logo ele falando em preconceito…

Quando o divórcio foi aprovado no Brasil, a igreja – principalmente a denominação da qual o reverendo Silas faz parte, satanizou o falecido senador Nelson Carneiro, e teve gente até orando para que ele queimasse no fogo do inferno, sem se dar conta de que aquela era uma realidade que existia na sociedade, e que em pouco tempo se alastraria pela igreja. Impossível diziam alguns. Qual é o quadro que vemos dentro das igrejas hoje? Aprendemos a conviver com isto, mesmo porque a igreja continua despreparada para ajudar e a interagir com o divórcio em todos os seus níveis, inclusive ministerial.

Sempre lembrando que a Bíblia condena o divórcio, tal como o homossexualismo.

O reverendo Malafaia fala do homossexualismo do mesmo modo que falou do G12, e da mesma forma com que prega sobre prosperidade sem corar de vergonha. Mero oportunismo. Só isto. Para ele é só mais um assunto a ser abordado, e o DVD tratando do assunto já esta a venda, e que a opinião enviesada dele seja a opinião de parte da igreja brasileira.

Eu tinha uma idéia completamente diferente do homossexualismo e de quem o pratica, até que me vi tentando ajudar alguém. Vi que nem todo homossexual é promíscuo, assim como há heterossexuais que o são ao extremo, e sim pessoas carentes que precisam de quem fale para eles o que são e o que devem fazer, tal como eu fiz.

Claro que a Bíblia tem razão quando fala no assunto e corroboro 100% com as escrituras no tocante ao homossexualismo e quem o pratica, e não podia como cristão que sou pensar diferente.

Malafaia quer se fazer de vítima e de quebra faturar mais uns trocados em cima, da malta de gente que é tangida por gente como ele, que não tendo opinião formada sobre o assunto se deixa levar por qualquer palpite.

Nos Estados Unidos existe a pressão para que entre outras coisas se aprove o casamento de pessoas do mesmo sexo, mas apesar de todos os esforços das entidades homossexuais a sociedade tem rejeitado a idéia, pois me parece esclarecida o suficiente para debater o assunto e dar um claro recado aos políticos que não aceita a legalização, fato que parece não acontecer no Brasil, principalmente no meio cristão-evangélico.

A questão é muito mais complexa e ampla do que se possa imaginar, principalmente do que possa pensar Silas Malafaia, que como disse só quer faturar em cima do assunto.

Resposta ao Dirceu

In Opinião on September 1, 2007 at 12:56 am

A grande questão é que o PT como instituição e enquanto governo não aceita ser criticado por ninguém, e quando o é pela imprensa grita aos quatro cantos que é vítima de um complô da mídia. Mentira. A mídia não persegue ninguém, e a cantilena é a mesma de gente do quilate de Silas Malafaia, quando o criticado era o seu protegido, o ex-governador Garotinho, que dizia da perseguição pelo fato de ser um evangélico.

Já pensou se o nosso Lula, passasse por um processo de impeachment que passou o abjeto Collor de Mello? Pelo contrário, quem se dispôr a ler e pesquisar vai ver que ninguém mais manipulou a imprensa do que o próprio PT, cujos militantes eram os primeiros a vazar para a imprensa extratos bancários, documentos, e tudo o que podiam para comprometer e enlamear ainda mais o péssimo nome de Collor e sua troupe. Quem foi que surgiu com o motorista Eriberto França a tiracolo numa CPI? Ou ainda quem não se lembra do senador Suplicy se fazendo de sonso e detonando com tudo? Ou o próprio José Dirceu, com sua falsa indignação e moralidade deitando falação?

Quando era a imprensa nos olhos e em outras partes menos pudendas dos outros era bom, mas e agora que a imprensa relata tudo e marca em cima? Sabe daquele ditado que quem com ferro fere? Pois é…

Juscelino governou com a imprensa no seu pé. Ribamar, o estadista do Maranhão também. O topetudo Franco, o Itamar e FHC idem, e nenhum deles, ao que me consta se disseram vítimas de perseguição da imprensa. Não foi a imprensa que inventou Marcos Valério, e muito menos o mensalão. Não foi nenhum jornalista ou dono de qualquer veículo noticioso que chefiou o mensalão, ou sequer foi denunciado no STF. Quem foi? Foi o defectível José Dirceu, que se julgava o todo poderoso, e uma vez acusado – não julgado – quer politizar um caso de polícia, de roubo e de falcatruas contra os cofres públicos.

