Jehozadak Pereira.com

Balas perdidas, uma questão de moralidade

Posted on: May 15, 2007


Não passa uma semana sequer sem que o noticiário do Rio de Janeiro e de São Paulo mostrem que mais alguém foi atingido por uma bala perdida, que ninguém sabe – e nem está interessado em saber – de onde veio o tiro.

Hoje nas duas cidades os ferimentos a bala superam os ocasionados por acidentes automobilísticos, inclusive com lesões e sequelas permanentes, excluíndo-se as mortes. A maioria dos ferimentos é por armas de grosso calibre como fuzís e e metralhadoras, às vezes de uso exclusivo das Forças Armadas brasileiras.

As vítimas de balas perdidas nas duas maiores cidades brasileiras superam as da Guerra Civil no Líbano entre 1975 e 1980. Mesmo assim não se sabe exatamente, ou não se possuí uma estatística confiável sobre o assunto. O certo é que a cada seis dias, morre uma pessoa no Rio de Janeiro vitimada por bala perdida, sem contar aqueles que são feridos. As autoridades fazem de tudo para escamotear os dados, pois sabe que eles são assustadores e chocantes.

As autoridades culpam os traficantes de drogas e as famosas guerras de bandos rivais por pontos de tráfico como o principal fator disseminante de balas perdidas. O certo é que com poderosas armas nas mãos, com munição farta aliada a uma agressividade e ferocidade sem limites, os bandidos não hesitam em atirar a esmo para abrir caminho ou fazer valer a força que tem nas mãos para impor as suas vontades e domínios.

Fala-se muito – especialmente no Rio de Janeiro, em intervenção das Forças de Segurança Nacional que ocuparia as ruas e principais vias de acesso da cidade, como tentativa de minorar o sofrimento da população.

Mas de que adianta a ocupação se daqui a pouco os soldados vão embora e o povo vai continuar exposto do mesmo jeito? Será que os serviços de inteligência das polícias em qualquer nível não conseguem investigar de onde vem as armas que municiam os bandidos?

Entra governo e sai governo e nenhum deles conseguem interromper o tráfico de armas que municia os traficantes nos morros cariocas e nas ruas paulistanas. Será que é tão difícil assim investigar para identificar e saber quem são os responsáveis e prendê-los? Deve ser pois há anos que as duas cidades padecem do problema sem que haja uma solução viável em curto prazo.

Por que não se federaliza o crime e põe a Polícia Federal para investigar quem ganha – muito – dinheiro com o tráfico de armas? Por que o governo federal não intervem e faz o que tem que ser feito para acabar com o pânico e o medo que se instalou entre o povo? São perguntas que ao que parece não há o menor interesse em responder, seja lá por quem for.

Será que o futuro da população do Rio de Janeiro e São Paulo, será de mutilados e aleijados por causa de balas perdidas?

O que não se pode mais é conviver com este estado de coisas, pois uma pessoa que é honesta, trabalhadora, que paga impostos compulsórios e convive com todo tipo de corrupção e mazela dos políticos não sabe se voltará ilesa para casa no fim do dia.

Nem no velho oeste americano, ou nas guerras mais brutais aconteceu o que se passa no cotidiano das maiores cidades brasileiras. Será que não está na hora de os governantes dar um basta nesta situação que nos constrange, assusta e preocupa a todos?

Além de nos envergonhar diante do mundo que assiste e lê diariamente o que acontece nas nossas ruas e praças, definitivamente transformadas numa guerra quem tem custado o sangue e a vida de pessoas inocentes e indefesas, sem que ninguém as proteja de fato, afinal tanto Rio de Janeiro, que é conhecido no mundo todo pela sua beleza natural, e São Paulo pela sua pujança, estão tristemente famosas pelas cidades das balas perdidas.

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1 Response to "Balas perdidas, uma questão de moralidade"

Jehozadak Pereira, comunico ao irmão em Cristo, que foi divulgado matéria de sua autoria: “Aborto” na revista jornalística DESABAFO PAÍS. Um forte abraço, Daniel.

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