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E quando sentimos inveja?

Posted on: December 15, 2007


Jehozadak Pereira

Um dos nossos grandes problemas é achar que somos preteridos por Deus

Quantas vezes você já ouviu ao longo da sua vida a frase “inveja santa”? Certamente muitas vezes. Mas a inveja não é, nunca foi e jamais será santa. E por quê? Como pode ser santa algo que nasceu no coração de Lúcifer? Que foi o motivo da defenestração dele. Não há como justificar que a inveja, sob qualquer pretexto ou motivo seja santa.

Mas por que sentimos inveja? Ou melhor o que fazer quando sentirmos inveja?

A Bíblia nos alerta acerca disto. Vamos começar por Asafe, o salmista. No Salmo 73.3-14 ele diz “Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio. Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens. Daí, a soberba que os cinge como um colar, e a violência que os envolve como manto. Os olhos saltam-lhes da gordura; do coração brotam-lhes fantasias. Motejam e falam maliciosamente; da opressão falam com altivez. Contra os céus desandam a boca, e a sua língua percorre a terra. Por isso, o seu povo se volta para eles e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos. E diz: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo? Eis que são estes os ímpios; e, sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas. Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência. Pois de contínuo sou afligido e cada manhã, castigado”.

1 João 2.16 “… porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”.

Notem que Asafe era de fato um servo do Senhor, mas creio que exausto ou enfadado por alguma circunstância especial ele se ressente de fazer tudo corretamente. E vai desfiando num lamentar as causas da prosperidade dos ímpios. Asafe explicita o contraste entre as suas aflições e os benefícios dos ímpios.

Algumas vezes nossa tendência é a de ser piegas e perguntar – por que eu que sou honesto, decente, trabalhador, cumpridor de todos os meus compromissos, dizimista fiel, cooperador diligente da obra do Senhor, bom pai, bom marido, boa esposa, boa mãe, filho ou filha exemplar, e não progrido? Enquanto isto eu vejo ao meu lado o ímpio, o incrédulo, o homem ou a mulher que dá os piores exemplos progredir, prosperar, adquirir bens e riquezas, comprar a sua casa, o seu carro, ser feliz, viajar, cumular para si coisas inimagináveis?

Aqui existem duas situações. Uma delas é sentir inveja dos ímpios. Outra de sentir inveja dos nossos irmãos em Cristo. Ambas são execráveis e desprezíveis.

Um dos nossos grandes problemas é achar que somos preteridos por Deus. Por mais que nos esforcemos não conseguimos ter tudo aquilo que desejamos, mas que nem sempre precisamos. Se pensarmos desta forma e modo entenderemos as razões de Asafe. Não há como duvidar da fidelidade de Asafe. No há como imaginar que o salmista tivesse uma pequena sombra de dúvida no seu coração. Vejam que muitas vezes esta é a nossa reação. Perdemos a noção de fidelidade e a semente da inveja se põe a postos no nosso coração.

Uma coisa é de se notar com relação à inveja: ninguém nasce invejoso. A inveja nasce no coração do homem, instala-se e por muitas vezes não é possível desalojá-la de lá. A inveja é como um câncer que se aloja no organismo e vai corromper e contaminar o ser humano, e estamos falando aqui de seres humanos. Aliás, não é possível saber o que nasceu primeiro – o câncer ou a inveja, o certo é que ambos são explosivos e, às vezes, mortais. Ouso dizer que a palavra inveja deveria ser riscada do dicionário do cristão verdadeiro e fiel.

Como é possível detectar se você está sentindo inveja de alguém? Preste atenção nos seus atos e atitudes para com as pessoas a sua volta. Veja nos ambientes onde você convive com outras pessoas, seja na igreja, seja no seu trabalho ou mesmo no convívio familiar. Certa feita, numa determinada igreja, o tesoureiro – homem que trabalhara duro a vida toda e durante muitos anos pagou consórcio de um carro novo sem que ninguém além da sua família e do seu pastor soubesse. Um dia qualquer ele foi contemplado e no domingo seguinte ele estacionou o seu automóvel último tipo na porta da congregação. Queixos caíram, rostos se viraram para contemplar com admiração a nova aquisição. Porém, muitos torceram o nariz, e olhares trocados entre alguns diziam tudo – onde ele havia arrumado dinheiro para comprar aquele carro? Entres estes estava o seu melhor amigo, ou melhor um amigo de longa data. No coração deste amigo estava plantada a semente da inveja, e ao final daquele ano, ele foi um dos que exigiram uma análise detalhada nas finanças da igreja.

Vejam que este amigo tinha toda a liberdade para perguntar ao tesoureiro como foi que ele havia comprado o carro, mas optou por dar vazão ao sentimento pérfido da inveja. Tempos depois um dos seus filhos veio com a notícia de que o carro do amigo havia sido adquirido num consórcio, mas era tarde para ele, a amizade já não era a mesma de tempos atrás.

A inveja finge, dissimula, falseia – vejam o caso acima, houve a opção deliberada pela desconfiança com o carro comprado pelo amigo, que era tesoureiro da igreja. A inveja põe uma máscara intransponível de indiferença que ao longo dos anos se torna irremovível. Uma das faces desta máscara é a do desmerecimento dos méritos ou conquistas alheias. É aí que aparece a inveja.

A máscara ou dissimulação do sentimento da inveja é um dos recursos que o invejoso usa para esconder a sua prática. Em alguns casos nas nossas igrejas, a dissimulação ou máscara pode vir em forma de espiritualidade. Você já viu quando um irmão ou irmã se diz mais espiritual que outro? Quando ele se gaba de ter um dom que o outro não tem? Ou quando ele se acha melhor que o outro na execução de alguma tarefa ou função.

Raramente, em casos como este o invejoso vai deixar transparecer o seu sentimento.

Ao querer competir com o outro, o invejoso vai sempre se sobressair vencedor – mesmo que não esteja em jogo absolutamente nada, mesmo que não haja competição alguma.

Somos pessoas razoáveis, e não há dúvida alguma disto. Mesmo sendo idôneos, nos é por vezes difícil admitir que temos alojado em nós determinados sentimentos, entre eles a inveja, e mais ainda quando nos entristecemos com o êxito alheio. Muitas vezes nos sentimos os piores, os incapazes, os derrotados com o sucesso daquele que nos rodeia, nos cerca, na igreja, no trabalho ou na família.

Surge então o sentimento de raiva, de ira, que se apossa do invejoso, fazendo com que ele se sinta merecedor da conquista do outro, ele vai achar que o seu território pessoal foi invadido e não admite a sua inércia ou incapacidade. Logo ele vai estar boicotando, fofocando, preparando armadilhas para destruir o outro, sempre querendo provar que ele é que fato capaz, e que o outro é na realidade um impostor e um usurpador.

Salmos 68.16 – “Por que olhais com inveja, ó montes elevados, o monte que Deus escolheu para sua habitação? O SENHOR habitará nele para sempre”. A habitação do teu próximo é melhor que a tua? Aceite isto, porque Deus assim o permite e quer.

Este processo do crente sentir inveja não é percebido facilmente, e ele busca principalmente a desestabilização espiritual e pessoal.

Provérbios 24.1 – “Não tenhas inveja dos homens malignos, nem queiras estar com eles”. Já observou a sua volta? Viu se existem homens “populares”, homens que vivem cercados por outros, que parecem felizes, mas na realidade são pecadores empedernidos, que vivem de fazer o mal a todos? Conta-se a história de determinado governante, que tinha uma fama muito ruim. Um dia ele disfarçou-se de mercador e saiu para saber o que pensavam dele os seus súditos. Numa vila distante, bateu numa porta pedindo comida e água. Foi acolhido em uma casa simples, porém aconchegante. Pôde então notar as feições tranqüilas dos donos da casa, pôde ver que ele era um homem feliz e realizado. Ao servir o jantar ele tinha ao seu lado os seus filhos e empregados, todos sentados na comprida mesa. Viu também que todos respeitavam o homem, e chamou-lhe a atenção o tratamento que a esposa dedicava a ele.

Lá pelas tantas, o viajante perguntou qual era a opinião do dono da casa a respeito do seu governante maior. Perguntou-lhe se ele não sentia inveja do rei. O homem respondeu então que não e lhe mostrou o que estava escrito em Provérbios 24.1. Por que motivo ele teria de ter inveja de um homem maligno?

Maligno?

Então esta era a imagem que o povo tinha do seu governante? Anos depois um rei mudado e temente a Deus mandou que lhe levassem a presença aquele homem, pois queria que ele visse a mudança na sua vida.
Provérbios 24.19 – “Não te aflijas por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos perversos”.

A Bíblia alinhava uma série de advertências para que nós como crentes, não sintamos inveja ou mesmo que admiramos o ímpio. Como crentes e filhos escolhidos de Deus, não temos o direito de “espichar” o olho para o nosso próximo. A palavra de Deus é bem clara em muitos aspectos e um deles é o que fala sobre inveja. Na vida do crente não deve haver lugar para a inveja. Provérbios 16.18 – “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda”. Um dos grandes problemas do homem é a soberba.

Soberba que junto com a inveja leva o homem ao buraco do sofrimento e da angústia.

Mas como evitar a inveja? Vejamos em Salmos 119.11 – “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”. Somente esta atitude de guardar a palavra do Senhor no coração é que se torna possível refutar e recusar ter inveja de alguém.

Marcos 7.22 – “A avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura”.

Romanos 1.29 – “Cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores…”.

Gálatas 5.26 – “Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros”.

1 Timóteo 6.4 – “É enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas”.

Tito 3.3 – “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros”.

Tiago 3.14 – “Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade”.

Tiago 3.16 – “Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins”.

Crente, em Cristo Jesus, não deixe que a inveja ou qualquer outro sentimento faccioso, antagônico ou ardiloso se aloje em seu coração. Repreenda, resista e refute qualquer sentimento destes, especialmente o da inveja, pois como ficou demonstrado a inveja vem direto do coração de Lúcifer.

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1 Response to "E quando sentimos inveja?"

Gostei muito sobre o que escrevestes sobre a inveja.Poderia me indicar alguma bibliografia para me aprofundar sobre esse assunto.Obrigado.

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