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Jehozadak Pereira

Continuando com a publicação dos 10 artigos e textos mais acessados do blog desde a sua criação, publico hoje ‘E quando sentimos inveja?’

Quantas vezes você já ouviu ao longo da sua vida a frase “inveja santa”? Certamente muitas vezes. Mas a inveja não é, nunca foi e jamais será santa. E por quê? Como pode ser santa algo que nasceu no coração de Lúcifer? Que foi o motivo da defenestração dele. Não há como justificar que a inveja, sob qualquer pretexto ou motivo seja santa.

Mas por que sentimos inveja? Ou melhor o que fazer quando sentirmos inveja?

A Bíblia nos alerta acerca disto. Vamos começar por Asafe, o salmista. No Salmo 73.3-14 ele diz “Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio. Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens. Daí, a soberba que os cinge como um colar, e a violência que os envolve como manto. Os olhos saltam-lhes da gordura; do coração brotam-lhes fantasias. Motejam e falam maliciosamente; da opressão falam com altivez. Contra os céus desandam a boca, e a sua língua percorre a terra. Por isso, o seu povo se volta para eles e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos. E diz: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo? Eis que são estes os ímpios; e, sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas. Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência. Pois de contínuo sou afligido e cada manhã, castigado”.

1 João 2.16 “… porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”.

Notem que Asafe era de fato um servo do Senhor, mas creio que exausto ou enfadado por alguma circunstância especial ele se ressente de fazer tudo corretamente. E vai desfiando num lamentar as causas da prosperidade dos ímpios. Asafe explicita o contraste entre as suas aflições e os benefícios dos ímpios.

Algumas vezes nossa tendência é a de ser piegas e perguntar – por que eu que sou honesto, decente, trabalhador, cumpridor de todos os meus compromissos, dizimista fiel, cooperador diligente da obra do Senhor, bom pai, bom marido, boa esposa, boa mãe, filho ou filha exemplar, e não progrido? Enquanto isto eu vejo ao meu lado o ímpio, o incrédulo, o homem ou a mulher que dá os piores exemplos progredir, prosperar, adquirir bens e riquezas, comprar a sua casa, o seu carro, ser feliz, viajar, cumular para si coisas inimagináveis?

Aqui existem duas situações. Uma delas é sentir inveja dos ímpios. Outra de sentir inveja dos nossos irmãos em Cristo. Ambas são execráveis e desprezíveis.

Um dos nossos grandes problemas é achar que somos preteridos por Deus. Por mais que nos esforcemos não conseguimos ter tudo aquilo que desejamos, mas que nem sempre precisamos. Se pensarmos desta forma e modo entenderemos as razões de Asafe. Não há como duvidar da fidelidade de Asafe. No há como imaginar que o salmista tivesse uma pequena sombra de dúvida no seu coração. Vejam que muitas vezes esta é a nossa reação. Perdemos a noção de fidelidade e a semente da inveja se põe a postos no nosso coração.

Uma coisa é de se notar com relação à inveja: ninguém nasce invejoso. A inveja nasce no coração do homem, instala-se e por muitas vezes não é possível desalojá-la de lá. A inveja é como um câncer que se aloja no organismo e vai corromper e contaminar o ser humano, e estamos falando aqui de seres humanos. Aliás, não é possível saber o que nasceu primeiro – o câncer ou a inveja, o certo é que ambos são explosivos e, às vezes, mortais. Ouso dizer que a palavra inveja deveria ser riscada do dicionário do cristão verdadeiro e fiel.

Como é possível detectar se você está sentindo inveja de alguém? Preste atenção nos seus atos e atitudes para com as pessoas a sua volta. Veja nos ambientes onde você convive com outras pessoas, seja na igreja, seja no seu trabalho ou mesmo no convívio familiar. Certa feita, numa determinada igreja, o tesoureiro – homem que trabalhara duro a vida toda e durante muitos anos pagou consórcio de um carro novo sem que ninguém além da sua família e do seu pastor soubesse. Um dia qualquer ele foi contemplado e no domingo seguinte ele estacionou o seu automóvel último tipo na porta da congregação. Queixos caíram, rostos se viraram para contemplar com admiração a nova aquisição. Porém, muitos torceram o nariz, e olhares trocados entre alguns diziam tudo – onde ele havia arrumado dinheiro para comprar aquele carro? Entres estes estava o seu melhor amigo, ou melhor um amigo de longa data. No coração deste amigo estava plantada a semente da inveja, e ao final daquele ano, ele foi um dos que exigiram uma análise detalhada nas finanças da igreja.

