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Nelson Mandela

Posted on: February 11, 2010


Jehozadak Pereira

Escrevi este texto em 12 de junho de 2005 e hoje a África do Sul está em festa celebrando a liberdade deste homem que para mim é a grande figura do século 20 ao lado de Martin Luther King Jr e Rosa Parks. Cresci lendo sobre Mandela e vendo a figura de um homem aparentemente amagurado e ressentido. Quando foi libertado, Mandela mostrou que não era nada daquilo, ao contrário era um homem em paz consigo mesmo e com a imensa missão de unificar seu país. Talvez seja por isso é que se tornou um mito vivo, e o mais importante da sua geração.

Madiba

Há homens e homens. Há homens que ao passar pela vida fizeram e fazem história. Nelson Mandela é um destes homens, cuja trajetória – e história – servem de exemplo para gerações inteiras.

O dia 11 de fevereiro de 1990 é histórico para a África do Sul. Neste dia, depois de quase 28 anos confinado numa prisão por sua militância no CNA – o Congresso Nacional Sul-Africano, partido político banido por lutar contra o Apartheid, o regime de segregação racial imposto pela minoria branca, Nelson Mandela, foi libertado.

Para as gerações nascidas depois da década de 60, Nelson Mandela, era apenas um nome e uma foto de um homem com o rosto crispado numa expressão que revelava dureza e rancor. Ao mantê-lo encarcerado apesar dos protestos das nações civilizadas, o governo de Pretória longe de transformá-lo num prisioneiro político, fez dele um prisioneiro de consciência política e um ícone para muitos cidadãos no mundo todo.

A temida e feroz polícia sul-africana poderia ter dado a Mandela mesmo fim que dera a Steve Biko, espancado até a morte no cárcere em dezembro de 1977. Você pode saber da história de Steve Biko assistindo Um grito de Liberdade, ou a tantos outros que matou sem piedade. No entanto, com Mandela as coisas seriam diferentes. Era impensável matá-lo, pois mesmo dentro da prisão a sua voz ressoava no mundo todo. O regime segregacionista havia transformado-o num prisioneiro, mas a humanidade tinha-o como um modelo de tenacidade que lutava pelas liberdades civis do seu povo.

Durante a sua sentença de prisão perpétua, Mandela teve muitas vezes a oferta de liberdade, mas ou eles libertavam todos – entre ele o atual presidente Tabo Mbeki, ou ele permaneceria preso junto com seus companheiros, era a sua resposta costumeira.

Isto constrangia os governantes, a ponto de eles tramarem colocar Mandela porta afora de qualquer jeito. Mas, Mandela resistia. E resistia por saber que isto trazia esperança para o seu povo. Sua porta voz era a sua então mulher Winnie Mandela, que junto com os seus filhos e advogados eram os únicos autorizados a visitá-lo durante os quase 28 anos de prisão.

Ao passo que Mandela se transformava no mais famoso prisioneiro do mundo, o governo aumentava a pressão contra a população negra, a despeito dos boicotes e sanções econômicas impostas ao regime. Nesta época os protestos e manifestações da população negra eram coibidos com pancadaria, tiros e com cachorros que eram treinados para matar negros, além da violência usada a exaustão.

Em 1989 com o início do governo de Frederik de Klerk, houve o reconhecimento de que reformas seriam inevitáveis para que o país não submergisse no caos e numa guerra civil, e em fevereiro de 1990 de Klerk, cancelou a proibição ao CNA, libertou Mandela e os seus companheiros dos longos anos de cárcere.

Quem esperava encontrar um Nelson Mandela ressentido ou rancoroso pelos anos na prisão, deparou-se com um homem alegre, sorridente e disposto a fazer algo em prol da maioria negra. Recebido como um herói pela multidão que cantava Nkose Sikelela – Mama África, o hino nacional, Mandela reafirmou perante a opinião pública mundial a imagem de estadista.

Ao receber o Prêmio Nobel da Paz em 1993 junto com Frederik de Klerk, Mandela abraçou o seu último carcereiro e fez com aquele gesto simbolizasse o perdão dos perseguidos aos seus perseguidores, e afirmou publicamente a sua amizade com de Klerk.

Em 1994 foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul, com 60% dos votos na primeira eleição democrática naquele país, cargo que ocupou até 1999.

Separou-se de Winnie Mandela, que havia protagonizado um escândalo que envolvia assassinato e casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, e dedicou-se a campanha contra o HIV/Aids, que afeta cerca de cinco milhões de sul-africanos.

Recentemente as vésperas de completar 86 anos, Madiba anuncia que vai deixar a vida pública e passar mais tempo com a família, os amigos, completar suas memórias, ler e dedicar-se a uma reflexão mais calma da vida.

“Minha agenda e minha atividades públicas, a partir de hoje, serão muito reduzidas”, disse Mandela durante um evento em Johannesburgo. “Acredito que as pessoas vão entender nossas considerações e nos dar a oportunidade de uma vida mais calma”, afirmou.

Com isto encerra-se um ciclo na vida de Nelson Mandela, que mesmo aprisionado durante quase três décadas, resolveu que não iria guardar rancores ou magoas dos seus algozes, e com isto deu uma lição importante de vida que nos serve de exemplo.

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