Jehozadak Pereira.com

Pais confusos, filhos problemáticos

Posted on: July 5, 2007


De quem é a culpa de jovens aparentemente dóceis se transformarem em assassinos? Se formos remontar a cada uma destas histórias vamos encontrar toda sorte de coisas que aconteceram dentro das casas de cada um.

Tempos atrás eu conversei longamente com um jovem de quinze anos de idade. Durante toda a conversa ele olhou para o chão. Poucas vezes me encarou. O nosso bate-papo girou em torno de família, profissão, igreja, conversão, etc. Em determinada altura, eu lhe perguntei quais eram as suas perspectivas de vida futura.

Surpreendentemente ele me respondeu que nenhuma, e continuou dizendo que embora não sabendo o que fazer, ele não queria ser igual ao seu pai e sua mãe. Curioso, eu indaguei dele o porque.

Como que se tivesse provocado uma reação química, ou explosiva, o rapaz desandou a falar, e contou-me coisas espantosas. Disse das práticas do seu pai e dos costumes da sua mãe. Falou da falta de compromisso com Deus de seu pai. Disse que o pai na igreja era uma coisa e em casa, outra. Contou que sua mãe, que era líder das senhoras na igreja, em casa era uma insana, segundo as suas palavras. Brigava o tempo todo, falava da vida de todo mundo, e não suportava a vida doméstica.

Do pai, falou da personalidade fraca e confusa, das crises de depressão por causa do sucesso dos tios, e amigos, da instabilidade profissional, e de uma série de outras coisas.

Fiquei pasmo diante do desabafo do jovem. Ele queria ser tudo, menos igual ao pai e a mãe. Aquela conversa não me saiu da cabeça por um bom tempo. De que forma e modo eu poderia interagir com aquele jovem? Ou mesmo com aqueles pais? Pus-me então, a observar ao meu redor o quanto às pessoas, especialmente certos pais disfarçam seus comportamentos em público. Pais que em casa junto com a família tem uma postura e na sociedade uma outra completamente diferente.

Personalidades fracas, casamentos fracassados, palavras dúbias, mentiras, ciúmes, falsidade, uma prática cristã vivida de qualquer modo, falta de compromisso com as coisas de Deus, tratamento áspero com cônjuges e filhos.

Certa vez, eu fui à cadeia de Cuiabá com um amigo advogado. Lá pelas tantas, um grupo de evangélicos chegou para o culto dominical. Conversando com o capitão responsável pela guarda ele afirmou que havia lá dentro um grupo de mais de cem crentes. A imensa maioria deles filhos de pais crentes, e que haviam enveredado pelo crime, como uma forma de escapar da vida em que seus pais levavam.

Outro dia eu li um livro, onde o autor afirma, que sua igreja faz um trabalho de atendimento a mendigos, bêbados e pessoas que vivem como indigentes, e para espanto deles grande parte destas pessoas são de desviados ou filhos de crentes.

Filhos que esperavam de seus pais alento, carinho, atenção, mas que não tendo nada disto foram buscar estas coisas em outros lugares e acabaram nas sarjetas ou nas cadeias da vida. E aqueles que por falta de coragem não enveredam pelos caminhos maus, mas que não querem jamais saber do Evangelho?

Há pais tão confusos, que jamais sabem o que fazer diante de determinadas situações. Pais que permitem que seus filhos briguem entre si, e acham que isto é normal, e o que é pior – às vezes até incentivam tais comportamentos. Não sabem que contribuem para que seus filhos cresçam sem limite algum. Se brigarem com seus irmãos, vão certamente brigar com todos pela vida afora, e vão sempre achar que é a coisa mais normal do mundo.

Serão eternas vítimas de pais confusos. Por conta desta confusão muitos filhos fazem dos seus pais reféns e escravos das suas vontades. Uma vez uma mãe veio conversar comigo dizendo que apanhava da sua filha. Aquela mãe não me parecia tão velha, embora aparentasse sofrimento e pesar nas suas atitudes. Indaguei sobre a idade da filha – catorze anos – e ela era agredida desde que a menina tinha dez anos. E as agressões eram cada vez mais constantes e ela já não sabia o que fazer. Denunciar a menina? Reagir? Mandar para a casa de parentes? Ela não sabia o que fazer, o que a tinha assustado ainda mais, era que a caçula de nove anos, dias antes, havia tomado a mesma atitude da irmã mais velha e a agredido também.

Esta rotina – de pais agredidos – por filhos é uma constante e acontece com uma freqüência além do que pensamos ou imaginamos. Perguntei então a mãe agredida como havia sido a infância da sua filha. Possessiva. A menina era extremamente possessiva com as suas coisas. No seu relato ela dizia que já aos três anos de idade a menina tinha crises de choro e se jogava no chão cada vez que era contrariada.

Se não gostava da comida, jogava o prato no chão. Se os pais estavam assistindo determinado programa de televisão que ela não gostava, simplesmente ela mudava de canal e se houvesse reação, certamente ela quebraria o controle remoto, ou o que estivesse ao alcance da sua mão.

Há um outro componente importante nesta história toda. Quantos filhos fazem igual com seus pais, e estes complacentemente aceitam tais comportamentos.

