Jehozadak Pereira.com

Uma ‘bênção’ chamada eleição

Posted on: July 17, 2012


Jehozadak Pereira

Há poucos dias a mídia anunciou que Silas Malafaia vai apoiar o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes na sua pretensão de se reeleger. Há de se dizer que ano de eleição é uma ‘bênção’, tamanha a possibilidade de que alguns líderes sejam abençoado ao apoiarem os políticos. Não estou dizendo e longe de mim insinuar qualquer coisa contra quem quer que seja, inclusive Silas Malafaia. Em 2002 escrevi este artigo que publico abaixo e o mundo caiu na minha cabeça, inclusive com o próprio Malafaia me esculhambando por causa disto. Na época o texto foi publicado originariamente no http://www.aleluia.com.br que já não existe mais e o Rodrigo Bressane que era o web master foi pressionado por muita gente ligada ao staff de Garotinho para tirar o texto do ar. Vou postar algumas das manifestações de algumas pessoas contra mim para que vejam o tamanho da pressão. Ainda bem que Garotinho não foi eleito, mas sem dúvida alguma ganharam todos, se é que me entendem…

Um presidente evangélico

Em outubro de 2002, teremos eleições gerais, e um dos cargos a ser votado é o de presidente da república. Os candidatos são muitos. Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes, Itamar Franco, Antonio Carlos Magalhães, José Serra, Geraldo Alckmin, Paulo Maluf, Eduardo Matarazzo Suplicy, Orestes Quércia, Enéas Carneiro, Leonel Brizola, Pedro Simon, Pedro Malan, Paulo Renato de Souza, e Anthony Garotinho entre tantos outros.

Cada um dos pretendentes tem uma tendência ideológica, de esquerda, de direita, de centro, moderado, conservador, o que é perfeitamente normal numa multiplicidade de candidatos como a que teremos. Entre tantos nomes um deles se destaca, visto a sua condição de cristão, que é o governador do Estado do Rio de Janeiro – Anthony Garotinho.

Ao se movimentar para mobilizar sua candidatura Garotinho, criou alguns fatos e circunstâncias, que atraíram sobre ele a atenção da mídia. A revista Veja na sua edição número 1708 – 11/7/2001, trouxe a matéria Rádio, marketing e gogó – O velho populismo é o combustível de Garotinho na corrida presidencial. A matéria traz um perfil do jovem governador carioca e os seus métodos utilizados. Na edição seguinte Garotinho ocupa novamente as páginas da revista Veja. Primeiro na seção Radar onde é comparado a Fernando Collor, certamente o pior presidente da república que o Brasil já teve, e em matéria de duas páginas com o título Vozes do passado que conta à história de um grampo telefônico, envolvendo o governador e o pagamento de propina a um fiscal da Receita Federal.

O que fez o governador? Foi à Justiça para impedir que as fitas fossem divulgadas na imprensa. Depois se justificou dizendo que eram somente ‘R$ 500,00’. A reportagem traz a informação de que o processo foi arquivado pelo Ministério Público Estadual e Federal por falta de provas, visto que as gravações ilegais não são aceitas como evidência de crime. Igualmente a matéria mostra o relacionamento de Garotinho com Jonas Lopes de Carvalho, amigo de longa data e assessor quando o governador foi prefeito da cidade de Campos, e hoje instalado no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. O problema todo é decorrente do sorteio de carros e casas num programa de auditório que era comandado por Garotinho, e que foram fraudados, daí a origem do grampo telefônico. O fato ocorreu em 1995, quando Garotinho após deixar a prefeitura de Campos, não conseguiu eleger-se governador carioca.

Pois bem, a revista CartaCapital na sua edição número 151, traz a matéria Sucessão 2002 – O esquema Garotinho: Jesus, Rádio e Cia. Onde toda a movimentação do governador carioca e de sua troupe é apresentada. Inclusive o relacionamento com um ex-integrante do staff de Fernando Collor, e da fartura financeira que cerca a divulgação das falas de Garotinho em programas radiofônicos pelo país afora.

Citei somente três matérias envolvendo o governador Garotinho, mas poderia citar outras trinta. Em todas elas sempre é feita alusão ao fato de Garotinho ser evangélico, e em geral sempre depreciando o governador. Sua esposa Rosinha Matheus, afirma que os ataques são por causa exclusivamente da subida de Garotinho nas pesquisas de indicação de votos, que na realidade não valem para nada. Porém, as acusações muitas vezes não são desmentidas e a cada uma delas surge um fato desabonador.

