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Jehozadak Pereira

Mais uma tragédia, mais uma vez no Estado do Colorado, onde um jovem de 24 anos atirou matando 12 pessoas e ferindo 38. Os mortos e feridos assistiam o filme ‘Batman, o cavaleiro das trevas ressurge’, em Aurora, no Colorado. James Holmes foi preso pelo FBI e mais uma vez a América vai lamentar por alguns tempo o massacre. Escrevi este artigo há algum tempo e o republico agora. 

Nesta semana novamente duas chacinas praticadas por jovens – nos Estados Unidos e na Alemanha, chocaram novamente o mundo pela violência e sobretudo pela banalidade e frieza com que os assassinos cometeram os seus crimes. As autoridades e o estudiosos do comportamento por mais que estudem as mentes destes psicopatas sempre vão dar num beco sem saída.

Há algumas décadas quando os jovens queriam protestar ou transgredir em algum ato, o máximo que faziam era deixar o cabelo crescer, sair de casa e ir morar numa comunidade hippie qualquer para poder fumar maconha a vontade sem ser recriminado pela sociedade “normal”.

Porém, os tempos mudaram e desde que os alucinados Eric Harris e Dilan Klebold, mataram 13 pessoas e se mataram depois do ataque à Columbine High School no Colorado em 20 de abril de 1999, a prática dos massacres em escolas e instituições de ensino se tornou uma constante nos Estados Unidos.

Por mais que tentem achar explicações e razões para tantos assassinatos as autoridades não conseguem tê-las, mesmo se dedicando com afinco ao assunto. O ponto culminantes destas tragédias aconteceu em abril de 2007, na Virginia Tech University onde o estudante de origem sul coreano matou 30 pessoas e depois se matou.

A América perplexa e abalada assistiu dias depois vídeos que foram veiculados na televisão onde Cho Seung-hui, destilava o seu ódio e rancor contra o sistema estabelecido. Durantes muitos meses os tiros dados por ele ecoaram nas mentes dos que presenciaram o massacre brutal e sem explicação aparente. Este episódio mostrou como é relativamente fácil comprar armas em muitos estados americanos que tem uma legislação frouxa e liberal, principalmente no que diz respeito ao direito do cidadão de ter uma arma no seu nome.

Antes disto em outubro de 2006, Charles Carl Roberts então com 32 anos, assassinou cinco meninas numa escola rural dos amish – povo pacato e que vive de forma simplória no interior do Estado da Pennsylvania. Dizendo estar “cheio de ódio contra si mesmo e contra Deus”, Roberts se matou depois do massacre, e a sua história revelou que fora abusado sexualmente na sua infância.

No último final de semana novamente um outro caso semelhante aconteceu no Colorado, onde Matthew Murray de 24 anos atirou e matou quatro pessoas em dois centros de ensino religioso. Novamente as razões são as mesmas de sempre. Ódio contra o sistema e contra pessoas que deturparam e corromperam a mente dos assassinos, sem que se desse conta do grau de comprometimento e insanidade de cada um deles.

Os detalhes revelados após as tragédias, mostram uma frieza impressionante no preparo e organização dos ataques e por mais que as autoridades queiram estar em cima dos fatos, estão sempre dois passos atrás e nada podem fazer para impedir tais massacres. Principalmente porque os assassinos agem na maioria das vezes sozinhos ou em cumplicidade uns com os outros como foi o caso de Eric Harris e Dilan Klebold. Que há uma cultura de violência na sociedade americana é inegável e evidente, pois tanto filmes, como literatura e os jogos eletrônicos e de estratégia tem no seu conteúdo um grau de violência assustador.

Há também o fator de fragmentação familiar, que deixa jovens a deriva e sem a orientação devida, entregues a própria sorte, sem contar que se por um lado a sociedade atual é liberal ao extremo, por outro é repressora e impõe pesadas regras, numa contradição que costuma confundir quem não a conhece a fundo.

Como identificar e parar uma mente doentia e com planos macabros? Por mais que busquem respostas as autoridades não as têm. Uma solução seria banir todo tipo de violência frontal ou sugerida em qualquer tipo de diversão. Mas isto iria contra os princípios de liberdade pregados pela constituição americana, e que provocaria a gritaria de parte da população.

Enquanto não se acham os caminhos para coibir definitivamente tais tragédias, só resta aos Estados Unidos e ao mundo se perguntar onde acontecerá o próximo massacre e quantas pessoas morrerão. Este é o preço – caro – que se paga pelo liberalismo e tolerância com a violência em todos os níveis, que infelizmente é protagonizado por jovens que antigamente transgrediam fumando maconha e bebendo escondido dos seus pais.

Artigo escrito originalmente em novembro de 2007.

 

Jehozadak Pereira

Há pouco o Supremo Tribunal Federal no Brasil considerou legal o aborto de anencéfalos, debaixo de muita gritaria e estresse. Escrevi este texto em 2009 e ele é um dos mais acessados e lidos no blog. Pessoalmente e nas minhas convicções pessoais sou contra o aborto, porém considero o direito de cada mulher de fazê-lo. Se quiser deixar a sua opinião, use a área de comentários. 

