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Jehozadak Pereira

Publicada no ‘Jornal da Tarde’ em junho de 1993, acerca do título do Palmeiras em cima do Corinthians no Campeonato Paulista

Foi duro agüentar tantas gozações dos corintianos após o 1×0 do primeiro jogo. O gol “porquinho” marcado por Viola despertou muitas apelações do tipo “ganhamos da seleção do porco rico”; dia 14/6 seria feriado do “dia dos porcos tristes”, e por aí afora.

Mas no último jogo o que vimos foi o Viola virar “cavaquinho”, e daqueles bem desafinados, e o Neto virar “primo”, daqueles de quinto grau e bem distante. O Palmeiras mostrou que quem morre na véspera é só peru. E o Corinthians ficou como “campeão da semana” e o Verdão como “campeão do ano”.

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Jehozadak Pereira

Enquanto o Corinthians batia o Boca Juniors e conquistava a sua maior glória na noite da quarta-feira, o presidente do Palmeiras e um conselheiro trocavam socos e pontapés mostrando que o bastidor do clube é de longe o mais conturbado do futebol brasileiro. Tudo isto aconteceu na véspera da decisão da Copa do Brasil contra o perigoso Coritiba, e certamente vai refletir no time em campo. Uma prova disto é a permanente tensão entre Luis Felipe Scolari e a diretoria do clube, sempre com os nervos a flor da pele e com críticas ferrenhas de todos os lados.

A briga entre o presidente e um conselheiro é digna de times de várzea onde quem grita é o melhor do time e onde o dono da bola e das camisas joga porque manda. O Palmeiras que um dia foi grande, ou melhor, um gigante que hoje caminha para ser um anão futebolístico, pois não é nem sombra do clube que foi no passado. O Palmeiras foi o primeiro time que teve estampado a marca de um fabricante de material esportivo – Adidas; foi o primeiro a fechar um contrato de publicidade para a camisa em 1984; foi o primeiro a fechar um contrato de parceria – Parmalat.

Porém, as coisas começaram a mudar no dia em que os bastidores políticos do clube se dividiram e tudo desandou. Tudo ficou pior quando o grupo de Mustafá Contursi assumiu e dominou a política do clube entre 1993 e 2005. A partir daí as correntes políticas do clube se digladiam frequentemente e tudo acaba refletindo no campo. Contursi lançou a moda dos times bons e baratos e isto fez com que o Palmeiras caísse para a Série B em 2003. Até hoje Contursi dá as cartas por lá e faz e desfaz tudo de tal modo que não há estabilidade e nem paz para que se trabalhe em paz.

Tem também dirigente de torcida uniformizada que ameaça, persegue, bate e pressiona técnicos, jogadores e dirigentes e se vale da truculência para impor a sua vontade e desejo, volta e meia a torcida persegue e agride jogadores que vão embora para nunca mais voltar, ou seja, truculência e violência em primeiro grau.

As campanhas do Palmeiras têm sido medíocres nos últimos anos e os vexames se sucedem uns aos outros. Quando treinou o Palmeiras pela primeira vez, Luis Felipe Scolari vivia as turras com parte da torcida, a quem apelidou de “turma do amendoim”, que o vaiava impiedosamente. A cada gol que o time marcava, Scolari se virava para a torcida e fazia caretas, quando não dava uma banana e os chamava para a briga.

Hoje o Palmeiras é um clube com camisas de aluguel sempre a disposição de empresários que colocam seus jogadores numa das maiores vitrines do futebol brasileiro e com isto o Palmeiras vai seguindo firme no caminho de se transformar somente numa camisa outrora gloriosa. Nos últimos tempos o Palmeiras abrigou jogadores sem categoria e gabarito para jogar por lá e só o fizeram porque na maioria das vezes possuem bons padrinhos e empresários poderosos para que se valorizem e depois os vendem com lucro.

