Jehozadak Pereira.com

Jogando a vaca no barranco

Posted on: January 13, 2011


Jehozadak Pereira

Nota do autor: Gosto muito deste texto que escrevi anos atrás, porque ele sempre é pertinente e atual. Muita gente sempre pede para republicá-lo, embora ele esteja aqui no blog. Para aquelas resoluções de início de ano é uma boa pedida. Enjoy!

Outro dia ouvi uma história deliciosa, da qual tirei muitas lições. Creio tê-la ouvido do reverendo Naamã Mendes. Um velho sábio e seu ajudante chegaram numa pequena fazenda onde moravam um homem e seu filho, e pediram para passar a noite ali. A miséria e a desolação do lugar era total e eles dependiam totalmente do leite que tiravam de uma vaca amarrada à beira da janela.

O mato tomava conta de tudo à volta deles e aliado à sujeira dava ao lugar um aspecto sombrio e desalentador. Conversando com os dois homens, o velho sábio viu-os conformados com a situação de miséria e penúria em que estavam.

Ao sair da casa de madrugada, o sábio puxou a vaca pela corda e a empurrou no primeiro barranco que encontrou, para espanto total do seu ajudante.

Um ano depois os dois voltaram e para surpresa do ajudante do sábio, o lugar estava totalmente modificado. Onde havia miséria, havia agora sinais de fartura e abastança. Pai e filho, ao contrário dos andrajos de um ano atrás, vestiam roupas boas e novas. Na garagem havia carros e no celeiro ao lado caminhões e tratores.

O que havia acontecido, perguntou o sábio? Alguém, que eles não sabiam quem era, havia empurrado a vaca deles no barranco, e sem outra alternativa eles viram que tinham de trabalhar arduamente. E foi o que fizeram. E trabalhando, a vida deles se modificou radicalmente.

Quantas vezes precisamos tomar umas sacudidas da vida ou de alguém que empurre barranco abaixo a nossa vaquinha. Muitos de nós ao virmos para a América nos esquecemos da dignidade e das coisas que tínhamos no Brasil. Moramos mal, dirigimos carros velhos, não nos alimentamos adequadamente, e com isto vamos nos degradando a cada dia que passa.

Moramos mal, porque nos sujeitamos a qualquer espelunca, às vezes em porões úmidos e mofados, e outras vezes convivendo com baratas e ratos, e o pior – quem nos aluga isto acha que está nos fazendo um favor imenso.

E os carros que andamos? Muitos pensam que se comprarem um “carro baratinho” vão economizar no seguro, e gastam muitas vezes mais em manutenção e no mecânico. Outras vezes convivemos com gente que só pensa em mediocridade e acabamos contaminados por isso, e quando nos damos conta, estamos como aquele pai e filho – agradecendo pela miséria e desconforto, achando que somos de fato coitados.

Muitos de nós deixaríamos chocados e pasmados nossos parentes e amigos que ficaram no Brasil, se os deixássemos ver onde moramos, o que comemos, do modo com que nos vestimos, e olha que nem estou falando de trabalho.

Sofremos e padecemos, às vezes por medo de tentar o novo, o diferente, o que não conhecemos. Mas, quantas histórias são escritas a partir de tragédias e infortúnios? Somente porque nos apegamos a chorar e a lamentar, sem nos dar conta de que a vida têm muito a nos oferecer.

Outro dia estava num restaurante e na hora de se servir no buffet, ouvi um conterrâneo dizendo que estava doente porque na casa onde mora, havia goteiras em profusão, além do aquecimento central ter sido desligado pelo dono por economia. E pagava caro por isso.

Fiquei pensando ou tentando imaginar os motivos dele para aceitar tais situações. Será que era por economia? Será que era por causa dos amigos que moram com ele ou por qualquer outra razão?

E aqueles que choram por causa dos parentes e amigos que ficaram no Brasil? Não há nenhum problema em chorar de saudade, o problema é fazer disto um muro de lamentações.

Muitas vezes Deus permite que passemos por situações para que cresçamos e desenvolvamos moral, mental e espiritual.  Desejo que você, no início de ano, jogue a sua vaquinha no barranco, antes que alguém o faça para você.

Pois às vezes nos apegamos a certas situações que nos impedem de crescer tal como a história do pai e filho do início deste artigo. Eu tomei uma decisão – vou jogar a minha vaca barranco abaixo. Espero que você faça o mesmo…

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1 Response to "Jogando a vaca no barranco"

Ilustre Jornalista e estimado amigo:

Continuo a acompanhar seu trabalho, e a enriquecer-me com as jóias de seu conhecimento.
Seus artigos são instigantes, polêmicos e bem fundamentados, o que o referencia como talentoso e hábil escritor.
Mais uma vez, receba meus cumprimentos por sua dedicada atividade profissional.

Darckson Lira.

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