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Eleições americanas

Posted on: March 8, 2008


Jehozadak Pereira

Escrevi este artigo há quatro anos. Troque os nomes de John Kerry e George W. Bush pelos de John McCain, Hillary Clinton e Barack Obama que a história se repete.

Dizem que as eleições presidenciais americanas dão sono em monge de pedra. É assim mesmo? Quase assim. A cada quatro anos as cenas das primárias se repetem ao longo do território americano. A partida deste processo eleitoral começa com – os caucus – reuniões dos comitês eleitorais dos partidos, onde são indicados os delegados convencionais que participarão das convenções que escolherão os candidatos a eleição presidencial.

A eleição dá-se por voto indireto num intricado processo de difícil entendimento e nem sempre o mais votado no geral é o presidente eleito, um exemplo disto é George W. Bush, que teve menos votos que Al Gore, mas foi eleito, por causa dos votos da Florida.

As eleições americanas são um show de marketing, propaganda e cada detalhe é pensado e repensado à exaustão. É impensável um candidato – democrata ou republicano – falar algo que não está no script. Cada um deles parece que acabou de sair do banho naquele instante, com seus cabelos, roupas, sapatos e postura impecáveis, e sempre com um sorriso de propaganda de creme dental.

À parte disto, os candidatos têm suas vidas esmiuçadas em todos os aspectos. Descobre-se que foram à guerra, se lutaram, e se foram condecorados.

Busca-se saber quais eram as suas predileções no passado. Um exemplo foi Bill Clinton. Mostraram à exaustão as – muitas – amantes dele; que havia fumado maconha, e por conta disto ele saiu-se com uma justificativa hilária – fumou mas não tragou.

Deslizes de pré ou mesmo de candidatos não são perdoados de modo algum. A lista dos abatidos em disputas pré e eleitorais é enorme. Um dos exemplos notórios é o do senador Ted Kennedy. Em 1969 Ted Kennedy dirigia alcoolizado e caiu da ponte em Chappaquiddick, Martha’s Vineyard, matando Mary Jo Kopechne, tida oficialmente como sua secretária por alguns e amante por outros. A realidade é que o virtual candidato à presidência da república em 1972 acabou com qualquer chance de sê-lo um dia.

Gary Hart, foi outro abatido por causa de uma acusação de adultério em 1984. Mas, saias a parte, acusações ou insinuações são usadas para mostrar o caráter ou a falta dele nos candidatos.

Na década de 70, um dos candidatos era Richard Nixon, e sabedores da sua fama de mentiroso, publicitários evitavam a todo custo chamá-lo como tal. Se fizessem isto grande parte do eleitorado iria sentir compaixão de Nixon, e o objetivo – provar que Nixon era de fato mentiroso – cairia por terra. O que fizeram então? Sob uma foto do ex-presidente eles colocaram a sentença que iria acompanhar Nixon até os derradeiros dias de vida.

O que eles escreveram?

VOCÊ COMPRARIA UM CARRO USADO DESTE HOMEM?

O resultado foi visto tempos depois com Nixon renunciando ao cargo mais cobiçado do planeta – por mentir!

Muitas vezes tais expedientes não dão em nada. Bill Clinton, foi massacrado, sua vida íntima foi exposta antes e durante seus oito anos de governo e nada disto foi suficiente para diminuir a popularidade dele. O fraco de Clinton sempre foi o sexo feminino e ele parecia querer que todo mundo soubesse disto.

Além do caráter, o eleitor exige que os candidatos tenham posições religiosas definidas. Nesta eleição o republicano George W. Bush desfruta de uma clara vantagem junto aos cristãos, vantagem que se acentua com a proximidade da eleição. Os republicanos estão muito a vontade para falarem de valores religiosos, e são céleres em prometer que a fé terá uma forte influência sobre a atuação política de cada um deles, ao contrário dos democratas que quase nunca cumprem suas promessas de campanha.

O certo é que longe de atrair a atenção do mundo para o cargo mais importante, poderoso e cobiçado do planeta, a eleição presidencial é atração e preocupação da população americana, que muitas vezes não comparece para votar – no sistema eleitoral americano o voto não é obrigatório – e depois cobra do seu mandatário maior a sua quota de responsabilidade.

Quem ganhará a eleição presidencial americana? Não se sabe, só quando se apurar a última urna do condado distante; mas desde já se discute se Bush ou Kerry – republicano e democrata, conservador e liberal, ambos milionários são de fato os melhores candidatos.

A vida de Bush foi esmiuçada cinco anos atrás, a vez de Kerry é agora. A imprensa noticia livremente o que é apresentado ou falado, longe da preocupação em esconder este ou aquele deslize de qualquer deles, tornando o processo todo numa eletrizante disputa. As fofocas de alcova são muito mais interessantes do que a disputa propriamente dita.

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