Jehozadak Pereira.com

Inveja de morte

Posted on: June 7, 2007


A primeira pancada atingiu A na nuca, assustado ele voltou-se para seu irmão C, o sangue escorria dos ouvidos, do nariz e da boca. Uma segunda paulada, agora no lado esquerdo do rosto, fez com que ele caísse abraçado as pernas de C, sujando de sangue a sua calça e o seu sapato.

A primeira reação de C foi a de buscar as razões para a morte de seu irmão.

Ele merecera! Esta era a razão primordial. Ele não abria mão dela. Fora justa a sua morte. Passado aquele instante C sentou-se a beira do fogo, e começou a pensar nos motivos que o levaram a matar seu irmão daquela forma cruel.

Desde crianças – C era dois anos mais velho que AC não tolerava o jeito risonho e simpático de A. A era o tipo que se dava com todos, prestativo, cativante e educado.

Bem humorado e brincalhão era também sério e compenetrado no que fazia. Cada dia no final da tarde, A passava pela casa dos pais para lhes tomar a bênção e ver se tudo estava bem com eles, pois eram idosos e ele se preocupava com o bem estar dos dois.

A tirava de cada colheita a parte que cabia à casa do Senhor, e por causa disto prosperava a cada dia. Um dos seus costumes era abraçar seu irmão mais velho – C, a cada vez que o via, e eles se encontravam diariamente.

C ao contrário era mau-humorado, irritadiço, áspero, ranzinza, reclamava de tudo e de todos. Embora morasse muito próximo de seus pais, ficava semanas sem os visitar, e quando ia era para reclamar e sair batendo portas, xingando e falando impropérios que eram ouvidos a distância.

Era infiel nos seus negócios e não levava a sua oferta a casa do Senhor, ou quando o fazia, era do modo que achava correto. Suas propriedades eram mal-tratadas e sua terra não produzia quase nada.

Agachado, C podia ver o sangue que escorria da cabeça de A encharcar a terra, e lembrando e relembrando de quantas vezes se sentira “humilhado” pelas atitudes de seu irmão.

E foi enumerando um a um os “motivos” que ele pensava, serem justos para que tirasse a vida de A. Ele achava intolerante o sorriso de A, parecia que o irmão estava constantemente rindo dele.

E a cada dia seu ódio e rancor aumentavam. Um dia o seu pai que era o sacerdote do lar falou acerca de ofertas. A oferta que Deus queria e a que Deus abominava. Falou de ofertas pela metade, de ofertas roubadas, de ofertas não dadas. Aquilo foi como um tapa na sua cara. Como o pai sabia daquilo?

Só havia uma explicação. A via cada uma das colheitas e sabia o quanto C dava de ofertas, e havia contado ao pai, e o pai para “humilhá-lo” havia falado sobre aquele assunto. Certamente, A estava em conluio com o velho homem, e este para agradar a A, resolveu que iria falar.

Intolerante!

Ele precisava tomar uma atitude. E tomaria. Só havia um modo dele “lavar” a sua honra: matando seu irmão. Seria merecido para ele! Olhos injetados, ele tramou por dias como mataria seu irmão. C sabia que seu irmão gostava de andar no campo.

Pensando no passeio e nas belezas do lugar logo A atendeu ao convite de C.

C estava na espreita, ele sabia que ninguém tinha conhecimento de que A, estaria com ele. No celeiro ele tirou do esconderijo o porrete feito de um galho de madeira duríssima, que tinha guardado durante meses. Hoje ele iria usá-lo, finalmente!

A pagaria a cada uma das “humilhações” que lhe havia imposto ao longo dos anos. E foi enumerando mentalmente as razões pelas qual mataria seu irmão. Elas eram tantas. Descera ao campo e escondera o porrete. Meticulosamente planejou tudo. Seu irmão ficaria sentado ali naquela pedra, e ele ficaria de frente. Sabia que seu irmão não perderia a oportunidade de conversar um pouco, antes de irem andar pelo lugar. Por conta disto colocaria a sacola com alimento atrás de onde A se sentaria. Quando ele se virasse para pegar o pão, C bateria na cabeça dele.

Não demorou muito para que A chegasse, e lá estava ele, com seu sorriso estampado no rosto. Por um instante C pensou nos destinos dos dois. Ele não queria aceitar que as oportunidades haviam sido iguais para eles. Ele dizia para si mesmo que A o menosprezara a vida toda. Ao descer do cavalo, a primeira coisa que A fez foi dar um abraço no irmão, disse que lhe amava e que o prezava.

– Mentiroso! Pensou C. Ele dizia isto para todo mundo.

Despreocupado A não notou o estranho brilho nos olhos de C. Sentaram-se de frente um para o outro. Estava radiante. Feliz. Contente. Falou também da colheita e das criações que aumentavam a cada dia. Disse que estava com fome e perguntou onde estava o alimento?

Ao se virar foi atingido na nuca e de imediato sentiu o sangue escorrer pela boca, nariz e ouvido, perplexo não entendeu nada. Quis falar o nome de C e somente pôs mais sangue ainda pela boca.

Embora as suas forças se esvaíssem ele caminhou em direção a C para lhe abraçar, e não entendia o porque C levantava os braços e os baixava contra a sua cabeça. Atingido no lado esquerdo do rosto, abriu os braços e caiu morto abraçando as pernas do irmão.

C agora vomitava e tinha espasmos. Atônito viu que A estava de fato morto. Havia matado seu irmão.

Embora a narrativa tenha sido romanceada, os fatos e circunstâncias são na sua essência verdadeiros.

Naquela tarde Abel não passou na casa dos seus pais, para os beijar e tampouco voltou para a sua casa. Ele estava morto, imóvel aos pés de Caim.

Morto por causa da inveja. Estava consumado o primeiro crime da história da humanidade.

Ao ser inquirido por Deus, Caim respondeu asperamente como havia sido áspero toda a sua vida: “… sou por acaso guardador do meu irmão?” – Gênesis 4.9. Caim não atentava para o fato de que Deus é onisciente – vê todas as coisas. Deus está de olho em todos os invejosos.

O insolente e rancoroso Caim pagaria pelo seu erro o resto da sua vida.

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2 Responses to "Inveja de morte"

Por favor, gostaria de ter acesso ao site http://www.jehosadakpereira.com, me interessei muito por suas colunas no site aleluia.com.
Obrigado pela atenção.

LP. Oliveira

Me ajudou demais num dos piores momentos da minha vida! Obrigada, q Deus te abencoe e possas continuar a ajudar mais pessoas atraves da tua escrita. Paz em Cristo Jesus.

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