Jehozadak Pereira.com

Inveja na família

Posted on: July 28, 2007


A inveja é maligna, perversa e não respeita nada. Laços de sangue, parentesco, amor, fidelidade. Nada que é humano pode deter o invejoso e seus pensamentos. Um amplo exemplo disto é a vida de José e seus irmãos – os patriarcas – que contaminados pelo vírus da inveja não se detiveram diante de nada. Absolutamente nada.

José era o penúltimo dos filhos de Jacó, e por conta disto, o seu predileto. Toda a atenção de Jacó era para José, e o texto sagrado diz do imenso amor do pai pelo filho.

Por conta do amor de Jacó para com José, os seus irmãos o odiavam profundamente a ponto de não conseguirem conversar pacificamente com ele. O que certamente os impedia de dar um corretivo em José era o respeito que tinham pelo velho patriarca.

A simples presença de José num ambiente comum era insuportável para eles. Os olhos injetados e vermelhos de ira os denunciavam. A situação se agravou com o sonho que José teve. Açulados uns pelos outros, tramavam um modo de dar fim em José.

Servi-lo? Curvar-se diante de José? Impossível! Mas era isto o que dizia o sonho que o Senhor dera a José. Com os olhos e o entendimento embotados e entenebrecidos pelo ódio e pelo rancor, e tomados pela inveja os irmãos de José não conseguiam ver o plano de Deus que se delineava na vida do seu irmão.

Então veio o novo sonho, e a viagem a Siquém para apascentar o rebanho de Jacó. Primeiro foram os irmãos, e depois José foi enviado por seu pai para saber dos seus irmãos. Ao vê-lo chegar seus irmãos planejaram matá-lo e pejorativamente o chamavam de “sonhador-mor” – isto nos faz pensar algo muito importante e nos dá uma lição – não conte a ninguém os seus sonhos – e planejaram então matá-lo.

Mas como matar alguém que é o seu próprio sangue? O que diriam ao pai? O invejoso é criativo, e apesar do profundo ódio e rancor que sentiam de José faltava-lhes a coragem para dar cabo do irmão. Estavam a um passo de se tornarem homicidas, ou fratricidas – os que matam irmãos.

Um dos irmãos – Rúben – intercedeu junto aos outros para que não matassem José, e propôs que ele fosse jogado dentro do poço, tinha a intenção de o resgatar das mãos dos seus irmãos.

Depois um outro irmão – Judá – indagou se valeria a pena matar José. Qual seria a solução então? Deveriam vendê-lo aos mercadores. E assim foi feito. Numa atitude torpe e vil, venderam o irmão como escravo. Não sem antes o humilhar e o jogar dentro de um buraco.

Mas havia o pai. O que dizer a Jacó? Que haviam vendido seu filho querido como escravo? Que a inveja e o profundo ciúmes que sentiam de José havia lhes embotado o cérebro e o entendimento, a ponto de planejar matar o irmão? Mas cadê a coragem? Todo invejoso é covarde. Covarde, torpe e vil.

É certo que a vida de José seria preservada. Deus tinha um propósito e os irmãos por mais que tentassem não conseguiriam matar José. Tudo seria para cumprir na vida de José os perfeitos desígnios de Deus.

O que se antevê nesta atitude dos patriarcas, é que eles estavam dispostos a tudo para se livrarem de José. Não mediram esforços para montar uma história – mentirosa – para justificarem a Jacó, a ausência definitiva do irmão. A intenção deles era de nunca mais verem José, daí a história da morte. Ao apresentarem a Jacó a túnica multicolorida suja de sangue, tinham o argumento definitivo – José morrera. Não lhe foi possível escapar das garras da fera que o havia atacado.

A inveja é criativa, assim como a mentira. Os patriarcas tornaram-se então cúmplices de um segredo que seria intransponível e guardado com eles ao longo dos anos. Dá para imaginar o sofrimento e a dor de Jacó? Perder um filho de modo trágico? Como pudera Deus permitir isto? Coube-lhe então enlutado lamentar. Recusou ser consolado pelos seus filhos.

Não havia um corpo a ser velado e sepultado.

