Jehozadak Pereira.com

Por que o mundo é assim? – parte 2

Posted on: June 14, 2007


Os conflitos entre hutus e tutsis sempre existiram, mas eram controlados por líderes moderados de ambos os lados, até que o avião que transportava o presidente Juvenal Habyarimana – um hutu moderado que conseguia transitar e dialogar com os dois grupos e era aceito pelos tutsis – caiu e os hutus acusaram os tutsis de conspiração e assassinato, e partiram para a retaliação, numa matança que será lembrada por muito tempo.

Existe ainda o terrorismo como forma e modo de coação e de convencimento, matando cada vez mais a cada nova explosão. O terrorismo, aliás, fez com que o mundo jamais fosse o mesmo. Se antes os atos terroristas eram circunscritos a determinadas regiões específicas, hoje atravessou fronteiras e se globalizou letalmente, e quanto mais baixas cívis forem impostas, mais heróico aos olhos do fanáticos o feito é notório. Os amigos do passado, como Osama bin Laden – financiado e abastecido na Guerra do Afeganistão, quando os inimigos eram os russos e o comunismo, são hoje, viscerais inimigos, cujas cabeças são avaliadas em milhões de dólares, mas que são invisíveis tal qual fantasmas.

E assim de tragédias em tragédias cada vez mais inexplicáveis é que o mundo vai caminhando num passo cada vez mais apressado. Para muitas coisas não há retorno, e o terrorismo como instrumento de ódio e rancor é uma destas modalidades onde os mortos serão contados no futuro aos milhares.
Mesmo nos Estados Unidos há tensões raciais que volta e meia são lembradas por todos. Um exemplo disto foi a destruição de New Orleans pelo furacão Katrina. A população da cidade e arredores é constituida na sua maioria por negros, e as autoridades federais, entre eles o presidente George W. Bush foram acusados de não agir com rapidez por causa de racismo e preconceito.

Que Bush demorou para agir, não há dúvidas disto, mas ninguém levou em consideração que montar do nada uma gigantesca operação de resgate do porte da que foi colocada em prática não é nada fácil, mas nada disto foi levado em consideração. O que as pessoas querem nesta hora é uma palavra de alento e conforto, e é ai que a coisa pega para Bush que ao que parece não tinha a dimensão exata da tragédia.

Logo, a imprensa que pegava no pé de Bill Clinton, chamando-o de mulherengo e mentiroso, voltou-se contra Bush taxando-o de lerdo e indeciso. A opinião pública vai na onda e busca ver fantasmas onde não existe nada. A mesma imprensa que não deixa Bush passar incólume, fez vistas grossas a uma manifestação clara de racismo.

Em junho de 1960, um grupo de fanáticos racistas da Ku Klux Klan, matou no Mississippi, três ativistas dos direitos dos negros, e depois de investigações do FBI foram presos e condenados a penas variadas. Em junho de 2006 o líder do grupo Edgar Ray Killen, 80 anos, foi condenado a 60 anos de prisão. Ex-pastor batista e nem um pouco arrependido Killen mostrou arrogância ao ser levado da Corte para a prisão estadual numa cadeira de rodas, e seus amigos declararam que ele se sentia injustiçado pela medida. Dias depois, foi libertado da prisão mediante o pagamento de uma fiança de US$ 600 mil, devidamente arrecadada por amigos e por pessoas que pensam exatamente como ele pensa – que os negros tem de ser exterminados, como foram os ativistas em 1960.

A intolerância e o ódio são binômios letais que andaram juntos no passado, andam no presente e estarão de mãos dadas no futuro. Serão sempre os argumentos que permitirão matar impunemente como nos Balcãs, em Ruanda; nos atos terroristas e até darão as razões que os racistas do Mississippi desde sempre buscaram e somente não o fazem hoje por causa da pesada mão da lei que os esmagou e está alerta para os açoitar quando necessário for.

O que choca mesmo é sorriso de escárnio do coronel sudanês perguntando ao mundo qual deveria ser a sua atitude com o seu inimigo? Ou ainda o olhar agressivo e contundente de Slobodan Milosevic desafiando a todos detrás das grades onde está a espera da sentença pelos seus crimes, ou ainda a sanha assassina dos hutus que não pararam de matar enquanto existir um tutsi para ser abatido tal como uma barata; e o que dizer do riso sarcástico de Osama bin Laden a cada atentado que leva a assinatura da sua macabra rede? Será que é pior do que o debochado de Ray Millen, afrontando o juri como que dizendo – eu mandei matar uns pretos sim, e daí? Mataria mais se fosse possível. É o que demonstra a atitude dos que financiaram a sua liberdade. É o recado silencioso e agressivo que eles mandam para a sociedade. Pagaram para que Killen saísse da prisão não por motivos humanitários, e sim porque se identificam com os seus atos e opiniões. Mas o pior mesmo é a atitude do funesto associado de bin Laden, que emitiu uma nota rejubilando pela destruição de New Orleans. São coisas deste tipo que nos fazem perguntar sempre por que tem que ser assim?

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