Vejam que este amigo tinha toda a liberdade para perguntar ao tesoureiro como foi que ele havia comprado o carro, mas optou por dar vazão ao sentimento pérfido da inveja. Tempos depois um dos seus filhos veio com a notícia de que o carro do amigo havia sido adquirido num consórcio, mas era tarde para ele, a amizade já não era a mesma de tempos atrás.

A inveja finge, dissimula, falseia – vejam o caso acima, houve a opção deliberada pela desconfiança com o carro comprado pelo amigo, que era tesoureiro da igreja. A inveja põe uma máscara intransponível de indiferença que ao longo dos anos se torna irremovível. Uma das faces desta máscara é a do desmerecimento dos méritos ou conquistas alheias. É aí que aparece a inveja.

A máscara ou dissimulação do sentimento da inveja é um dos recursos que o invejoso usa para esconder a sua prática. Em alguns casos nas nossas igrejas, a dissimulação ou máscara pode vir em forma de espiritualidade. Você já viu quando um irmão ou irmã se diz mais espiritual que outro? Quando ele se gaba de ter um dom que o outro não tem? Ou quando ele se acha melhor que o outro na execução de alguma tarefa ou função.

Raramente, em casos como este o invejoso vai deixar transparecer o seu sentimento.

Ao querer competir com o outro, o invejoso vai sempre se sobressair vencedor – mesmo que não esteja em jogo absolutamente nada, mesmo que não haja competição alguma.

Somos pessoas razoáveis, e não há dúvida alguma disto. Mesmo sendo idôneos, nos é por vezes difícil admitir que temos alojado em nós determinados sentimentos, entre eles a inveja, e mais ainda quando nos entristecemos com o êxito alheio. Muitas vezes nos sentimos os piores, os incapazes, os derrotados com o sucesso daquele que nos rodeia, nos cerca, na igreja, no trabalho ou na família.

Surge então o sentimento de raiva, de ira, que se apossa do invejoso, fazendo com que ele se sinta merecedor da conquista do outro, ele vai achar que o seu território pessoal foi invadido e não admite a sua inércia ou incapacidade. Logo ele vai estar boicotando, fofocando, preparando armadilhas para destruir o outro, sempre querendo provar que ele é que fato capaz, e que o outro é na realidade um impostor e um usurpador.

Salmos 68.16 – “Por que olhais com inveja, ó montes elevados, o monte que Deus escolheu para sua habitação? O SENHOR habitará nele para sempre”. A habitação do teu próximo é melhor que a tua? Aceite isto, porque Deus assim o permite e quer.

Este processo do crente sentir inveja não é percebido facilmente, e ele busca principalmente a desestabilização espiritual e pessoal.

Provérbios 24.1 – “Não tenhas inveja dos homens malignos, nem queiras estar com eles”. Já observou a sua volta? Viu se existem homens “populares”, homens que vivem cercados por outros, que parecem felizes, mas na realidade são pecadores empedernidos, que vivem de fazer o mal a todos? Conta-se a história de determinado governante, que tinha uma fama muito ruim. Um dia ele disfarçou-se de mercador e saiu para saber o que pensavam dele os seus súditos. Numa vila distante, bateu numa porta pedindo comida e água. Foi acolhido em uma casa simples, porém aconchegante. Pôde então notar as feições tranqüilas dos donos da casa, pôde ver que ele era um homem feliz e realizado. Ao servir o jantar ele tinha ao seu lado os seus filhos e empregados, todos sentados na comprida mesa. Viu também que todos respeitavam o homem, e chamou-lhe a atenção o tratamento que a esposa dedicava a ele.

Lá pelas tantas, o viajante perguntou qual era a opinião do dono da casa a respeito do seu governante maior. Perguntou-lhe se ele não sentia inveja do rei. O homem respondeu então que não e lhe mostrou o que estava escrito em Provérbios 24.1. Por que motivo ele teria de ter inveja de um homem maligno?

Maligno?

