Jehozadak Pereira.com

Casamentos em crise

Posted on: May 30, 2007


O escritor e jornalista Mário Prata, conta no seu livro Meus homens, minhas mulheres, a história de um casal que se divorcia por causa de um singelo rolo de papel higiênico. O marido queria que o papel desenrolasse por baixo, e a mulher por cima. Foram anos mudando o sentido do rolo de papel higiênico. Ele colocava de um jeito e ela de outro. Até que o casamento acabou.

São às vezes pequenas diferenças que fazem com que relacionamentos que deveriam durar uma vida toda se esfacelem em pouco tempo. A estas diferenças se juntam a incompatibilidade de gênios, infidelidade, imaturidade e despreparo, violência, individualismo, ciúmes, opções erradas, falta de diálogo, e até falta de amor.

Muitos casamentos acabam por absoluta falta de amor, pois, muitas vezes se casa por motivos interesseiros e pensa-se estar apaixonado, paixão que acaba quando surgem os primeiros problemas.

No entanto, a grande maioria dos casamentos começa a fracassar num único e importante item – a falta de amizade entre marido e mulher. Muitos ao se casarem o fazem com estranhos, com quem não tem a menor intimidade ou afinidade, e juntos vão tentar partilhar sonhos e ideais. Muitas vezes à vontade de acertar é insuficiente e logo o único caminho é o da separação. Por que a amizade é primordial em qualquer relacionamento? Às vezes não toleramos nada de ninguém, mas de um amigo toleramos e somos tolerados, o que não acontece num casamento. Uma toalha ou sapato deixados fora do lugar pelo marido é motivo de explosão de ira, ou um atraso da mulher no supermercado é o suficiente para desencadear as piores reações.

Descobre-se tardiamente que não há nenhuma comunhão de pensamentos e idéias com quem se casa, e muitas vezes o casamento só acontece por causa da atração sexual que com o tempo acaba e cai-se na perigosa rotina da mesmice.

Logo, o que deveria ser uma convivência pacifica, vai emperrando com o passar do tempo, tornando a convivência difícil e complicada. A estes fatores juntam-se a violência doméstica, o desprezo, a irascibilidade social, a introversão e igualmente a interferência de familiares, como os sogros e cunhados na relação, onde a simples colocação de um rolo de papel higiênico é motivo para desavenças e desunião.

A vida afetiva se desgasta e as discussões e brigas se tornam constantes e a vida torna-se insuportável. O casal já não se fala mais a não ser o necessário e não há respeito, cumplicidade, amizade, e é preciso fazer uma análise e ver o que ainda têm em comum, além de morar sob o mesmo teto.

Muitas vezes ambos concluem que nada mais de sadio os une e que não é mais possível melhorar a vida em comum, pois passam o tempo todo brigando ou sonhando com o afastamento, a separação, passa a ser uma opção.

Neste ponto muitas vezes marido e mulher tentam o diálogo que faltou ao longo do relacionamento, buscando muitas vezes algum vislumbre de esperança, contudo, o que acontece é a evidência de que um abismo separa um e outro, e para muitos é a certeza de que a separação é inevitável. No Brasil, um em cada quatro casamentos é desfeito. Nos Estados Unidos este número é maior, onde para cada dois casamentos, há um divórcio, e após o divórcio os cônjuges tornam-se inimigos mortais, ou deixam de ser ver.

Separar-se de forma saudável, sem que um culpe o outro, manipulações ou preconceitos, não é fácil. A separação é sempre uma experiência desgastante em todos os aspectos.

Com o desgaste natural de um casamento, o desejo de separar-se quase nunca acontece de repente. Para muitos vai ficando claro com o passar dos anos, quando se percebe que não é mais importante para a vida do outro cônjuge.

Neste ponto já não há o desejo de estar juntos, já não mais sonhos em comum e muito menos à vontade de satisfazer os anseios mútuos. Às vezes pode até ser que uma das partes finja ou não perceba, que a outra parte vai dando sinais de desgaste, pois ninguém deixa de amar de uma hora para outra a decisão da separação pode parecer súbito, porém o desejo já estava latente há muito tempo. O que um consegue ver no outro é só defeitos e mais defeitos.

