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A drogalização da igreja – parte 1

Posted on: November 23, 2007


Jehozadak Pereira

A igreja está dominada pela prática constante do abuso espiritual, jamais visto na sua história. Nestes tempos globalizados, onde vemos a constante busca pela qualidade e excelência, temos presenciado o contrário na igreja, de um modo geral.

Há uma banalização constante da fé e da prática da vida cristã. Qualquer um é “conferencista”, ministro de música e louvor, gente medíocre é elevada a um panteão de gênio a qualquer pretexto. Na igreja hoje há uma busca insana de se aparecer, e isto é oportunidade para gente inescrupulosa que busca sacralizar e espiritualizar atitudes e modos.

Outro dia fui a uma igreja para assistir um grupo de louvor, cuja ministra é professora, compositora, arranjadora, escritora, cantora e ufa, pregadora. Tão logo começou o “show” do tal grupo de louvor, deu para perceber, que a tal da ministra, era o que no mundo secular se chama de “mala” sem alça. Gritou, gesticulou, pulou, tentou coordenar um grupo de dança e coreografia desentrosado e confuso. A cada música que o grupo cantava a ministra dizia, que os arranjos e algumas letras eram de autoria dela.

E assim foi. Lá pelas tantas ela resolveu pregar, sem que fosse a pregadora e as palavras mais ouvidas foram “pagar o preço”, “na brecha”, “consagração”, “dedicação” tudo claro na primeira pessoa. Ao final da peroração ela resolveu espinafrar todo o seu grupo. Disse que todos os que quisessem cantar naquele domingo à noite, estavam convocados para orar a tarde, e decretou com “autoridade” – se alguém ousasse faltar, não subiria no púlpito, e a advertência servia inclusive para o pastor.

O que fez o pastor? Deu uma risadinha amarela e fez de conta que não ouviu nada.

Outra vez precisei ir com um cantor meu amigo numa determinada igreja e lá fomos atendidos pela ministra de música da igreja. Por causa de um mal entendido ele não poderia cantar naquela noite. A ministra foi tomada de fúria e desandou a falar. Novamente a cantilena – ela estava na “brecha”, “pagando o preço”, “servindo” ao Senhor há dois anos sem esperar nada em troca, e sem nenhum escrúpulo esculachou com o meu amigo sem dó e muito menos piedade – para logo em seguida dizer que entre outras coisas estava se preparando para ir ao campo missionário.

Fiquei depois imaginando com os meus botões, que tipo de tratamento ela daria aos seus possíveis convertidos. Certamente repetiria a cantilena de que está “pagando o preço”, está na “brecha”, é “consagrada”, bla, bla, bla…

Agora mesmo, dias passados eu conversava com outro amigo e ele me contou uma história hilariante para quem ouve, e delirante – pois se alguém acha isto mesmo, delira com o dia claro – de que um dos muitos apóstolos, que povoam o mercado brasileiro da fé – mercado, pois cada um destes vigaristas enxerga os crentes como otários a serem explorados – recebeu uma profecia de que ele – o “apóstolo” faria uma obra maior do que o Apóstolo Paulo fez.

Pois é, deixa-me repetir a viagem do “apóstolo” – ele recebeu uma profecia de que iria realizar uma obra maior do que a feita pelo Apóstolo Paulo. E o pior é que o sujeito acredita piamente nisto. Sem contar que há um outro “apóstolo” em São Paulo, às voltas com a justiça dos homens, que tempos atrás disse ter recebido a incumbência de terminar de escrever o livro de Atos.

Acho que nem o caricato Tim Tones – personagem do Chico Anísio, faria melhor.

E há quem acredite nestes vigaristas, por incrível que possa parecer.

Vivemos numa época onde a igreja hoje está cheia de malandros – ou os irmãos cara-de-pau. Você, leitor pode se surpreender com esta minha afirmação, mas ela é a mais pura verdade. Pode até não gostar do que eu estou dizendo, mas não pode deixar de concordar comigo nas minhas afirmações. Certa feita recebi um e-mail muito engraçado, mas que não deixa de ser trágico, pois conta uma situação vivenciada em muitas igrejas pelo Brasil afora – a parte da ironia de quem escreveu a história é verídica e real. Infelizmente!

