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Lições que o Palmeiras precisa aprender com o Corinthians

Posted on: July 5, 2012


Jehozadak Pereira

Enquanto o Corinthians batia o Boca Juniors e conquistava a sua maior glória na noite da quarta-feira, o presidente do Palmeiras e um conselheiro trocavam socos e pontapés mostrando que o bastidor do clube é de longe o mais conturbado do futebol brasileiro. Tudo isto aconteceu na véspera da decisão da Copa do Brasil contra o perigoso Coritiba, e certamente vai refletir no time em campo. Uma prova disto é a permanente tensão entre Luis Felipe Scolari e a diretoria do clube, sempre com os nervos a flor da pele e com críticas ferrenhas de todos os lados.

A briga entre o presidente e um conselheiro é digna de times de várzea onde quem grita é o melhor do time e onde o dono da bola e das camisas joga porque manda. O Palmeiras que um dia foi grande, ou melhor, um gigante que hoje caminha para ser um anão futebolístico, pois não é nem sombra do clube que foi no passado. O Palmeiras foi o primeiro time que teve estampado a marca de um fabricante de material esportivo – Adidas; foi o primeiro a fechar um contrato de publicidade para a camisa em 1984; foi o primeiro a fechar um contrato de parceria – Parmalat.

Porém, as coisas começaram a mudar no dia em que os bastidores políticos do clube se dividiram e tudo desandou. Tudo ficou pior quando o grupo de Mustafá Contursi assumiu e dominou a política do clube entre 1993 e 2005. A partir daí as correntes políticas do clube se digladiam frequentemente e tudo acaba refletindo no campo. Contursi lançou a moda dos times bons e baratos e isto fez com que o Palmeiras caísse para a Série B em 2003. Até hoje Contursi dá as cartas por lá e faz e desfaz tudo de tal modo que não há estabilidade e nem paz para que se trabalhe em paz.

Tem também dirigente de torcida uniformizada que ameaça, persegue, bate e pressiona técnicos, jogadores e dirigentes e se vale da truculência para impor a sua vontade e desejo, volta e meia a torcida persegue e agride jogadores que vão embora para nunca mais voltar, ou seja, truculência e violência em primeiro grau.

As campanhas do Palmeiras têm sido medíocres nos últimos anos e os vexames se sucedem uns aos outros. Quando treinou o Palmeiras pela primeira vez, Luis Felipe Scolari vivia as turras com parte da torcida, a quem apelidou de “turma do amendoim”, que o vaiava impiedosamente. A cada gol que o time marcava, Scolari se virava para a torcida e fazia caretas, quando não dava uma banana e os chamava para a briga.

Hoje o Palmeiras é um clube com camisas de aluguel sempre a disposição de empresários que colocam seus jogadores numa das maiores vitrines do futebol brasileiro e com isto o Palmeiras vai seguindo firme no caminho de se transformar somente numa camisa outrora gloriosa. Nos últimos tempos o Palmeiras abrigou jogadores sem categoria e gabarito para jogar por lá e só o fizeram porque na maioria das vezes possuem bons padrinhos e empresários poderosos para que se valorizem e depois os vendem com lucro.

O Palmeiras não passa uma temporada sem dar um vexame, de preferência contra algum time pequeno ou inferior tecnicamente. Não se sabe se o problema é arrogância, soberba, menosprezo ou excesso de confiança mesmo. Na realidade o problema do Palmeiras é a eterna guerra entre situação e oposição que se desenrola há anos seguidos com prejuízos e reflexos enormes no campo. Por outro lado há uma torcida violenta e impaciente, sempre pronta a explodir e atacar jogadores, não se sabe se insufladas por alguma corrente política contrária a atual gestão.

O Corinthians é um dos maiores vencedores nas últimas duas décadas no futebol brasileiro e somente conseguiu isto após apaziguar a sua política e de os dirigentes ter levado a coisa de tal modo que o que vale são as conquistas em campo e que deixam longe do time as divergências dos bastidores. A conquista do Campeonato Brasileiro no ano passado e da Copa Libertadores é a prova de que a gente corintiana está no caminho certo, lição que os dirigentes palmeirenses precisam aprender imediatamente por uma questão se sobrevivência.

O certo é que o Palmeiras é um eterno barril de pólvora sempre pronto a explodir e as lições corintianas devem sim, ser seguidas pelos dirigentes palmeirenses, caso contrário o time irá de mal a pior, vivendo de lampejos cada vez mais opacos e ocasionais.

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