E se não fosse o plano de Deus na vida de José, e a trama mentirosa jamais seria desmascarada e jogada por terra.

Um dos patriarcas – Rúben – não conseguiu impedir que José fosse vendido como escravo, mas calou-se diante da trama sórdida dos outros irmãos, seria depositário do segredo junto com seus irmãos.

A inveja dera lugar a amargura – todo invejoso é um amargurado – e por longos anos partilharam do mesmo segredo. A inveja havia vencido o caráter dos patriarcas.

Se nos reportarmos a história do filho pródigo vamos encontrar uma outra situação constrangedora presente em muitos lares. A narrativa é por demais conhecida e não vamos discorrer sobre as razões ou os motivos que levaram o pródigo a ir e nem a voltar a casa do seu pai. Mas, voltando ele alegrou grandemente o coração do seu pai, possivelmente o da sua mãe e por conta disto, nos diz a Bíblia que uma grande festa foi realizada – afinal havia o que comemorar. O rapaz foi vestido com a melhor roupa que o dinheiro do seu pai podia comprar, recebeu também no seu dedo o mais valioso anel. Ordens foram dadas aos empregados para dar-lhe sempre o melhor.

Podemos imaginar a casa cheia, com pessoas pelos jardins, no terraço, ou nas mesas repletas das mais finas comidas e dos mais refinados vinhos. Alegria, regozijo, risos e sorrisos embalados pela música que emanava dos instrumentos, acalentando a felicidade de cada um deles.

Menos de um. O irmão do pródigo. Ao saber do motivo da festa, diz-nos a Bíblia que ele ficou indignado e furioso. Rejeitou os argumentos do seu pai em favor do seu irmão e da alegria imensa deste em ter o filho de volta. Retrucou ao pai dizendo que por anos o servia e que nunca havia transgredido uma vez sequer nenhum dos princípios de respeito e honra, e que não podia tolerar a comemoração que estava sendo feita por causa do seu irmão.

A atitude do primogênito demonstra todo o rancor contra o irmão mais novo. A festa que seu pai oferecia era um mero e casual pretexto. Não sabemos o que se passara com ambos durante as suas vidas, mas será que ao ir embora o irmão, não lhe ocorrera de ter um “alivio” de ver longe aquele que lhe “atrapalhara” os planos de vida? Longe o irmão, ele podia “reinar” absoluto. É certo que ao partir, o pródigo havia deixado a família mais pobre, porque o pai tivera de dispender parte dos bens para dar-lhe a sua herança. Ao fazer isto, o pai quebrara um preceito importante – de dar em vida aquilo que deveria acontecer depois da sua morte. Era isto que dizia a tradição.

Mas, Deus tinha planos na vida do rebelde, e ele depois de desperdiçar a sua riqueza e de se achar miserável, lembrou-se da casa do seu pai. Mas havia lá o irmão invejoso. Quantas vezes vida afora nos deparamos com situações como a desta família? Irmãos que não se toleram, que não se suportam, que evitam conviver em comum por causa de diferenças causadas e ocasionadas pela inveja.

Irmãos cujo único vínculo são os pais. Quando estes morrem toda e qualquer ligação entre eles se acabará. Filhos que brigarão por causa da herança ainda no velório do pai ou da mãe. Irão se desentender por entender que o seu quinhão é sempre menor do que o do outro. Jóias, quadros, carros, propriedades, automóveis, dinheiro e objetos pessoais será o motivo de brigas intermináveis. Levarão uns aos outros nas barras dos tribunais, em busca do que julgam ser os seus direitos individuais. O componente inveja, estará por trás de tudo isto.

Uma das maiores redes de produtos alimentícios do Brasil durante décadas teve a sua organização e fortuna dilapidada por brigas nos tribunais. Quando o dono morreu – não se casara, mas que tinha nos sobrinhos os comandantes do seu negócio. Cada um deles contestou a parte do outro no testamento. As intrigas e a tolerância mútua de cada um deles suportada durante anos e também pela presença do tio, aflorou depois da sua morte. Um deles era considerado o predileto, pois este foi destituído do comando das empresas.