Filhos hoje se tornaram tiranetes que não hesitam em partir para o confronto com seus pais ao menor sinal de contrariedade. Filhos possessivos, que se tornam agressivos. Uma das teorias perversas é a de que filhos não devem ser castigados fisicamente. A psicologia introjetou na mente da humanidade de que, se uma criança for corrigida ela vai ficar traumatizada e com seqüelas pelo resto da vida.

É só ver o quanto de crianças, jovens e adolescentes que vão aos psicanalistas para fazer análise e tentar com isto corrigir os seus desvios de personalidade. Crianças egoístas, prepotentes, antipáticas, irascíveis, insolentes, caprichosas, desobedientes, que jamais aceitam um não como resposta, e que exigem dos seus pais que cada vontade sua seja cumprida a risca.

É só ver os motivos pelos quais Suzane von Richthofen tramou a morte dos seus pais. Contrariada porque eles proibiam seu namoro, ela não hesitou em eliminar quem lhe impedia as vontades, mesmo que fossem seus pais.

É necessário dizer que se crianças, jovens e adolescentes ocupam espaços que não lhes pertencem é porque seus pais assim o permitiram e aceitaram passivamente. Falta a determinados pais coragem de confrontar seus filhos, de os colocar nos seus devidos lugares, e com isto sofrerão mais tarde.

A incapacidade destes pais passa por diversos fatores. Desajuste familiar, trabalho em excesso, outras prioridades que não a família, superproteção, sem contar que os tempos são outros. Anos atrás, crianças com sete, oito anos não tinham acesso a computadores ou jogos eletrônicos. Hoje qualquer escola tem computadores a disposição dos seus alunos, e os jogos eletrônicos estão presentes em muitos lares. Outro fator de desenvolvimento mental e intelectual de crianças é a televisão. Sem contar que muitos pais estão parados no tempo e no espaço, não progrediram como deveriam, dai são presas fáceis dos seus filhos.

O resultado de tudo isto, são crianças, jovens e adolescentes desprovidos de todo tipo de educação possível. Querem ver a confirmação disto? Perguntem na escola que há na sua rua ou na próxima esquina para qualquer professor, como é o comportamento dos alunos. Não se surpreenda com as respostas, mesmo se seu menino ou menina estiver entre eles.

Pequenos tiranetes e ditadores, que não hesitam em fazer dos seus pais meros joguetes nas suas mãos, que fazem chantagem quando contrariados, que xingam e humilham seus pais, quando não os agridem. Diante deste quadro é esperar cada dia pelo pior.

É só ver o quanto de crianças, jovens e adolescentes que estão dentro das nossas casas, nos nossos vizinhos ou dentro das nossas igrejas estão à mercê das suas inexperiências e fazendo prevalecer os seus caprichos, sendo alimentados do que de pior há na atualidade, em termos culturais, vão padecendo sob os auspícios de uma psicologia humanista, da indiferença e do desleixo.

Diante disto só nos resta esperar pelo pior.

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2 Responses to "Pais confusos, filhos problemáticos"

Em busca de uma ajuda para o caso em que me encontro junto à uma de minhas filhas, de 14 anos, encontrei este espaço.

Me identifiquei com a mãe da menina de 14 anos. Parece o meu caso.

No meu caso, não existe o envolvimento com drogas ou más influências, mas é o que temo acontecer caso ela continue nesse ritmo. Minha filha estuda em bom colégio, procuramos oferecer a ela tudo que nos é possível oferecer, entretanto, nada parece ser suficiente para ela.

A nossa convivência é impossível, ela nos agride verbalmente de forma descontrolada e violenta, pega facas para demonstrar poder, quebra objetos e móveis, xinga, exige coisas que não podemos dar.

Ela não aceita fazer terapia, ir a psiquiatra. Não aceita conversar e só nós trata com violência.

Gostaria de saber se existe um núcleo no Rio de Janeiro onde eu possa buscar ajuda para esse caso. Procurei em sites (CEDIM, Juizado da Adolescência, etc.) e nenhum oferece ajuda para casos semelhantes.

Preciso salvar minha filha enquanto ainda é tempo. Não posso deixar que ela cresca assim. A escola tem preocupação com o comportamento violento dela. As pessoas tem medo, eu tenho medo.

Por favor, caso conheça algum lugar onde poderei obter ajuda, informe. Serei bastante grata.

Tenho o mesmo problema mas,meu filho tem 20 anos e muito agressivo comigo fala coisas horriveis já fez coisas como roubar coisas de casa,tentar me agredidir,tenho vergonha de ser mãe dele pois fui uma otima mãe presente,me separei do pai dele pra proteje-lo e a mim tambem pois o pai era drogado, resumindo um verdadeiro monstro.Hoje sou casada a 14anos com um homem maravilhoso de carater que fez de tudo pelo meu filho e ele não o respeita ja pensei em interna-lo em um hospicio porque pense em um rebelde sem causa e o meu filho.Digo isso porque ele já me disse que vai viver pra me destruir e depois se arrepende ele é um rapaz que todos adoram mas,em casa só nos sabemos.Preciso de ajuda meu coração quer ajuda-lo, mas minha cabeça quer mata-lo ja pensei em acabar com isso de uma vez .

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