Então esta era a imagem que o povo tinha do seu governante? Anos depois um rei mudado e temente a Deus mandou que lhe levassem a presença aquele homem, pois queria que ele visse a mudança na sua vida.
 Provérbios 24.19 – “Não te aflijas por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos perversos”.

A Bíblia alinhava uma série de advertências para que nós como crentes, não sintamos inveja ou mesmo que admiramos o ímpio. Como crentes e filhos escolhidos de Deus, não temos o direito de “espichar” o olho para o nosso próximo. A palavra de Deus é bem clara em muitos aspectos e um deles é o que fala sobre inveja. Na vida do crente não deve haver lugar para a inveja. Provérbios 16.18 – “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda”. Um dos grandes problemas do homem é a soberba.

Soberba que junto com a inveja leva o homem ao buraco do sofrimento e da angústia.

Mas como evitar a inveja? Vejamos em Salmos 119.11 – “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”. Somente esta atitude de guardar a palavra do Senhor no coração é que se torna possível refutar e recusar ter inveja de alguém.

Marcos 7.22 – “A avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura”.

Romanos 1.29 – “Cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores…”.

Gálatas 5.26 – “Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros”.

1 Timóteo 6.4 – “É enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas”.

Tito 3.3 – “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros”.

Tiago 3.14 – “Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade”.

Tiago 3.16 – “Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins”.

Crente, em Cristo Jesus, não deixe que a inveja ou qualquer outro sentimento faccioso, antagônico ou ardiloso se aloje em seu coração. Repreenda, resista e refute qualquer sentimento destes, especialmente o da inveja, pois como ficou demonstrado a inveja vem direto do coração de Lúcifer.

Jehozadak Pereira

Escrevi estes artigos e textos sobre criação e educação de filhos. Claro e óbvio que é um ponto de vista pessoal, mas tem ajudado muitas pessoas ao longo dos anos. Espero que gostem. Para ler os textos clique nos respectivos títulos e novas janelas vão abrir com o texto

Filhos. Por que tê-los?

Criando filhos da maneira certa

Pais ocupados

Pais folgados, filhos estressados

Adolescentes em crise

Filhos violentos

911 – Os filhos da América

Filhos. Amigos ou inimigos?

Violência e abuso contra crianças

Pais reféns – parte 1

Pais reféns – parte 2

Seja Deus gracioso e abençoe cada um em 2012. Saúde, mesa farta, disposição para trabalhar, paz com todos sempre que for possível, harmonia familiar e crendo que tudo ao seu tempo há de se realizar.
Happy new year. Um venturoso 2012 a todos.

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Jehozadak Pereira

Outro dia recebi um e-mail de um pastor na Florida que está ministrando um curso de inteligência emocional para outros pastores e líderes e o e-mail dizia no subject “Agende para abençoar seu povo”. Antigamente – em tempos não tão idos assim, para abençoar o povo se pregava o Evangelho…

Em 1998 escrevi este artigo abaixo a pedido do Paulo Romeiro a uma dúvida que surgiu na época. Creio que ainda é pertinente para a questão do curso acima.

“Assuma o comando e o controle da sua vida alterando sua programação interior”; “Desperte o gigante interior que existe dentro de você”; “Por que alguns que pensam positivamente conseguem sucesso?”; “Querer é poder”; “Converse consigo mesmo”; “Valorize estupendamente seu ego”.  

As frases acima fazem parte do ideário do que é chamado de Programação Neurolingüística – PNL – que busca dar ao homem confiança em si mesmo. Dentro desse conceito misturam-se os positivismos, a psicologia, a psicanálise, o esoterismo, o humanismo entre outros embora seus defensores neguem tais influências.

A PNL nada mais é do que um amontoado de palavras e conceitos, cujo objetivo é desprezar o senhorio absoluto de Deus na vida do ser humano. Eis algumas de suas promessas: Melhora nos relacionamentos pessoais; equilíbrio mental, físico e emocional; harmonia no casamento; sucesso profissional e financeiro; aumento da criatividade e da memória; capacidade para enfrentar e solucionar problemas, etc.  A PNL ensina e incentiva o homem a lançar um novo olhar em busca do seu ego, a ir ao passado em busca de respostas para os problemas e conflitos do presente, a “conversar consigo mesmo do passado”, a inventariar e amar o seu ego, a viver uma vida plena e de satisfação pessoal.

