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Vencendo a depressão

Posted on: January 10, 2013


Jehozadak Pereira

A cabeleira Viviane Ramos viu suas filhas crescerem pelas fotografias que sua mãe remetia periodicamente pelo correio. Junto com seu marido, imigrou para os Estados Unidos no final da década de 90 para melhorar de vida. A distância da família, o choque cultural e a dificuldade de adaptação lhe renderam uma grave crise de depressão. “Senti solidão, saudade e entrei num estado de stresse muito grande que culminou com forte apatia em relação à vida”, afirma. Vivian só superou esse estado com ajuda médica.

É cada vez maior o número de casos de depressão, principalmente entre os imigrantes e a doença não escolhe idade, classe social ou raça. Nos Estados Unidos, os imigrantes estão mais passíveis à depressão por estarem longe de casa, da família e num ambiente muitas vezes adverso. Entre os brasileiros é muito comum a auto-medicação. Como os remédios são trazidos do Brasil sem o devido acompanhamento, em vez de curar, tem aumentado a gravidade da doença.

O que leva pessoas bem sucedidas, realizadas profissionalmente, acomodadas socialmente, com situações financeiras estáveis e aparentemente saudáveis a se deixar abater pela depressão, que é chamada de um dos flagelos da humanidade? O que dirá então daquelas que estão longe de seus familiares, parentes, amigos e do seu próprio meio, sendo forçados a viver praticamente como clandestinos sem nenhuma perspectiva a curto prazo e, às vezes, com medo da própria sombra ou da campainha que toca no meio da noite?

A depressão e o desânimo faz com que o dia mais ensolarado torne-se o mais sombrio período. Faz com que o ser humano sinta-se só no meio da multidão. Os dias são passados na mais absoluta falta de vontade de fazer qualquer coisa. Há a prostração total, que aliada a uma letargia insistente torna o indivíduo vítima de si mesmo.

E via de regra o depressivo só quer saber de morrer, e de preferência só e sem ninguém por perto. Não há uma explicação científica para a depressão. Isto é narrado por médicos e terapautas e serve de objeto de estudo nas nuances das crises vividas por cada um. Familiares e amigos, às vezes, são chamados para tentar desvendar os mistérios de uma mente deprimida.

Uma questão suscita dúvida: a depressão é clinica ou patológica? Como tratar o deprimido? Invariavelmente, os medicamentos ministrados aos deprimidos são antidepressivos que tornam a pessoa ainda mais passiva e distante do mundo real que o cerca. Para alguns, do mesmo modo que a depressão vem, ela vai aliviando a mente e deixando o deprimido aliviado e sem uma resposta para o mal que o acometeu.

Um grande número de pessoas deprimidas se matam a cada ano por não conseguir aceitar o mal que lhes foi imposto. A medicina tem buscado respostas para a depressão ano após ano e não as encontra.

A doença têm vários níveis que não podem ser menosprezados. Somente um especialista poderá indicar o tratamento adequado, analisando caso a caso.

Mesmo uma situação de nervosismo ou de angústia aparentemente passageira merece atenção. Não há uma estatística de quantas pessoas padecem de depressão e desânimo, mas uma coisa é certa: neste contingente estão pessoas de todas as camadas sociais e não há privilégio de uma classe específica. A medicina espera em curto prazo a descoberta da profilaxia correta para o tratamento adequado do mal dos nossos dias.

Os fatores que podem causar a depressão são inúmeros. Casamento e relacionamentos amorosos em crise, abandono, traição conjugal, morte e rompimentos de amizades, perda de emprego e sobretudo de identidade pessoal – muito comum nos imigrantes, solidão, falta de perspectiva de vida – principalmente para adolescentes e jovens, talvez as maiores vítimas nos dias atuais. O reflexo imediato é a falta de cuidados pessoais com a aparência física e o modo de se vestir. Outro reflexo é o desleixo com a casa, com o carro e com os objetos pessoais; o choro fácil e o isolamento do mundo. Para algumas pessoas o simples fato de estar envelhecendo é motivo suficiente para que a depressão as atinja em cheio.

Nos Estados Unidos, os imigrantes são mais passíveis de depressão. Entre eles, tem sido muito comum a auto-medicação com antidepressivos como o Prozac, o campeão de uso. Os remédios são trazidos do Brasil sem o devido acompanhamento médico e em vez de curar, tem piorado acentuadamente os casos de depressão. Há casos de brasileiros irem parar nos hospitais e consultórios americanos por causa do uso de antidepressivos sem receita médica.

Ciente de que não poderia sair sozinha da depressão, Viviane buscou ajuda médica e com o tratamento se livrou do problema e também pode ajudar uma amiga que frequenta a mesma comunidade que ela a buscar tratamento, pois ela tomava remédios que mandou trazer do Brasil por conta própria e piorava cada vez mais. “Hoje estou curada e sei como lidar com o problema se ele surgir de novo, o que espero que não aconteça”, diz Viviane.

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1 Response to "Vencendo a depressão"

Muito boa sua abordagem sobre este tema: depressão. Pena que por aqui, no Brasil, mesmo sendo receitado por psiquiatras, ninguém faz acompanhamento do doente. Nem mesmo pagando consultas…

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