Jehozadak Pereira.com

Quanto custa um tombo?

Posted on: August 18, 2007


Quanto custa um tombo? Depende da calçada, do piso, do lugar e principalmente da conta bancária do dono ou proprietário onde se caiu. Logo, um advogado estará batendo na porta dele em busca de um valor em dinheiro – de preferência muito dinheiro para resgatar a honra de quem caiu ou sofreu o dano.

No tempo das diligências o ultraje sofrido era pago com sangue. Hoje, as coisas mudaram e toda e qualquer injuria, difamação, dano, dolo ou prejuízo é perfeitamente limpo com o pagamento de indenizações – às vezes exageradas – obtidas nas cortes. Hoje, qualquer coisa que seja considerado um ultraje, é levado à corte mais próxima, onde o pedido de desculpas é aceito, desde que devidamente acompanhado de um cheque – de preferência polpudo.

E quando se trata de arrancar indenizações de terceiros existem advogados especialistas em trazer a tona evidências que passariam desapercebidas aos olhos de um leigo. A procura por indenizações ameaça paralizar as cortes e tribunais, e alguns estados como o de New York baixaram leis que não permitem por exemplo que se mova processos contra as redes de fast food e indústria do tabaco entre outras.

Os pedidos de indenização são as vezes movidas por oportunistas em busca de dinheiro fácil. A justiça americana coleciona processos bizarros, como o da mãe que processou – e ganhou em 2000, cerca de US$ 780 mil, por haver tropeçado numa criança dentro de uma loja e se esparramado pelo chão. Só que a criança era filho da própria mulher.

Outro processo famoso e que mudou atitudes, foi o de uma mulher que processou e ganhou US$ 2,9 milhões do McDonald’s, porque derramou café quente nas suas pernas e sofreu queimaduras de 3º grau. Ao perder o processo a rede de fast food mandou imprimir nas tampas um aviso sobre a temperatura do conteúdo do copo.

Anualmente são milhões de processos e os maiores pedidos de indenização são na área médica ou que envolvem profissionais liberais que prestam serviços. De longe quem mais paga indenizações nos Estados Unidos é o ramo ligado a medicina.

Aliás, ser acusado de má prática é o pesadelo de qualquer profissional nos Estados Unidos. Se por um lado paga-se milhões de dólares em indenizações, por outro e pela própria complexidade do sistema, que é muito vulnerável a fraudes e sem o devido tempo de verificar cada reclamação a fundo, investigando para se constatar a veracidade do dano causado.

E foi uma empresa de investigação que descobriu uma fraude que envolvia um grupo de brasileiros na região de Boston anos atrás. João Luiz era motorista de caminhão e para carregar e descarregar as mercadorias usava uma empilhadeira que ficava presa num suporte na parte de trás. Um dia a correia que prendia a empilhadeira arrebentou e caiu sobre o ombro de João Luiz osacionando uma fratura e por conta disto ele teve de ser operado três vezes num período de um ano.

Orientado por um advogado, João Luiz processou a companhia onde trabalhava e ganhou de início cerca de US$ 650 mil. Processou também a fabricante de empilhadeiras e arrecadou outro valor muito próximo do primeiro. Foi a senha para que dois dos seus colegas provocassem acidentes semelhantes cortando a correia do suporte que sustentava a empilhadeira. A empresa onde trabalhavam contratou investigadores que desmascararam a dupla em plena corte. Um deles com sequelas irreversíveis foi embora para o Brasil.

No entanto, as empresas fazem seguros altíssimos no sentido de se prevenirem e não desembolsar um tostão sequer no pagamento de indenizações. Tempos atrás, o Laboratório Merck, fabricante do Vioxx, um antiinflamatório que se tomado por mais de 18 meses dobrava o risco de ataques cardíacos e derrames, e por conta disto foi retirado do mercado. Comprovadamente o texano Robert Ernst morreu em consequência do uso Vioxx, e a justiça mandou pagar a viúva US$ 253,4 milhões.

A notícia é ruim para o Laboratório Merck, pois já há cerca de quatro mil e duzentos processos na justiça Americana pelo uso do remédio e as previsões dão conta de que este número pode chegar a 25 mil, o que levou a empresa a provisionar cerca de US$ 50 bilhões para pagamento de indenizações. Já um tombo, numa calçada que não havia sido limpa da última neve, custou a um salão de beleza US$ 18 mil. Bem mais barato…

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1 Response to "Quanto custa um tombo?"

Jehozadak Pereia, achei ótima matéria “Quanto custa um tombo?”. Faz lembrar o caminho para volta do Senhor Jesus, quando a economia estará nas mãos do Anti-Cristo e seus reino de 7 anos. Jehozadak, como os valores do ser humano mudaram. Um abraço, Daniel.

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