Jehozadak Pereira.com

A critica e o crítico devoto

Posted on: March 1, 2008


Jehozadak Pereira

Anos atrás quando escrevia para um jornal em São Paulo, criticava a tudo e a todos. Especialmente políticos e autoridades. Somente uma vez um deles estressou, mandou uma carta para o jornal, ameaçou me processar e recuou. O motivo?

O irmão deste político havia se candidatado ao cargo de vereador, e na sua propaganda enviada por mala direta, ele dizia que aquilo tudo estava sendo pago pelos amigos, correligionários e incentivadores da campanha.

Num dos meus textos eu usei de ironia com aquilo tudo, e disse que se dependesse dos amigos, correligionários e incentivadores da campanha, o nosso bom candidato não teria votos sequer para se eleger juiz de paz.

O parlamentar ficou apoplético, nervoso, irritado, e soube depois que queria me dar uma surra. Abertas às urnas, a minha previsão se concretizou. A votação foi pífia.

Recentemente tenho criticado a devoção que muitos dos nossos irmãos em Cristo tem por J. R. R. Tolkien e sua obra – no bom sentido, claro – pagã, especialmente O Senhor dos Anéis.

Isto tem me trazido alguns dissabores, como ouvir desaforos e xingamentos, além de estar em listas e listas e fóruns de discussão, onde invariavelmente sou destratado a exaustão.

Tempos atrás escrevi o artigo Tolkien e os meninos mimados, onde entre estas coisas repercuti a critica que Fernando Passarelli, crítico de cinema da seção Diversão & Arte do http://www.bibliaworldnet.com.br, fez para o filme As Duas Torres.

Meses depois sou surpreendido por um e-mail do Fernando Passarelli, cujo transcrição está abaixo:

From: “ferpanet” <ferpanet@uol.com.br>

To: “edson” <edson@estudosbiblicos.com>

Sent: Thursday, September 23, 2004 12:18 AM

Subject: [spam] AÇÃO NA JUSTIÇA

Aos cuidados do sr.

Edson Kawano

responsável pelo site www.evangelicos.com

Informo que encontrei no referido site, citações à minha

pessoa, tecidas pelo sr. Jehozadak A Pereira, na URL abaixo :

www.evangelicos.com/artigos/jehozadakap22.shtml

Solicito que essas citações sejam removidas ou estarei

acionando judicialmente o autor do texto, a partir desta

data, e o site como co-autor das ofensas, tendo em vista sua

veiculação. Como bem explica a lei de imprensa, o outro lado

de uma informação deve ser ouvido sempre que citado.

No aguardo de sua manifestação

Fernando Passarelli

Fiquei imaginando em que calo de Passarelli eu pisei, ou se pisei em todos eles de uma vez só. Deixei o Edson Kawano à vontade para retirar do ar o texto, mas resolvi colocá-lo no Destaque aqui.

Muito engraçado este crítico, que não aceita critica. O que fiz foi notar no texto as loas e elogios que Passarelli fez do filme As Duas Torres, talvez ele tenha ficado aborrecido por ter exposto a devoção dele a Tolkien e sua obra – sem nenhum sentido fisiológico – pagã.

Espanto maior ainda é que ele encontra guarida num site sério como o http://www.bibliaworldnet.com.br, fazendo apologia de paganismo e coisas demoníacas. Ser processado por Passarelli, será a prova de a devoção de alguns não tem limites.

Uma pena. Pena mesmo.

O Senhor dos Anéis e as Duas Torres – Os filmes

Postado por Gustavo D. – quinta-feira, 02 de janeiro de 2003 – 08:10 am:

Acho realmente tudo isso ridículo. Não sei se Jehozadak sabe, mas Tolkien era cristão fervoroso, defensor da moral e dos bons costumes. Dizem que não ouvia rádio nem assistia televisão, enfim, um padrão de comportamento. Como uma pessoa com estas credenciais poderia escrever “heresias”? É tudo fantasia, nada disso exerce influências negativas. Talvez apenas aos desequilibrados.

A mensagem acima foi postada no fórum principal do http://www.evangelicos.com, onde estão publicados muitos dos meus textos e onde há espaço aberto para os comentários dos leitores. Logicamente não me irrito ou me aborreço com aqueles que fazem comentários me criticando ou xingando. Mas um outro dia eu recebi um e-mail de um dos muitos devotos de Tolkien, perguntando-me porque eu os irritava tanto com as minhas críticas e “insistência” em mostrar comprometimentos, onde, segundo o bravo devoto não há comprometimentos.

Deixei para lá. Tratar com fanáticos é complicado. Tratar com gente adulta que se parece com meninos mimados é pior ainda. Eles sapateiam, rangem os dentes, mugem a grande, mas não conseguem escapar de uma realidade: em Tolkien, há sim comprometimentos espirituais em larga escala.

