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Filhos. Amigos ou inimigos?

In Comportamento on December 11, 2007 at 10:34 am

Jehozadak Pereira

Certa vez eu falava para um grupo de jovens e citei que filhos devem honrar seus pais. Uma jovem muito bonita quase me pulou em cima de tanta raiva e ira. Ela disse aos gritos que eu dizia aquilo por que não conhecia seu pai. Bruto, mal educado, mau humorado, arrogante, violento, bêbado, alcoólatra, espancador dela, dos irmãos e da mãe. Coisas de chocar qualquer um.

Levei-a diante de todos a ler e refletir sobre o que está escrito em Êxodo 20.12. Fiz com que ela lesse na Bíblia dela a passagem reiteradas vezes. Então perguntei se ali havia alguma condição para que ela respeitasse e honrasse seu pai? Continuei perguntando se ela deveria respeitar e honrar seu pai se ele fosse respeitador, educado, cordato, gentil, que não tivesse quaisquer vícios? E ela foi respondendo não para todas as minha indagações. Logo ela pode entender onde eu queria chegar.

Não há nenhuma vírgula, senão, hiato, condição, reparo, desvio, nada, não há nada que diga que pai e mãe não devem ser honrados, independentemente da sua condição.

Pois bem, há pais e mães que são inimigos viscerais dos seus filhos, e igualmente há filhos que são inimigos figadais dos seus pais e mães. Eu conheço um monte deles.

E por que são inimigos? Os motivos são diversos e variados.

Covarde, trapaceiro, negligente e mentiroso. Foi exatamente com estas palavras que Guillaume Depardieu, definiu seu pai, o ator francês Gerard Depardieu. A inimizade de ambos é notória e beira muitas vezes o escárnio. Guillaume ataca o pai, por causa do desprezo deste na infância, e da indiferença com que foi tratado a vida toda pelo pai. Em 1996 Guillaume sofreu um grave acidente quando dirigia em alta velocidade uma motocicleta, e tempos depois teve de amputar a perna direita por causa de uma infecção hospitalar.

Gerard trata o filho como desequilibrado emocional, e este devolve o insulto xingando o pai pela imprensa.

Há inúmeros exemplos de pais e filhos que se odiavam uns aos outros. Jânio Quadros foi um dos que detestava seu pai. Quando Gabriel Quadros morreu assassinado por marido traído, Jânio sequer lamentou. A divergência de um com outro atravessou décadas de desprezo, indiferença e rancor.

Geralmente conflitos entre pais e filhos passam por uma educação deficiente e falha. Quando pequenos quem decide o que a criança vai comer, vestir, quando ir deitar-se, tomar banho, se pode fazer o quer, etc.

Nesta etapa de vida, não há conflitos, e os filhos vêem os pais como seus heróis e heroínas prediletos.
Porém, na adolescência surgirão os problemas. Os filhos passarão a ver os pais como eles são na realidade – pessoas falíveis, com problemas, com dificuldades diversas, quebrando um pouco daquele elã infantil que havia, e que mascarava certas situações.

Nesta situação, muitos pais não “toleram” perder o posto que pensavam desfrutar – e há pais que controlam absolutamente tudo dos seus filhos.

Gerações separam pais e filhos e os comportamentos destes tendem a desagradar os pais. É comum, ouvir certos pais dizendo – no meu tempo isto era diferente, repetindo assim aquilo que ouviram por sua vez dos seus pais.

Pais que não tolerarão as amizades, os gostos musicais, as leituras, as roupas, o modo de estudar, o comportamento e tudo o que se relaciona ao bem-estar dos filhos. Tentarão controlar a privacidade deles como indivíduos de cabeças – ainda que imaturas – pensantes. Hoje um adolescente tem muito mais opção de se divertir do que seus pais. Televisão, internet, livros, filmes são alguns dos recursos disponíveis para a educação e o conhecimento de muitos ainda que não estejam totalmente preparados para tal. Querem exercer um controle exagerado sobre os filhos, querem demonstrar força, quando deveriam mostrar coerência e inteligência.

Sem contar que os nossos dias são invariavelmente mais dificultosos do que os dias dos nossos pais. Há mais violência, a iniciação sexual e os perigos decorrentes dela são muito mais evidentes e notórios, pois adolescentes se iniciam sexualmente e muitos têm vidas ativas neste aspecto. Nunca se contraiu tanta doença sexualmente transmissível – a exemplo da AIDS, e drogas injetáveis como nos nossos dias.

