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Viver perigosamente

In Opinião on November 6, 2009 at 10:17 pm

Jehozadak Pereira

É sempre constrangedor quando se ouve a notícia de que um alucinado qualquer sai disparando a esmo e matando a torto e a direito. Ontem um militar surtou no Fort Hood, no Texas e matou 13 pessoas, além de ferir outras 30. Agora há pouco em Orlando, Florida, um outro crime coletivo, matou uma pessoa e feriu outras seis. Um horror. 

Tudo isto é a conjunção letal de arma de fogo + alucinação = mortos em profusão. Resta saber quando isto vai ter fim, se é que vai ter. O que não falta é tiroteio, e o grande problema é que quem acaba pagando a conta é gente inocente que não tem nada a ver com o problema.

Embora se debata nos Estados Unidos a questão da venda de armas, o problema parece longe do fim, pois muitos defendem o direito de se armar, armas que muitas vezes estão em mãos erradas e que não hesitam dispará-las provocando massacres.

911 – Os filhos da América

In Comportamento on April 1, 2008 at 2:49 am

Jehozadak Pereira

A América é a terra e pátria dos ditos direitos humanos, tudo é permitido em nome das liberdades civis, desde declarar abertamente a opção sexual, que eles fazem questão absoluta de que isto fique patente e evidente, sendo possível ver nos carros adesivos com o arco-íris estilizado em vidros e pára-choques, sem contar os lugares onde a freqüência é de homossexuais – masculinos ou femininos – igualmente identificados pela bandeira multicolorida. Tempos atrás em passeatas, os homossexuais saíram com seus respectivos pares, para a indiferença da população americana.

Por vezes é possível encontrar pelas ruas, portas de escolas, metrô e ônibus com criaturas andróginas no modo de falar, de vestir, alguns com tantos piercings, brincos e alfinetes que as feições ficam disformes. E os cabelos? Pink, blue, green, entre outras tantas matizes. As idades? É possível identificar entre tantos alguns com onze, doze anos. E como fumam e bebem álcool! Diga-se que em muitos estados americanos tanto o fumo como a bebida alcoólica é proibida. Mas nunca os jovens e adolescentes americanos beberam e fumaram tanto como neste dias. Uma das filhas de George W. Bush, o presidente americano, foi multada pela polícia do Estado do Texas, por tentar comprar bebida alcoólica usando a identidade de uma amiga.

Em muitas escolas, é possível ver carros destruídos com os respectivos nomes dos adolescentes mortos em acidentes por causa da ingestão de álcool.

Outro dia, na cidade em que moro, um fato me chamou a atenção. Um garoto, talvez com catorze, quinze anos, estava fortemente escoltado por policiais armados, que conduziam o menino algemado nas mãos e pés, com as correntes passando pela cintura. Fiquei pensando qual foi o crime que aquele garoto cometeu? Conversando com algumas pessoas, inclusive americanos, fui informado que para que o garoto estivesse algemado daquele modo, o crime cometido foi muito grave, provavelmente assassinato ou tentativa, e se ele estava acorrentado daquele jeito, é porque o seu comportamento é agressivo e violento, além de perigoso. Certamente o menino ainda imberbe, se tiver cometido algo escabroso vai pagar a sua dívida com a sociedade até o último dia da sua pena.

É a lei.

A cada dia na América, mais jovens e adolescentes se envolvem em delitos, que vão desde dirigir sem a driver license – a carteira de motorista, tráfico de droga, porte ilegal de armas, violência – inclusive sexual, roubo, e assassinato entre outros tantos crimes. As estatísticas apontam que a cada ano a quantidade de crimes e contravenções praticadas por jovens e adolescentes é maior em relação ao no anterior.

Nas escolas as crianças são ensinadas a denunciar as autoridades eventuais maus tratos praticados por pais, mães, irmãos, parentes. Qualquer correção que deixe marcas é denunciada incontinenti. Tempos atrás eu conversava com um pastor de uma grande igreja, que me contou um caso muito interessante ocorrido com ele e sua filha. A menina, na época com doze/treze anos fez lá uma peraltice qualquer e o pai disse que ia corrigi-la. Qual não foi a sua surpresa ao ouvir da garota, que se ele atrevesse a toca-la ela ia ligar para o 911, para denunciá-lo às autoridades policiais. Não é preciso dizer que a reação do pai, foi à altura da insolência da menina, e ela foi devidamente corrigida e disciplinada. Onde ela aprendeu que devia denunciar a correção como violência doméstica?

