Jehozadak Pereira.com

Por que o mundo é assim? – parte 1

Posted on: June 14, 2007


Em meados dos anos 90 uma grande fome se abateu sobre parte da população do Sudão – o maior país africano – e o mundo civilizado se mobilizou enviando para lá comida, remédios e roupas em quantidade suficiente para abrandar o sofrimento dos sudanenses que morriam a míngua. Só que os esforços da comunidade internacional foram em vão, pois a ajuda foi desviada e toneladas de alimentos apodreciam diante de todos.

Uma equipe de reportagem da BBC de Londres foi fazer uma série de matérias sobre a guerra civil, e perguntou para um coronel o porquê de haver montanhas de comida de um lado e do outro lado da cerca mulheres e crianças padeciam sem se beneficiar com a comida que estava ali diante deles. Um sorridente e cínico coronel perguntou ao repórter se ele daria comida para o seu inimigo, para em seguida dizer que aqueles que morriam de fome do outro lado da cerca fariam o mesmo com ele e os seus amigos, se estivessem no poder.

Logo, no ponto de vista dele, eles que morressem o mais depressa possível. As razões do coronel sudanês eram justificadas pelas mortandades proporcionadas no passado por brigas ferozes entre as diversas tribos e povos; a diferença é que desta vez aconteciam diante dos olhos do mundo todo, que impassível nunca moveu um dedo para acabar com a tragédia.

Uma das marcas e características do século 20 e deste início do 21 é a intolerância racial e religiosa, marcada por tragédias e atentados terroristas. A motivação racial foi a causa principal da mortandade que o governo de Slobodan Milosevic. Com o fim do comunismo e da União Soviética, os países da Cortina de Ferro entraram em colapso e buscaram a independência a qualquer custo. Um destes países foi a Iugoslávia que se dividiu e de lá saíram a Macedônia e a Croácia e Bósnia-Hezergovina, que se tornaram independentes. Só que os anos de convívio geraram rancores e o conflito foi inevitável, pois no caldeirão que era a Iugoslávia viviam lado a lado civis muçulmanos, cristãos, católicos, croatas, bósnios, kosovares, albaneses e ciganos que foram executados a sangue frio na que foi chamada de limpeza étnica incentivada pelo presidente sérvio Milosevic.

A imprensa denunciou o fato à exaustão e todos – inclusive os Estados Unidos – preferiram ignorar os fatos e crer nas palavras de Milosevic que dizia não haver conflito algum.

Para se ter uma idéia do processo todo, os soldados ou milícias sérvias invadiam aldeias e violentavam mulheres de todas as idades. As atrocidades contra as mulheres eram tamanhas que em 1992 na cidade de Kalinoviky, um grupo de milicianos invadiu um ginásio onde estavam presas105 mulheres e durante 26 dias estupraram cada uma delas dia e noite.

Os relatos das atrocidades eram relatados ao mundo por telefone celular, e mesmo assim, as grandes nações fizeram de conta que não estava acontecendo nada de mais. Com arrogância, Slobodan Milosevic desafiava que provas fossem apresentadas, e dizia ter o apoio de, entre outros, Bill Clinton com quem falava regularmente.

Milosevic que ficou conhecido como o Carniceiro dos Balcãs, foi julgado por um tribunal em Haia, na Holanda por genocídio, tese que foi provada com a descoberta de covas coletivas onde muitos dos corpos tinham tiro na nuca. A cruel irônia desta história, é que Milosevic foi indicado para receber em 2000 o Prêmio Nobel da Paz. Milosevic morreu em março de 2006, e sua morte tida como natural, foi cercada de mistério.

Mas, o mundo não aprendeu a lição e uma outra matança desta vez em Ruanda aconteceu e ninguém tomou providência alguma. Na primavera de 1994 os hutus massacraram em quatro meses 1 milhão de tutsis, a quem chamavam de baratas – novamente um conflito tribal e étnico – os tutsis e alguns hutus moderados foram mortos com tiros, facadas, espancamento e com golpes de machado, e a caçada foi a responsável pelo maior deslocamento de pessoas em tempos de paz – cerca de dois milhões de tutsís se refugiaram no Zaire.

Quando o conflito começou a ONU tinha no país um contingente de aproximadamente 2,5 mil soldados que foram reduzidos para meros 270 militares. Diante dos apelos de lideranças ruandesas que apelaram diretamente ao então secretário-geral da ONU e ao Conselho de Segurança que não retirassem as tropas de lá.

Quando Kofi Annan, ordenou que 5,5 mil soldados da força de paz voltassem a Ruanda já era tarde e nada mais podia ser feito. O conflito entre tutsis e hutus foi retratado no filme Hotel Rwanda, e uma das cenas mais chocantes é quando Paul Rusesabagina, considerado um herói por ter livrado da morte tutsis, volta de uma viagem e o carro não consegue andar pela estrada sem derrapar ou sair da pista. Ele ordena que o motorista pare o carro e desce para ver o que atrapalhava o carro de andar normalmente e se depara com milhares de corpos mutilados espalhados pela estrada.

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