Não estou discutindo isto, ou a conversão, ou a fé, ou a convicção religiosa de Garotinho. O que preocupa é o fato de que Garotinho se apresenta como a solução para os problemas do Brasil. Será muito fácil para qualquer um com um pouco de carisma pessoal – e Garotinho tem carisma – escudado por uma condição – a de evangélico – lastreado por uma boa assessoria de marketing e comunicação – infindáveis recursos financeiros – que parece não faltar no caixa; apresentar-se como candidato e constranger o povo cristão a votar nele. E é isto o que Garotinho tem feito, com maestria.

O que se fazer pensar também é que Garotinho tem sido atacado por ser evangélico, o que não é verdade. O que a imprensa tem mostrado são os (maus) modos e como se comporta o governador e aqueles que lhe cercam, além do que Garotinho não está isento de ser criticado ou mesmo que tenha as suas falhas apontadas pela mídia de um modo geral.

Alguns podem me dizer que o Brasil já foi governado por todo tipo de gente. Concordo. Até por um que tinha a confissão luterana – Ernesto Geisel, presidente numa época de escuridão democrática para o Brasil, e vejam que a sua condição de religioso não impediu que o país passasse por uma etapa a ser esquecida, principalmente no campo das liberdades individuais.

Época em que se matava nos quartéis e se dizia que tinha sido suicídio. Depois o catolicismo com Tancredo Neves que não chegou a assumir, e que nos reforça a convicção de que Deus está no comando de todas as coisas – Provérbios 21:1.

Fomos governados por José Sarney e seu sincretismo exacerbado, ou não é de conhecimento geral as suas idas e visitas a Codó no Maranhão, tida como a cidade onde mais se pratica feitiçaria no Brasil? É só ler os jornais e revistas na época do governo Sarney para ver com quem ele se aconselhava, especialmente com Neyla Alckim, médium mineira, ou os recados que recebia de Adelaide Scriptori, médium espírita do centro Cacique Cobra Coral, que dá conselhos a políticos e personalidades.

Com Fernando Collor, desesperado para não ser mandado embora, as seções de magia branca, negra e tudo o mais que se podia fazer para evitar a debacle, atividades que se mostraram ineficientes para lhe assegurar o poder. No atual governo, o presidente embora tenha ido a cultos evangélicos e até ter falado ‘Aleluia’ num deles, é conhecido por seu ateísmo, desmascarado que foi anos atrás por Boris Casoy, num debate televisivo. Um dos seus ministros mais influentes, o general Alberto Cardoso é espírita.

Agora mesmo ao renunciar para não ser defenestrado por seus pares, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães apelou para todos os santos e orixás para que sua situação fosse revertida. Igual a Fernando Collor foi para casa do mesmo modo.

Você tem-se perguntado se não é hora de termos um dos nossos no cargo de presidente da República? Antes de respondermos vamos continuar na mesma reportagem da revista CartaCapital. A matéria informa que a bancada evangélica na Câmara Federal é de 49 deputados, ou seja, quase 10% dos deputados são evangélicos. Uma bancada considerável.

Continua ainda a matéria: Uma das maiores entidades evangélicas – a Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo – é dona da terceira maior rede de televisão do País, a Record, e controla sozinha uma bancada de 15 deputados, liderados pelo Bispo Rodrigues (PL-RJ). Macedo, no entanto, sempre se limitou a usar seu peso político para pleitear benesses e favores ao governo federal, sem ousar vôos mais altos. (sic).

Além de pensar ter o poder espiritual buscam o poder temporal, como se ele fosse importante. Sem grandes malabarismos teológicos vejamos o que nos diz I Timóteo 2:1-2, Romanos 13:1,

Tito 3:1. Os textos dizem para orar, obedecer, honrar…

Não diz que é para se envolver na política.

Ressalte-se que o senhor Anthony Garotinho, tem todo o direito – democrático inclusive de pleitear e postular o cargo de mandatário da nação, mas tornar isto uma cruzada religiosa ou uma missão celestial é inaceitável. Se ele – Garotinho quer o cargo que se candidate, sem usar a sua condição de evangélico, sem fazer disto uma plataforma política, buscando lançar todo o povo de Deus numa batalha do bem – ele – contra o mal – todos os outros candidatos. Sobretudo, porque há coisas, fatos e circunstâncias que o envolvem que não estão claramente explicadas, e que se existir líderes evangélicos que o apóiem nesta empreitada que o façam pessoalmente e não em nome da coletividade.

Os analistas políticos dizem que Garotinho tem tudo para reeditar Collor de Mello, na trajetória, nas atitudes e, sobretudo nas companhias.

Não me sinto obrigado ou mesmo constrangido a votar em Anthony Garotinho, só porque ele se diz cristão, o que quero é votar de acordo com a minha consciência. O que temos de ter em mente é que não precisamos de que o presidente da república seja um evangélico, o que precisamos é que ele seja temente a Deus, pois o Senhor o conduzirá do Seu jeito e modo. Ou não é o que nos diz Provérbios 21:1? E você o que acha?

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