Na escola.

Conheci um pai, que ao se separar da esposa, precisou corrigir fisicamente o filho de onze anos. No dia seguinte o menino comunicou a assistente social da escola que comunicou o fato ao departamento de polícia, que levou o pai à corte, e como conseqüência disto ele recebeu uma probation – restrição imposta pelo juiz, que no caso dele tinha de ficar por seis meses afastado do filho, não podia aproximar-se do menino por uma distância não inferior a 500 metros, e sequer podia telefonar ao filho. Onde ele aprendeu que tinha de denunciar o pai?

Na escola.

A grande e crucial questão é que os Estados Unidos, tem negligenciado a educação e correção dos seus filhos, e o que vemos são cenas chocantes, como a de Nathaniel Brazill, o adolescente de 14 anos que em 2000 assassinou seu professor de inglês com um tiro no rosto, na Flórida, e foi condenado a 28 anos de prisão. Quando deixar a prisão, aos 42 anos, Brazill – ainda terá de passar dois anos em prisão domiciliar e mais cinco em liberdade condicional. Neste período, terá de fazer cursos de “reinserção na sociedade”.

Brazill foi julgado como adulto. Em maio, o adolescente, que tinha 13 anos quando cometeu o crime, foi declarado culpado por homicídio em segundo grau (não premeditado).

Se o crime fosse de primeiro grau – premeditado, ele seria condenado possivelmente à prisão perpétua, ou ainda a tragédia na Columbine School, onde dois ensandecidos adolescentes mataram também a tiros treze pessoas, e por fim colocaram fim nas suas vidas. Poderia citar dezenas de casos de adolescentes americanos que cometeram assassinatos por motivos fúteis, ou sem uma motivação aparente, se bem que nenhum crime de morte é justificável.

Ao deixar para as autoridades a tarefa de educar seus filhos, o que vemos é uma sociedade exasperada e sem a devida paciência com a delinqüência, que não hesita em corrigir aplicando a força fria da lei. Que os digam os reformatórios juvenis e as penitenciárias cada vez mais lotadas. Num dos estados do sul dos Estados Unidos, um pastor foi preso por cerca de dezoito vezes. O seu crime? Pregar no seu púlpito que filhos devem ser corrigidos por seus pais, que os pais devem utilizar os preceitos bíblicos na correção dos seus filhos. O velho pastor foi denunciado por incitação a violência e a cada vez que é recolhido a penitenciaria estadual, faz questão de afirmar aos juizes que o condenam que mais importa obedecer aos preceitos bíblicos, e na última vez narrou um episódio que emocionou a todos.

Ele narrou a vida  de um assassino confesso condenado à morte, que em lágrimas, contou a sua triste história. O jovem com pouco mais de vinte anos, afirmou que seus pais negligenciaram o princípio bíblico, e a cada ameaça de correção ele discava o 911, o resultado estava ali diante dele – um condenado à morte. Por isso o velho pastor insistia em pregar a palavra. 

Logicamente que há as exceções, existem pais que educam seus filhos de modo adequado e segundo os padrões bíblicos, mas parte considerável de gerações tem-se perdido por causa da severidade das leis de proteção aos jovens e adolescentes.

O quadro atual é o de uma geração que se assoma sem a devida atenção de pais e mães, que está à mercê das autoridades, que somente aplicarão o preceito legal. O resultado é que temos visto, atrevimento, insolência, falta de regras e de educação, ausência de preceitos hierárquicos, uma geração sem limites que não respeita absolutamente nada.

Esta é uma geração que tem sido criada sob os auspícios do famoso 911, que não hesita em punir quem corrige os seus filhos, a pretexto de os proteger. Mas é este mesmo 911 que será chamado para corrigir os delinqüentes de hoje que ontem protegeu. Uma sociedade permissiva e indulgente que já começa a se questionar sobre tanta liberalidade na educação dos seus filhos.

É o preço que a América tem pago. Um preço caro. Muito caro. Será que vale a pena?

