Jehozadak Pereira.com

Foi-se um bruto!

Posted on: December 30, 2006


Vaidoso, aos 65 anos Saddam Hussein pinta os cabelos de preto, dorme no máximo cinco horas por dia e não fica duas noites seguidas em cada um dos vinte palácios que têm a sua disposição espalhados pelo país. As suas três refeições diárias – a base de peixes, verduras e frutas – são preparadas em vários destes palácios, de modo a não saber onde o ditador sentará a mesa.

Com quase 100 quilos e 1,88 metro, Saddam é educado no modo de falar e gentil no trato, desde que não lhe desagradem. Perto do punho direito Saddam tem tatuado três pontos azuis, que indica as suas raízes tribais numa aldeia miserável. Ao tornar-se o todo poderoso do Iraque em 1979, os homens do seu clã, os al-Khatab, saquearam e tomaram terras dos vizinhos, pois esta é a lei do lugar, seguida à risca. Biógrafos afirmam que Saddam tem mais de 45 irmãos homens.

Nos idos dos anos 80, Saddam foi um importante aliado dos EUA no Golfo Pérsico. O apoio a Saddam era o contraponto ao radicalismo dos aiatolás iranianos, empenhados em afirmar ao mundo que os EUA eram o “grande Satã”. Armas, equipamentos e assessoria militar foram fornecidos ao Iraque, até que Saddam voltou-se contra os americanos.

Pouco se conhece da vida familiar de Saddam Hussein. Porém o lado conhecido mostra um caráter instável e irascível. Leitor voraz de tudo o que lhe cai nas mãos, tem paixão por livros de história árabe e por temas militares. Lê biografias de grandes homens e admira Wiston Churchill, além dos textos de Joseph Stalin, o ditador soviético.

O culto à personalidade é umas das marcas do regime iraquiano. Tudo no Iraque leva o nome de Saddam Hussein – praças, aeroportos, escolas, estradas, museus e teatros. Para provar a sua “linhagem”, Saddam mandou fazer uma pesquisa genealógica para provar que é descendente direto do profeta Maomé.

Durante três anos tirou o próprio sangue para que com ele fosse feita uma cópia do Corão, com mais de 600 páginas. Tudo o que Saddam faz e pensa é em angariar o apoio dos demais países muçulmanos, por conta disto está construindo a maior mesquita do planeta em Bagdá. A grande mesquita Saddam Hussein, terá uma cúpula com 135 metros de altura, e será três vezes maior que a Basílica de São Pedro, em Roma.

Saddam governa o país com mão de ferro, e qualquer tentativa de insurreição é exemplarmente reprimida sem dó e nem piedade. Em todos estes anos de poder, foram feitas seis tentativas de destituí-lo, todas fracassaram. Os expurgos preventivos são feitos no governo e nas forças armadas e centenas de auxiliares próximos, além de militares foram executados às vezes sem nenhuma razão aparente.

A vilania de Saddam, não atinge somente os inimigos. Há exemplos na própria família. Oficialmente Saddam tem dois filhos homens – Uday, 38 anos e Qusay, 35 anos. Uday, irritado com um assessor que chegou atrasado a uma reunião, simplesmente o torturou e matou, mas antes o obrigou a beber 2 litros de uísque e depois ficou esperando sua morte lenta, por intoxicação. Bem ao seu estilo ele já baleou um tio em uma festa de família. O tiro foi na perna. O tio sobreviveu e, por via das dúvidas, fugiu do Iraque. Também espancou até a morte o mordomo do pai. As peripécias de Uday são famosas em Bagdá. Notícias dão conta de que certa vez encantado com a beleza de uma jovem que andava por uma rua próxima a um dos palácios, Uday mandou que parassem o carro e lhe trouxessem a mulher. Porém, o namorado da jovem resistiu e foi assassinado diante de todos. Horas depois o corpo da jovem foi jogado num dos rios da capital com um tiro na nuca.

Ele costuma torturar pessoalmente os desafetos presos e pede que as sessões sejam gravadas em vídeo para assistir depois. Em 1996 Uday foi baleado num atentado e ficou uma cadeira de rodas, mas não mudou seu comportamento.

A crueldade maior de Saddam Hussein foi o assassinato de seus dois genros – os irmãos Saddam e Hussein Kamel, que depois de fugirem com as famílias para a Jordânia, foram atraídos de volta com a promessa de perdão e depois de barbarizados foram mortos a sangue-frio para que servissem de exemplo, fugitivos do regime de Saddam Hussein, afirmaram que o próprio Saddam assassinou os desafetos.

Recentemente a imprensa mundial noticiou que Saddam Hussein recompensa as famílias dos homens-bomba suicidas palestinos – US$ 25 mil por terrorista suicida, US$ 10 mil para cada morto em combate.

Longe de ser apeado do poder, apesar de ter sido duramente bombardeado, humilhado e desprezado pela comunidade internacional, Saddam Hussein segue firme governando o Iraque com mão de ferro e oprimindo toda uma nação, e ao que parece não deixará o poder tão cedo. Mas por via das dúvidas, há sempre próximo do local onde Saddam se encontra um helicóptero e um jato pronto a decolar, caso precise fugir as pressas do Iraque. O problema é quem vai querer receber Saddam?

PS este texto foi escrito em 2002. Saddam Hussein foi enforcado no sábado, 30 de dezembro de 2006. Não vai deixar saudades nenhuma.

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