O que temos visto hoje é a invasão da PNL nas escolas, universidades, fábricas e em outros segmentos da sociedade. Nas prateleiras das livrarias seculares é possível encontrar vasto material de auto-ajuda, que busca corromper a mente humana. Infelizmente, esse material pode ser encontrado também em livrarias evangélicas. Nem as igrejas escapam. Há crentes que admiram gente como Lair Ribeiro, um dos experts no Brasil sobre PNL. Pior ainda, há líderes dito cristãos que usam este tipo de literatura e também auto-ajuda para preparar os seus sermões.

Um dos princípios da PNL é “educar” a mente via lingüística, para “conquistar” o coração do homem. É tentar libertar o homem da sua real condição: a de pecador.  A PNL engana o homem, pois tenta fazê-lo acreditar na auto-suficiência.

É certo que muitos dos conflitos ditos interiores são na realidade problemas advindos de pecados não confessados, da falta de salvação, da opressão, e de tantas outras mazelas e dificuldades próprias do ser humano. Lembremo-nos do rei Davi. Nos Salmos ele expressa seus sofrimentos, falando de aflição, pavor, angústia, dor, dias intranqüilos etc. Passamos por tudo isso hoje. E o que fez Davi com toda a sua majestade? Clamou a Deus, reconhecendo sua dependência dele. Leia os Salmos 4, 6, 23 e 25.

Este pequeno artigo jamais vai conseguir esmiuçar todos os perigos e supostos encantamentos da PNL. Muita coisa ainda vai ser escrita para mostrar as mazelas de tal prática perniciosa.

A Bíblia nos dá parâmetros legítimos e consistentes para cada atitude nossa, para cada passo que teremos de dar.  Ensina-nos que quando pecamos, não temos de ir ao passado, ou declararmo-nos “fortes, ambiciosos e invencíveis”. Temos de praticar o que está contido em I João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”. Ela diz que somos pecadores alcançados pela redentora graça de Deus, que somos mais que vencedores por Aquele que nos amou primeiro.

Assim, não precisamos ser programados ou reprogramados, pois somos filhos de um Deus vivo e eficaz! – Efésios 2:1-10; 4:14-24.

Jehozadak Pereira

“..; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” – Rute 1.16

Leitura bíblica Rute 1

Uma das mais belas histórias da Bíblia. Esta história mostra-nos a fidelidade de uma mulher à outra mulher, num relacionamento desprovido de interesses, por menores e insignificantes que fossem. Uma pensativa Noemi decidiu que iria voltar para a sua terra, pois, lá no mínimo teria com que se alimentar e ao menos onde dormir. Os dez anos passados em Moabe; a doença e a morte do marido e dos filhos faziam-na ficar com os olhos marejados e emocionados, lembrava-se com saudades, sobretudo de Elimeleque.

Decidida e resoluta, pôs-se então a caminhar de volta para o seu povo. Suas noras resolveram que iriam à longa e penosa jornada com ela. Noemi logo rechaçou a atitude de ambas. Elas eram jovens e bonitas, que ficassem com o povo e com os seus pais.

Volúvel, Orfa decidiu voltar atrás e nunca mais se falou nela, partiu obscura para um definitivo anonimato. Contudo Rute instou com Noemi, que iria com ela. Insistente Rute.

Longe de ser insolente, Rute argumentou com sua sogra, e os seus argumentos iriam definitivamente entrar para a história da humanidade, como um rito e um tratado de lealdade para com o próximo.

Não te abandonarei! Vou te seguir!

Aonde quer que vá, irei também!

Onde repousares, ali também repousarei!

O teu povo? Será o meu povo!

O teu Deus? Será o meu também!

E ainda se morreres e for sepultada, ali também eu serei.

Que seja a morte o único e real motivo, que me possa separar de ti

Uma emocionada Noemi concluiu que nada poderia fazer Rute tornar atrás da sua decisão. Devemos e podemos concluir que Rute tinha aprendido com Noemi, muitas coisas a ponto de amá-la também, ou até mais que o seu falecido marido. Seria Noemi, uma mulher de oração? Ou foi a sua atitude de benevolência e cordialidade para com o próximo, que havia tocado Rute? Rute admirava Noemi, já de longa data, e aquela oportunidade serviu somente para reafirmar a sua fidelidade. Rute escolheu a melhor parte, serviria ao Deus de Noemi.

