Jehozadak Pereira.com

Crise nos gabinetes

Posted on: November 16, 2007


Jehozadak Pereira

Quebra de maldição, evangelho da prosperidade e outras neobesteiras
2 Pedro 2 – Gálatas 1.8-9 – Tito 1.11-15, 16

Como você leitor reagiria se eu te dissesse que o evangelho está morto e cheio de dogmas? Ou ainda se eu recomendasse uma unção peniana para você e uma unção de vagina para a sua esposa? Ou se eu quisesse te vender um sabonete “abençoado” que tira mau-olhado, cura inveja, quebra feitiço? Ou mais, te convidasse para uma regressão intra-uterina profunda, e ao mesmo tempo lhe informasse que você tem maldições que te acompanham desde os tempos imemoriais do bisavô, do seu tataravô, e que elas precisam ser quebradas, e que somente eu, o “ungido” de Deus posso fazê-lo? Acho que você iria achar que eu estou louco e delirando, não é? Deixa-me abusar mais um pouco da tua paciência. Que tal se eu me anunciasse como o “teólogo” do século?

Outra coisa é o tal diálogo com os demônios. Manda o demônio ficar no chão de joelhos, com as mãos amarradas para trás e ficam dialogando com o mesmo. Existe base bíblica para isso?

Que eu me recordo – só uma vez Jesus conversou, quando permitiu que os espíritos imundos entrassem nos porcos – Mateus 8.32 e Marcos 5.8,9. Em Marcos 1.5, Cristo diz apenas – “Cala-te, e sai dele“. Em Lucas 9:42 “… Jesus repreendeu o espírito imundo…”. Vejamos ainda em Lucas 10.17 “Senhor, pelo teu nome até os demônios se nos submetem” e em Atos 16:18 “Em nome de Jesus Cristo, ordeno-te que saias dela…”.

Antigamente a atitude era sempre assim. Quando se percebia que alguma manifestação iria acontecer, todos oravam – enquanto o dirigente – falava simplesmente – sai em nome de Jesus. Muitas vezes havia resistência. Não saio não, etc… Mas a expressão era sempre a mesma. – Sai, sim, em nome de Jesus.

Agora é tanta novidade. Antes de expulsar querem saber o nome, e alguns já conhecem uma porção deles. Talvez esses até estejam contentes de serem conhecidos e mencionados nos púlpitos.

Pois este é o quadro em que estamos vivendo na igreja brasileira. Você pode me dizer com absoluta razão que na sua igreja não é assim que se procede. Eu acredito em você. Grande parte destas práticas veio de fora do Brasil. É a tal da globalização chegando nas nossas hostes. O que eu disse no início deste artigo é o que estão fazendo muitas igrejas, dita evangélicas. Não preciso dizer que para ungir as mulheres tem fila de espertalhões. Eu bem que gostaria de ver o que estes que ungem fariam se chegasse um homossexual e pedisse para ser ungido? Creio que ele o ungiria para não perder o cliente.

Somente mentes perversas e pervertidas para engendrar tais situações, lançar o poderoso Evangelho no escárnio e no ridículo. E levam junto o seu povo com as suas práticas e os mergulham numa escuridão profunda.

Cada hora é uma novidade. Quem não se lembra dos tais dentes de ouro? Foi uma febre, uma onda. Todo mundo queria ter um dente de ouro. Lembro-me da história de um homem que usava dentadura, e ele também queria ter o seu dente de ouro. O bispo – na época ainda não tinha apóstolo, disse para ele jogar fora a dentadura que Deus iria dar-lhe todos os dentes de ouro, e jogar fora a dentadura seria uma prova inequívoca de fé. Não é preciso dizer que o homem ficou banguela, banguelinha, e estaria até hoje se não tivesse mandado fazer uma dentadura nova.

Espanta-me ver crentes se vendendo por tão pouco, indo atrás do que falam homens arrogantes e pretensiosos que afirmam sem medo nenhum que o evangelho está morto e cheio de dogmas. Estes que afirmam isto precisam ler mais a Bíblia, ou vai ver que eles aplicaram aqui a velha história do pastor que ao visitar um doente combalido, espantou-se ao ver que a Bíblia do irmão estava toda retalhada. Perguntou-lhe o por que? A resposta foi a de que cada vez que ele lia um texto e não concordava, fazia uso de uma tesoura e cortava fora tudo aquilo que lhe desagradava. O resultado foi uma Bíblia totalmente desfigurada e inútil. É exatamente isto o que fazem estes vestais.