O Palmeiras não passa uma temporada sem dar um vexame, de preferência contra algum time pequeno ou inferior tecnicamente. Não se sabe se o problema é arrogância, soberba, menosprezo ou excesso de confiança mesmo. Na realidade o problema do Palmeiras é a eterna guerra entre situação e oposição que se desenrola há anos seguidos com prejuízos e reflexos enormes no campo. Por outro lado há uma torcida violenta e impaciente, sempre pronta a explodir e atacar jogadores, não se sabe se insufladas por alguma corrente política contrária a atual gestão.

O Corinthians é um dos maiores vencedores nas últimas duas décadas no futebol brasileiro e somente conseguiu isto após apaziguar a sua política e de os dirigentes ter levado a coisa de tal modo que o que vale são as conquistas em campo e que deixam longe do time as divergências dos bastidores. A conquista do Campeonato Brasileiro no ano passado e da Copa Libertadores é a prova de que a gente corintiana está no caminho certo, lição que os dirigentes palmeirenses precisam aprender imediatamente por uma questão se sobrevivência.

O certo é que o Palmeiras é um eterno barril de pólvora sempre pronto a explodir e as lições corintianas devem sim, ser seguidas pelos dirigentes palmeirenses, caso contrário o time irá de mal a pior, vivendo de lampejos cada vez mais opacos e ocasionais.

Jehozadak Pereira

Que me perdoem os meus amigos – e o meu filho – corintianos; o Corinthians pode até ser campeão – e vai ser – mas é o time mais fraco e insosso dos últimos tempos. Sem padrão de jogo, sem um grande nome, sem nenhum jogador brilhante e com um técnico medroso e empolado para falar, contestado e que quase perdeu o emprego. Mas a regra é clara – como diz aquele ex-árbitro – quem faz o maior número de pontos é o campeão. Simples assim…

Jehozadak Pereira

Escrevi este texto em 2005 e decidi publicá-lo novamente sem alterações pois é atual e desde então a situação piorou bastante. Sempre haverá um cretino e imbecil disposto a discriminar alguém por causa da sua opção pessoal, cor, credo religioso ou ideologia política. Acabei de ler uma reportagem onde um delegado de polícia diz que o neonazismo jamais vai ser extirpado da sociedade. Este é um legado maldito que um homem cruel, insano e diabólico deixou pra a humanidade e o pior é que apesar de haver tanto esclarecimento nos nossos dias, milhões de idiotas imbecilizados pelo preconceito e arrogância fazem disto um modo de vida. Muito triste.  

 

De tempos em tempos uma nova onda de uma velha prática se abate sobre o mundo. O racismo nos últimos anos tem provocado reações indignadas na sociedade e raramente algum ato de preconceito dá em alguma coisa.

Semanas atrás num jogo do Barcelona contra o Zaragoza pelo campeonato espanhol, o camaronês Samuel Eto’o – o melhor jogador africano no ano passado – foi alvo – novamente – de atitudes racistas, e só não abandonou o campo porque foi contido pelos seus companheiros e pelo árbitro da partida.

Para irritar Eto’o, a torcida adversária imitava macacos com gritos e gestos, e o racismo não acontece somente em campos espanhóis, mas em quase toda a Europa. Na Itália, o centroavante Paolo Di Canio, da Lázio de Roma, já foi multado duas vezes e suspenso por dois jogos por gestos racistas. Di Canio, que na juventude fazia parte de grupos radicais, é tido como um ídolo da torcida da Lázio que costuma ser saudada por Di Canio com o tristemente célebre gesto nazista do braço esticado.

Aliás, é na Itália, onde mais se vê a presença de neo-nazistas nos estádios portando bandeiras e símbolos do nazismo, além de portarem também símbolos do fascismo de Mussolini.

A sociedade está permeada de gestos racistas, como na novela Belissíma, onde Fladson, o filho da Dona Tosca se enamora de Dagmar, uma negra bonita e desembaraçada. Tosca não concorda com o namoro e faz questão de pedir para N. Senhora da Candelária levar Dagmar para bem longe de Fladson. Num capítulo recente para demonstrar insatisfação com Dagmar, Tosca, passa dois dedos sobre um dos seus braços, para indicar que o problema é de pele.

