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Crônica do viajante

Posted on: October 3, 2008


Jehozadak Pereira

2 Timóteo 4.6

Ninguém jamais falou com tanta saudade e vontade de estar de volta ao lar como Paulo. É possível ler nos seus escritos, que ele desejava, ansiava, por estar no lar. Tal como um viajor que não vê a hora de retornar para o acolhimento do seu canto, assim almejava estar Paulo, com o seu amado Salvador.

Os tempos de Saulo, já haviam ficado há muito para trás, e o que restava destes tempos era uma dor no coração, por tanta ignorância e crueldade para com os filhos redimidos do Senhor. Não havia um dia sequer que Paulo não pensasse naqueles tempos negros em que ele atendia por Saulo.

Agora ao dizer a Timóteo, que o seu tempo já estava no fim, Paulo com o olhar brilhante e desejoso, próprio dos que possuem a esperança viva no coração, lembrava do que havia escrito tempos atrás aos filipenses, de que nada o poderia deter no seu caminhar para as coisas que estão adiante, e sem olhar ou mesmo se importar com o que fica.

O que importava para Paulo, era recuperar o tempo da ignorância, e isso ele sabia e fazia com afinco e dedicação. Andando por lugares, levando a palavra de Deus, onde o perseguido agora era ele, Paulo não podia deixar de notar as diferenças de cada situação.

Antes como Saulo, era celebrado e recebido em cada cidade com pompa e circunstância, além das muitas deferências pessoais das autoridades eclesiásticas locais, que faziam de tudo para agradar ao ilustre visitante. A simples menção da sua presença nas cidades era motivo de pavor, tamanha era a fúria com que se atirava contra os crentes.

Em cada cidade que passava agora, vinha à mente de Paulo, cenas de pessoas simples, humildes, cujo único crime era a opção por Jesus Cristo. Paulo havia perdido a conta de quantas pessoas permitira matar, fossem apedrejadas, arrastadas, pisoteadas pelos cavalos, espancadas. Reminiscências.

Ninguém perseguiu como Saulo. Ninguém pregou a Palavra como Paulo. Se Saulo outrora viajava para cumprir sentenças de morte aos que trilhavam O Caminho, Paulo agora viajava pelo mesmo Caminho para levar anunciar a Vida, para cada um dos que se dispusessem ouvi-lo. E para os que não se dispusessem também. Não importava.

Paulo iria falar a cada um quisessem ou não. Nada poderia impedir Paulo de prosseguir na sua longa viagem rumo ao Lar. Dores, tristezas, provações, necessidades, rejeição, perseguições, pois ao recusar-se a olhar para trás, para o passado, Paulo sabia que não podia comparar as situações, contudo ele sem dúvida alguma preferia esta situação atual, pois o caminho por qual ele agora viajava o levaria ao Lar. O levaria para o céu com Jesus Cristo, o seu Único e Suficiente Salvador. E nosso também.

O pensativo Paulo, dizia consigo mesmo: o Céu, o Céu é um lugar de delícias!

Copyright©2008 – todos os direitos reservados ao http://www.jehozadakpereira.com – fevereiro/1997

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1 Response to "Crônica do viajante"

Paulo pode ser observado de dois ângulos, esse seu o mais poético mas o menos verdadeiro.
Primeiro, as Epístolas Pastorais não são da autoria daquele apóstolo, isto confirmado por estudos teológicos e científicos da Alta Crítica Textual, que pode ser pesquisada na Internet.
Os autores daquelas cartas não são objetivamente conhecidos (como os de muitas outras porções do NT).
Depois que Paulo chegou a Roma nada se sabe de concreto (existe até o capítulo 29 de Atos, considerado apócrifo, onde se descreve a viagem de Paulo a terras de Espanha, etc.).
Segundo, esse apóstolo tão poético no fim da carreira teria razão para estar desiludido pois passou grande parte da sua vida anunciando a breve volta de Jesus à Palestina, mas nada disso se concretizou.
Paulo estava tão convencido dessa sua “profecia” que até sugeriu às moças novas para não se casarem, etc. Um falhanço estrondoso, agora de 20 séculos!…
No fim, com a sua igreja em grande apostasia, não era Jesus que voltava, mas ele que se ia embora para sempre …
Vinte anos depois, escrevia João também terrivelmente agitado com a chegada de muitos hereges e anticristos (1 João 4:1) que, na sua percepção representava o fim.
Também ele se enganou redondamente, pois passaram 20 séculos e está tudo “na mesma” desordem!…

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