Uma emocionada Noemi concluiu que nada poderia fazer Rute tornar atrás da sua decisão


 

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Jehozadak Pereira

Há alguns anos fui editor da Refletir Magazine em Boston e tive o privilégio de entrevistar algumas personalidades e dentre elas tenho publicado o resultados destas entrevistas. Uma destas personalidades é Jaime Kemp, considerado a maior autoridade em aconselhamento conjugal e familiar na igreja evangélica brasileira. Divertido, espontâneo, sério e contundente Jaime Kemp não deixou nenhuma pergunta sem resposta. Confira a sua entrevista, que como disse foi publicada originariamente no http://www.refletir.com.

 

Jaime Kemp é um apaixonado pelo Brasil desde os dez anos de idade. Um dia na escola – na California – a professora pediu uma redação sobre países do mundo, e para ele caiu o Brasil, começou ali uma relação que já dura 40 anos. Autor de mais de cinquenta e quatro livros – todos eles sobre família, que é a sua especialidade, o que o torna a maior autoridade sobre o assunto no Brasil. O mais vendido dos seus livros é Eu Amo Você. De passagem por Massachusetts, onde veio ministrar um seminário para casais, concedeu entrevista exclusiva a Paulo DeOliveira e Jehozadak Pereira, publisher e editor de Refletir Magazine.

Quais são as maiores problemas que a família enfrenta hoje, especialmente a brasileira?

Penso que é dinheiro. A situação economica, pois muitos pais não conseguem sustentar suas famílias e dar aos seus filhos boas escolas; também não conseguem dar comida, e por isso a mulher tem que trabalhar fora, deixando as crianças aos cuidados de uma babá ou com a empregada, ou numa creche. Com isto, os filhos dos brasileiros que trabalham em tempo integral, são criados por estranhos. Há também o problema de infidelidade, que é muito sério. Antigamente, quando eu cheguei no Brasil, havia um número bem menor de mulheres que trabalhavam fora, com isto as mulheres passaram a enfrentar as mesmas tentações que os homens enfrentam nos seus empregos, viagens. A infidelidade feminina cresceu muito nos últimos 20, 30 anos, o que se tornou um dos problemas. Há ainda o problema da comunicação. Os nossos casais não estão sendo preparados e não tem uma boa comunicação a começar nos seus namoros, e acham que o casamento vai resolver todos os seus problemas, quando na realidade, vai piorar. Os nossos casais não desenvolvem os princípios de comunicação, que é saber ouvir, saber falar, responder corretamente etc. As pessoas se casam e não tem nenhuma idéia de como resolver os conflitos. Na maioria dos casos não fizeram o curso pré-nupcial nem por uma hora sequer. Enquanto eles fazem planos para lua de mel, roupa, festa, flores, não gastam tempo nenhum para aprender a viver debaixo do mesmo teto. Duas pessoas – um pecador e uma pecadora – debaixo do mesmo teto, pode provocar uma guerra – risos. Atrás disto, existe algumas filosofias que estão bombardeando a família. Uma delas é o humanismo que diz que Deus não está mais no trono, que é ocupado pelo homem, que diz ainda que se a mulher não o satisfaz ele a troca por outra mulher, porque ele se julga importante. Tem o materialismo, que faz com que o homem só pende e corra atrás do dinheiro, e valores que acabam se tornando o foco principal na vida do casal. Por causa disto, valores como relacionamento dentro do lar, harmonia, tempo gasto com filhos, acabam relegados a um segundo plano.

O que mais?

Tem o relativismo. Outro dia eu ministrava um seminário para jovens numa cidade no interior – o que me assustou; eu falava sobre sexo pré-nupcial e um casal chegou para mim e perguntou com que direito eu falava sobre isto. Diziam que podiam transar a vontade antes de casar. Diziam que era a minha opinião, ao que eu retruquei que a opinião é a de Deus, o criador e o arquiteto do lar. Este relativismo, que é a sua opinião contra a minha, que diz que todos os caminhos levam a Deus, o que temos que combater. Estas filosofias – edonismo, materialismo, humanismo, estão mudando a cabeça do povo brasileiro.

Um fenômeno tem acontecido entre os jovens que é a depressão. O senhor crê que o fator familiar é a causa disto?