Já pensou se o Lula enfrentasse e passasse pelo mesmo processo de Nixon? O que vocês fariam? Mandariam prender ou matar os jornalistas que os denunciasse? Nixon saiu calado e jamais acusou a imprensa de o ter derrotado.

O PT que sempre pregou a ética, a moralidade e a lisura na política não tinha o direito de errar, pois sabia que todos os olhos da nação estariam em cima, mas não, o que fizeram? Tudo o contrário. E quando pilhados saem-se com a conversa fiada de que a imprensa os persegue.

Acusam o finado Serjão das mesmas práticas. Claro que é comodo, se justificar acusando. A impressão é a de que se o Serjão fez e ninguém falou nada, nós – o PT – podemos fazer e se a imprensa nos detonar – na visão tacanha e miuda da companheirada – nós vamos nos fazer de vítimas. E não é o que tem acontecido?

Quando o presidente Lula já eleito, mas não empossado veio a Washington eu fui numa comitiva de jornalistas participar de um almoço onde ele estava. Nunca vi tanta arrogância e prepotência andando juntas. Membros da comitiva, olhavam todos por cima e estavam mais preocupados e deslumbrados com o que os cercava, do que tudo.

Outra coisa difícil de aceitar é a fala de Lula que não sabia de nada. Quanta mentira e cinismo. Para que serve o serviço de informações de um governo? Lembro que cada um dos envolvidos trabalhavam no mesmo palácio que Lula dá seu expediente e mesmo assim, ele continua afirmando que não sabia de nada. A quem ele quer enganar? Que busque outro trouxa. Aliás, trouxa é o que não falta.

Todos estes escândalos denunciados, servem para colocar o PT no seu devido lugar junto com todos os outros que o antecederam no exercício do poder, e é dever da imprensa sim, informar, denunciar, expor e noticiar os rolos de quem quer que seja. Aqui nos Estados Unidos a imprensa toma partido sim, e nem por isto é cerceada. Outro dia participei de um jantar onde estavam cerca de 2,5 mil profissionais de imprensa, e ao lado deles as principais autoridades do estado. Governador, prefeito da capital, deputados e senadores, e nenhum deles foi poupado de críticas ou gozações. Inclusive um ex-prefeito da capital que estava preso por causa de problemas na administração da cidade, mas como é um homem muito popular, as previsões dão conta de que ele se elegerá na próxima eleição.

Sabe quem o denunciou? Foi a imprensa. Ele foi investigado, julgado, condenado a cumprir uma pena de cinco anos por corrupção, formação de quadrilha e conspiração. Mas nem por isto culpou a imprensa.

O que me parece é que o PT quer estar acima do bem e do mal, e se pudesse calava a imprensa, como fez o idiota do Chávez ou criava uma imprensa oficial nos moldes da que Castro criou.

Conviver com as opiniões diferentes e com as diferenças é uma arte que o PT não aprendeu ainda, e pelo jeito não vai aprender nunca, e se continuar nesta toada, vai sobrar incapacidade e faltar culpado para ser apontado. Concorda?

O aborto nos Estados Unidos – legal; mas moral?

In Cotidiano on May 28, 2007 at 3:07 pm

Os Estados Unidos é a pátria dos direitos civis, e a sua constituição é uma das mais suscintas e práticas do mundo. Nela tudo é permitido e ninguém deve ser impedido de fazer o que queira, desde que não atinja o direito do próximo. Diz-se que o americano tem uma enorme facilidade de transformar divergências em demandas. Por direito cívil entenda-se abortar.

A questão sempre foi e é espinhosa, e desde que foi encampada pelo movimento feminista que defende o direito de a mulher abortar, enquanto que os oponentes dizem que o aborto põe fim a uma vida, e que o aborto é uma forma de matar um ser humano. Mas, alguns estados americanos deixam para cada uma o direito de optar pelo aborto ou não.

Como mostramos na edição passada, a discussão vem de décadas passadas e está longe de um final que contente todo mundo – prós e contras. Se levarmos em conta que a sociedade americana é um tanto quanto permissiva no trato das questões sexuais, o aborto nada mais é do que o reflexo desta liberalidade. A mulher americana via de regra, é no mundo todo quem mais cedo se inicia sexualmente, e nem sempre com os devidos cuidados e a devida orientação.

O resultado disto é qua a cada ano um milhão de adolescentes americanas engravidam, gerando um custo de US$ 25 bilhões em programas médicos-hospitalares e de alimentação que são bancados integralmente pelo governo. São adolescentes que desprezam qualquer método de prevenção – preservativos e meios anticoncepcionais – e que estão sujeitas a doenças sexualmente transmissíveis.

História do aborto nos EUA
Em 1973, a texana Norma McCorvey que ficou conhecida como Jane Roe, recorreu a Suprema Corte pelo direito de abortar. Até então, o aborto era considerado crime nos Estados Unidos, e Roe que era solteira, pobre, drogada e maltratada não sabia direito quem era o pai do seu filho. Ironicamente, embora tenha ganhado o direito de abortar, Roe não chegou a abortar, e depois de se converter ao catolicismo tornou-se uma ferrenha opositora do aborto, e hoje luta para que o aborto seja criminalizado novamente.

Jane Roe, recorreu a Suprema Corte, porque o Texas punia com até cinco anos de prisão quem fizesse o aborto, e com a demora da decisão a Suprema Corte estendeu o direito a todos os estados americanos.

Prós e contras
Desde então a discussão interminável entre prós e contras domina a sociedade americana. Os argumentos são inúmeros e vão desde afirmar que a mulher tem o direito de optar por interromper uma gravidez indesejada até tirar dela a decisão. O tema tem diversos aspectos – éticos, morais, médicos, científicos, jurídicos, religiosos e políticos – aqui como razões de estado, como controle de natalidade. Há quem veja nesta razão uma imposição dos países ricos que querem impor aos países pobres uma política de controle da população.

A decisão tomada em 1973 pela Suprema Corte ainda repercute com força pois provoca reações na sociedade, principalmente entre os religiosos americanos, que movem mundos e fundos a favor da probição definitive. A discussão é espinhosa e promete durar por muitos anos ainda, até que seja respondida a principal questão – o aborto é legal, mas é moral?

Aborto

In Cotidiano on May 28, 2007 at 2:57 pm

Maria Odete, a Detinha, chegou aos Estados Unidos em agosto de 2004, depois de fazer uma travessia tensa e exaustiva pela fronteira mexicana, e trazia além da expectativa de refazer a vida, as saudades dos três filhos – com idades entre os seis e os dois anos de idade – que ficaram com sua mãe. Veio para trabalhar e além de tudo havia a dívida de US$ 10 mil referentes a viagem. Era trabalhar e trabalhar para pagar as contas. Ajudada por sua irmã e por uma amiga logo conseguiu um trabalho num restaurante e um outro num nursing home.

Vivera com Almir por quase dez anos sem casar, até que depois do nascimento do filho caçula ele mudou o comportamento passando a bater nela e decidiu que viria embora para os Estados Unidos, como fizera seus irmãos e primos. Desde que ele veio em fevereiro de 2003 nunca mais tivera notícias dele. E nem queria saber, pois ele a havia maltratado. Numa das folgas, Detinha foi com Mara, sua colega de trabalho num baile e conheceu Jorge, um goiano de Catalão e que era primo de Mara. Dançaram, conversaram e depois do baile foi passar a noite com Jorge num motel. E nunca mais o viu. Um teste de gravidez comprado na loja brasileira confirmou as suas suspeitas e a deixou em pânico.

Grávida, quando precisava trabalhar para pagar as suas contas; mandar dinheiro para sua mãe e pior ainda – grávida de um homem que sequer ela lembrava a fisionomia direito. Detinha sabia que vacilara ao não usar preservativo, mas ela nem sequer lembrou disto naquela hora. Procurou Jorge, e decidiram que a solução era ela abortar.

Dias depois Jorge levou-a a uma clínica pela manhã e na hora do almoço ela já havia feito o aborto, depois disto nunca mais o viu. Passado mais de um ano do aborto, Detinha às vezes chora ao lembrar da gravidez abortada e padece porque não tem ninguém para conversar sobre o assunto.

O dilema de Detinha é o mesmo de milhões de mulheres ao redor do mundo que um dia tiveram de passar por um situação semelhante. Antes de ser um debate legal – permissão ou proibição da prática – é um princípio ético que muitas mulheres relutam em fazer ou fazem sem nenhuma culpa. Para muitas mulheres interromper a gravidez é a única saída viável, mesmo que isto traga graves conseqüências psicológicas, físicas e emocionais futuramente.

Desde quando um feto é considerado um ser humano? É em cima disto que o debate ético-moral tem início e tende permanecer sem resposta por longo tempo. Quando o estado chamou para sí a responsabilidade de decidir – e permitir ou não – se uma mãe tem o direito legal – mas não moral – de abortar, o fez na contra mão da história.

Até a metade do século 19 o aborto não era considerado illegal em grande parte do mundo. A partir da segunda metade do mesmo século, defensores da proibição conseguiram que leis anti-aborto, tornassem crime a prática, pois consideravam que um feto é um ser humano a partir da concepção, dai considerar a interrupção intencional da gravidez uma forma de homicídio.

Com isto, todo o argumento clínico perdeu força, e o ponto central da questão passou a ser o valor moral da vida do feto, tirando da mãe a decisão de fazer ou não o aborto. O assunto sempre provocou – muita – polêmica, especialmente nos Estados Unidos onde o Colorado foi primeiro estado a aprovar o aborto em 1967, e metade dos estados americanos fizeram a mesma coisa até 1970, com restrições importantes – até determinado estágio da gestação, em geral até o terceiro mês. O primeiro estado a legalizar o aborto até o quinto mês e a pedido foi New York, o que provocou uma corrida de mulheres às clínicas do estado.

A nível federal foi legalizado em 1973, e desde então não há um ano em que nåo tenha sido bombardeado por grupos conservadores, especialmente católicos e evangélicos, que vêem na prática um atentado à vida.

Aborto, uma questão pessoal

In Opinião on May 27, 2007 at 5:19 pm

A velha questão do direito ou não de abortar volta a tona com força e com manifestações pró e contra a prática. Até que ponto uma mulher tem o direito de abortar sem que o estado interfira? Deve-se necessariamente excluir da discussão o aborto com finalidade comprovadamente médica – risco para a gestante, malformações graves no feto, os que tem origem no abuso sexual e estupro. A partir dai a questão passa a ser meramente moral e ética.

No Brasil por exemplo, nunca se fez tanto aborto, mesmo sendo a prática proíbida e criminalizada por lei federal. Lei que é burlada sistematicamente sem que nenhuma atitude seja tomada. Estima-se que no Brasil aconteça dois abortos clandestinos por minuto, o que totaliza 1,4 milhão por ano. O aborto é considerado a quarta causa de morte materna no Brasil, principalmente na população de mulheres de baixa renda.

O Supremo Tribunal Federal brasileiro discute com cientistas e especialistas em reprodução humana a questão do aborto, e por mais que debatam, uma conclusão parece estar distante.

Já na América quanto mais se discute, menos se chega a uma conclusão satisfatória ou coerente, e nos estados em que o aborto é legal, há filas de mulheres que querem deliberadamente abortar, mesmo com toda a pressão de religiosos e de entidades contrárias ao aborto.

Os abortos com recomendação clínica ou por motivos morais, são ínfimos diante dos que são feitos por outras razões. Razões que invariavelmente envolvem descuido por parte de mulheres e homens, que não usam nenhum método contraceptivo.

As estatíticas são assustadoras. Nos Estados Unidos, são feitos diariamente cerca de quatro mil abortos por dia, e a exemplo do que acontece no Brasil, a maioria por causa de gravidz indesejada, principalmente pela mulher solteira que por motivos sociais opta por não ter o filho.

Os problemas oriundos são diversos e envolvem culpa, traumas diversos e as vezes sequelas fisicas irreversíveis. Com isto se constata que se a mulher às vezes não quer e não está preparada para a gravidez decorrente de um relacionamento qualquer, menos ainda está para aguentar as consequências psicológicas de ter feito o aborto.

Mas como fica o direito da mulher de optar ou não por um aborto deliberado? É claro, que ela tem sim o direito de decidir se quer ou não que o feto que carrega nasça ou não. Mas e o direito a vida?

Bem, o direito a vida é inquestionável em todos os aspectos, principalmente para quem não pediu para nascer e que é fruto da irresponsabilidade de pessoas que teoricamente deveriam saber o que fazem.