E foi este gesto que Antonio Carlos, zagueiro do Juventude do Rio Grande do Sul, com passagens por grandes clubes do futebol brasileiro como São Paulo, Palmeiras e Corinthians destratou Jeovânio, volante do Grêmio. O caso teve uma repercussão inesperada e Antonio Carlos foi suspenso por dois meses pela sua atitude.

Foi por causa do racismo que Ghandi se tornou um pacifista, Martim Luther King, um ativista e Rosa Parks um símbolo, e ao invés de diminuir, o que se vê ao longo dos anos é um aumento de atitudes e atos preconceituosos e discriminatórios.

Aqui nos Estados Unidos é comum ver nas ruas manifestações explicitas de racismo e intolerância. Certa feita, Carlos Tércio, um paulistano branco e de olhos verdes, foi preso por estar andando no carro com o seu patrão sem o cinto de segurança. O oficial da State Police que o prendeu mandou que ele tomasse cuidado para não sujar o carro dele que estava limpo. Como sujar o carro se ele não estava com roupas ou sapatos sujos. Na terceira vez que o policial falou isto, ele se deu conta de que ele era a sujeira da qual falava o oficial de polícia, que o ironizava o tempo todo.

Ao pagar a fiança para ser solto, ele perguntou ao policial qual era a razão de ele ter dito aquilo. Escória, foi a resposta para ele, que resolveu não levar adiante uma queixa contra o oficial, que ele descobriu ser descendentes de irlandeses, logo, um imigrante como ele. Conversando com amigos, Carlos descobriu que aquele oficial era famoso nas artes do preconceito, do racismo e da intolerância, e que não perdoava qualquer estrangeiro ou negro que lhe caísse nas mãos. Algumas vezes reclamaram contra ele, mas nunca ninguém provou nada.

Muitas vezes o racismo e o preconceito vem de forma velada, escamoteada, indireta e sempre é negada quando confrontada, e pega desprevenido suas vítimas. Alguns choram, outros reagem e se insurgem contra, mas a maioria deixa barato e por isso mesmo.

Pode-se e deve-se esperar que o racismo e o preconceito tome ares insuportáveis nos próximos anos e torne difícil a vida de muita gente, principalmente os negros. Por mais que as autoridades se esforcem para coibir os abusos eles vão continuar existindo sempre, seja nos estádios de futebol, seja nas novelas, e principalmente no cotidiano de uma multidão de pessoas. Infelizmente.

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Meu irmão Joanir veio me visitar e resolvi fazer uma tramóia com a Danyela e o Luciano, para tirar uma onda com a cara dele. Se tem uma coisa que ele nunca deixa passar batido é o fato de o meu filho Junior ser um corintiano, pois tanto eu como ele somos palmeirenses desde criancinha. Ele vive dizendo que o Pedrinho – filho dele, vai ser palmeirense como nós somos, e não vai dar para ele o desgosto de torcer para o pior inimigo.

Quem teria que colocar o guizo no gato, ou melhor a camisa do Corinthians no Pedrinho era a Danyela e o Luciano tiraria a foto. Só que talvez fosse mais fácil dar banho num gato, do que colocar a camisa no moleque. Com um ano e meio, ele mostrou que tem opinião forte, sapateou e chorou, fez cara feia e nem quis saber da tal camisa. Mas como o registro foi feito, decidi publicá-la. Já o Pedrinho pela reação que teve mostrou que vai ser palmeirense mesmo. Quem ajudou na trama e correu para contar para o pai dela foi a Anna Liz, irmã do Pedrinho.

Já o Joanir ficou bravo que nem um integrante da Mancha Verde, quando vê pela frente um Gavião da Fiel, mas depois se acalmou.

Ps para ver a foto grandona e a cara de choro do Pedrinho é só clicar em cima dela.


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