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Eleições americanas

In Comportamento on March 8, 2008 at 7:52 pm

Jehozadak Pereira

Escrevi este artigo há quatro anos. Troque os nomes de John Kerry e George W. Bush pelos de John McCain, Hillary Clinton e Barack Obama que a história se repete.

Dizem que as eleições presidenciais americanas dão sono em monge de pedra. É assim mesmo? Quase assim. A cada quatro anos as cenas das primárias se repetem ao longo do território americano. A partida deste processo eleitoral começa com – os caucus – reuniões dos comitês eleitorais dos partidos, onde são indicados os delegados convencionais que participarão das convenções que escolherão os candidatos a eleição presidencial.

A eleição dá-se por voto indireto num intricado processo de difícil entendimento e nem sempre o mais votado no geral é o presidente eleito, um exemplo disto é George W. Bush, que teve menos votos que Al Gore, mas foi eleito, por causa dos votos da Florida.

As eleições americanas são um show de marketing, propaganda e cada detalhe é pensado e repensado à exaustão. É impensável um candidato – democrata ou republicano – falar algo que não está no script. Cada um deles parece que acabou de sair do banho naquele instante, com seus cabelos, roupas, sapatos e postura impecáveis, e sempre com um sorriso de propaganda de creme dental.

À parte disto, os candidatos têm suas vidas esmiuçadas em todos os aspectos. Descobre-se que foram à guerra, se lutaram, e se foram condecorados.

Busca-se saber quais eram as suas predileções no passado. Um exemplo foi Bill Clinton. Mostraram à exaustão as – muitas – amantes dele; que havia fumado maconha, e por conta disto ele saiu-se com uma justificativa hilária – fumou mas não tragou.

Deslizes de pré ou mesmo de candidatos não são perdoados de modo algum. A lista dos abatidos em disputas pré e eleitorais é enorme. Um dos exemplos notórios é o do senador Ted Kennedy. Em 1969 Ted Kennedy dirigia alcoolizado e caiu da ponte em Chappaquiddick, Martha’s Vineyard, matando Mary Jo Kopechne, tida oficialmente como sua secretária por alguns e amante por outros. A realidade é que o virtual candidato à presidência da república em 1972 acabou com qualquer chance de sê-lo um dia.

Gary Hart, foi outro abatido por causa de uma acusação de adultério em 1984. Mas, saias a parte, acusações ou insinuações são usadas para mostrar o caráter ou a falta dele nos candidatos.

Na década de 70, um dos candidatos era Richard Nixon, e sabedores da sua fama de mentiroso, publicitários evitavam a todo custo chamá-lo como tal. Se fizessem isto grande parte do eleitorado iria sentir compaixão de Nixon, e o objetivo – provar que Nixon era de fato mentiroso – cairia por terra. O que fizeram então? Sob uma foto do ex-presidente eles colocaram a sentença que iria acompanhar Nixon até os derradeiros dias de vida.

O que eles escreveram?

VOCÊ COMPRARIA UM CARRO USADO DESTE HOMEM?

O resultado foi visto tempos depois com Nixon renunciando ao cargo mais cobiçado do planeta – por mentir!

Muitas vezes tais expedientes não dão em nada. Bill Clinton, foi massacrado, sua vida íntima foi exposta antes e durante seus oito anos de governo e nada disto foi suficiente para diminuir a popularidade dele. O fraco de Clinton sempre foi o sexo feminino e ele parecia querer que todo mundo soubesse disto.

Além do caráter, o eleitor exige que os candidatos tenham posições religiosas definidas. Nesta eleição o republicano George W. Bush desfruta de uma clara vantagem junto aos cristãos, vantagem que se acentua com a proximidade da eleição. Os republicanos estão muito a vontade para falarem de valores religiosos, e são céleres em prometer que a fé terá uma forte influência sobre a atuação política de cada um deles, ao contrário dos democratas que quase nunca cumprem suas promessas de campanha.

O certo é que longe de atrair a atenção do mundo para o cargo mais importante, poderoso e cobiçado do planeta, a eleição presidencial é atração e preocupação da população americana, que muitas vezes não comparece para votar – no sistema eleitoral americano o voto não é obrigatório – e depois cobra do seu mandatário maior a sua quota de responsabilidade.

