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Casamentos em crise

In Comportamento on September 26, 2009 at 4:51 pm

Jehozadak Pereira

O escritor e jornalista Mário Prata, conta no seu livro Meus homens, minhas mulheres, a história de um casal que se divorciou por causa de um singelo rolo de papel higiênico. Explicando – o marido queria que o papel desenrolasse por baixo, e a mulher por cima. Foram anos mudando o sentido do rolo de papel higiênico. Ele colocava de um jeito e ela de outro. Até que o casamento acabou.

São às vezes pequenas diferenças que fazem com que relacionamentos que deveriam durar uma vida toda se esfacelem em pouco tempo. A estas diferenças se juntam a incompatibilidade de gênios, infidelidade, imaturidade e despreparo, violência, individualismo, ciúmes, opções erradas, falta de diálogo, e até falta de amor.

Muitos casamentos acabam por absoluta falta de amor – muitas vezes se casa por motivos interesseiros e pensa-se estar apaixonado, paixão que acaba quando surgem os primeiros problemas.

No entanto, a grande maioria dos casamentos começa a fracassar num único e importante item – a falta de amizade entre marido e mulher. Muitos ao se casarem o fazem com estranhos, com quem não tem a menor intimidade ou afinidade, e juntos vão tentar partilhar sonhos e ideais. Muitas vezes à vontade de acertar é insuficiente e logo o único caminho é o da separação. Por que a amizade é primordial em qualquer relacionamento? Às vezes não toleramos nada de ninguém, mas de um amigo toleramos e somos tolerados, o que não acontece num casamento. Uma toalha ou sapato deixados fora do lugar pelo marido é motivo de explosão de ira, ou um atraso da mulher no supermercado é o suficiente para desencadear as piores reações.

Descobre-se tardiamente que não há nenhuma comunhão de pensamentos e idéias com quem se casa, e muitas vezes o casamento só acontece por causa da atração sexual que com o tempo acaba e cai-se na perigosa rotina da mesmice.

Logo, o que deveria ser uma convivência pacifica, vai emperrando com o passar do tempo, tornando a convivência difícil e complicada. A estes fatores juntam-se a violência doméstica, o desprezo, a irascibilidade social, a introversão e igualmente a interferência de familiares, como os sogros e cunhados na relação, onde a simples colocação de um rolo de papel higiênico é motivo para desavenças e desunião.

A vida afetiva se desgasta com discussões, as brigas se tornam constantes e a vida fica insuportável. O casal já não se fala mais a não ser o necessário e não há respeito, cumplicidade, amizade. É preciso fazer uma análise e ver o que ainda há em comum, além de morar sob o mesmo teto.

Muitas vezes ambos concluem que nada mais de sadio os une e que não é mais possível melhorar a vida em comum, pois passam o tempo todo brigando ou sonhando com o afastamento, a separação, passa a ser uma opção – talvez a única.

Neste ponto muitas vezes marido e mulher tentam o diálogo que faltou ao longo do relacionamento, buscando muitas vezes algum vislumbre de esperança. Contudo, o que acontece é a evidência de que um abismo separa um do outro, e para muitos é a certeza de que a separação é inevitável. No Brasil, um em cada quatro casamentos é desfeito. Nos Estados Unidos este número é maior – onde para cada dois casamentos, há um divórcio, e após o divórcio os cônjuges tornam-se inimigos mortais, ou deixam de ser ver.

Separar-se de forma saudável, sem que um culpe o outro, manipulações ou preconceitos, não é fácil. A separação é sempre uma experiência desgastante em todos os aspectos.

Com o desgaste natural de um casamento, o desejo de separar-se quase nunca acontece de repente. Para muitos vai ficando claro com o passar dos anos, quando se percebe que não é mais importante para a vida do outro cônjuge.

Neste ponto já não há o desejo de estar juntos, já não mais sonhos em comum e muito menos à vontade de satisfazer os anseios mútuos. Às vezes pode até ser que uma das partes finja ou não perceba, que a outra parte vai dando sinais de desgaste, pois ninguém deixa de amar de uma hora para outra – a decisão da separação pode parecer súbita, porém o desejo já estava latente há muito tempo. O que um consegue ver no outro é só defeitos e mais defeitos.