Vejam que quem disse que o evangelho está morto e cheio de dogmas, não foi nenhum ateu convicto, ou mesmo um incrédulo empedernido. Foi um dos tantos “apóstolos” que povoam o mercado. Certamente você está pasmo, como eu fiquei. Há também um outro agravante perigoso. O evangelho deixou de ser evangelho, para ser gospel. Tudo é gospel. E por causa disto identidades estão sendo perdidas. Igrejas há que por medo de perderem seus jovens e crentes para a concorrência, deixaram de lado a pregação do evangelho, para aderirem ao nefando gospel, e o digo com tristeza, pois este neologismo inglesado que nos impuseram não deve ser chamado de evangelho. O evangelho elucida, enquanto que o gospel – pelo menos esta versão brasileira confunde e avilta.

O agravante é que alguns espertos registraram o nome gospel como marca, como propriedade e fazem então do nome o que querem fazer. Isto lembra anos atrás quando um piloto de carros de corrida registrou a marca Jesus Saves – Cristo Salva e com isto ganhou dinheiro. O adesivo vermelho ficou famoso e certa vez disputava espaço no cockpitt de um carro ao lado de uma propaganda de cigarros.

Troca-se a pureza do Evangelho pelo mercantilismo do mercado, em meros negócios travestidos de igrejas. Se tomássemos conhecimento do que se passa nos bastidores destes negócios – que alguns teimam em chamar de igrejas – ficaríamos horrorizados.

Igrejas que por temerem uma debandada mudaram seus padrões de conduta e de procedimento. Pura covardia. Conheci um velho pastor. Homem temente a Deus em todos os aspectos. Quando começou a moda gospel, a mocidade e alguns crentes da sua igreja se alvoroçaram. Começaram a freqüentar uma das ditas igrejas precursoras, e ele chamou a atenção de todos para o erro; foi-lhe proposto pelo líder do grupo, que todos ficariam se ele mudasse o procedimento dos cultos. Queriam bagunça.

A atitude do pastor foi a de dizer a todos eles, que em querendo podiam ir embora, pois ele não arredaria pé das suas convicções. Numa assembléia ele foi afrontado e disse a igreja que se ali houvesse um fiel que não se contaminasse com o modismo ele estaria disposto a ficar. Pelo menos um terço da igreja se levantou e foi embora atrás do modismo gospel. Dois terços da igreja ficaram ao lado do pastor e da verdade. Tempos depois a maioria dos que se foram retornaram, pois viram que não valia a pena trocar a bênção da palavra pela fragilidade e argumentação pífia do dito movimento gospel.

Infelizmente muitos se acovardaram e permitiram que suas igrejas fossem contaminadas pelos “novos” ventos e perderam a sua identidade definitivamente. Isto me faz lembrar uma frase de Charles Spurgeon – “A igreja deve atrair pela diferença e não pela igualdade”. Bons tempos aqueles em que éramos diferentes. Hoje somos todos iguais e igualdade aqui significa derrota. Derrotados no nosso próprio campo de ação. Derrotados por querer imitar os modismos.

Certamente você notou que eu citei alguns parágrafos atrás a palavra mercado. Assustou-se? Veja qual é o mote principal desta malta ávida por dinheiro hoje. O objetivo precípuo deles é crescer cada vez mais. Quanto mais igrejas melhor. Fazem dos púlpitos verdadeiras máquinas registradoras que visam somente arrecadar cada vez mais dinheiro. É só ver o fausto como vivem os donos destes empreendimentos. E pensar que por causa destes homens, nós – os crentes em Cristo fomos ridicularizados num programa humorístico da Rede Globo, com o mote de que templo é dinheiro.

Para estes – os espertos – templo sempre será sinônimo de dinheiro.

Muito dinheiro.

Dinheiro em excesso.

