Jehozadak Pereira.com

Pais folgados, filhos estressados

Posted on: June 30, 2007


Outro dia ouvi uma coisa interessante. Uma menina de sete anos de idade desabafou, diante de todos, que já não agüentava mais tantos compromissos que sua mãe havia arrumado para ela. Balé, natação, inglês, informática, futebol, tênis, e outras tantas atividades que as crianças sequer podem suportar.

– Eu quero brincar! Disse a pequena menina, num lamento choroso e confuso. Sua mãe, para se livrar das obrigações e da tarefa de ter de educar e amparar a menina, arrumou tantos compromissos para ela que sequer lhe sobrava tempo para ser o que ela queria de fato ser – uma criança de sete anos, vivendo como uma criança de sete anos.

Muitos pais passaram nas fases da infância, adolescência e juventude privações e vontades, que hoje buscam dar aos seus filhos aquilo que eles não tiveram.

Por isso enchem seus filhos de compromissos e tarefas que eles sequer podem suportar. Há crianças que têm agendas lotadas, são tantas festas e compromissos que lhes são impostos, que eles não conseguem compreender direito o que se passa.

Em paralelo a tudo isso, vemos que pais são de sobremodo atarefados que também não lhes sobra tempo para dedicarem-se aos seus filhos como deveriam dedicar-se.

Nos nossos dias é comum, além do homem a mulher trabalharem fora, pois para terem um padrão de vida melhor é necessário que ambos trabalhem. Antes os homens eram os únicos provedores do lar, hoje não, a tarefa é partilhada com as mulheres, quando não são elas que mantém a casa.

Com isso a rotina dos filhos é profundamente alterada. Mas, e aquelas famílias cujas mães não trabalham fora?

Para muitos ter filhos é um suplício, e não fazem questão de esconder isso de ninguém. Daí arrumarem múltiplos afazeres para se livrarem dos filhos.

Há crianças que são submetidas a pressões cada vez maiores, no sentido de que sejam os melhores em tudo o que fazem. Se o menino joga futebol, ele deve, forçosamente, ser o melhor de todos. Se a menina faz balé, deve ser a que melhor dança. Se as notas na escola são boas, devem, na opinião dos pais, ser as melhores notas da turma.

Sem contar que pais não dedicam aos seus filhos o tempo que deveriam dedicar. Estão sempre envolvidos em algum projeto pessoal que exclua os seus filhos. Nas nossas igrejas é muito comum vermos isso. Homens e mulheres que fazem do seu sacerdócio o bem estar dos outros, abandonando suas famílias, especialmente seus filhos, relegando-os a um segundo ou terceiro plano nas suas vidas.

Sem contar que há mães e pais que nas suas horas de lazer empurram seus filhos para a companhia de outras crianças ou os tais muitos afazeres para se livrar deles.

Observe à sua volta e veja quantas crianças há que não conseguem se concentrar em nada, e que choram o tempo todo num lamurioso pedido de socorro, que os pais teimam em não enxergar. E os pais que excluem deliberadamente seus filhos das suas vidas? Se o pai vai jogar futebol, leve o filho junto ou se a mãe vai ao cabeleireiro, por que não levar a filha a tiracolo?

Principalmente na América os filhos são mais apegados a baby sitter ou aos professores do que aos pais. Privar os filhos do convívio com os pais, é legar-lhes desprezo e falta de cuidado. Vivemos na era dos filhos solitários e jogados pelos cantos, abatidos pela falta de cuidado e atenção adequados e a mercê da negligência dos seus pais. E não estou falando de pais separados, estou falando de famílias que, em tese, moram sob o mesmo teto.

Mesmo que sua vida seja atarefada e cheia de compromissos, tire horas diárias e mostre aos seus filhos o quanto eles são importantes para você, pai e mãe.

Certa vez ouvi uma história interessante de um pai que deu ao filho um brinquedo muito caro. Ao receber a visita de um amigo ele se gabou de poder trabalhar para dar ao pequeno menino o valioso presente, só que o moleque deixou o carrinho de lado e brincou o tempo todo com a caixa. O que isto significa? Mostra que a criança não quer nada rebuscado ou mesmo ficar com a babá e ter à sua disposição uma geladeira cheia de guloseimas ou, ainda, armário cheio de presentes caros, dos quais elas preferem as caixas.

Crianças e filhos querem colo, carinho, amor e atenção, mesmo que seja só um pouco por dia. Pensem nisso.

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