Vários artigos das revistas Time e Newsweek constataram o problema seríssimo de crianças, jovens e adolescentes profundamente deprimidos ao ponto de uma das razões de haver muitos suicídios ser a depressão. Isto vem por que? Famílias desustruturadas, pais muito rigídos que exigem bons desempenhos acadêmicos dos seus filhos; sentem que não são amados, e que tem que agradar seus pais.

O senhor crê que a separação dos pais pode levar os filhos a depressão?

Sim, minha esposa escreveu um livro sobre depressão, porque ela passou por um processo de depressão; a igreja não aceita que uma pessoa convertida possa ter depressão. A depressão é uma doença como qualquer outra.

O senhor crê que a igreja brasileira não está preparada para lidar com o assunto?

Sim. É preciso tomar cuidado, pois não quero criticar, mas há uma cultura do triunfalismo e de vitória crescente. Tudo é vitória. As vezes as nossas lideranças não estão sendo muito honestas, não estão abrindo os seus corações para falar das suas próprias derrotas. Para eles está todo mundo vencendo e em vitória, o que faz com que muitos escondam os seus problemas. Além de ter também a questão da prosperidade.

A questão do homossexualismo nas novelas e na mídia. Até que ponto influenciam a família?

Nós estamos assustado com o crescimento e a aceitação do homossexualismo no Brasil. Está se tornando cada vez mais uma opção e alternativa de vida. Por três anos seguidos, quando a Marta Suplicy era prefeita de São Paulo, ela apoiava as marchas e as paradas de gays e lébicas, e isto vai impactando a mente e o coração do povo. O que mais me preocupa nisto tudo é a redefinição da família. Tradicionalmente, inclusive os católicos, acreditamos e aceitamos que a família é composta de marido e pai, esposa e mãe, e os filhos. Hoje não. Redefinindo a família seria ter dois homossexuais que através de uma adoção vão ter filhos, ou ainda duas lésbicas que vão fazer uma inseminação artificial para ter filhos; não tem pai, não precisa ter pai etc. Esta redefinição da família é uma alternativa mais nova no Brasil. Quando a Marta Suplicy era deputada federal, fez uma proposta indecente, que permitia o casamento de homossexuais, proposta que não passou, por causa de uma igreja em Goiânia que montou um manifesto com milhares de assinaturas que foram levadas para Brasília e criou um alvoroço que não permitiu que a lei fosse aprovada. Eu diria que o homossexualismo está cada vez mais sendo aceito, e o problema maior é sem dúvida a redifinição da família. Por outro lado, a igreja brasileira não está preparada a lidar com o problema. A grande maioria não sabe aconselhar o homossexual, mesmo que ele queria se livrar, não há orientação sadia, e há poucos lugares onde um rapaz ou uma moça poderia receber terapia espiritual, emocional para abandonar o homossexualismo. Eu creio que aos poucos a igreja vai ter que lidar com isto. Não vai aceitar, porque isto nunca vai acontecer, de a igreja aceitar o homossexualismo como alternativa de vida.

O aborto é um problema no Brasil hoje?

Jaime Kemp Infelizmente a igreja brasileira está dormindo com relação ao assunto. Eu creio ter o único livro cristão escrito sobre o aborto. O Jornal do Brasil, constatou através de uma pesquisa que no minímo cinco milhões de crianças estão sendo abortadas por ano no Brasil. É um problema imenso. Nós não cremos que o embrião no útero é uma criança, e por isso é que se aborta tanto. O aborto é um ato fisíco e um ato emocional, que a mulher nunca consegue superar totalmente na sua vida, pois as implicações psicológicas são imensas. A igreja brasileira sabe e não toca no assunto, eu nunca vi um brasileiro pregar sobre o assunto.

A corrupção influencia na família?

A corrupção sempre foi um problema no Brasil. Penso que se nossa liderança fosse disciplinada e ensinada nos caminhos do Senhor desde pequenos não teríamos o quadro que vemos hoje. O pai é um modelo positivo ou negativo, então o filho ao crescer observa uma corrupção para lá e para cá, e vai aprendendo a ser corrupto dentro da sua própria casa. É claro que se ele entrar na política sem o princípio de honestidade e integridade haverá muitas oportunidades de roubar muito dinheiro. Pai e mãe precisam ser gente integra e honesta nas coisas pequenas também, a começar dentro de casa.

