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Jehozadak Pereira

Fosse nos Estados Unidos que tivesse acontecido o escândalo do Mensalão, certamente no fim do julgamento que começou na quinta-feira, 2 de agosto, um macacão laranja esperaria cada um dos 38 acusados em diversos crimes. Formação de quadrilha – e o fato

jurídico é que foi o maior roubo da história política brasileira em todos os tempos, de tal modo que a ladroagem do governo Collor de Mello ficasse parecendo coisa de iniciante; lavagem ou ocultação de dinheiro; corrupção ativa e passiva; peculato; evasão de divisas e gestão fraudulenta, são as acusações do procurador-geral da República.

No comando disto tudo estavam figuras importantes do Partido dos Trabalhadores, como José Dirceu, então poderoso Ministro Chefe da Casa Civil, Luis Gushiken e Antonio Pallocci que tiveram que abandonar os seus cargos.

Tudo começou com a divulgação de um vídeo onde um diretor dos Correios foi flagrado recebendo uma propina, e citava o nome do deputado Roberto Jefferson que fazia parte da base aliada do governo Lula. Foi o suficiente para que um escândalo de grandes proporções atingisse em cheio o governo.

A cena foi completada com o surgimento do publicitário Marcos Valério, que mentiu para tudo e todos. Primeiro dizendo que não sabia de nada, não havia visto nada, não havia recebido e muito menos feito qualquer pagamento a quem quer que fosse. Sua cabeça reluzente transformou-o num dos mais fotografados personagens dos últimos tempos. Valério tentou por todas as formas se desvencilhar do escândalo mas não teve jeito, foi indiciado e vai ser julgado; a expectativa é que resolva contar tudo o que sabe para que o Brasil saiba a verdade sobre este episódio obscuro que envolve figuras importantes da política nacional.

É certo e sabido que uma movimentação financeira deste porte jamais poderia permanecer incógnita, principalmente do presidente da república que saiu-se com uma das pérolas da cena política brasileira – a de que não sabia de nada. Ou realmente Lula não sabia do que se passava debaixo do seu nariz ou então foi omisso e com uma assessoria incompetente que jamais conseguiu detectar os rolos e as falcatruas que aconteciam nas salas vizinhas ao seu gabinete.

Na ocasião Lula disse que estava decepcionado e que fora traído por pessoas da sua confiança, sem jamais declinar os nomes de quem havia cometido as traições. No entanto, o mais importante foi a constatação de que o Partido dos Trabalhadores que segundo os seus fundadores surgiu para normalizar as relações morais e éticas na política brasileira e este foi o seu discurso até que Lula assumisse a presidência da república. A partir daí, o que se viu foi um festival de alianças no mínimo esquisitas e comprometedoras em todos os aspectos, inclusive morais e éticas, que era a bandeira do PT.

Gente como Antonio Carlos Magalhães, José Sarney, Renan Calheiros e até Paulo Maluf  entre outros tantos foram sendo agregados ao modo de fazer política do PT e as desculpas esfarrapadas começaram a surgir justificando que para colocar em prática os benefícios sociais do partido era necessário se aliar aos adversários do passado.

Com isto, o PT loteou e distribuiu cargos a torto e a direito e a lama que dominava o submundo político de Brasília logo chegou aos gabinetes mais estrelados da república. Desde então o que se vê é o PT querendo se justificar e para isto joga a culpa em cima da imprensa a quem acusa de manipular a verdade. Mas que verdade? A verdade é que houve sim um gigantesco esquema de fraude e de desvio de dinheiro jamais visto e o indiciamento de José Dirceu, um dos próceres do PT prova isto. Embora Lula tenha ficado de fora do rol dos acusados do Mensalão, é notório que ele tem sim responsabilidades no caso, seja por participação, seja por omissão, o que se for o caso é inadmissível para quem se julga desde sempre o paladino da moralidade e da retidão.

O julgamento do Mensalão não é político, o julgamento é um caso de polícia que acontece num foro privilegiado que é o Supremo Tribunal Federal por causa da imunidade de quase todos os envolvidos.