Hoje um adolescente de quinze anos, sabe mais de sexo e da vida do que seus avós quando estes tinham trinta anos de vida. Uma única edição diária do jornal The New York Times, traz mais informação do que um homem podia assimilar durante um período de cinco anos, há três décadas atrás.

Os tempos mudaram, só que alguns pais não acompanharam estas mudanças, e falam uma linguagem diferente dos filhos. Nesta situação os conflitos familiares tendem a se acirrar, tornando a convivência insuportável. O pai gritará com o filho, a filha o responderá, e a mãe ao tentar intervir, para não ficar mal com nenhum dos lados fará com que as coisas se tornem ainda mais ruins do que já estão. O que mais se vê hoje em dia são adolescentes irritados com seus pais.

O que para os jovens é normal e compreensível, para os pais não é. O que uns toleram os outros não suportam. Nesta altura da vida, os filhos desejam ter amigos, sair, passear, ir ao cinema, viajar com quem partilha os mesmos interesses, e invariavelmente os pais estão numa outra dimensão frontalmente contrária a dos filhos.

É muito comum pais e filhos serem amigos depois de muitos anos. Primeiro porque os pais passam a ver a vida de outro modo, entendendo e aceitando as mudanças impostas pelo tempo, e depois porque os filhos ao se tornarem pais vão passar certamente pelos mesmos problemas que seus pais enfrentaram com eles. Eu mesmo, só fui entender muito das atitudes dos meus pais, no instante em que fui pai, e passei a enfrentar os mesmos problemas que eles haviam enfrentado comigo. Com o passar dos anos tornei-me amigo deles, mas precisei tomar uma lição que nunca vou esquecer.

Hoje uma das minhas maiores alegrias é poder falar com meus pais, e sinto a reciprocidade neles, orgulho-me de ser amigo deles, e não abro mão deste privilégio. Problemas de pais com filhos, não significam necessariamente passar por drogas, sexo, mau comportamento, portanto, fora do âmbito e da convivência familiar, para ser estritamente de ordem interna dos lares.

Meu pai conta que na sua infância, seu pai somente olhava para ele e seus irmãos, e isto era o suficiente para que todos eles entendessem o que queria dizer meu avô. Não se falava sem pedir licença, não se entrava, saia, ou se mexia em nada sem permissão. Se tivesse visitas em casa a prioridade era destes, havia a imposição rígida de uma disciplina que não dava abertura para que qualquer um deles fizesse o que desejasse.

Já a criação da minha mãe foi diferente da do meu pai, e nem por isso minha mãe e tios eram indisciplinados. Acho que meu avô materno nunca disciplinou fisicamente um filho, era um homem dócil e amigo dos filhos, assim como – ao seu jeito e modo, meu avô paterno.

Parte da minha infância foi passada sob estes métodos. Meu pai olhava e pelo jeito dele olhar já sabia de antemão o que iria acontecer. Para muitos este sistema é arcaico e ultrapassado. Não é não. Das coisas da minha criação que reclamo, foi a falta de diálogo, do resto não reclamo de nada. Com meus filhos apliquei muito das coisas que aprendi com meus pais, só que tinha por obrigação de melhorar aquilo que aprendi e recebi deles.

Aliás, nós temos a obrigação de melhorar a nossa história de vida e a herança que recebemos dos nossos pais. Se ela foi deficiente, temos o dever de educar nossos filhos de modo digno e diferente daquela que fomos educados. Se ela foi boa, nosso dever é aperfeiçoá-la de todos os modos.

O que nos resta então é tornarmo-nos amigos dos nossos filhos. Por maior que sejam as divergências e diferenças existentes entre uns e outros, nossa obrigação e dever é sermos amigos sempre uns dos outros.
Freqüentemente recebo e-mails de filhos reclamando dos seus pais. Falta de atenção, ausência de carinho, diálogo, indiferença e até desprezo são alguns dos itens que mais se queixam os filhos dos seus pais.

Conheci certa feita um rico empresário em São Paulo, que se gabava das atitudes dos seus filhos. Um deles certa vez foi viajar com mais dois amigos para a Itália, e lá por um motivo qualquer foi preso. Havia levado um cartão de crédito do pai escondido e havia sido pilhado falsificando a assinatura nos recibos das compras.

