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A drogalização da igreja – parte 2

Posted on: November 23, 2007


Jehozadak Pereira

Uma das principais características da drogalização da igreja é a falta de identidade. Cada uma tem a sua prática, os seus procedimentos e cada um dos membros ou freqüentadores tem de se submeter às ordens do todo-poderoso líder.

Hoje, qualquer um se intitula pastor e tem a esperança não de ganhar muitas almas, mas, muito dinheiro e de ficar rico às custas dos bolsos alheios.

Que saudades do tempo onde os homens entravam para o ministério por amor às almas e muitos terminaram suas vidas tão pobres quanto entraram, alguns dependendo da ajuda alheia para viver dignamente os seus últimos dias. Hoje uma igreja próspera não se mede pela quantidade de convertidos ou batizados e sim pelos milhões que tem no banco, e pela postura dos seus líderes. Líderes que estão mais preocupados em fazer política e em aparecerem para a mídia do que em realmente ser homens de Deus.

Logicamente que há homens sérios e comprometidos, mas para muitos depois de dominarem os seus púlpitos querem o poder temporal. Entretanto, há hoje um nível de abuso – isto mesmo – espiritual, jamais visto na história da igreja.

[Do lat. abusu.]_S. m. _ 1. Mau uso, ou uso errado, excessivo ou injusto; excesso, abusão. 2. Exorbitância de atribuições ou poderes. 3. Aquilo que contraria as boas normas, os bons costumes.

A igreja está dominada pela prática constante do abuso espiritual. É tanta bobagem e besteira que quase não dá para agüentar sem reclamar ou se espantar. Pentecostais sempre foram místicos, diziam os tradicionais, que confundiam – por ignorância – o poder sobrenatural de Deus. Os tradicionais, pelo seu lado sempre foram adeptos da palavra, e por isso mesmo taxados de legalistas – idem, por ignorância – pelos pentecostais.

Às vezes um ou outro buscava fazer das suas teorias o seu modo de vida, mas nada tão acintoso ou preocupante. Ninguém podia duvidar das manifestações de Deus para uns ou das vantagens do uso da palavra, para outros.

De uns tempos a esta parte o que mas temos visto é a adoção de práticas cada vez mais estranhas e pouco ortodoxas na igreja, trazida sabe-se lá porque ou por quem, mas, a realidade é dura e não se sabe aonde vai dar.

A quantidade de crentes abusados espiritualmente é imensurável e a cada dia aumenta mais e mais. Os abusos começam com líderes que se acham acima do bem e do mal e por isto fazem, dos seus comandados, gato e sapato.

Como você reagiria se o seu pastor te chamasse de ladrão de dízimos e ofertas, ou ainda de cabritão? Ou ainda de queixo de concreto, porque você na hora que ele conta – mais – uma piada sem graça, você não dá glória ou fala um aleluia, ou mesmo quando não “cai” no espírito, quando ele assopra ou joga um lenço em cima de você? Se você cair, ele se sentirá um homem poderoso, pois a “unção” que está nele prostrou você. Só que ele não tem unção alguma, e faz de conta que não sabe disto, e quando você não cai, ele diz que você tem problemas espirituais.

E na hora que você precisar dele para uma emergência qualquer e precisar marcar um aconselhamento, e depois de duas horas de espera ele te dizer que não vai dar para te atender pois chegou atrasado e tem de sair para almoçar?

E as mensagens dele – todas muito ruins – são de exortação o tempo todo, pois ele nunca tem tempo para preparar nada que edifique a congregação.

Congregação que se esfacelou em tempo recorde, com os fiéis virando-lhe as costas em busca de algo mais substancioso em termos de palavra, exemplo de vida pessoal, e melhor tratamento.

Estes abusos passam igualmente pelos tais pregadores itinerantes, que estão mais preocupados em arrecadar dinheiro, do que em edificar vidas. Tenho um amigo, pastor de uma igreja que cresce a cada dia, cujo pai falou certa vez a ele, que pastor e pregador é ele, que a cada semana tem de preparar seus sermões e de alimentar seu rebanho com coisas novas.

Itinerantes, segundo o pai do meu amigo, tem dez mensagens decoradas e nenhum compromisso com ninguém, a não ser consigo mesmo.

Qualquer um é “conferencista” internacional. Homens que mendigam púlpitos em troca de ofertas que comporão os seus orçamentos mensais, homens que compram vagas em grandes eventos, e pagam caro por isso, pois sabem que o “investimento” terá retorno quadruplicado, pela exposição que estes ajuntamentos oferecem.

