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Jehozadak Pereira

Foi com muito custo e insistência que Aparecida, uma brasileira que mora numa cidade localizada no South Shore – Região Sul de Massachusetts, falou sobre o problema que Gabriel, seu filho caçula enfrenta. Aparecida somente falou com o compromisso de anonimato e privacidade. No fim do ano passado, Aparecida notou uma mudança repentina no comportamento de Gabriel que não queria mais ir para a escola e se mostrava irritadiço e agressivo. Depois de muita conversa Aparecida e o marido americano descobriram o motivo. Gabriel que tal como suas irmãs nasceu nos Estados Unidos, está sendo perseguido e hostilizado por alguns dos seus companheiros de colégio por jogar futebol melhor do que todos os seus colegas e por causa disto ser muito popular. Read the rest of this entry »

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Jehozadak Pereira

Reportagem que escrevi e que foi publicada em 2011 no jornal METROPOLITAN onde fui editor por quatro anos. Histórias de duas famílias que lidaram com o bullying.

Há alguns meses contamos a história de Aparecida, uma brasileira que mora numa cidade localizada no South Shore, que com muita insistência falou sobre o problema que Gabriel, seu filho caçula enfrentava. Aparecida somente falou com o compromisso de anonimato e privacidade. No fim do ano passado, Aparecida notou uma mudança repentina no comportamento de Gabriel que não queria mais ir para a escola e se mostrava irritadiço e agressivo. Depois de muita conversa Aparecida e o marido americano descobriram o motivo. Gabriel que tal como suas irmãs nasceu nos Estados Unidos, estava sendo perseguido e hostilizado por alguns dos seus companheiros de colégio por jogar futebol melhor do que todos os seus colegas e por causa disto ser muito popular. Aparecida e o marido procuraram a escola e pediram providências, mas mesmo assim as hostilidades não diminuíram. A prática é conhecida por bulliyng e a mãe levou Gabriel para atendimento psicológico e também mudou a sua rotina para ir levar e buscar Gabriel de 11 anos na escola todos os dias. “Tenho medo de que alguma coisa mais séria possa acontecer e por isto estou acompanhando o Gabriel  todos os dias. Estes meninos que implicam com ele, são velhos conhecidos e a cada época pegam no pé de um ou de outro e agora parece que resolveram atormentar o Gabriel”, disse Aparecida.

Para a educadora Sibia Keila Bolzan Nascimento, bullying é um termo de origem inglesa utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo – bully ou “valentão” ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz/es de se defender.

Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.

“Por não existir uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar todas as situações de BULLYING possíveis, as descrição a seguir, relaciona algumas ações que podem estar presentes: Colocar apelidos, ofender, zoar, gozar, encarnar, sacanear, humilhar, fazer sofrer, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar, agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, roubar, quebrar pertences.

A cada dia este problema tem aumentado. Sabe-se que a origem vem dos lares onde se encontra violência física e psicológica, falta de paciência e amor. Tudo isto vem refletir nos relacionamentos, nas escolas e na sociedade, tem se retornado um problema social que atinge o profissional, como o usuário de drogas, com violência sexual e doméstica.

Saímos então dos lares para uma realidade social grave e urgente, de crianças e adolescentes sofrendo e perpetuando este mal social. Sem dúvida, famílias e governo se encontram diante de mais um problema devastador e cruel para ser superado”, diz Sibia Keila.

Há alguns dias, uma outra mãe procurou a reportagem de o METROPOLITAN para contar o drama enfrentado por sua filha de oito anos que passou por maus bocados nas mãos das filhas da atual esposa do seu pai. Os pais de Isabella se separaram quando ela tinha três anos e o pai da menina casou-se com uma americana e foi morar em Connecticut e não perdeu contato com a filha. A nova esposa do pai de Isabella tem três filhas com idade entre 8 e 14 anos de casamentos diferentes e a mãe da menina nunca havia notado nada de estranho até cerca de seis meses atrás, quando Isabella começou a arrumar desculpas para não ir passar os finais de semana na casa do pai.

Em princípio, a mãe não estranhou e considerou como “manha”, até que numa manhã de sábado quando o pai chegou para buscá-la, estava ardendo em febre. Levada ao médico, não foi constatado nenhum problema e horas mais tarde Isabella estava sem febre alguma. Desconfiada de que alguma coisa estava acontecendo, a mãe de Isabella conversou longamente com ela e acabou descobrindo as razões pelas quais a menina não queria ir mais na casa do pai passar os finais de semana.

As filhas da esposa do seu pai ofendiam-na, puxavam seus cabelos, escondiam suas roupas e numa determinada ocasião quando estavam sozinhas em casa chegaram a trancá-la no basement durante horas e a ameaçaram caso ela contasse alguma coisa para alguém.

Numa outra ocasião, quebraram um vaso de estimação da mãe e jogaram a culpa em Isabella que mesmo negando foi castigada pelo seu pai e ainda repreendida por sua mãe.

Quando soube do que estava acontecendo há meses a mãe das meninas chorou e buscou ajuda especializada para elas e soube que a filha do meio era a mais atrevida e violenta e que estava envolvida em outros casos de bullying na escola.

“Estou contando a história do que aconteceu com a minha filha para que outras mães fiquem atentas a qualquer problema que possa estar acontecendo com as suas crianças que são molestadas por outras crianças. Eu fiquei abalada quando o psicólogo que atendeu a Isabella disse que a febre que ela havia sentido para não ir para a casa do pai era a somatização da violência que ela estava passando. Conversamos longamente, eu, o pai dela, a esposa dele e o meu namorado decidimos que não vamos envolver a polícia no assunto, mas as meninas, principalmente a filha do meio, vão ter que se tratar e ter acompanhamento especializado. A mãe das meninas ficou transtornada e buscou entender as razões de tanta violência contra uma criança por outras crianças”, concliu a mãe de Isabella.

O que é bullying?

São atos agressivos, físicos ou verbais praticados por crianças ou adolescentes que se juntam para humilhar, agredir, disseminar mensagens na internet e mensagens de texto. Hoje o bullying extrapola o ambiente escolar e ganha as ruas e até casas como foi o caso de Isabella

Como agir?

Leve a sério qualquer sinal de problemas com seus filhos, mesmo que pareça banalidade ou tolice

Quais são os sinais evidentes de bullying?

Comportamentos solitários ou de isolamento; febre, choro, vergonha repentina e alheamento podem significar que sua criança está sendo abusada por outros colegas

Ajuda

Ao menor sinal de problema, busque ajuda na direção escola ou entidade; não culpe sua criança e dê-lhe todo apoio e solidariedade. Lembre-se que quem mais precisa de ajuda é quem pratica o bullying que deve ser identificado e monitorado. Não se omita nunca!


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