O que ele fez? Nada. Orgulhava-se disto. Eu já estava morando na América quando li nos jornais que o mesmo rapaz havia se envolvido num seqüestro de uma prima para tirar dinheiro do tio. Uma das perguntas que o delegado que o prendeu fez, foi o porque da atitude, visto que não havia necessidade daquilo.

Vingança pela falta de atenção do pai e da mãe, foi o motivo alegado.

Assim, muitos filhos estão ai a deriva vingando-se dos seus pais, tratando-os como inimigos mortais, quando deviam honrá-los e prezá-los. Do mesmo modo, pais que tratam seus filhos como rivais que somente venceram na vida por causa da ajuda deles, pais.

Quem é pai ou mãe, os amigos dos seus filhos? Vocês? Ou os amigos deles são os colegas de trabalho, de turma ou da escola? Seus diálogos são conversas agradáveis ou uma gritaria insana e inconseqüente? Seu filho só o procura nas horas de necessidades? Que tal ser amigos dos seus filhos ainda hoje?

Pensem nisso.

Filhos. Por que tê-los?

In Comportamento on July 10, 2007 at 4:11 pm

Foi lançado na França o livro No Kids – Quarenta razões para não ter filhos, onde Corinne Maier chama de “aspiração idiota” o desejo de ter filhos. Um dos absurdos do livros – entre outros tantos, diz que se for para sustentar um parasita, que se opte por um gigôlo. No entranto, ter filhos é uma aspiração de muita gente pelo mundo afora.

Enquanto alguns casais buscam a maternidade, em outras partes do do mundo é possível ver a diminuição de nascimentos. Desde o fim do comunismo a população da Rússia vem diminuindo cerca de 700 mil pessoas por ano – perdeu cerca de 6 milhões de habitantes; a Itália enfrenta uma crise de natalidade que causa preocupação das autoridades e países como a Alemanha e França enfrentam os mesmos problemas.

Nestes países a medida que a população vai envelhecendo, não há nascimentos suficientes para o aumento da expectativa de vida e para o aumento cada vez maior da população de idosos. O Japão é outro país que vê a sua população diminuir a cada novo ano. As previsões são de que a população diminua em 43 milhões de pessoas até 2050 – hoje são cerca de 143 milhões.

Os reflexos disto são visíveis em muitos lugares. 28% da população americana – 300 milhões de pessoas, têm menos de 20 anos, contra 20% na França e na Alemanha e 19% na Itália e no Japão. Já no Brasil são 36% da população. As autoridades fazem previsões de que estes jovens – na faixa dos 20 anos – se tornem pais com a idade média de 27 anos, trazendo uma perspectiva sombria para os países desenvolvidos. Até a década de 70 a média de idade era de 22 anos. Na mesma década de 70 um casal tinha em média quatro filhos, hoje eles dois filhos – considerando os países desenvolvidos, o que contribui para perspectivas sombrias no futuro. Uma outra tendência é a de que cada vez mais pessoas, principalmente na Europa, opte por ter animais de estimação em vez de filhos, ou ainda tê-los mais tarde, depois dos 30, anos.

A queda dos índices demográficos são evidentes também na Espanha, que registrou nos últimos dez anos os menores indicadores da sua história. Aliás, a queda dos índices de natalidade é um fenômeno que tem implicações sérias na economia dos países desenvolvidos. Em contrapartida, nos países em desenvolvimento os índices de natalidade são altíssimos, o que faz com que os respectivos índices de mortalidade sejam também elevados. Já na China ter mais de um filho é ser penalizado pelo estado que controla a natalidade com mão de ferro, pois a preocupação é a explosão demográfica. Uma outra característica da China, é que os filhos são na maioria das vezes criados pelos avós, pois os pais invariavelmente trabalham fora. Na contramão, a Itália oferece vantagens, como o pagamento do parto e de oferecer ajuda para quem quiser ter mais de um filho.

A concepção é buscada por uns e rejeitada por outros. Sofia Loren, a belissíma atriz italiana certa vez disse que ser mãe é padecer no paraíso, para justificar o peso da maternidade, talvez, porque os filhos lhe davam trabalho ou pelos quilos extras advindos da gravidez. Mesmo assim, Sofia teve dois filhos.

Se por um lado a opção de não ter filhos é colocada em prática por muita gente, a maternidade tem sido uma busca constante por casais de todas as idades e lugares.

São meninos e meninas cada vez maiores – e com saúde, mais belos e mais inteligentes do que as crianças que nasciam há 20 anos.