Há hoje no Brasil uma indústria de mega-eventos que realiza seus shows e congressos onde na maioria das vezes a única finalidade é arrecadar mais e mais. Outro dia eu conversava com um homem que assistiu um dos muitos shows que acontecem no Brasil mensalmente.

Tal como num auditório, um contra regra levantava placas pedindo aplausos, ou que o povo sentasse ou levantasse, e assim a cada ato do show ele pedia uma reação diferente da platéia. Um horror.

Gente que transformou a casa de Deus num imenso mercado onde se comercia de tudo – de livros sofríveis, CDs horrorosos, entre outras coisas. Não sei quem é pior. Quem se oferece ou quem aceita, mas o certo é que o Evangelho hoje deixou de ser um modo de vida para se tornar num meio lucrativo de vida.

E as “lideranças” pseudo-eclesiásticas que surgem a cada dia? Gente arrogante e pretensiosa, cuja única finalidade é barganhar influência e poder temporal, e vender livros, vídeos e muita porcaria, ou ainda fazer proselitismo e criar falsas polêmicas em programas de televisão, tudo, claro, para aumentar o próprio cacife.
Pergunte ao seu pastor quantos destes conferencistas e cantores se oferecem a ele semanalmente? E garanto que seu pastor nem sabe quem deu o telefone dele a tanta gente.

Cansa ver o povo de Deus ser conspurcado por homens distanciados da Palavra de Deus, e homens cada vez mais comprometidos com o mundo e com tudo o que lhes é oferecido.

Cansa também ver verdadeiros servos do Senhor ser manipulados por homens inescrupulosos que em época de uma eleição qualquer vendem seus apoios e seus púlpitos em troca de reles trocados ou sinecuras para si e seus apaniguados – mas não vou tratar deste assunto neste artigo.

Por causa desta banalização do Evangelho e da drogalização da igreja é que muitos se afastam da vida cristã, e se distanciam cada vez da verdade.

Quando leio “Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa para derramarem sangue, para destruírem as almas, e ganharem lucro desonesto. Os seus profetas lhes passam caiação, tendo visões falsas, profetizando mentiras, e dizendo: Assim diz o Senhor Deus; sem que o Senhor tivesse falado. Contra o povo da terra praticam extorsão, andam roubando, fazem violência ao aflito e ao necessitado, e ao estrangeiro oprimem sem razão” – Ezequiel 22.27-29, vejo a gravidade da situação que vivemos a cada dia e cada vez mais. Se eu não conhecesse a história, diria que Ezequiel está falando de muitos dos que nos assediam com suas mediocridades e que tornam a igreja numa igreja cada vez mais fraca e comprometida.

Ainda bem que há sete mil que não se corromperam…

Concordam?

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2 Responses to "A drogalização da igreja – parte 2"

Prezado,

Não sei se você acompanhou daí onde está, o acusado de assaltar e provocar a morte de um turista italiano em Ipanema se entregou ontem à Polícia, devidamente uniformizado de crente, com Bíblia na mão e tudo, e acompanhado de um… Pastor!!! O rapaz era procurado há umas duas semanas, pois a polícia divulgou sua foto, além disso, já tinha antecedentes da prática de furto com bicicleta. Alguns acreditavam até que ele havia sido morto por traficantes do morro do Cantagalo, por ter atraído a atenção dos policiais para aquela área. E eis que o jovem se me apresenta ao mundo fantasiado de crente!!! E com um Pastor no lugar de um advogado, como se uma coisa justificasse a outra.
Ah, sim, o nome da igreja onde ele é membro: “Assembléia de Deus Trabalhadores da Última Hora”. Creio que seja mesmo da última hora, que tenha sido “fundada” de uma hora para outra. As igrejas têm se multiplicado feito coelhos!

Aonde vamos chegar, heim? Eu sei perfeitamente que esses escândalos já foram profetizados, mas não esperava estar viva para testemunhá-los. Um abraço.

E haja avivamento, reavivamento, e pregações poderosas do grande (quem?) homem de Deus.
Outro dia vi um cartaz falando de um evento como esse.
Na parte de baixo do cartaz, havia “promoção: ‘fulano” promolter (sic!)” e “direção: Espírito Santo”.
Acredite! Parece que o Espírito Santo resolveu trabalhar com isso…

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