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Impressões de uma viagem – parte 2

Posted on: June 8, 2009


Jehozadak Pereira

A estrada interminável foi sendo superada aos poucos. A infra-estrutura é muito boa e sempre há bons postos de gasolina – mais barata que na região de Boston, hotéis, restaurantes – sempre há uma loja de fast food – para matar a fome, e a medida em que se vai avançando o preços vão subindo assustadoramente. No Arizona e New Mexico, a impressão que se tem é a de que a maioria dos carros velhos dos Estados Unidos estão lá, assim como as paisagens – parece que literalmente o último filme de Hollywood foi filmado naqueles lugares e os cenários ficaram lá.

A presença indígena é marcante e é comum ser atendido nos hotéis, bares, restaurants e postos de gasolina por legítimos índios. Passa-se por cidades muito bonitas e por outras que são caóticas como Albuquerque em New Mexico – há quem diga que é um verdadeiro buraco, e parece ser mesmo. Faltou tempo para ir visitar a Petrified Forest National Park, a Meteor Crater e o Grand Canyon. Uma pena.

Ao entrar no Texas uma desagrádavel surpresa – uma multa por estar algumas milhas acima do limite, e sem apelação. Duro mesmo foi entender o que dizia o policial texano, a partir daí acabou-se o sossego, pois era um olho no velocidade e outro na viaturas policiais todas devidamente escondidas e prontas para reprimir qualquer engraçadinho, e o que não faltava era engraçadinho com o pé pesado sendo autuados.

Em Saint Louis no Missouri uma das mais bonitas cidades do caminho. Um arco – Gateway Arch – um imenso monumento de aço e concreto com altura equivalente a um prédio de 65 andares, e que marca a entrada do Oeste americano.

De Saint Louis partiram muitas caravanas de pioneiros que desbravaram o Oeste, tal como vemos nos filmes de faroeste. O Gateway Arch – dá as boas vindas a quem chega e homenageia quem parte, principalmente quem vai rumo ao desconhecido. Significa também a junção do velho com o novo, do antigo e do moderno e do conhecido com o desconhecido.

São lindas fazendas e paisagens que parecem ter sidos desenhadas por um artista e colocadas na terra para ornamentar e embelezar. O outono deixa ainda mais bonito tudo com as folhas ora vermelhas, ora amarelas, mas o clima ainda não é ainda de outono.

Anda-se já pela 90 que vai até Massachusetts. Interessante é notar que o lendária rota 66 cruza e parece se interligar com este caminho o tempo todo. Para quem não sabe a rota 66 foi cenário de Easy Rider – Sem Destino, o famoso filme estrelado por Peter Fonda e Dennis Hoper, dois motoqueiros muito loucos e drogados, que desafiam todos os perigos da estrada em busca de uma partida de droga.

Tudo na região é voltado para a mística 66. Na entrada de Illinois uma placa indica que é possível ir a Milwaukee no Wisconsin – Land of the Harley-Davidson. Quem nunca pensou em ter uma?

Convive-se com a história o tempo todo e lamento não ter tempo para explorar cada um destes pontos, pois faria da viagem uma oportunidade mais inesquecível ainda. Enquanto isto na estrada gigantescos caminhões transportam o progresso o tempo todo. E o meu destino está cada vez mais próximo, embora faltem ainda muitas milhas.

Logo estamos em Ohio, e Cleveland me faz lembrar de que ali é o lugar onde mais se fazem cirúrgias cardíacas no mundo todo, espero que nunca precisemos ir lá um dia, a não ser, claro para passear e ir embora rapidinho. Vai que alguma válvula falhe…, é melhor não abusar.

Finalmente o último dia da viagem e chegamos à Pennsylvania e suas paragens cada vez mais belas e que inspiraram e inspiram muitos apaixonados. Vale a pena ir lá um dia, principalmente no outono. Entramos na região vinícola, que dizem ter os melhores vinhos do lugar, que termina em New York State, e seus pedágios caríssimos. Um horror. Aí estamos perto do Canada e o trânsito – embora estejamos a quase 500 milhas de New York City, é um horror.

Na hora que o cansaço bate uma parada estratética para esticar as pernas, reabastecer, comer e pegar a 90 de novo.

A conclusão é a de que os Estados Unidos é lindo. Lindo mesmo. Agora só me falta ir ao estado de Washington e descer de carro rumo ao Idaho, Montana, Utah, Colorado, Wyoming e desta vez ir na Petrified Forest. Mas isto é assunto para outra viagem, que desta eu quero descansar por um bom tempo.

Já ia esquecendo do Navajo Talkers. Na Segunda Guerra, um estrategista militar dos Estados Unidos sugeriu uma brigada de comunicadores indígenas que falariam no seu idioma e com isto enganar os inimigos que interceptavam as comunicações. Bem, se você quiser saber mais assista o filme que é uma lição de coragem e destemor. Logo que dê uma folga eu vou assistir de novo, principalmente depois que estive em Gallup no New Mexico, onde moram alguns dos remanescentes do pelotão, que é o maior orgulho do lugar.

Todos os direitos reservados ao autor – outubro/2005.

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