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Adolescentes em crise

Posted on: March 14, 2011


Jehozadak Pereira

Quantas vezes já ouvimos a famosa frase de que os tempos mudaram? É certo que nossos pais e avós viveram em épocas totalmente diferentes da qual criamos os nossos filhos. As dificuldades da infância que muitos tiveram, nem de longe se assemelham às dificuldades enfrentadas pelas crianças, adolescentes e jovens dos tempos modernos.

Era comum crianças dos sete anos em diante ir trabalhar para ajudar no sustento da casa. Os filhos eram muitos e as dificuldades imensas.

No início da década de 60, a renda per capita dos brasileiros era equivalente a US 1,867. Hoje passa de US$ 5 mil. Sem contar que o Brasil era considerado um país subdesenvolvido e em processo de industrialização. As universidades eram acessíveis a um pequeno e seleto grupo, e a estabilidade familiar – os casamentos – era mais duradoura em todos os aspectos. Os meios de comunicação não eram tão eficientes, com a televisão praticamente engatinhando em muitos lugares no mundo todo.

Os tempos mudaram mesmo. Se antes a criação era rígida em princípios morais e éticos, e os filhos tinham obrigação de obedecer aos seus pais, hoje esta mesma educação já não é tão severa especialmente nos Estados Unidos onde vivemos.

Aqui é a terra e pátria dos ditos direitos humanos, tudo é permitido em nome das liberdades civis, desde declarar abertamente a opção sexual, e eles fazem questão absoluta de que isto fique patente e evidente, sendo possível ver nos carros adesivos com o arco-íris estilizado em vidros e pára-choques, sem contar os lugares onde a freqüência é de homossexuais – masculinos ou femininos – igualmente identificados pela bandeira multicolorida, contando com a indiferença da população americana.

Por vezes é possível encontrar pelas ruas, portas de escolas, metrô e ônibus com criaturas andróginas no modo de falar, de vestir, alguns com tantos piercings, brincos e alfinetes que as feições ficam disformes. E os cabelos? Pink, blue, green, entre outras tantas matizes. As idades? É possível identificar entre tantos alguns com onze, doze anos. E como fumam e bebem álcool! Diga-se que em muitos estados americanos tanto o fumo como a bebida alcoólica é proibida. Mas nunca os jovens e adolescentes americanos beberam e fumaram tanto como neste dias.

Em muitas escolas, é possível ver carros destruídos com os respectivos nomes dos adolescentes mortos em acidentes por causa da ingestão de álcool. A cada dia na América, mais jovens e adolescentes se envolvem em delitos, que vão desde dirigir sem a driver license – a carteira de motorista, tráfico de drogas, porte ilegal de armas, violência – inclusive sexual, roubo e assassinato entre outros tantos crimes. As estatísticas apontam que a cada ano a quantidade de crimes e contravenções praticadas por jovens e adolescentes é maior em relação ao ano anterior.

Nas escolas as crianças são ensinadas a denunciar as autoridades eventuais maus tratos praticados por pais, mães, irmãos, parentes. Qualquer correção que deixe marcas é denunciada incontinenti.

A grande e crucial questão é que as famílias têm negligenciado a educação e correção dos seus filhos, e o que vemos são cenas chocantes, como a de Nathaniel Brazill, o adolescente de 14 anos que em 2000 assassinou seu professor de inglês com um tiro no rosto, na Flórida, e foi condenado a 28 anos de prisão. Quando deixar a prisão, aos 42 anos, Brazill – ainda terá de passar dois anos em prisão domiciliar e mais cinco em liberdade condicional. Neste período, terá de fazer cursos de reinserção na sociedade.

Brazill foi julgado como adulto. Se o crime fosse de primeiro grau – premeditado, ele seria condenado possivelmente à prisão perpétua, ou ainda a tragédia na Columbine School, onde dois ensandecidos adolescentes mataram também a tiros treze pessoas, e por fim colocaram fim nas suas vidas. Poderia citar dezenas de casos de adolescentes americanos que cometeram assassinatos por motivos fúteis, ou sem uma motivação aparente, se bem que nenhum crime de morte é justificável.

Hoje cada vez mais filhos são deixados à mercê das suas próprias sortes. Alguns se deprimem, outros transgridem partindo para o crime, com conseqüências desastrosas e chocantes. Jeff Weise, de 17 anos pegou uma arma, invadiu a escola onde estudava e matou nove pessoas, entre eles seus avós. Admirador de Adolf Hitler, Weise era deprimido e estranho para muitos dos seus colegas. Jeff era órfão de pai e sua mãe é adoentada em virtude de um grave acidente de carro.

Explosões de ódio e rancor como este e de outros casos de adolescentes que são cada vez mais agressivos, tem se tornado comum, sobretudo, pela falta de perspectiva de vida de pais ausentes e omissos.

Além da delinqüência juvenil, um outro fator é motivo de preocupação para as autoridades – o alcoolismo, cada vez maior. Basta ir ao redor das escolas ou de festas onde há a participação de adolescentes e jovens para ver a quantidade de garrafas de bebidas alcoólicas vazias e jogadas pelos cantos. Outro fator preocupante é a iniciação sexual precoce, com o risco de se adquirir doenças sexualmente transmissíveis, além do vírus da Aids.

Hoje a educação deixou de ser um privilégio dos pais para se tornar uma imposição à sociedade e as autoridades. Ao deixar para as autoridades a tarefa de educar seus filhos, o que vemos é uma sociedade exasperada e sem a devida paciência com a delinqüência, que não hesita em corrigir aplicando a força fria da lei. Que os digam os reformatórios juvenis e as penitenciárias cada vez mais lotadas. Logicamente que há as exceções, existem pais que educam seus filhos de modo adequado e segundo os padrões bíblicos, mas parte considerável de gerações tem-se perdido por causa da severidade das leis de proteção aos jovens e adolescentes.

O quadro atual é o de uma geração que se assoma sem a devida atenção de pais e mães, que está à mercê das autoridades, que somente aplicarão o preceito legal. O resultado é que temos visto, atrevimento, insolência, falta de regras e de educação, ausência de preceitos hierárquicos, uma geração sem limites que não respeita absolutamente nada.

Esta é uma geração que tem sido criada sob os auspícios do famoso 911, que não hesita em punir quem corrige os seus filhos, a pretexto de os proteger. Mas é este mesmo 911 que será chamado para corrigir os delinqüentes de hoje que ontem protegeu. Uma sociedade permissiva e indulgente que já começa a se questionar sobre tanta liberalidade na educação dos seus filhos.

Basta ir as imediações de qualquer court para presenciar adolescentes e jovens acorrentados e algemados nos pés e nas mãos, por crimes cada vez mais graves. A maioria dos estados americanos prende, julga e condena menores como se fosse adultos, tamanha a gravidade dos delitos e crimes cometidos.

Em outubro de 2002, Suzane Louise von Richthofen, tramou a morte de seus pais – Manfred Albert e Marísia Von Richthofen. O casal foi morto a pauladas e marteladas quando dormiam pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos de Paula e Silva. Daniel e Suzane à época com 21 e 19 anos respectivamente eram namorados, e o faziam contra a vontade dos pais de Suzane.

A brutalidade e a frieza de Suzane durante o velório e sepultamento dos seus pais chocou a todos, especialmente ao delegado que conduziu o inquérito policial. Suzane foi a mentora intelectual do crime e em nenhum momento demonstrou arrependimento. Jovem, bonita e rica, Suzane tinha tudo para ser diferente. No entanto, optou pelo crime hediondo de permitir matar seus pais.

Todos os direitos reservados ao autor – 2005

 

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