Para as mães e pais, os filhos são a reafirmação dos sonhos e de ver neles realizado tudo aquilo que um dia sonharam para si mesmos. Mais importante ainda é saber que estes filhos de brasileiros nascidos na América terão a oportunidade que seus pais não tiveram, pois as portas não estarão fechadas para eles, como muitas vezes estão para os seus pais.

São pais, que não ligam para nenhum obstáculo, como a idade ou para qualquer outra adversidade – os milhares de pessoas que optam por ter filhos, mesmo sabendo que o mundo tem se tornado um lugar cada vez mais difícil de se viver a cada ano que passa.

Enquanto uns optam por ter filhos, outros desprezam o privilégio da maternidade e da paternidade, seja por evitá-los por métodos contraceptivos ou por optar irresponsavelmente pelo aborto.

Pais confusos, filhos problemáticos

In Comportamento on July 5, 2007 at 12:49 am

De quem é a culpa de jovens aparentemente dóceis se transformarem em assassinos? Se formos remontar a cada uma destas histórias vamos encontrar toda sorte de coisas que aconteceram dentro das casas de cada um.

Tempos atrás eu conversei longamente com um jovem de quinze anos de idade. Durante toda a conversa ele olhou para o chão. Poucas vezes me encarou. O nosso bate-papo girou em torno de família, profissão, igreja, conversão, etc. Em determinada altura, eu lhe perguntei quais eram as suas perspectivas de vida futura.

Surpreendentemente ele me respondeu que nenhuma, e continuou dizendo que embora não sabendo o que fazer, ele não queria ser igual ao seu pai e sua mãe. Curioso, eu indaguei dele o porque.

Como que se tivesse provocado uma reação química, ou explosiva, o rapaz desandou a falar, e contou-me coisas espantosas. Disse das práticas do seu pai e dos costumes da sua mãe. Falou da falta de compromisso com Deus de seu pai. Disse que o pai na igreja era uma coisa e em casa, outra. Contou que sua mãe, que era líder das senhoras na igreja, em casa era uma insana, segundo as suas palavras. Brigava o tempo todo, falava da vida de todo mundo, e não suportava a vida doméstica.

Do pai, falou da personalidade fraca e confusa, das crises de depressão por causa do sucesso dos tios, e amigos, da instabilidade profissional, e de uma série de outras coisas.

Fiquei pasmo diante do desabafo do jovem. Ele queria ser tudo, menos igual ao pai e a mãe. Aquela conversa não me saiu da cabeça por um bom tempo. De que forma e modo eu poderia interagir com aquele jovem? Ou mesmo com aqueles pais? Pus-me então, a observar ao meu redor o quanto às pessoas, especialmente certos pais disfarçam seus comportamentos em público. Pais que em casa junto com a família tem uma postura e na sociedade uma outra completamente diferente.

Personalidades fracas, casamentos fracassados, palavras dúbias, mentiras, ciúmes, falsidade, uma prática cristã vivida de qualquer modo, falta de compromisso com as coisas de Deus, tratamento áspero com cônjuges e filhos.

Certa vez, eu fui à cadeia de Cuiabá com um amigo advogado. Lá pelas tantas, um grupo de evangélicos chegou para o culto dominical. Conversando com o capitão responsável pela guarda ele afirmou que havia lá dentro um grupo de mais de cem crentes. A imensa maioria deles filhos de pais crentes, e que haviam enveredado pelo crime, como uma forma de escapar da vida em que seus pais levavam.

Outro dia eu li um livro, onde o autor afirma, que sua igreja faz um trabalho de atendimento a mendigos, bêbados e pessoas que vivem como indigentes, e para espanto deles grande parte destas pessoas são de desviados ou filhos de crentes.

Filhos que esperavam de seus pais alento, carinho, atenção, mas que não tendo nada disto foram buscar estas coisas em outros lugares e acabaram nas sarjetas ou nas cadeias da vida. E aqueles que por falta de coragem não enveredam pelos caminhos maus, mas que não querem jamais saber do Evangelho?

Há pais tão confusos, que jamais sabem o que fazer diante de determinadas situações. Pais que permitem que seus filhos briguem entre si, e acham que isto é normal, e o que é pior – às vezes até incentivam tais comportamentos. Não sabem que contribuem para que seus filhos cresçam sem limite algum. Se brigarem com seus irmãos, vão certamente brigar com todos pela vida afora, e vão sempre achar que é a coisa mais normal do mundo.