Muitos homens e mulheres vão se surpreender que a atitude de separação não lhes provoca sofrimento ou constrangimento algum, ao contrário, a sensação de alívio é maior do que se pensa. E em contrapartida, há aqueles que não aceitam a separação de modo algum e sofrem como nunca. Outros se sentem culpados e rejeitados, fazendo com que a perda torne-se dolorosa, pois além de perder fisicamente o outro, perdem muitas vezes o referencial, e pode parecer e é paradoxo, ter como referência alguém com quem não se vive harmoniosamente.

Para muitos, o casamento é uma prisão da qual eles querem se livrar o mais rápido possível, e para quem um simples problema que poderia ser resolvido no início com uma conversa, torna-se um pesadelo ao longo dos anos.

Invariavelmente uma má relação traz reflexos negativos sobre os filhos. Homens beberrões, espancadores e irresponsáveis tratam suas mulheres e filhos com violência, e via de regra as marcas psicológicas permanecerão vida afora. Por outro lado, mulheres instáveis trazem sobre suas famílias as mesmas marcas nocivas.

Só quem vive um drama pode dizer a respeito dele, mas, quem sofre invariavelmente com a separação dos pais são os filhos. A sociedade de uns tempos para cá tem sido intolerante e o reflexo é que cada vez mais casais se separam sem ao menos tentar viver uma vida de harmonia e paz.

A separação deixa um estigma na vida dos filhos, com a desestruturação da família os filhos ficam relegados a um plano inferior geralmente quando um dos seus pais constitui um novo casamento, tendem a ter problemas com os novos companheiros dos seus pais. Sem contar outros inúmeros problemas de readaptação à nova realidade.

A sociedade e o mundo vivem em crise, que invariavelmente começam dentro dos lares. Nunca seremos isentos de enfrentar problemas, saber conduzi-los com sabedoria e sensibilidade é que nos tornará melhores pessoas e melhores cidadãos. Separação nunca foi solução para conflitos conjugais. Casais que se separam sem pelo menos ter tentado resolver as suas diferenças e com isto trazem problemas para os seus filhos, pensam de modo egoísta e inconseqüente.

O refazer a vida é sempre difícil e espinhoso, principalmente quando os cônjuges têm filhos de relacionamentos anteriores, e muitos têm as suas expectativas frustradas na nova tentativa, vivenciando os mesmo problemas anteriores.

O diálogo sempre foi e sempre será a melhor saída para crises inclusive conjugais.

Advertisements

2 Responses to "Casamentos em crise"

Na atualidade já não se fazem verdadeiros casamentos e por não serem verdadeiros os casamentos atuais terminam em “divórcio.” Para haver verdadeiro casamento segundo os antigos hebreus é necessário derramamento de sangue.
Este derramamento de sangue é importante para que aconteça o casamento real.
Todo pacto tinha que haver matança de animal ou ave. No casamento é necessário o derramento do sangue da virgem para que se estabeleça o pacto. E este sangue derramado tem um significado espiritual profundo pois “tudo o que ligares na terra será ligado no céu.”
Foi através de seu sangue que o Senhor Jesus estabeleceu um pacto conosco.
Quando a mulher era viúva então era o sangue de uma ave que era derramado.
Sendo que no Novo Testamento além da importância da virgindade também o(a) parceiro(a) terá que escolher um nubente que também seja cristão.
Os antigos hebreus não tinham este problema porque todos eram da mesma tribo e da mesma fé e se casavam entre eles mesmos.
Porém atualmente mesmo que o nubente seja virgem não é suficiente para que o casamento dê certo se seu parceiro(a) não for cristão, podendo acontecer o divórcio.
Na atualidade verdadeiros casamentos já não acontecem, o que se vê são cerimônias nada mais e quando acontece a ruptura é porque não houve respeito desde o início do relacionamento, não se guardaram para o ato nupcial, não se guardaram para o ritual sagrado.
Se não se respeitaram a ponto de se guardarem também não se respeitarão durante a convivência e por qualquer coisa se injuriarão e blasfemarão um contra o outro.

O artigo é excelente, porém não faz maior referência no que deveria ser o ingrediente essencial do casamento: AMOR !
Com amor, casamentos são eternos. Resistem a crises, infortúnios, adversidades e divergências.
Sem amor, um simples rolo de papel higiênico, detona uma crise incontornável.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Categories

Estatísticas do blog

  • 173,816 hits

Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

Join 846 other followers

Twitter Updates

%d bloggers like this: