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A banalização ministerial

Posted on: December 20, 2007


Jehozadak Pereira 

A última novidade na igreja é a ordenação desenfreada e desmedida de gente sem a mínima condição

Apostolagens, pastoragens, politicagens & outras picaretagens. “Os seus profetas são levianos, homens pérfidos; os seus sacerdotes profanam o santuário e violam a lei” – Sofonias 3.4

Vivemos a época das efemeridades, onde a pressa caracteriza atitudes, conceitos e novidades. A última novidade na igreja é a ordenação desenfreada e desmedida de gente sem a mínima condição sequer de ser considerado cristão ideal segundo os princípios contidos em 1 Timóteo 3.1-10.

Outro dia um amigo me mandou um e-mail que havia recebido de uma igreja em São Paulo, onde ia ser ministrado uma “unção” especial qualquer. Junto com o e-mail veio uma recomendação de que uma visita ao site da tal igreja apostólica ia revelar muita coisa. Pois bem, deu para ver que o apóstolo de plantão lá havia se convertido em 1997 e em 2000 fora consagrado ao ministério pastoral, em 2001 fundara seu próprio negócio eclesiástico e em 2004, foi ordenado apóstolo, por um outro do tipo dele.

Não estou e não vou julgar ninguém, mas isto é demais para a cabeça de qualquer um. Em sete anos, o cidadão saiu do mundo, foi ordenado pastor e como diz no site da igreja, e com uma “unção” especial foi designado apóstolo entre os povos. Deu uma vontade de dar risada…

Antes, a igreja tinha entre os seus, gente comprometida em ganhar almas, com ministério de verdade, com o bem estar espiritual do próximo, e para ser ordenado pastor o indivíduo tinha de mostrar maturidade espiritual e moral, integridade, maturidade, submissão, caráter, e se fosse pentecostal portador dos dons espirituais, ao passo que se fosse um tradicional, seria necessário ter preparo teológico. Hoje não. Qualquer um pode ser o que quiser – e reitero que nada tenho contra as verdadeiras pretensões ministeriais de quem quer que seja – mas, será que não estava na hora de parar e pensar um pouco acerca de algumas vocações?

Se antes, alguém queria ser ministro, era por pura vocação, hoje, invariavelmente é por causa do ego, para ser chamado de pastor, de ministro, de apóstolo. De servo mesmo ninguém quer ser chamado. Sabem por que? Porque pensam que é desonroso. E por causa disto, tomem mediocridade.

E os ministros de louvor? E os levitas? A confusão é maior ainda. É tanta “unção” que acho que em algum lugar deve haver falta. Por exemplo, muita gente acha que levita é quem trabalha com louvor ou ser músico. Na realidade as funções primárias de um levita eram a de cuidar da casa do Senhor – o Tabernáculo, e a última função deles era tocar ou louvar. Eles foram separados para estas tarefas, quando decidiram ficar ao lado do Senhor, e não porque eram músicos – Êxodo 32.26-27.

O que há de ministros e líderes sem autoridade espiritual sobre si lhes dando cobertura é um descalabro. Pergunte a muitos deles, quem são os seus líderes e obtenha o silêncio como resposta. Que não tem liderança não pode ser líder de coisa alguma.

Outro dia eu lia o Tira-Dúvidas do www.aleluia.com.br e um leitor falou sobre pastores que tem carros de R$ 380 mil, vendendo cds, eu acrescentaria livros também. Aliás, livros horríveis. Quem respondeu foi muito light, e diria que até educado. Ressalto que é direito de qualquer um – inclusive pastores andar de carros de luxo, mas a custa de pobres coitados que são explorados e às vezes até constrangidos a contribuir e a comprar material de quinta categoria?

A igreja hoje é meramente um rito de passagem para muitos alcançar prestígio e fortuna pessoal, somente isto. Ano que vem teremos eleições, e ai a máscara de muita gente vai cair. Quem viver verá quantas convicções religiosas estarão a serviço de políticos. E o que é pior de gente que está acomodada no nosso meio.

É o fim da picada…

Todos os direitos reservados – agosto/2005 

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1 Response to "A banalização ministerial"

Realmente a banalização é total, e de dar vergonha, na verdade não entra na minha cabeça esta idéia de líderes com carros tão caros, acho isto uma afronta ao pobre, há um tempo atrás fui em uma igreja que é em frente a favela, e um dos ministros de louvor da igreja tinha estacionado seu carro importado em frente a igreja, tinha cones ao redor do carro e até obreiro cuidando do carro, no mesmo lado da rua havia algumas crianças da favela sem calçado, com roupas rasgadas e sujas … Que contraste !

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