Muitos homens e mulheres vão se surpreender que a atitude de separação não lhes provoca sofrimento ou constrangimento algum, ao contrário, a sensação de alívio é maior do que se pensa. E em contrapartida, á aqueles que não aceitam a separação de modo algum e sofrem como nunca. Outros se sentem culpados e rejeitados, fazendo com que a perda torne-se dolorosa, pois além de perder fisicamente o outro, perdem muitas vezes o referencial – pode parecer e é paradoxo, ter como referência alguém com quem não se vive harmoniosamente.

Para muitos casais, o casamento é uma prisão da qual eles querem se livrar o mais rápido possível, e para quem um simples problema que poderia ser resolvido no início com uma conversa, torna-se um pesadelo ao longo dos anos.

Invariavelmente uma má relação traz reflexos negativos sobre os filhos. Homens beberrões, espancadores e irresponsáveis que tratam suas mulheres e filhos com violência, e via de regra as marcas psicológicas permanecerão vida afora. Por outro lado, mulheres instáveis trazem sobre suas famílias as mesmas marcas nocivas.

Só quem vive um drama pode dizer a respeito dele, mas, quem sofre invariavelmente com a separação dos pais são os filhos. A sociedade de uns tempos para cá tem sido intolerante e o reflexo é que cada vez mais casais se separam sem ao menos tentar viver uma vida de harmonia e paz.

O refazer a vida é sempre difícil e espinhoso, principalmente quando os cônjuges têm filhos de relacionamentos anteriores, e muitos têm as suas expectativas frustradas na nova tentativa, vivenciando os mesmo problemas anteriores.

O diálogo sempre foi e sempre será a melhor saída para crises – inclusive conjugais.

Todos os direitos reservados ao autor. Copyrigth Jehozadak Pereira

O flagelo do ciúme

In Comportamento on September 10, 2007 at 5:09 pm

Ao que se recorda Geraldo foi feliz até o dia que conheceu Dalva e por ela se enamorou, paixão que o levou ao casamento meses depois. A partir foram vinte e cinco anos de muita raiva e frustração contida, pois Geraldo não é homem de explodir ou de reclamar, mas, poucos homens queriam estar no seu lugar.

Dalva sofre de ciúme patológico e tranformou a vida da família num verdadeiro centro de torturas por causa das suas constantes explosões e cenas que não escolhem hora, lugar, data ou mesmo motivo. A última viagem de férias a Governador Valadares no Natal foi abortada logo na primeira semana, porque uma prima que Geraldo não via há anos o beijou e o abraçou, motivos suficientes para que móveis, pratos e copos fossem quebrados, roupas rasgadas e a prima fosse posta para correr sem a menor cerimônia. E não foi a primeira vez que isto aconteceu.

Geraldo perdeu a conta das vezes que trocaram de igreja e de casa por causa das suspeitas da mulher. Os três filhos foram crescendo e vendo tudo, e nem quando vieram todos para os Estados Unidos a coisa acalmou.

Sem ter vida social porque a medida que as pessoas se aproximavam do casal, logo as mulheres eram acusadas de dar em cima de Geraldo, e até a namorada do filho mais velho preferiu nunca mais voltar na casa por causa de Dalva, que sente ciúmes até das filhas.

A última e decisiva cena foi por causa de um atraso de Geraldo na hora de voltar para casa. Ao passar por uma das lojas brasileiras da cidade onde mora, Geraldo encontrou com um amigo dos tempos da juventude e perdeu alguns minutos conversando com ele e não atendeu ao telefone celular que havia ficado no carro.

Dalva o esperava na porta da casa e explodiu por causa da sua desconfiança de que o marido a estava traindo. O resultado foi o carro incendiado e mais um escândalo na vida deles. Quando a polícia e os bombeiros chegaram para apagar o fogo, Geraldo minimizou o fato e não prestou queixa contra a mulher, mas naquela tarde, junto com os filhos tomou a decisão de dar um basta naquilo tudo e foram embora deixando Dalva sozinha.

Nos dias seguintes Dalva o seguiu, ameaçou, pressionou até que ele foi a Corte e pediu o divórcio, sem se importar com as ameaças da ex-mulher. Os filhos estão morando com ele e pela primeira vez em anos conseguiram rir e se divertir sem medo do que a mãe e mulher pudesse pensar.

Quantas histórias como esta você já viu ao longo da sua vida? Se não for a sua história de vida. Pois isto é uma realidade constante na vida de muitos. Quantas carreiras e vocações foram desprezadas e abandonadas por causa dos ciúmes? Quantas vocês conhecem?