Há uma grande desinformação de quem foi Tolkien. Alguns o consideram – como Gustavo D – um cristão. Biblicamente um cristão é todo aquele que está devidamente imbuído dos princípios do genuíno Evangelho de Jesus Cristo. Os princípios são; regeneração – transformação de vida; adoração única e exclusiva ao Senhor e verdadeiro Deus. Regeneração significa mudança de vida associada com santificação. Dizer que um católico devoto – com todos os seus comprometimentos idólatras é um cristão, é no mínimo temerário e denota ignorância das Escrituras.

Deus não comunga com ídolos. Ao contrário, condena a idolatria. Ao que parece Tolkien era um idólatra. Tolkien foi um católico devoto, apaixonado pelo santíssimo sacramento influenciado que foi pela sua mãe – Mabel Tolkien. Tolkien era ligado por gratidão ao padre Francis que o levou a converter-se ao catolicismo, incutindo nele – Tolkien – a necessidade de seguir a devoção de Mabel a Roma e ao papa.

Nada ao longo da vida de Tolkien o fez perder a fé na igreja católica. Edith a mulher de Tolkien não gostava de confissão e não compreendia direito o alívio espiritual que Tolkien e outros católicos devotos diziam sentir.

Mesmo sendo um católico devoto, Tolkien tinha a sua mente voltada para o mundo místico e fantástico. Uma das suas leituras aos sete anos de idade foi Red Fairy Book – Livro vermelho de fadas – e por causa das muitas influências que recebeu ao longo da vida, Tolkien baseado em antigas tradições mitológicas descreve um mundo sem cristandade – o que derruba por terra o argumento de muitos de que há relação entre os demônios de Tolkien e o Evangelho.

A Terra Média, criada por Tolkien é um mundo imerso em magia e inteiramente intocado por qualquer forma de cristianismo. O contraste com o Evangelho, é que enquanto Tolkien fala de uma “terra-média” a Bíblia diz de uma Terra Prometida. Em palestras em Oxford, onde dava aulas sobre Literatura Medieval, alunos consideravam Tolkien “louco varrido”, porque abandonava o tema das suas palestras e se punha a falar de duendes e elfos.

Além de escritor prolífico Tolkien era pintor de aquarelas com figuras de dragões, fortemente influenciado pelo amor infantil que sentia pelo Livro Vermelho de Fadas.

Tolkien renegou ao longo de toda a sua vida qualquer influência oculta ou escamoteada na sua obra. Contudo, seus personagens vivem num mundo onde a magia é real e palpável. W. H. Auden, amigo e patrocinador de Tolkien afirmou que As crenças não declaradas de O Senhor dos Anéis são cristãs. Em meio as milhões de palavras de Tolkien sobre a Terra-Média, não aparece uma única vez sequer a palavra Deus. Tolkien se irritava sobremaneira quando lhe perguntavam se o seu mundo mitológico era alegórico. Resta então saber que tipo de crenças cristãs são estas que estão ao lado e em conluio com elfos, anões duendes, demônios, feiticeiros, magos?

O mundo de Tolkien é um mundo pagão, sem Deus e desprovido de qualquer tipo de luz divina, embora seus devotos afirmem o contrário.

C. S. Lewis um dos melhores amigos de Tolkien – amizade que com o passar dos anos esvaiu-se – era um agnóstico, provocou o desapontamento de Tolkien a quem considerava um devoto cristão – e ainda por cima católico, mais ainda, um quase fundamentalista católico – por aproximar-se do protestantismo e deixar de lado o catolicismo, que Tolkien desprezava. A opção de Lewis pelo protestantismo desapontou profundamente Tolkien.

Nada há contra os católicos, mas as suas práticas estão muito longe das práticas de um cristão verdadeiro – aquele que se parece com Cristo, a palavra de Deus é que julga a todos.

Igualmente nada há contra quem quer ser devoto de Tolkien. Cada um crê no que quer. Mas aqueles que se dizem convertidos e que devotam paixão por Tolkien e seus escritos devem rever a sua fé, ou melhor, a sua convicção pessoal de salvação.

Mesmo no nosso meio há alguns lugares onde a devoção a Tolkien é exacerbada. Um destes lugares é o site http://www.uol.com.br/bibliaworld, primeiro com Marcelo Gióia Oliveira e agora com Fernando Passarelli. Passarelli exacerbou na pajelança que fez do filme As Duas Torres – recentemente lançado – e que é a continuação de O Senhor dos Anéis. Ao babar e derramar-se em elogios e loas ao filme e a obra de Tolkien, Passarelli causa enjôo e deixa perplexo na crítica As duas torres – quem encara o pecado? A peroração do crítico talvez ficasse melhor num site secular, voltado para as coisas mundanas, nunca num site voltado para o público cristão.

