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Sintomas do invejoso – parte 1

Posted on: November 17, 2009


Jehozadak Pereira

A dor que o invejoso sente é subjetiva e ao mesmo tempo real

“Podemos descrever o nosso ódio, os nossos medos, as nossas vergonhas. Mas não a nossa inveja” – Francesco Alberoni

A inveja têm sintomas? O que sente o invejoso? Têm dores? Vejamos o que nos diz Provérbios 14.30 – “O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos”. Ossos podres? Notemos o contraste entre o invejoso e o que não sente inveja alguma: o não invejoso tem o coração e a mente tranqüila; é sadio, é equilibrado, é satisfeito, enquanto isto o invejoso tem a mente e o coração deteriorado e corrompido, e a inveja lhe faz tanto mal que ele se sente apodrecendo, deteriorando, putrefato, tudo beirando a insanidade.

A inveja significa um misto de desgosto e ódio provocado pela prosperidade e pelo bem ou felicidade dos outros. Para que alguém fique desgostoso é preciso um motivo muitíssimo forte. Que tal a inveja? Se nos reportarmos ao caso de José e seus irmãos, vamos ver que a simples presença de José num ambiente comum a todos eles era motivo mais que suficiente para que houvesse a irritação e o desgosto deles.

Ossos podres. Para que um osso, que é o componente mais forte do corpo humano possa se corromper, é necessário que a pessoa morra e então os ossos se tornarão em pó. Mas ossos podres em vida? É possível isto? Sim, conforme nos atesta o texto lido em Provérbios 14.30. Tal como um poderoso ácido, a inveja torna os ossos podres. Isto nos remete a uma outra situação. Conversem com quem já quebrou alguma parte do corpo, ou mesmo fissurou algum osso. A dor é lancinante e insuportável. Até que se conserte a parte lesionada a dor permanecerá. Dizem também que muitas vezes, mesmo depois de “consertada” a fratura, a dor permanecerá por um tempo ainda.

A dor que o invejoso sente é subjetiva e ao mesmo tempo real. A sua dor se originará num caráter fraco e falho e se estenderá desde o seu fio de cabelo até a ponta do pé, a sua dor será cada vez maior, e contaminará tudo a sua volta. A convivência com ele será insuportável.

Alceu* era o diretor executivo da empresa da família, que havia sido fundada por seu avô quase sessenta anos antes. Da empresa de móveis provinha o sustento de todos os familiares de Alceu. Embora seu avô, seu pai e seus tios não tivessem curso superior, fizeram com que os seus filhos cursassem faculdades e universidades. No total eram quinze primos que sempre conviveram harmoniosamente e em relativa paz, excluindo-se aí as rusgas de infância e juventude.

Um dos primos que dividia com ele as tarefas na empresa era Fabrício. Eles eram os melhores amigos um do outro e tinham a mesma idade. Gostavam de jogar futebol, de velejar e coincidentemente casaram com duas irmãs gêmeas. Na época da faculdade fizeram o mesmo curso e especialização.

Após se graduarem, Alceu foi morar na Europa por dois anos, aproveitando uma bolsa de estudos que havia ganhado na faculdade, num trabalho que fizera em conjunto com Fabrício. Em paralelo ao curso de pós-graduação, fez também estágios em algumas empresas fabricantes de móveis na Alemanha e Inglaterra.

A viagem, o estágio e a permanência na Europa haviam feito bem a Alceu. Todos lhe sorriam, inclusive Fabrício. Dias depois de retornar ao seu posto na indústria o primo veio lhe dar as boas vindas.

Ao voltar para o Brasil, trouxe na bagagem além do diploma, um polpudo contrato de representação de móveis de uma das mais tradicionais indústrias da Europa. Igualmente para a admiração de todos apresentou um pedido de alguns milhões de dólares que havia conseguido de lojas da Espanha, França e Bélgica.

Depois de entregar parte da encomenda de móveis, tiraram uns dias de férias juntos com suas esposas e filhos. Tudo ia bem, muito bem.

Um ano depois uma notícia caiu como uma bomba causando comoção em todos – Alceu havia sido assaltado e morto com um tiro ao chegar em casa depois de um dia de trabalho.

O tiro fatal havia lhe acertado o ouvido e ele morreu na hora. Nada havia sido roubado. A rua onde Alceu morava era deserta e com pouca iluminação, ninguém vira nada. Mistério total.

O delegado encarregado de investigar o caso disse sem nenhum medo que o assassinato de Alceu havia sido por vingança. A dedução dele é que ninguém atira na cabeça de alguém para roubar. E uma das observações do delegado foi a de que o tiro havia sido dado com o carro em movimento e com o vidro fechado.

Por que ele havia chegado a esta conclusão? Porque ao tomar o tiro e cair sobre o volante, o carro batera no muro a sua direita, e o vidro da janela que recebera o tiro caíra todo dentro do carro.

Logo, na sua conclusão ninguém atira em alguém com o carro em movimento para roubar, e vai embora sem levar nada, já que o lugar do crime estava deserto naquela hora da noite.

O crime precisava ser esclarecido e do gabinete do governador veio a ordem de que o assassino fosse descoberto a qualquer custo – o governador era casado com uma prima de Alceu e exigiu empenho nas investigações.  A tarefa do delegado estava se mostrando difícil, pois Alceu não tinha inimigos. O delegado ouviu todos os que trabalhavam na indústria. Ouviu ex-empregados, parentes, e os primos que trabalhavam juntos na empresa.

Todos os direitos reservados ao autor.

 

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