Ao longo da história da humanidade o ciúme tem destruído lares, rompido com amizades, acabado com laços familiares, e invariavelmente não tem sido tratado com a devida atenção. O ciumento duvida de tudo e de todos, exaspera-se, o ciumento tem medo de perder.

As pessoas ciumentas são como todos nós, nossos vizinhos e parentes, talvez com uma diferença: sofrem e muito pelos seus comportamentos e atitudes.

São maridos com comportamentos bruscamente alterados em relação à esposa, após o nascimento do primeiro filho. São esposas que não suportam ver o sucesso de seus maridos; mães que agem com as suas filhas, como se elas fossem suas inimigas, ou são irmãos que passam a vida se digladiando e disputando a atenção dos seus pais a qualquer preço. São homens e mulheres possessivos que se agridem, se destroçam e até se matam, tudo por causa do ciúme.

O ciumento tem medo de perder. A ação à sua atitude é o choro e a autocomiseração. Por vezes o ciumento fica cego e não consegue ouvir a voz da razão. Chora, pede perdão e torna a fazer de novo, e pior. Dizem que o ciúme é o amor possessivo. Mentira, pois o amor jamais é possessivo. Ao procurar as razões do ciumento, vamos encontrá-lo mergulhado desde a sua infância com ciúmes de seus carrinhos, suas bonecas, dos seus pais, do seu cachorrinho de estimação. Invariavelmente o ciumento tem baixa-estima, e julga-se ultrajado, desprezado e é extremamente possessivo. Ao se relacionar no casamento, com o seu cônjuge ele o tem como sua propriedade exclusiva e torna a vida em comum um suplício e um tormento para ambos.

É comum o cônjuge do ciumento passar a vida toda justificando o que não fez, e somente o faz para ter ou obter um pouco de paz, e pensa que no dia seguinte tudo vai voltar ao normal.

Quantas vezes são acusados sem nada ter feito, ou condenados sem culpa alguma. Por conta disto o ciumento vai vigiar, revistar bolsos, escutar conversas, vasculhar agendas, rediscar o último número chamado no telefone, olhar para onde o outro olha, vasculhar o e-mail e fazer de tudo para “descobrir” uma infidelidade.

Quantas vezes o ciúme leva a morte, pois o ciumento é despeitado, invejoso, e por causa disto tem medo e receio de perder alguma coisa. E por conta disto põe tudo a perder, tal como fez Dalva a vida inteira.

Casamentos em crise

In Comportamento on May 30, 2007 at 3:25 am

O escritor e jornalista Mário Prata, conta no seu livro Meus homens, minhas mulheres, a história de um casal que se divorcia por causa de um singelo rolo de papel higiênico. O marido queria que o papel desenrolasse por baixo, e a mulher por cima. Foram anos mudando o sentido do rolo de papel higiênico. Ele colocava de um jeito e ela de outro. Até que o casamento acabou.

São às vezes pequenas diferenças que fazem com que relacionamentos que deveriam durar uma vida toda se esfacelem em pouco tempo. A estas diferenças se juntam a incompatibilidade de gênios, infidelidade, imaturidade e despreparo, violência, individualismo, ciúmes, opções erradas, falta de diálogo, e até falta de amor.

Muitos casamentos acabam por absoluta falta de amor, pois, muitas vezes se casa por motivos interesseiros e pensa-se estar apaixonado, paixão que acaba quando surgem os primeiros problemas.

No entanto, a grande maioria dos casamentos começa a fracassar num único e importante item – a falta de amizade entre marido e mulher. Muitos ao se casarem o fazem com estranhos, com quem não tem a menor intimidade ou afinidade, e juntos vão tentar partilhar sonhos e ideais. Muitas vezes à vontade de acertar é insuficiente e logo o único caminho é o da separação. Por que a amizade é primordial em qualquer relacionamento? Às vezes não toleramos nada de ninguém, mas de um amigo toleramos e somos tolerados, o que não acontece num casamento. Uma toalha ou sapato deixados fora do lugar pelo marido é motivo de explosão de ira, ou um atraso da mulher no supermercado é o suficiente para desencadear as piores reações.

Descobre-se tardiamente que não há nenhuma comunhão de pensamentos e idéias com quem se casa, e muitas vezes o casamento só acontece por causa da atração sexual que com o tempo acaba e cai-se na perigosa rotina da mesmice.

Logo, o que deveria ser uma convivência pacifica, vai emperrando com o passar do tempo, tornando a convivência difícil e complicada. A estes fatores juntam-se a violência doméstica, o desprezo, a irascibilidade social, a introversão e igualmente a interferência de familiares, como os sogros e cunhados na relação, onde a simples colocação de um rolo de papel higiênico é motivo para desavenças e desunião.