Jehozadak Pereira

Nota do autor: Gosto muito deste texto que escrevi anos atrás, porque ele sempre é pertinente e atual. Muita gente sempre pede para republicá-lo, embora ele esteja aqui no blog. Para aquelas resoluções de início de ano é uma boa pedida. Enjoy!

Outro dia ouvi uma história deliciosa, da qual tirei muitas lições. Creio tê-la ouvido do reverendo Naamã Mendes. Um velho sábio e seu ajudante chegaram numa pequena fazenda onde moravam um homem e seu filho, e pediram para passar a noite ali. A miséria e a desolação do lugar era total e eles dependiam totalmente do leite que tiravam de uma vaca amarrada à beira da janela.

O mato tomava conta de tudo à volta deles e aliado à sujeira dava ao lugar um aspecto sombrio e desalentador. Conversando com os dois homens, o velho sábio viu-os conformados com a situação de miséria e penúria em que estavam.

Ao sair da casa de madrugada, o sábio puxou a vaca pela corda e a empurrou no primeiro barranco que encontrou, para espanto total do seu ajudante.

Um ano depois os dois voltaram e para surpresa do ajudante do sábio, o lugar estava totalmente modificado. Onde havia miséria, havia agora sinais de fartura e abastança. Pai e filho, ao contrário dos andrajos de um ano atrás, vestiam roupas boas e novas. Na garagem havia carros e no celeiro ao lado caminhões e tratores.

O que havia acontecido, perguntou o sábio? Alguém, que eles não sabiam quem era, havia empurrado a vaca deles no barranco, e sem outra alternativa eles viram que tinham de trabalhar arduamente. E foi o que fizeram. E trabalhando, a vida deles se modificou radicalmente.

Quantas vezes precisamos tomar umas sacudidas da vida ou de alguém que empurre barranco abaixo a nossa vaquinha. Muitos de nós ao virmos para a América nos esquecemos da dignidade e das coisas que tínhamos no Brasil. Moramos mal, dirigimos carros velhos, não nos alimentamos adequadamente, e com isto vamos nos degradando a cada dia que passa.

Moramos mal, porque nos sujeitamos a qualquer espelunca, às vezes em porões úmidos e mofados, e outras vezes convivendo com baratas e ratos, e o pior – quem nos aluga isto acha que está nos fazendo um favor imenso.

E os carros que andamos? Muitos pensam que se comprarem um “carro baratinho” vão economizar no seguro, e gastam muitas vezes mais em manutenção e no mecânico. Outras vezes convivemos com gente que só pensa em mediocridade e acabamos contaminados por isso, e quando nos damos conta, estamos como aquele pai e filho – agradecendo pela miséria e desconforto, achando que somos de fato coitados.

Muitos de nós deixaríamos chocados e pasmados nossos parentes e amigos que ficaram no Brasil, se os deixássemos ver onde moramos, o que comemos, do modo com que nos vestimos, e olha que nem estou falando de trabalho.

Sofremos e padecemos, às vezes por medo de tentar o novo, o diferente, o que não conhecemos. Mas, quantas histórias são escritas a partir de tragédias e infortúnios? Somente porque nos apegamos a chorar e a lamentar, sem nos dar conta de que a vida têm muito a nos oferecer.

Outro dia estava num restaurante e na hora de se servir no buffet, ouvi um conterrâneo dizendo que estava doente porque na casa onde mora, havia goteiras em profusão, além do aquecimento central ter sido desligado pelo dono por economia. E pagava caro por isso.

Fiquei pensando ou tentando imaginar os motivos dele para aceitar tais situações. Será que era por economia? Será que era por causa dos amigos que moram com ele ou por qualquer outra razão?

E aqueles que choram por causa dos parentes e amigos que ficaram no Brasil? Não há nenhum problema em chorar de saudade, o problema é fazer disto um muro de lamentações.

Muitas vezes Deus permite que passemos por situações para que cresçamos e desenvolvamos moral, mental e espiritual.  Desejo que você, no início de ano, jogue a sua vaquinha no barranco, antes que alguém o faça para você.

Pois às vezes nos apegamos a certas situações que nos impedem de crescer tal como a história do pai e filho do início deste artigo. Eu tomei uma decisão – vou jogar a minha vaca barranco abaixo. Espero que você faça o mesmo…


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