Tomara que ao fim deste julgamento, o que se veja é que os acusados saiam do tribunal de camburão e encontrem um macacão laranja a espera. Uma questão a se lamentar é que o principal responsável por tudo isto, escape ileso com a desculpa de que não sabia de nada. Uma pena…

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Jehozadak Pereira

Fechadas as urnas e encerrada a apuração o Brasil vai ter pela primeira vez na sua história uma mulher presidente. Ao contrário de quando Lula foi eleito não se viu ou se notou o grande entusiasmo que a eleição do operário, líder sindical, e um dos maiores nomes da história política brasileira em todos os tempos provocou. Lula é carismático e dono de uma personalidade que é capaz de incendiar uma multidão somente contando a sua história e trajetória de vida.

Ao ascender ao governo, Lula levou junto de si companheiros de luta e de agruras, de ideologia e tendências de esquerda que sem dúvida alguma deram um novo viés à política brasileira. As conquistas sociais deste grupo foram notáveis e como gosta de dizer Lula, nunca na história do Brasil tantos puderam progredir. Também é notório que nunca na história da república brasileira tantos escândalos se sucederam bem debaixo das barbas do presidente, quando não na sua antesala sem que ele se desse conta, ou pelo menos foi o que sempre disse.

Há também as alianças no mínimo estranhas que o PT fez para governar com nomes manjados na política brasileira, bem ao contrário de tudo o que havia pregado anteriormente, deixando evidente que o discurso era um, mas a prática totalmente diferente e o partido ético e coerente com as suas ideias e ideais deu lugar a alianças estranhas e comprometidas com o loteamento de cargos e funções. O PT se juntou com quem ferozmente combatia no passado.

Se por um lado Lula foi o pai dos pobres, por outro foi alcoviteiro de ladrões e corruptos e a prova disto é que grandes quadros do PT foram ficando pelo caminho, a exemplo de José Dirceu, Luiz Gushiken, Delúbio Soares, Antonio Palocci – nem sempre por causa de dinheiro, mas de escândalos e acobertamentos diversos.

Não há dúvida alguma que se estes nomes acima não tivessem sido prejudicados por problemas, é certo que pelo menos Dirceu e Palocci se credenciariam à presidência como ungidos de Lula.

Com estes fora, restou a Lula apostar as suas fichas em Dilma Rousseff que de ilustre e ranzinza desconhecida se tornou uma celebridade e se credenciou para disputar a presidência da república. A campanha de Dilma enfrentou problemas variados. Um deles foi a falta de carisma, as limitações de quem amais havia subido num palanque para fazer campanha anteriormente e também pelo seu problema de saúde.

Colocou-se então em curso uma campanha publicitária para eleger Dilma que era um produto cujo destino era conquistar o mercado, ou o eleitor indeciso e os que queriam dar continuidade ao que Lula fez em oito anos. A política brasileira é pródiga em eleger produtos de marketing e um exemplo disto é Fernando Collor de Mello que se impôs comoi solução e acabou em retumbante fracasso. Outro exemplo é Celso Pitta, criação de Paulo Maluf que foi eleito prefeito de São Paulo e governou em meio a escândalos e terminou a vida enrolado em problemas.

Depois do susto no primeiro turno, a estratégia foi retomada e Dilma eleita. Resta saber como a nova presidente vai se comportar, principalmente com os radicais do partido que querem endurecer diversas relações, inclusive com o controle da imprensa a quem acusam de perseguir o partido. Lula sempre soube se impor e fazer valer a sua opinião ante as diversas tendências que o PT abriga e por isso governou em paz e com relativa paz nos bastidores. E com Dilma como vai ser? Ela tem tudo para fazer a diferença tal como Lula e alguns dos seus antecessores fizeram, ou então se deixar dominar pelos meandros nem sempre claros e honestos da política e dos seus bastidores. Dilma vai ter que se cercar de gente competente e honesta que pense primeiro no Brasil e não no PT e nas suas alianças.

Só o tempo vai dizer se ela foi uma presidente inesquecível como Lula ou uma presidente a ser esquecida como Collor. Tomara que seja a primeira hipótese…

 


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