Serão eternas vítimas de pais confusos. Por conta desta confusão muitos filhos fazem dos seus pais reféns e escravos das suas vontades. Uma vez uma mãe veio conversar comigo dizendo que apanhava da sua filha. Aquela mãe não me parecia tão velha, embora aparentasse sofrimento e pesar nas suas atitudes. Indaguei sobre a idade da filha – catorze anos – e ela era agredida desde que a menina tinha dez anos. E as agressões eram cada vez mais constantes e ela já não sabia o que fazer. Denunciar a menina? Reagir? Mandar para a casa de parentes? Ela não sabia o que fazer, o que a tinha assustado ainda mais, era que a caçula de nove anos, dias antes, havia tomado a mesma atitude da irmã mais velha e a agredido também.

Esta rotina – de pais agredidos – por filhos é uma constante e acontece com uma freqüência além do que pensamos ou imaginamos. Perguntei então a mãe agredida como havia sido a infância da sua filha. Possessiva. A menina era extremamente possessiva com as suas coisas. No seu relato ela dizia que já aos três anos de idade a menina tinha crises de choro e se jogava no chão cada vez que era contrariada.

Se não gostava da comida, jogava o prato no chão. Se os pais estavam assistindo determinado programa de televisão que ela não gostava, simplesmente ela mudava de canal e se houvesse reação, certamente ela quebraria o controle remoto, ou o que estivesse ao alcance da sua mão.

Há um outro componente importante nesta história toda. Quantos filhos fazem igual com seus pais, e estes complacentemente aceitam tais comportamentos.

Filhos hoje se tornaram tiranetes que não hesitam em partir para o confronto com seus pais ao menor sinal de contrariedade. Filhos possessivos, que se tornam agressivos. Uma das teorias perversas é a de que filhos não devem ser castigados fisicamente. A psicologia introjetou na mente da humanidade de que, se uma criança for corrigida ela vai ficar traumatizada e com seqüelas pelo resto da vida.

É só ver o quanto de crianças, jovens e adolescentes que vão aos psicanalistas para fazer análise e tentar com isto corrigir os seus desvios de personalidade. Crianças egoístas, prepotentes, antipáticas, irascíveis, insolentes, caprichosas, desobedientes, que jamais aceitam um não como resposta, e que exigem dos seus pais que cada vontade sua seja cumprida a risca.

É só ver os motivos pelos quais Suzane von Richthofen tramou a morte dos seus pais. Contrariada porque eles proibiam seu namoro, ela não hesitou em eliminar quem lhe impedia as vontades, mesmo que fossem seus pais.

É necessário dizer que se crianças, jovens e adolescentes ocupam espaços que não lhes pertencem é porque seus pais assim o permitiram e aceitaram passivamente. Falta a determinados pais coragem de confrontar seus filhos, de os colocar nos seus devidos lugares, e com isto sofrerão mais tarde.

A incapacidade destes pais passa por diversos fatores. Desajuste familiar, trabalho em excesso, outras prioridades que não a família, superproteção, sem contar que os tempos são outros. Anos atrás, crianças com sete, oito anos não tinham acesso a computadores ou jogos eletrônicos. Hoje qualquer escola tem computadores a disposição dos seus alunos, e os jogos eletrônicos estão presentes em muitos lares. Outro fator de desenvolvimento mental e intelectual de crianças é a televisão. Sem contar que muitos pais estão parados no tempo e no espaço, não progrediram como deveriam, dai são presas fáceis dos seus filhos.

O resultado de tudo isto, são crianças, jovens e adolescentes desprovidos de todo tipo de educação possível. Querem ver a confirmação disto? Perguntem na escola que há na sua rua ou na próxima esquina para qualquer professor, como é o comportamento dos alunos. Não se surpreenda com as respostas, mesmo se seu menino ou menina estiver entre eles.

Pequenos tiranetes e ditadores, que não hesitam em fazer dos seus pais meros joguetes nas suas mãos, que fazem chantagem quando contrariados, que xingam e humilham seus pais, quando não os agridem. Diante deste quadro é esperar cada dia pelo pior.

É só ver o quanto de crianças, jovens e adolescentes que estão dentro das nossas casas, nos nossos vizinhos ou dentro das nossas igrejas estão à mercê das suas inexperiências e fazendo prevalecer os seus caprichos, sendo alimentados do que de pior há na atualidade, em termos culturais, vão padecendo sob os auspícios de uma psicologia humanista, da indiferença e do desleixo.

Diante disto só nos resta esperar pelo pior.