Uma igreja ficou mais ou menos 15 meses sem pagar aluguel, depois de vários acordos, re-acordos, re-re-reacordos, ou seja, recorde de acordos, nenhum deles honrado, foi decidido pelo proprietário do imóvel e pela imobiliária, a desocupação através de “despejo”. O cidadão que era Pastor dessa igreja e que nesse momento já havia pedido seu boné (desculpe a mediocridade), e cansado de sofrer com tantos calotes e desmandos, sim pois não era só o aluguel, já estava em outra igreja, pois afinal sendo honesto não poderia suportar tal situação. Agora a surpresa, tcham, tcham, tcham Adivinhem? Melhor não, pois a Bíblia diz que é pecado. Quem está sendo intimado a pagar essa conta? O antigo Pastor, que na ÉPOCA (boa essa não?) ficou como fiador do imóvel. Dívida? Aproximadamente R$ 80.000,00, coitado, e pensar que quando saiu foi chamado de FARISEU, como todos é claro. Ah!! (Esse Ah!!! Já virou mediocridade) a renda da igreja dava para pagar o aluguel com sobras, mas o amado pastor fariseu, não podia pagar pois tinha que mandar todo o “PACOTE” (credo) para sua sede, e que Sêde. (continua ……..) Amados, volto a reforçar, isso é tudo FICÇÃO, jamais poderia acontecer isso em uma igreja “verdadeiramente comprometida com JESUS”. Não se escandalize, é realmente tudo estorinha para boi dormir, ou será para ovelha dormir?” (sic).

Os ‘espertos’ contam com a boa vontade dos crentes, e por isso dão os seus golpes impunemente. Não é segredo para ninguém que este e-mail fala de Estevam Hernandes e do seu negócio milionário, as custas dos outros.

A igreja hoje abriga gente que saiu do mundo, mas não abandonou as práticas do mundo. Gente que se apresenta como “ungidos”, e que estão mais preocupados é com a arrecadação dos seus negócios que chamam de igrejas.

Recebo semanalmente dezenas de e-mails de crentes desesperados com o que vêem diante de si. Homens arrogantes, falando em nome de Deus, mas que são falhos e pretensiosos, verdadeiros espectros que não aplicam nas suas vidas aquilo que querem que outros façam.

Recebi certa vez, um e-mail de uma médica de uma cidade no interior do Brasil. Chegou na sua cidade um novo pastor, e este homem dizia ter ido para trabalhar com a sociedade do lugar, queria somente os endinheirados. Articulado e falante, logo tinha em torno de si uma multidão, inclusive de cidades vizinhas que vinham congregar na sua “comunidade”. A médica e o seu marido, cansados dos métodos que eles julgavam arcaicos do seu pastor de tantos anos, foram em busca de “liberdade” no Espírito, de que tanto falava o tal pastor.

Em pouco tempo o espertalhão trocou de carro – agora tinha um importado de primeira linha – pois não ficava bem ele andar num carro inferior, enquanto parte da sua “comunidade” andava a bordo de luxuosos veículos.

A doutora começou a ficar intranqüila, pois alguma coisa naquele pastor a incomodava, um dia tentou falar com seu marido, mas ele agora era um dos homens de confiança do pastor e não lhe deu ouvidos, ao contrário criticou-a. Um dia, seu marido foi viajar e ela recebeu uma ligação do pastor no seu consultório, convidando-a para jantar. Iniciava ali meses de assédio e aborrecimentos constantes.

Ela recusou o convite e contou ao seu marido, que mais uma vez não acreditou nela. Logo ela estava gravando os telefonemas do pastor, e um dia conversando com uma amiga de longa data que ia na “comunidade” descobriu que não era a única a ser assediada.

Reunidos os maridos, botaram finalmente o pastor para correr, e foram então atrás da sua história – era um vigarista que já havia aplicado golpes e mais golpes na sua trajetória. Fora ordenado pastor e logo descobriu que poderia ganhar muito dinheiro com as suas “habilidades”. Restou a cada um do grupo retornar para as suas igrejas e reconsiderar-se com os seus respectivos pastores – estes sim verdadeiros homens de Deus.

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1 Response to "A drogalização da igreja – parte 1"

Frutos da Sola Scriptura apodrecendo sob o sol tropical!!!

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