Advogados e consultores foram contratados para gerenciar os (muitos) conflitos entre os parentes, e todos eram unânimes em afirmar que se os desentendimentos não fossem superados a empresa iria a falência. Passados alguns anos o patrimônio que valia milhões de dólares foi vendido por um preço aquém do seu valor, e o conflito ficou sem solução.

Notícias na imprensa davam conta de que o motivo maior da desavença familiar era a inveja de uns para com os outros, com cada qual lutando pelos seus interesses. Imaginem um grupo de invejosos juntos, buscando fazer prevalecer sua vontade? Podemos imaginar que os egos estariam tão “inflados” que eles não caberiam todos no mesmo ambiente. É de imaginar também o quanto seria corrosivo e nocivo este lugar.

Tornando ao pródigo, pode-se querer justificar as atitudes do irmão do pródigo dizendo que ele estava certo e dar-lhe razão. Quantas famílias são destroçadas e atingidas pela inveja entre os seus?

Irmãs que tem inveja umas das outras por causa dos filhos que uma tem e a outra não, irmãos que odeiam outros irmãos por causa do sucesso. Certa feita ouvi uma história muito interessante. Um famoso e competente profissional liberal, com escritório em diversas capitais brasileiras tem um irmão que é taxista. Até ai nada de mais. Nada mesmo. Não é desonra nenhuma ser taxista, quantos não sustentam suas famílias e constroem suas vidas dirigindo um táxi? Os dois irmãos foram para São Paulo, vindos do interior e muito pobres resolveram estudar para ser “alguém” na vida. O mais novo, concluiu o curso cientifico – como diziam na época – e optou por continuar estudando. Trabalhava alucinadamente para atingir seu o seu ideal. Era talentoso, que certa vez ao querer desistir da faculdade por não ter o dinheiro das mensalidades e para comprar os livros, seus colegas e professores cotizaram-se e custearam parte dos seus estudos naquele ano.

Enquanto isto, o irmão mais velho dizia que não iria estudar e foi dirigir um táxi alugado. Algumas vezes deu dinheiro para seu irmão comer. Depois de alguns anos levaram seus pais para São Paulo, e logo compraram uma casa humilde num bairro da periferia. Ao concluir o curso, o irmão mais novo ganhou uma bolsa de estudos nos Estados Unidos. Para viajar precisou que seu irmão lhe emprestasse dinheiro e também um par de sapatos.

Passados os anos, o que resolvera estudar era um dos mais importantes especialistas na sua área, e o outro que continuava a dirigir um táxi – só que desta vez o táxi era seu e havia sido presente do irmão. Havia ganhado também a casa onde morava, e um outro táxi que alugava. Os seus filhos cursaram faculdades diferentes – o mais velho fazia um curso de direito internacional na Inglaterra – tudo custeado pelo irmão que não tinha filhos.

Mas apesar disto, havia o rancor do que era taxista. Ele dizia a todos que a vida havia sido injusta com ele, que não havia tido as mesmas oportunidades do irmão, e seguia destilando lamúrias contra tudo e contra todos. Quem o visse falando e reclamando do irmão “doutor” ficaria com raiva e iria concordar com ele de pronto.

Só que a verdade era outra, se ele tinha tudo do bom e do melhor, se seus filhos eram todos formados, tudo se devia ao irmão, que considerava ter uma dívida moral com o mais velho. Embora rico, famoso e bem sucedido, ele não se esquecera dos seus. Mas isto não bastava.

Histórias como esta se repetem e acontecem diariamente em todos os lugares, portanto estão longe de ser novidades. Os exemplos bíblicos são muitos e contundentes. O que fazer então?

Provérbios 18:24 “O homem que tem muitos amigos pode congratular-se, mas há amigo mais chegado do que um irmão”. A Bíblia dá o tom exato – há sim amigos mais chegados que um irmão. Se bem que as vezes é preciso tomar cuidado com alguns amigos.

Mas nem sempre é assim. Existem famílias, onde os irmãos vivem em perfeita paz e harmonia, irmãos que são cúmplices uns dos outros, amigos até a morte. Não só irmãos, mas parentes em geral.

Porém, há a inveja instalada em muitos corações, e para estes só o sangue de Jesus.

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