Quem ganhará a eleição presidencial americana? Não se sabe, só quando se apurar a última urna do condado distante; mas desde já se discute se Bush ou Kerry – republicano e democrata, conservador e liberal, ambos milionários são de fato os melhores candidatos.

A vida de Bush foi esmiuçada cinco anos atrás, a vez de Kerry é agora. A imprensa noticia livremente o que é apresentado ou falado, longe da preocupação em esconder este ou aquele deslize de qualquer deles, tornando o processo todo numa eletrizante disputa. As fofocas de alcova são muito mais interessantes do que a disputa propriamente dita.

TV Globo e o imigrante. Nada a ver

In Opinião on February 7, 2008 at 9:45 pm

Jehozadak Pereira

O Jornal Nacional veiculou na segunda-feira, 28 uma matéria sobre brasileiros que estão abandonando tudo e voltando para a casa. Até aí não há novidade nenhuma, pois todos os dias tem-se notícia de que milhares de brasileiros estão voltando para o Brasil levando na bagagem um pouco do que amealharam no período em que viveram na América, além dos sonhos e frustrações por não terem conseguido alcançar aquilo que desejavam plenamente.

Só que gente voltando para casa nunca foi novidade para a comunidade brasileira nos Estados Unidos. Então qual é a diferença desta vez? É que nunca os meios de comunicação deram tanto ênfase e cobertura para o assunto. Ou talvez, nunca tantos tenham voltado ao mesmo tempo.

Mas há sim, os exageros de sempre. E a matéria é pródiga em exageros, pois ao se editar os textos, carregou-se nas tintas pessimistas, teimando em dizer que todos estão indo embora. Todos não. Alguns é possível que sim. Há também um fator que não é levado em consideração, de que somos aproximadamente 1,2 milhão de pessoas. Quantos estão indo embora? 10 mil? 20 mil?

Que impacto isto tem na vida de quem fica? E a migração interna de brasileiros? Há alguns anos, milhares de trabalhadores foram para o sudoeste da Florida, na região de Fort Myers, Naples, Tampa e outras cidades. Segundo diziam, havia muito trabalho na área da construção civil e embora os salários fossem menores, o custo de vida também era menor, o que possibilitava uma vida sem maiores problemas, sem contar que nesta região há sol quase que o ano inteiro. Há as migrações para a Georgia, para a California e outros estados em menor escala.

Muitos disseram que jamais voltariam para as regiões frias e saturadas de brasileiros no norte. Passados alguns anos, não só voltaram, como tentam refazer as suas vidas, pois já não há mais trabalho na construção civil, que diga-se, chegou primeiro por lá. Um dos grandes problemas causados pela chegada de muita gente nesta região por exemplo, foi a queda dos salários, pois a mão de obra era farta e com isto os salários caíram.

È certo que alguns quando vieram para cá, o fizeram na incerteza do que de fato encontrariam em terras americanas, pois por mais que se diga que a vida aqui é dura e as vezes complicada, não se consegue transmitir o quanto para quem deseja vir. Há também a desilusão dos que já estão aqui há algum tempo que ao verem o tempo passar sem conseguir muitas coisas decidem pela volta.

Há uma teoria de que esta se voltando para o Brasil, porque o dólar se desvalorizou em relação ao real, e a pergunta que se faz é até quando a política monetária brasileira conseguirá manter as coisas neste patamar? Já vimos este filme antes e o final dele não é dos mais felizes não.

A falta de documentos é um agravante, mas não é o único, pois sempre se viveu na América desde sempre sem documentos e basta conversar um pouco com os mais antigos para se ter a noção exata das dificuldades enfrentadas por eles.

A realidade é que grande parte dos imigrantes brasileiros nunca foram lá muito fiéis a nada por aqui. Basta conversar com alguns líderes religiosos para se ter a noção exata disto. Hoje a pessoa congrega aqui numa igreja e amanhã estará em outra, e depois de amanhã noutra. Com o comércio é a mesma coisa. Não há garantia nenhuma de que o cliente de hoje será o mesmo de amanhã.

A crise por aqui vai passar, como já passaram todas as anteriores, e o negócio è esperar por dias melhores que virão sem dúvida alguma. Mais uma vez a TV Globo presta um desserviço à comunidade brasileira ao veicular meias verdades, carregando nas tintas do exagero mais uma vez. Certamente a crise vai passar, como a Globo também…