Jehozadak Pereira.com

Tocador de bumbo – o futuro de Chávez

Posted on: June 1, 2007


O coração do ser humano é incerto e as vezes ingrato. Incerto, porque o que é convicção hoje pode se tornar a obcessão de amanhã, e ingrato porque tem razões que a própria razão desconhece. Este parece ser o destino do presidente venezuelano Hugo Chávez que até pouco tempo atrás era tido como a maior liderança de esquerda surgido nos últimos tempos, e que aos poucos mostra o que realmente sempre foi – um ditador intrometido e inoportuno.

Fissurado na idéia de que será o grande líder da revolução bolivariana(?), Chávez que fazer dos países sul-americanos uma extensão da – sua – Venezuela.

A esquerda mundial, ávida por uma nova liderança, desde que o comunismo e o socialismo entrou em colapso, faz de tudo para justificar as atitudes cada vez mais tresloucadas de Chávez. No começo as suas bravatas eram até interessantes, mas com o passar do tempo, o que se vê é um projeto de ditador cada vez mais audacioso e ao que parece fora de si e de controle.

A questão é que os atos de Chávez estão cada vez mais difíceis de ser explicados. Na sua obsessão por ser notícia e aparecer fustigou e atacou Bush, seja fazendo piadas e ridicularizando-o, como na ONU, onde chamou o presidente americano de demônio, e dizendo que a tribuna cheirava a enxofre, depois aliou-se a Mahmud Ahmadinejad inimigo declarado da nação americana.

Ressentido com a RCTV – até então a principal emissora de televisão venezuelana que segundo Chávez apoiou e conspirou num golpe de estado em 2002, que o deixou fora do poder por dois dias, resolveu que era hora de se vingar e não renovou a concessão para que canal continuasse no ar.

Um dos indicadores mais confiáveis de uma democracia é a imprensa livre. Em qualquer lugar no mundo é assim. Quando um governante se sente incomodado, a primeira coisa que faz é censurar e calar a imprensa.

Os países totalitários e com governos ditatoriais logo apelam para este recurso. Talvez inspirado no seu grande guru, o dinossáurico Fidel Castro, que controla a imprensa cubana com mão de ferro, além de prender poetas e jornalistas. Nem a ditadura brasileira ousou tanto. Ao colocar censores dentro das redações o governo militar de direita pensou que podia calar a imprensa. Não calou não. Corajosamente a imprensa não se submeteu e fez ver que estava sob feroz censura. Muitas vezes os editores e donos de jornais ludibriavam os censores, que eram tapeados como o são os ditadores do calibre de Chávez e Castro.

A imprensa é o indicador de que as liberdades civis estão em pleno vigor. Furioso com as reações mundo afora, Chávez se volta contra o Congresso brasileiro e o ataca duramente, dizendo que o parlamento brasileiro é um papagaio de Washington, pois repete tudo aquilo que o seu similar americano manda.

Richard Nixon foi apeado do poder por causa da imprensa. A história pode ser vista em Todos os Homens do Presidente – livro e filme, que contam como Carl Bernstein e Bob Woodward jornalistas do Washington Post, investigaram o arrombamento da sede do Partido Democrata em Washington a mando de Nixon. O escândalo Watergate foi a confirmação definitiva de que nem os governantes estão a salvo de serem investigados pela imprensa, e que o papel desta é publicar as verdades que jamais o cidadão comum teria acesso.

Em 1986, a revista Newsweek, do mesmo grupo que o Washington Post, publicou uma matéria com o título “A Reabilitação de Richard Nixon”. Na ocasião, o ex-presidente encontrou Katherine Graham, dona do jornal que o derrubou. Nixon abriu um sorriso e apertou com força a mão da empresária. A platéia aplaudiu.
Já o troglodita Chávez prefere calar a imprensa, e já se pergunta qual será o próximo veículo de comunicação venezuelano que experimentará da sua fúria.

Pelo andar da carruagem, Chávez vai acabar como um tocador de bumbo em algum povoado venezuelano, o que seria muito engraçado, e por falar em graça há quem prefira um outro Chaves, aquele que é acompanhando pelo Seu Madruga, a Dona Florinda, o Quico, o Seu Barriga e a Chiquinha…

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1 Response to "Tocador de bumbo – o futuro de Chávez"

O problema é que até ele se tornar “tocador de bumbo” o povo venezuelano vai ter de aturar ele.
Talvez durante muitos anos.

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