Permitir o aborto é uma acinte à vida, proíbi-lo é violar o direito que em tese uma mãe teria, e ao mesmo tempo fomentar – principalmente no Brasil e em outros países que proíbem o aborto – uma indústria macabra e cada vez mais próspera, onde fetos são extirpados, as vezes com violência e literalmente jogados no lixo, banalizando a vida humana. Valeria mais se as autoridades discutissem a questão no campo da moral e da ética, pois esta parece ser a única forma e modo de constranger quem deliberadamente quer optar pela violência do aborto.

Ressalte-se que cada ser humano tem o direito de decidir o que quer e o que é melhor para a sua vida, principalmente a mulher que por um descuído qualquer engravida, e pratica o aborto, por isso deve saber sim, que tem o direito de fazê-lo, mas fica a pergunta – deve mesmo fazer?

A Globo e os evangélicos: a beira de um ataque de nervos

In Opinião on March 4, 2007 at 6:49 am

Na semana passada a Rede Globo comunicou aos publicitários e a comunidade cristã-evangélica nos Estados Unidos que a partir de 1o de abril, não mais aceitará publicidade de igrejas, principalmente aquelas que mostram horários de cultos e atividades.

Foi o suficiente para que líderes, pastores, ministros e radialistas cristãos iniciassem um movimento gritando que a igreja brasileira na América está sendo vítima de discriminação por parte da Rede Globo.

A notícia pegou de surpresa a todos e logo acaloradas listas de discussões entupiram os e-mails de muita gente, e nos dias subsequentes estavam sendo discutidos nos programas de rádio com ouvintes dizendo que iriam começar uma guerra santa contra a emissora do plim plim.

E-mails e mensagens mal-criadas foram enviadas a sede da empresa nos Estados Unidos e uma funcionária tratou de responder – a quase – todos, desarmando os espíritos mais exaltados.

Pastores e ministros mais afoitos trataram de cancelar suas assinaturas em protesto contra a medida que consideraram arbitrária e houve quem visse no fato uma maquinação maligna do poder das trevas. Só que não é nada disto. A Rede Globo nos Estados Unidos precisa melhorar a sua programação que é diferente da apresentada no Brasil por motivos contratuais, pois programas como o Big Brother Brasil, a Fórmula 1, e algumas competições esportivas não podem ser transmitidas para o exterior, dai a repetição de muitos programas.

Há também o mercado publicitário brasileiro nos Estados Unidos que é totalmente diferenciado do brasileiro, a começar pelas propagandas exibidas que nem de longe tem o padrão global de exigência cumprido. Aliás, algumas propagandas brasileiras parecem ter sido feitas por algum principiante tal o grau de precariedade que são feitas. São spots publicitários que jamais seriam aprovados e veiculados pela sede da emissora no Brasil.

Sem contar os preços infinitamentes mais acessíveis aqui, que permitem que empresas de diversos ramos e principalmente igrejas e comunidades cristãs apareçam na telinha da Globo, dando visibilidade e as vezes suprindo um ou outro ego, digamos, mais exacerbado.

Só que a farra tem data marcada para acabar e a atitude da rede Globo deve ser interpretada unicamente como uma mera prática comercial seletiva, pois a empresa não veicula nenhum tipo de propaganda de bebidas alcoólicas e de cigarros.

E a exemplo da sua prática no Brasil, não vai mais veicular nenhum tipo de publicidade religiosa. É interessante notar que a Rede Record – principal concorrente da Globo no mercado brasileiro na América não veicula publicidade de igrejas, a não ser da Igreja Universal, e nem por isto é acusada de discriminação.

A realidade é que parte da liderança cristã-evangélica brasileira nos Estados Unidos deu mais uma demonstração de imaturidade e insensatez preferindo ver uma conspiração contra o evangelho, quando na realidade o assunto não tinha nada de extraordinário.

A Rede Globo não é o único e nem o mais eficiente canal de publicidade para as igrejas ou empresas de qualquer ramo. Pode ser sim, o mais visível e o mais caro, mas há outras alternativas interessantes que não são devidamente exploradas.

Ao contrário do episódio da bandeira brasileira que foi pisada por um racista em Marlboro, Massachusetts, onde a lideranca cristã-evangélica pouco se manifestou ou tomou posição – a não ser um ou outro isoladamente, desta vez – e por interesse – as reações foram imediatas, mas efêmeras, talvez por verem que o seu principal argumento – o da cruzada global contra o cristianismo e contra o bem, é apenas uma atitude comercial coerente e oportuna. Nada além disto.