Jehozadak Pereira.com

A morte de um rato

Posted on: May 2, 2011


Jehozadak Pereira

Agora há pouco Barack Obama anunciou a morte de Osama bin Laden, fundador e principal nome da rede terrorista Al Qaeda. Bin Laden é daqueles homens funestos que quando morrem costuma-se dizer que já foi tarde, principalmente pelas coisas que fez e proporcionou fazer. Certamente um comando americano fez o serviço – bem feito por sinal – e inclusive tem o corpo de bin Laden para provar o que dizem. Em 2003 escrevi este texto que está abaixo e que fala um pouco acerca do que foi e é o terrorismo internacional. Só errei numa coisa – que bin Laden estaria numa toca. Não estava não. Estava numa mansão certamente bem protegido, e pelo que se viu a proteção falhou e ele dançou. Tal como um rato…

O flagelo do terrorismo

Anos atrás, o terrorismo era eminentemente com fins políticos ou de protesto. Setembro Negro e OLP – Organização de Libertação da Palestina – palestinos; Baader-Meinhof – alemão, Brigadas Vermelhas – italiano, IRA – irlandês; Sendero Luminoso – peruano; ETA – basco, Hizbollah – Partido de Deus – libanês; FARC – colombiano entre outros grupos. Alguns destes grupos como Setembro Negro, Baader-Meinhof e Brigadas Vermelhas estão extintos ou já abandonaram a luta armada, e faziam terrorismo circunscrito aos seus países. Muitos foram vitimados por explosões, atentados, seqüestros, assassinatos, assaltos e incontáveis mortes, outros ainda estão na ativa ou optaram pela negociação política para conseguir os seus objetivos.

Hoje o terrorismo têm fins religiosos na maioria das vezes. Novas organizações com dirigentes radicais e fanatizados pela falsa religião, que acreditam piamente que suas causas são nobres e as suas ações são justas.

O jornalista francês Gilles Lapouge afirmou tempos atrás numa brilhante análise que “esses assassinos cegos consideram-se santos, heróis, pessoas sacrificadas, que hoje provocam desgraça com o objetivo de preparar a felicidade de amanhã”.

Os ataques são perpetrados por suicidas que buscam impingir o maior dano possível no lado atacado. Esta tática é muito usada por grupos palestinos que na figura de solitários homens-bombas – considerados “mártires” – explodem em lugares de grande concentração de pessoas. A partir dos anos 90, os atentados terroristas passaram a ser feitos com carros-bombas e o único objetivo é causar o maior número possível de mortes e destruição. Num atentado em 1997, dois terroristas suicidas, transportando cada um 10 quilos de TNT – 100 gramas de TNT é suficiente para explodir uma tonelada de rocha – explodiram seus corpos num mercado em Jerusalém matando 13 pessoas e ferindo 170, muitas com mutilações permanentes.

São milhares de mortos em atentados terroristas, em todo o mundo, e ao que parece este número tende a aumentar nos próximos anos.

Uma nova onda de terrorismo invadiria o mundo apartir da guerra do Afeganistão. Milhares de muçulmanos de vários lugares do mundo se alistaram como voluntários para expulsar os infiéis ateus que invadiram o solo sagrado muçulmano. Deu-se início aí à guerra santa e os alistados passaram a ser chamados de mujahedins ou guerreiros santos. Depois de dez anos de luta, eles venceram, com armas fornecidas pelo ocidente. Entre estes mujahedins estava Osama bin Laden e a história do mundo mudou a partir dele. Frio, calculista, sanguinário, impiedoso e arrogante, bin Laden que é dono de uma imensa fortuna pessoal, colocou tudo isto a serviço de uma causa – impor ao mundo uma nova e mortal ordem – a de matar civis em nome de Deus. Fundador e mentor da Al Qaeda – a Base – bin Laden, foi o mentor do maior ataque terrorista de todos os tempos. Ao atacar o World Trade Center em New York, em setembro de 2001, onde morreram mais de três mil pessoas, e de patrocinar outros atentados nos anos seguintes, bin Laden deu mostras suficientes que se o mundo civilizado permitir ele colocará fogo no planeta em nome de Deus e da sua religião. Para os mujahedins eles são o instrumento e o canal para livrar primeiro a Arábia e depois o mundo dos infiéis. E para isto usam explosivos.

Quando em 1996, bin Laden declarou guerra aos Estados Unidos, ninguém lhe deu muita importância, hoje o mundo vê que ele falava sério. A funesta Al Qaeda, volta e meia da as caras, embora o seu fundador esteja entocado feito um rato numa toca fétida qualquer por lhe falta coragem de colocar a cara de fora, sua vida não vale um tostão furado.

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