A vida afetiva se desgasta e as discussões e brigas se tornam constantes e a vida torna-se insuportável. O casal já não se fala mais a não ser o necessário e não há respeito, cumplicidade, amizade, e é preciso fazer uma análise e ver o que ainda têm em comum, além de morar sob o mesmo teto.

Muitas vezes ambos concluem que nada mais de sadio os une e que não é mais possível melhorar a vida em comum, pois passam o tempo todo brigando ou sonhando com o afastamento, a separação, passa a ser uma opção.

Neste ponto muitas vezes marido e mulher tentam o diálogo que faltou ao longo do relacionamento, buscando muitas vezes algum vislumbre de esperança, contudo, o que acontece é a evidência de que um abismo separa um e outro, e para muitos é a certeza de que a separação é inevitável. No Brasil, um em cada quatro casamentos é desfeito. Nos Estados Unidos este número é maior, onde para cada dois casamentos, há um divórcio, e após o divórcio os cônjuges tornam-se inimigos mortais, ou deixam de ser ver.

Separar-se de forma saudável, sem que um culpe o outro, manipulações ou preconceitos, não é fácil. A separação é sempre uma experiência desgastante em todos os aspectos.

Com o desgaste natural de um casamento, o desejo de separar-se quase nunca acontece de repente. Para muitos vai ficando claro com o passar dos anos, quando se percebe que não é mais importante para a vida do outro cônjuge.

Neste ponto já não há o desejo de estar juntos, já não mais sonhos em comum e muito menos à vontade de satisfazer os anseios mútuos. Às vezes pode até ser que uma das partes finja ou não perceba, que a outra parte vai dando sinais de desgaste, pois ninguém deixa de amar de uma hora para outra a decisão da separação pode parecer súbito, porém o desejo já estava latente há muito tempo. O que um consegue ver no outro é só defeitos e mais defeitos.

Muitos homens e mulheres vão se surpreender que a atitude de separação não lhes provoca sofrimento ou constrangimento algum, ao contrário, a sensação de alívio é maior do que se pensa. E em contrapartida, há aqueles que não aceitam a separação de modo algum e sofrem como nunca. Outros se sentem culpados e rejeitados, fazendo com que a perda torne-se dolorosa, pois além de perder fisicamente o outro, perdem muitas vezes o referencial, e pode parecer e é paradoxo, ter como referência alguém com quem não se vive harmoniosamente.

Para muitos, o casamento é uma prisão da qual eles querem se livrar o mais rápido possível, e para quem um simples problema que poderia ser resolvido no início com uma conversa, torna-se um pesadelo ao longo dos anos.

Invariavelmente uma má relação traz reflexos negativos sobre os filhos. Homens beberrões, espancadores e irresponsáveis tratam suas mulheres e filhos com violência, e via de regra as marcas psicológicas permanecerão vida afora. Por outro lado, mulheres instáveis trazem sobre suas famílias as mesmas marcas nocivas.

Só quem vive um drama pode dizer a respeito dele, mas, quem sofre invariavelmente com a separação dos pais são os filhos. A sociedade de uns tempos para cá tem sido intolerante e o reflexo é que cada vez mais casais se separam sem ao menos tentar viver uma vida de harmonia e paz.

A separação deixa um estigma na vida dos filhos, com a desestruturação da família os filhos ficam relegados a um plano inferior geralmente quando um dos seus pais constitui um novo casamento, tendem a ter problemas com os novos companheiros dos seus pais. Sem contar outros inúmeros problemas de readaptação à nova realidade.

A sociedade e o mundo vivem em crise, que invariavelmente começam dentro dos lares. Nunca seremos isentos de enfrentar problemas, saber conduzi-los com sabedoria e sensibilidade é que nos tornará melhores pessoas e melhores cidadãos. Separação nunca foi solução para conflitos conjugais. Casais que se separam sem pelo menos ter tentado resolver as suas diferenças e com isto trazem problemas para os seus filhos, pensam de modo egoísta e inconseqüente.

O refazer a vida é sempre difícil e espinhoso, principalmente quando os cônjuges têm filhos de relacionamentos anteriores, e muitos têm as suas expectativas frustradas na nova tentativa, vivenciando os mesmo problemas anteriores.

O diálogo sempre foi e sempre será a melhor saída para crises inclusive conjugais.