Jehozadak Pereira.com

Os enganados

Posted on: June 3, 2009


Jehozadak Pereira

Efésios 5.6

Com o lançamento do filme Nárnia, principalmente no Brasil, um grande número de pessoas – principalmente os devotos de C. S. Lewis, se alvoroçaram literalmente. Minha caixa de e-mail ficou entulhada de mensagens de gente que se emocionou ao conseguir ver tantas semelhanças e literalidade entre os escritos, o filme e a Bíblia.

No entanto, houve quem não se deixasse levar pelos encantos desta obra esotérica, pagã e totalmente fora dos padrões bíblicos e espirituais. Houve um teólogo – destes que ostentam os seus mestrados, pós-mestrados, doutorados e pós-doutorados, teses e tantos títulos que só vendo, inclusive na área de divindade – que me escreveu querendo tripudiar. Aceitei a provocação dele e fiz uma única pergunta. Bem simples e singela, que ele com todos os seus títulos poderia me responder sem consultar livro algum.

Perguntei o que ele fazia com o que Paulo escreveu em 1 Timóteo 1.4; 2 Timóteo 4.4; Tito 1.14 e 2 Pedro 2.16, onde o autor se refere a fábulas engenhosamente inventadas que não eram seguidas pelos mestres cristãos genuínos. Essas histórias fantasiosas, possivelmente criações dos primeiros mestres gnósticos, que produziram os evangelhos apócrifos, são, aqui, contrastadas com o verdadeiro relato sobre a transfiguração de Cristo, segundo transmitido por Pedro. As fábulas, mencionadas em 1 Timóteo 1.4 eram provavelmente lendas baseadas em narrativas do Antigo Testamento, pois são descritas, em Tito 1.14, como judaicas. Tais fábulas são ridicularizadas em 1 Timóteo 4.7 pelos epítetos profanas e de velhinhas caducas; eram ímpias por não estarem baseadas na revelação divina; e só prestavam para mulheres velhas.

A resposta dele veio célere. Aquilo que Paulo disse nas referências citadas aplica-se somente às fábulas e mitos judaicos, e C. S. Lewis era fascinado pelos arcanos da mitologia nórdica. Portanto, o nosso bom doutor mestre em teologia e divindade, estava livre para crer que Paulo não falava sobre isto.

Pois é. Isto mesmo. Como pode um cristão genuíno recusar o que diz claramente a Palavra de Deus? Não quero julgar o douto homem e as suas convicções, mas que elas soam estranhas, isto soam.

Triste mesmo é ver tantos intelectuais cristãos fazendo pajelança e prestando reverências para esta trama esotérica escrita por Lewis. Fico imaginando o que leva tantos homens e mulheres que dedicaram a sua vida a estudar as sagradas escrituras, a corroborar e principalmente a “ver” tantas ferramentas que podem ser usadas para a pregação do evangelho nesta série nefasta.

Mais ainda, desafio qualquer destes intelectuais e pastores a apresentar uma única vida que tenha sido resgatada do pecado através das Crônicas de Nárnia. Tempos atrás eu vi um cristão genuíno dar uma lição nuns pastores que eu mesmo fiquei com vergonha por eles. Eles conversavam sobre vinhos. Um dos pastores disse que bebia vinho por causa do estômago, outro por causa do coração, já o outro por causa do colesterol, a aí o irmãozinho disse que bebia vinho porque gostava, e que uma garrafa durava dois anos para ele. Ou seja, quem gosta e não tem coragem de assumir, fica buscando desculpas e mais desculpas para corroborar o seu mau gosto, e pior ainda, trocam a pureza do Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo, por porcarias e lixo místico. Fico imaginando o teor das mensagens que eles pregam nos seus púlpitos e a qualidade da cátedra que ensinam nas escolas teológicas.

Estes intelectuais que são tão afeitos ao estudo, poderiam fazer mais uma coisa. Abrir Nárnia diante de um dicionário esotérico, e ver as – muitas – semelhanças de conteúdo entre ambos, depois abram as suas Bíblias – se é quem tem uma – e façam uma análise isenta e crítica. Duvido que encontrem qualquer passagem ou versículo que confirme Nárnia.

Embora tenha sido criado com um protestante, ao chegar a idade adulta rejeitou qualquer forma de fé religiosa e se descrevia como um agnóstico, e depois de muito conversar com Tolkien sobre religião a sua visão de Deus, não era o da ortodoxia cristã, e sim de um Deus das várias religiões orientais, quase portanto, panteísta, muito longe de qualquer discrição bíblica.

Com uma convicção panteísta de Deus, Lewis não podia e não queria abraçar o cristianismo ortodoxo, que na sua essência quer que se exerça a crença em Jesus Cristo, além da convicção de que Ele foi enviado para morrer para que as almas fossem salvas. Lewis dizia que todas estas coisas eram mito, e a história de Cristo, nada mais que uma lenda, um mito, e achava que os mitos eram na realidade mentiras. Considerados por ele como contos de carochinha. Esta afirmação pode ser lida em Memoirs of the Lewis Family, carta a Sheldon Vanauken, 17 de abril de 1951. Lewis se converteu em 1931, e conheceu Tolkien em 11 de maio de 1926, no Merton College na Inglaterra, e tornaram-se amigos. E por causa do inconformismo de Tolkien, por Lewis não ter se tornado um católico eles se afastaram posteriormente um do outro.

Foi com este estado de espírito que Lewis escreveu Nárnia, e jamais tornou atrás nele. Logo, é de se estranhar que tanta gente boa enrede pelos caminhos do esoterismo contidos na trama.

Não há como negar que C. S. Lewis foi um prolífico e criativo escritor cristão, incensá-lo é exagero e fanatismo. Escreveu mais de 40 livros, e exageros à parte seus aficionados estimam que foram vendidas mais de 200 milhões de cópias, traduzidas em mais de 30 línguas. Entre as suas obras estão: “Regresso do Peregrino”, “O Problema do Sofrimento”, “Milagres”, “Cartas do Inferno”, uma trilogia de ficção científico-religiosa “Longe do Planeta Silencioso”, “Perelandra”, “That Hideous Strength”.

Seus admiradores afirmam que os seus livros foram lidos pelos seis últimos presidentes norte-americanos, o que não é referencial algum. Todos nós sabemos que no governo Reagan, foi onde mais se teve a influência do ocultismo na cúpula do mais importante cargo da face da terra. Quem não se lembra das inúmeras reportagens afirmando que Ronald Reagan não dava um passo sem consultar uma famosa vidente.

Todos eles leram de tudo, de Brian Weiss à Deprak Shopra, fora os confusos gurus indianos, e até Paulo Coelho, foi lido, ou por acaso não nos lembramos de Clinton sendo fotografado com um livro do prolixo brasileiro nas mãos? Pesquisas indicam que o leitor contumaz ou eventual lê o que está na moda, ou o que lhes é recomendado sem muito critério.

Inclusive as Crônicas de Nárnia e seu misticismo explícito, ainda que tenham sido escritas por C. S. Lewis…

Copyright©2006 – todos os direitos reservados ao autor – janeiro/2006.

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