Boston, Fenway Park, Red Sox
In Coisas que o dinheiro não pode comprar on May 22, 2008 at 3:47 am
Jehozadak Pereira
Ganhei um ingresso e fui assistir o jogo Red Sox 6 x 3 Kansas City. Para variar o Fenway Park estava lotado. Sobretudo é um programa familiar e tem gente que vai e leva até a sogra, na esperança de que uma bola mal rebatida qualquer encaçape na boca da velha.
A torcida é um espetáculo a parte e tem cada tipo que circula por lá que é difícil acreditar que sejam reais mesmo. No resto é a velha e costumeira organização. Lugares marcados, banheiros limpos, ordem para entrar, ordem para sair, e no intervalo destas duas coisas o povo come e bebe para valer. Reclamação? Só os preços que são salgadíssimos.
Faltou falar da polícia sempre alerta para tudo que acontece, mas nem precisava falar, pois querendo ou não eles estão sempre por lá mesmo…
Fenway Park, New England, Red Sox, Xerox
In Cotidiano on October 8, 2007 at 6:05 am

O Red Sox é uma febre em New England, que vive e respira o beisebol, nesta época de playoff decisivo. Há Sox em todos os lugares e de todos os tipos. Bonés, bandeiras, camisas, faixas de cabeça, e todos – velhos e novos, curtem o time o tempo todo. A foto ai em cima, poucos tem. É da taça que o Red Sox ganhou em 2005, e que tirei no Fenway Park num evento da Xerox, tempos atrás.
512 feets, América, Boston, Fenway Park, Logan Airport, Los Meias Rojas, Morumbi, Pacaembu, Red Sox, Ted Willians, Xerox Company
In Crônicas on February 26, 2007 at 3:27 am

Fui visitar o Fenway Park – a casa do Red Sox, ou como dizem os nossos amigos hispanos – Los Meias Rojas. A Xerox Company, ou Zirox, na pronúncia carregada dos americanos, promoveu um evento e junto com Paulo DeOliveira, éramos os únicos brasileiros presentes. O estádio do Sox, tem mais de noventa anos, mas a impressão é que as obras ainda não acabaram. Gente andando para lá e para cá. Um verdadeiro frenesi. À volta ou no entorno do estádio tudo respira Sox, e toda a imediação é propriedade deles.
As obras dentro do estádio são intermináveis, e há sempre um anexo sendo construído ou recém inaugurado, além da limpeza impecável. Não há como deixar de notar a atmosfera saudosista do passado que terminou ontem, iniciando o futuro que começa hoje.
A recepção oferecida pela Xerox Company, foi no camarote, de onde é possível ver o campo debaixo dele. O bar-restaurante equipado com o que há de suficiente e necessário para passar ali umas boas horas. Um nome é onipresente – Ted Willians.
Para muitos dos brasileiros que moram aqui, Ted Willians é o nome do túnel que liga o centro de Boston ao Logan Airport e nada mais.
Nada disto. Ted Willians foi o mais importante jogador de beisebol do Red Sox em todos os tempos, e sua camisa número 9, é uma das cinco camisas levantadas pelo time – quando um jogador ou atleta americano se destaca com honra, a camisa que ele usou na sua trajetória é “levantada”, o que significa que nenhum outro jogador do time a usará jamais. A carreira de Ted Willians é mostrada nos mínimos detalhes, inclusive por um display colocado no lobby do restaurante, onde há desde fotos de Willians com sua família, até objetos de uso pessoal dele. Ao lado do display há um outro quadro com as legendas do que significa cada coisa. Muita gente pode dizer – coisa de americano! Nada disto. Se o personagem é um notável a sua memorabilia é exposta e cada um dos seus fãs sente-se como parte dela.
Ted Willians foi tão genial, que mudou até o lado da base no campo. Lá no meio das cadeiras da arquibancada que são verdes, há um encosto de uma cadeira vermelho. Pois foi ali que caiu uma bola rebatida por Ted Willians – a 512 feets de distância da base. Quinhentos e doze fets, como faz questão de ressaltar o cicerone que nos guia pelos corredores do estádio. A cadeira é disputada a cada jogo, e não há um fanático que não tenha tocado pelo uma vez nela.
Entre a nostalgia de Ted Willians, e o presente, havia uma movimentação no campo. Dream Field Day – algo como Um dia no campo dos Sonhos. O que vem a ser isto? Dois hospitais infanto-juvenis na região de Boston, levaram para lá alguns dos seus pacientes para uma manhã de atividades. Dezenas de adolescentes tentavam rebater uma bola lançada por uma máquina. A cada um que se aproximava da base para jogar, aparecia no telão do estádio o nome, o hospital e a cidade de cada um.
Tal como num jogo do Sox.
Inevitavelmente me veio a memória que nunca ou pelo menos não me lembro de ter visto nada parecido no Brasil.
Velhos ídolos e celebridades do esporte são relegados ao ostracismo depois que param com suas carreiras; e muitos estádios e praças esportivas ficam deteriorando a cada dia – algumas vezes, por força da profissão, visitei estádios de futebol como o Morumbi, Pacaembu e outros lugares e pude ver o improviso e o descaso colaborando para a ruína daqueles lugares.
Sai dali, com a impressão de que Ted Willians continua vivo na memória de cada um dos fãs do Red Soks, vida aliás, que é privilegiada, quando se abrem os portões para permitir a quem está doente, ter uma expectativa maior dela, mesmo que seja por uns poucos instantes.
Coisas da América. Coisas de gente civilizada, que preserva o passado, investe no futuro e busca confortar quem padece de algum mal…