Jehozadak Pereira.com

Racismo

Posted on: August 9, 2011


Jehozadak Pereira

Escrevi este texto em 2005 e decidi publicá-lo novamente sem alterações pois é atual e desde então a situação piorou bastante. Sempre haverá um cretino e imbecil disposto a discriminar alguém por causa da sua opção pessoal, cor, credo religioso ou ideologia política. Acabei de ler uma reportagem onde um delegado de polícia diz que o neonazismo jamais vai ser extirpado da sociedade. Este é um legado maldito que um homem cruel, insano e diabólico deixou pra a humanidade e o pior é que apesar de haver tanto esclarecimento nos nossos dias, milhões de idiotas imbecilizados pelo preconceito e arrogância fazem disto um modo de vida. Muito triste.  

 

De tempos em tempos uma nova onda de uma velha prática se abate sobre o mundo. O racismo nos últimos anos tem provocado reações indignadas na sociedade e raramente algum ato de preconceito dá em alguma coisa.

Semanas atrás num jogo do Barcelona contra o Zaragoza pelo campeonato espanhol, o camaronês Samuel Eto’o – o melhor jogador africano no ano passado – foi alvo – novamente – de atitudes racistas, e só não abandonou o campo porque foi contido pelos seus companheiros e pelo árbitro da partida.

Para irritar Eto’o, a torcida adversária imitava macacos com gritos e gestos, e o racismo não acontece somente em campos espanhóis, mas em quase toda a Europa. Na Itália, o centroavante Paolo Di Canio, da Lázio de Roma, já foi multado duas vezes e suspenso por dois jogos por gestos racistas. Di Canio, que na juventude fazia parte de grupos radicais, é tido como um ídolo da torcida da Lázio que costuma ser saudada por Di Canio com o tristemente célebre gesto nazista do braço esticado.

Aliás, é na Itália, onde mais se vê a presença de neo-nazistas nos estádios portando bandeiras e símbolos do nazismo, além de portarem também símbolos do fascismo de Mussolini.

A sociedade está permeada de gestos racistas, como na novela Belissíma, onde Fladson, o filho da Dona Tosca se enamora de Dagmar, uma negra bonita e desembaraçada. Tosca não concorda com o namoro e faz questão de pedir para N. Senhora da Candelária levar Dagmar para bem longe de Fladson. Num capítulo recente para demonstrar insatisfação com Dagmar, Tosca, passa dois dedos sobre um dos seus braços, para indicar que o problema é de pele.

E foi este gesto que Antonio Carlos, zagueiro do Juventude do Rio Grande do Sul, com passagens por grandes clubes do futebol brasileiro como São Paulo, Palmeiras e Corinthians destratou Jeovânio, volante do Grêmio. O caso teve uma repercussão inesperada e Antonio Carlos foi suspenso por dois meses pela sua atitude.

Foi por causa do racismo que Ghandi se tornou um pacifista, Martim Luther King, um ativista e Rosa Parks um símbolo, e ao invés de diminuir, o que se vê ao longo dos anos é um aumento de atitudes e atos preconceituosos e discriminatórios.

Aqui nos Estados Unidos é comum ver nas ruas manifestações explicitas de racismo e intolerância. Certa feita, Carlos Tércio, um paulistano branco e de olhos verdes, foi preso por estar andando no carro com o seu patrão sem o cinto de segurança. O oficial da State Police que o prendeu mandou que ele tomasse cuidado para não sujar o carro dele que estava limpo. Como sujar o carro se ele não estava com roupas ou sapatos sujos. Na terceira vez que o policial falou isto, ele se deu conta de que ele era a sujeira da qual falava o oficial de polícia, que o ironizava o tempo todo.

Ao pagar a fiança para ser solto, ele perguntou ao policial qual era a razão de ele ter dito aquilo. Escória, foi a resposta para ele, que resolveu não levar adiante uma queixa contra o oficial, que ele descobriu ser descendentes de irlandeses, logo, um imigrante como ele. Conversando com amigos, Carlos descobriu que aquele oficial era famoso nas artes do preconceito, do racismo e da intolerância, e que não perdoava qualquer estrangeiro ou negro que lhe caísse nas mãos. Algumas vezes reclamaram contra ele, mas nunca ninguém provou nada.

Muitas vezes o racismo e o preconceito vem de forma velada, escamoteada, indireta e sempre é negada quando confrontada, e pega desprevenido suas vítimas. Alguns choram, outros reagem e se insurgem contra, mas a maioria deixa barato e por isso mesmo.

Pode-se e deve-se esperar que o racismo e o preconceito tome ares insuportáveis nos próximos anos e torne difícil a vida de muita gente, principalmente os negros. Por mais que as autoridades se esforcem para coibir os abusos eles vão continuar existindo sempre, seja nos estádios de futebol, seja nas novelas, e principalmente no cotidiano de uma multidão de pessoas. Infelizmente.

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