Jehozadak Pereira.com

A crise – interminável – na comunidade brasileira em Massachusetts

Posted on: April 9, 2012


Jehozadak Pereira

Este texto foi escrito em 21 de agosto de 2010 e publicado em seguida. Mostra a crise da qual a comunidade brasileira no Estado de Massachusetts vem passando e que se agravou desde então. O protagonista é o mesmo e onde tudo isto vai parar não se sabe. Mas pelo caminhar das coisas, vai longe…

O tiro no pé de Fausto da Rocha

Nada podia ser pior neste instante do que as declarações de Fausto da Rocha, ainda diretor-executivo do Centro do Imigrante Brasileiro ao portal G1 do sistema Globo de Jornalismo. Apesar de todos os esforços e do esclarecimento do Census Bureau acerca da privacidade e do sigilo dos dados colhidos da população que tem sido exaustivamente feito já há alguns meses, Fausto, sabe-se lá por quais motivos e razões resolveu simplesmente detonar com tudo isto.

É notório que Fausto da Rocha é tido como a personalidade de mais evidência entre a nossa comunidade nos Estados Unidos e tem desde há alguns anos uma carreira de bons serviços prestados na defesa dos direitos do trabalhador brasileiro. No entanto, nos últimos tempos Fausto tem perdido o seu tempo com algumas posições e posturas totalmente dispensáveis, como a sua perseguição ao cônsul-geral do Brasil em Boston entre outras.

Suas críticas, especialmente as que faz no programa de rádio, extrapolam o bom senso e a simples reclamação, ao partir para os ataques pessoais, talvez motivado pelo seu passado de ativista político no Brasil, onde importava reclamar, não importando contra quem. É a velha máxima dos ativistas espanhóis, de que se hay gobierno, soy contra.

Fausto poderia ser hoje se quisesse a maior liderança brasileira na América, mas ao invés de se tornar um grande prefere se apequenar. É notória a falta de um líder capacitado e coerente na comunidade brasileira, e certamente o diretor-executivo do Centro do Imigrante Brasileiro com seus 20 anos de América pode e tem a capacidade de saber o que de fato a comunidade precisa. Porém, quando deveria conjugar o verbo no plural, prefere conjugá-lo no singular, prestando um desserviço imenso às entidades como o Census Bureau e o Consulado Brasileiro. Poderia também ter ido muito mais longe do que foi se deixasse de lado algumas posições pessoais de intransigência deliberada.

Fausto não pode ignorar que sua voz tem um peso considerável, e há uma grande parcela da comunidade brasileira que o tem como um referencial importante e talvez o único. Fausto precisa saber que sua voz só é ouvida porque tem atrás de si uma entidade de respeito e de luta como o Centro do Imigrante Brasileiro, daí, a importância do que fala.

Inclusive, o board do Centro do Imigrante Brasileiro fez questão de dizer que a opinião emitida por Fausto a favor de um boicote ao censo é pessoal, mas como dissociar a fala da pessoa da entidade? Tampouco adiantaria jogar a culpa em cima do jornalista que fez a reportagem, pois este expediente já não cola mais

Se Fausto quisesse emitir a sua opinião como pessoa – e tem todo o direito de fazê-lo, deveria se afastar definitivamente do seu cargo, pois certamente a repercussão do que disse seria outra totalmente diferente. Também precisa saber que é hora de deixar o lugar para que outro tome conta e conduza uma das mais conceituadas organizações brasileiras no exterior ao patamar que ela precisa estar, e que tanto falta faz para a comunidade brasileira.

Não se sabe ainda se Fausto da Rocha foi infeliz ou precipitado – ou ambas as coisas – nas suas declarações, mas a realidade é que o estrago foi feito e agora teremos que nos desdobrar para corrigir o que foi dito.

Há por parte de alguns setores da sociedade, principalmente algumas lideranças religiosas  hispânicas um movimento para boicotar o Census 2010 em troca de uma anistia aos imigrantes indocumentados, e talvez seja a vontade de estar bem com esta gente é que tenha levado Fausto a se posicionar ao lado deles, mas há de se ressaltar que este boicote inoportuno gere problemas irremediáveis para quem está aqui sem documentos, ou seja, é possível que tudo piore em vez de melhorar. Se querem fazer um boicote que o façam, mas deixem de lado o Census 2010.

Fausto da Rocha poderia ter ficado calado em vez de pregar o boicote ao Census 2010, mas preferiu falar e deu um tiro no próprio pé, e desta vez passou de todos os limites.

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