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O flagelo do ciúme

Posted on: December 1, 2009


Jehozadak Pereira

Ao que se recorda Geraldo foi feliz até que um dia conheceu Dalva e por ela se enamorou, paixão que o levou ao casamento meses depois. A partir daí foram vinte e cinco anos de muita raiva e frustração contida, pois Geraldo não é homem de explodir ou de reclamar, mas, poucos homens queriam estar no seu lugar.

Dalva sofre de ciúme patológico e transformou a vida da família num verdadeiro centro de torturas por causa das suas constantes explosões e cenas que não escolhem hora, lugar, data ou mesmo motivo. A última viagem de férias a Governador Valadares no Natal foi abortada logo na primeira semana, porque uma prima que Geraldo não via há anos o beijou e o abraçou, motivos suficientes para que móveis, pratos e copos fossem quebrados, roupas rasgadas e a prima fosse posta para correr sem a menor cerimônia. E não foi a primeira vez que isto aconteceu.

Geraldo perdeu a conta das vezes que trocaram de igreja e de casa por causa das suspeitas da mulher. Os três filhos foram crescendo e vendo tudo, e nem quando vieram todos para os Estados Unidos a coisa acalmou.

Sem ter vida social porque a medida que as pessoas se aproximavam do casal, logo as mulheres eram acusadas de dar em cima de Geraldo, e até a namorada do filho mais velho preferiu nunca mais voltar na casa por causa de Dalva, que sente ciúmes até das filhas.

A última e decisiva cena foi por causa de um atraso de Geraldo na hora de voltar para casa. Ao passar por uma das lojas brasileiras da cidade onde mora, Geraldo encontrou com um amigo dos tempos da juventude e perdeu alguns minutos conversando com ele e não atendeu ao telefone celular que havia ficado no carro.

Dalva o esperava na porta da casa e explodiu por causa da desconfiança de que o marido a estava traindo. O resultado foi o carro incendiado protagonizando mais um escândalo na vida deles. Quando a polícia e os bombeiros chegaram para apagar o fogo, Geraldo minimizou o fato e não prestou queixa contra a mulher, mas naquela tarde, junto com os filhos tomou a decisão de dar um basta naquilo tudo e foram embora deixando Dalva sozinha.  

Nos dias seguintes Dalva o seguiu, ameaçou, pressionou até que ele foi na Court mais próxima e pediu o divórcio, sem se importar com as ameaças da ex-mulher. Os filhos estão morando com ele e pela primeira vez em anos conseguiram rir e se divertir sem medo do que a mãe e mulher pudesse pensar.

Quantas histórias como esta você já viu ao longo da sua vida? Se não for a sua própria história de vida. Pois isto é uma realidade constante na vida de muitos. Quantas carreiras e vocações foram desprezadas e abandonadas por causa dos ciúmes? Quantas vocês conhecem?

Ao longo da história da humanidade o ciúme tem destruído lares, rompido com amizades, acabado com laços familiares, e invariavelmente não tem sido tratado com a devida atenção. O ciumento duvida de tudo e de todos, exaspera-se, o ciumento tem medo de perder.

As pessoas ciumentas são como todos nós, nossos vizinhos e parentes, talvez com uma diferença: sofrem e muito pelos seus comportamentos e atitudes.

São maridos com comportamentos bruscamente alterados em relação à esposa, após o nascimento do primeiro filho. São esposas que não suportam ver o sucesso de seus maridos; mães que agem com as suas filhas, como se elas fossem suas inimigas, ou são irmãos que passam a vida se digladiando e disputando a atenção dos seus pais a qualquer preço. São homens e mulheres possessivos que se agridem, se destroçam e até se matam, tudo por causa do ciúme.

O ciumento tem medo de perder. A ação à sua atitude é o choro e a autocomiseração. Por vezes o ciumento fica cego e não consegue ouvir a voz da razão. Chora, pede perdão e torna a fazer de novo, e pior. Dizem que o ciúme é o amor possessivo. Mentira, pois o amor jamais é possessivo. Ao procurar as razões do ciumento, vamos encontrá-lo mergulhado desde a sua infância com ciúmes de seus carrinhos, suas bonecas, dos seus pais, do seu cachorrinho de estimação.

Invariavelmente o ciumento tem baixa-estima, e julga-se ultrajado, desprezado e é extremamente possessivo. Ao se relacionar no casamento, com o seu cônjuge ele o tem como sua propriedade exclusiva e torna a vida em comum um suplício e um tormento para ambos.

É comum o cônjuge do ciumento passar a vida toda justificando o que não fez, e somente o faz para ter ou obter um pouco de paz, e pensa que no dia seguinte tudo vai voltar ao normal.

Quantas vezes são acusados sem nada ter feito, ou condenados sem culpa alguma. Por conta disto o ciumento vai vigiar, revistar bolsos, escutar conversas, vasculhar agendas, rediscar o último número chamado no telefone, olhar para onde o outro olha, fuçar o e-mail e fazer de tudo para “descobrir” uma infidelidade.

Quantas vezes o ciúme leva a morte, pois o ciumento é despeitado, invejoso, e por causa disto tem medo e receio de perder alguma coisa. E por conta disto põe tudo a perder, tal como fez Dalva a vida inteira.

Todos os direitos reservados ao autor

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1 Response to "O flagelo do ciúme"

Sou ciumento tenho alguns problemas nao tenho controle sobre mim , porque tudo isso me transforma em um mostro….. pq tudo deve ser assim eu nao aguento mais
……………………………………….
por favor eu estou sendo escravo do ciume

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