Numa economia de mercado vende mais quem tem o melhor produto, quem tem a melhor qualidade, quem investe mais em publicidade, etc. Quem faz isto se sobressai à concorrência. Estranhando por eu falar em concorrência? Pois é exatamente isto ai. Concorrência pura e desleal. Desleal porque avilta e profana aquilo que é sagrado, aquilo que é santo.

E por tratarem a fé como uma mercadoria é que inventam coisas como unção de pênis e vaginas; quem não quer prazer sexual? Se perguntarmos para dez pessoas isto, pelo menos metade responderá que querem, estes são os potenciais fregueses, logo estes é que deverão ser alcançados.

Qual será a próxima moda? Igrejas que são edificadas em outro fundamento que não o Evangelho, precisam desesperadamente de novidades, ou então os seus membros debandarão sem dó nem piedade…

Agora vejam, se pregarem o Evangelho, suas igrejas serão abençoadas, mas eles não querem igrejas abençoadas. Querem igrejas ricas.

Eu fico por vezes imaginando que no dia em que as autoridades resolverem investigar as finanças dessas igrejas prósperas, não será surpresa se nos depararmos com um dos maiores escândalos financeiros que se terá notícia. Estes proprietários dessas igrejas não devem satisfação alguma a ninguém, fazem o que bem entendem, manobram, conspurcam, e o fazem porque sabem que não serão punidos de forma alguma.

Certamente irmãos, vocês vão se lembrar dos seus velhos pastores, que entravam no ministério por amor às almas. Entravam pobres e saiam pobres, alguns sequer tiveram a oportunidade de ter um carro, por velho que fosse. Hoje, é comum vermos pastores, apóstolos e bispos em carros importados, alguns até blindados, e com seguranças, pois são homens de negócios.

Tristes negócios.

Negociatas as custas do povo iludido e enganado.

Por vezes unem-se em associações, mas logo se desentendem pois não se sujeitam uns aos outros. Podem ver, se estes homens, via de regra, não estão sozinhos dominando seus respectivos grupos. Se há unidade por que então não se juntam? E como são arrogantes e pretensiosos estes “apóstolos”? Dizem-se portadores da revelação divina. Por conta de um outro artigo recebi muitos e-mails. Um deles dizia que o próximo passo destes homens é ser chamados, ou reconhecidos como arcanjos. Dei muita risada. Já pensaram anunciar-lhes assim: – com vocês o arcanjo… Mas pela falta de humildade deles melhor seria se fossem chamados de arcanjão…

Risível, não?

Risível é um deles jactanciar-se como “teólogo” do século. Você compraria um livro dele?

Eu não. E não é preconceito não. É que os livros são ruins mesmo.

Muitos dizem como argumento que foram salvos em muitas destas igrejas. Ora, o argumento pode ser válido, pois Deus pode salvar o homem até num chiqueiro. Ou não é esta a história do filho pródigo? E notem que lá não tinha ninguém para falar que ele era um pecador. O Espírito Santo que convence o homem trabalha em silêncio. Silêncio absoluto.

Poderia haver dezenas ou centenas de convertidos onde há apenas um se houvesse a pregação do verdadeiro evangelho. As pessoas ficam tão empolgadas com a possibilidade curas, milagres, prodígios e progresso financeiro que acabam se esquecendo da simplicidade do Evangelho de Jesus Cristo. Simplicidade esquecida a partir de muitos gabinetes que de olho em prosperidade financeira, fazem da igreja de Cristo um verdadeiro comércio do qual eles são os verdadeiros donos.

Pela volta da pregação da redentora graça somente encontrada na pureza da Palavra de Deus – O Santo e Verdadeiro Evangelho de redenção para todo o homem!

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2 Responses to "Crise nos gabinetes"

Prezado,

Em relação ao “teólogo do século”, o título é bem apropriado, sem levarmos em conta que o digníssimo sr. criou uma teologia própria e por ela dezenas de milhares de pessoas são conduzidas para um caminho que só a misericórdia de Deus saberá livrar. Imagina: o cara não somente cria, como dissemina e leva multidões a uma obediência bovina aos seus preceitos. Realmente, o título é perfeito. Pena que não tem qualquer fundamento bíblico. Mas isso é apenas um detalhe. Abraços, Luciana.

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