Que Passarelli queira ser devoto de Tolkien que o faça com seus próprios argumentos e palavras e não use as Sagradas Escrituras para torcer o seu (mau) gosto pessoal, querendo fazer pensar a qualquer incauto, se é que há incautos – que na obra de Tolkien há qualquer semelhança ou um pequeno vislumbre que seja que se aproxime do Evangelho, e nem que busque distorcer as santas verdades bíblicas com as mazelas malditas de Tolkien.

O mais perto que Tolkien chegou do Evangelho foi a sua devoção ao catolicismo, devoção que carregou até o final da vida. Dizer o contrário é dar pérolas aos porcos. Ou querer enganar-se com argumentos fracos e inconsistentes.

Para os devotos de Tolkien falar contra as obras do professor como era chamado é querer ver o mal em tudo. Nem de ser legalista, xiita, fundamentalista ou o que queiram chamar, pois sou liberal nas minhas preferências, e como disse no início é só ler Tolkien para ver que na sua narrativa não há nada de espiritual, ao contrário é possível encontrar duendes, feiticeiros, magos, elfos, demônios, anões e todo o tipo de lixo espiritual. Como corroborar, ou melhor, como conjugar tudo isto com a Bíblia? Qualquer coisa distante disto é balela, enganação, tapeação, ou como queiram gosto pessoal deturpado, que não fica bem em quem se diz cristão.

Resta saber se estes que se dizem cristãos professam o Cristo vivo, ou se são “cristãos” como Tolkien foi? A mim me parece que eles são mais que meninos mimados a ranger os dentes quando contrariados quando perdem o doce que estão comendo.

De que adianta não assistir televisão ou mesmo defender a moral e os bons costumes e escrever livros repletos de misticismo e ocultismo? Devotos como Gustavo D confundem estes princípios morais inerentes a qualquer cidadão cumpridor dos seus deveres com qualidades de um verdadeiro cristão, que ao que parece não era o caso de Tolkien.

Cada um vê o que quer ver, inclusive cristianismo nas obras de Tolkien.

Copyright©2003 – todos os direitos reservados ao http://www.jehozadakpereira.com – agosto/2003.

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4 Responses to "A critica e o crítico devoto"

Acho muito divertido os seus textos, porque não posso considerá-los uma coisa séria. Acho que quando se fala de Tolkien e sua obra não se deve misturar o autor com o homem empírico. Portanto, julgo mais coerente analisar um livro como uma obra de arte, não como uma manifestação de fé. Existe um texto de Charles Moorman, chamado “‘Now Entertain Conjecture of a Time’ – The Fictive Worlds of C. S. Lewis and J. R.R. Tolkien”, que está em “The Shadows of Imagination”, que fala sobre esse assunto. A cristandade, ou falta dela, presente em uma obra não está ligada à qualidade da mesma. Acho possível ser cristão e gostar de “O Senhor dos Anéis”, mas é impossível ser cristão com tanto ódio pelo próximo.
Saudações.

“Nada há contra os católicos, mas as suas práticas estão muito longe das práticas de um cristão verdadeiro – aquele que se parece com Cristo, a palavra de Deus é que julga a todos.”

Acaso você está acima da Palavra de Deus para julgar? Você será o nosso juíz no dia do jugalmento? Pode você julgar a si mesmo?

Está escrito:
Mateus 7:1-3
1 Não julgueis, para que não sejais julgados.
2 Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.
3 E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?

Tenhas amor e misercórdia pelo próximo, e assim também Deus agirá contigo.

Você diz: “O mundo de Tolkien é um mundo pagão, sem Deus e desprovido de qualquer tipo de luz divina, embora seus devotos afirmem o contrário.”

Informe-se antes de escrever. 😉

Fanatismo religioso tbm é condenado por Deus. Pois qualquer tipo de fanatismo leva à cegueira.

i Eru i or ilyë mahalmar ëa tennoio
Único que está acima de todos os tronos para sempre.

A paz

Como você pode dizer que nós católicos somos idólatras se não conhece os fundamentos dela.
Não adoramos jamais os Santos ao contrário admiramos as pessoas que viveram e cada vez que olhamos ao ícone lembramos de sua vida aqui na terra defendendo o evangelho e a sagrada escritura.
Adoramos somente ao Deus Vivo digno de toda honra glória e louvor.
Sugestão:Procure o site montfort e tire suas dúvidas que aliás não são suas dúvidas você é mais um “copia e cola” tudo que ouve fala sem ao menos saber a verdade. Procure a verdade e ela o libertará!!!!!!!!!!!!!!
Filha da Verdadeira Religião

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