A velha questão do direito ou não de abortar volta a tona com força e com manifestações pró e contra a prática. Até que ponto uma mulher tem o direito de abortar sem que o estado interfira? Deve-se necessariamente excluir da discussão o aborto com finalidade comprovadamente médica – risco para a gestante, malformações graves no feto, os que tem origem no abuso sexual e estupro. A partir daí a questão passa a ser meramente moral e ética.

No Brasil por exemplo, nunca se fez tanto aborto, mesmo sendo a prática proibida e criminalizada por lei federal. Lei que é burlada sistematicamente sem que nenhuma atitude seja tomada. Estima-se que no Brasil aconteça dois abortos clandestinos por minuto, o que totaliza 1,4 milhão por ano. O aborto é considerado a quarta causa de morte materna no Brasil, principalmente na população de mulheres de baixa renda.

Já na América quanto mais se discute, menos se chega a uma conclusão satisfatória ou coerente, e nos estados em que o aborto é legal, há filas de mulheres que querem deliberadamente abortar, mesmo com toda a pressão de religiosos e de entidades contrárias ao aborto.

Os abortos com recomendação clínica ou por motivos morais, são ínfimos diante dos que são feitos por outras razões. Razões que invariavelmente envolvem descuido por parte de mulheres e homens, que não usam nenhum método contraceptivo.

As estatíticas são assustadoras. Nos Estados Unidos, são feitos cerca de quatro mil abortos por dia, e a exemplo do que acontece no Brasil, a maioria por causa de gravidez indesejada, principalmente pela mulher solteira que por motivos sociais opta por não ter o filho.

Os problemas oriundos são diversos e envolvem culpa, traumas diversos e as vezes sequelas fisicas irreversíveis. Com isto se constata que se a mulher às vezes não quer e não está preparada para a gravidez decorrente de um relacionamento qualquer, menos ainda está para aguentar as consequências psicológicas de ter feito o aborto.

Mas como fica o direito da mulher de optar ou não por um aborto deliberado? É claro, que ela tem sim o direito de decidir se quer ou não que o feto que carrega nasça ou não. Mas e o direito a vida?

Bem, o direito a vida é inquestionável em todos os aspectos, principalmente para quem não pediu para ser concebido e que é fruto da irresponsabilidade de pessoas que teoricamente deveriam saber o que fazem.

Permitir o aborto é uma acinte à vida, proibi-lo é violar o direito que em tese uma mãe teria, e ao mesmo tempo fomentar – principalmente no Brasil e em outros países que proíbem o aborto – uma indústria macabra e cada vez mais próspera, onde fetos são extirpados, as vezes com violência e literalmente jogados no lixo, banalizando a vida humana. Valeria mais se as autoridades discutissem a questão no campo da moral e da ética, pois esta parece ser a única forma e modo de constranger quem deliberadamente quer optar pela violência do aborto.

Ressalte-se que cada ser humano tem o direito de decidir o que quer e o que é melhor para a sua vida, principalmente a mulher que por um descuido qualquer engravida, e pratica o aborto, por isso deve saber sim, que tem o direito de fazê-lo, mas fica a pergunta – deve mesmo fazer?

Todos os direitos reservados ao autor – março/2009

Jehozadak Pereira

Este texto foi escrito em 21 de agosto de 2010 e publicado em seguida. Mostra a crise da qual a comunidade brasileira no Estado de Massachusetts vem passando e que se agravou desde então. O protagonista é o mesmo e onde tudo isto vai parar não se sabe. Mas pelo caminhar das coisas, vai longe…

O tiro no pé de Fausto da Rocha

Nada podia ser pior neste instante do que as declarações de Fausto da Rocha, ainda diretor-executivo do Centro do Imigrante Brasileiro ao portal G1 do sistema Globo de Jornalismo. Apesar de todos os esforços e do esclarecimento do Census Bureau acerca da privacidade e do sigilo dos dados colhidos da população que tem sido exaustivamente feito já há alguns meses, Fausto, sabe-se lá por quais motivos e razões resolveu simplesmente detonar com tudo isto.

É notório que Fausto da Rocha é tido como a personalidade de mais evidência entre a nossa comunidade nos Estados Unidos e tem desde há alguns anos uma carreira de bons serviços prestados na defesa dos direitos do trabalhador brasileiro. No entanto, nos últimos tempos Fausto tem perdido o seu tempo com algumas posições e posturas totalmente dispensáveis, como a sua perseguição ao cônsul-geral do Brasil em Boston entre outras.

Suas críticas, especialmente as que faz no programa de rádio, extrapolam o bom senso e a simples reclamação, ao partir para os ataques pessoais, talvez motivado pelo seu passado de ativista político no Brasil, onde importava reclamar, não importando contra quem. É a velha máxima dos ativistas espanhóis, de que se hay gobierno, soy contra.

Fausto poderia ser hoje se quisesse a maior liderança brasileira na América, mas ao invés de se tornar um grande prefere se apequenar. É notória a falta de um líder capacitado e coerente na comunidade brasileira, e certamente o diretor-executivo do Centro do Imigrante Brasileiro com seus 20 anos de América pode e tem a capacidade de saber o que de fato a comunidade precisa. Porém, quando deveria conjugar o verbo no plural, prefere conjugá-lo no singular, prestando um desserviço imenso às entidades como o Census Bureau e o Consulado Brasileiro. Poderia também ter ido muito mais longe do que foi se deixasse de lado algumas posições pessoais de intransigência deliberada.

Fausto não pode ignorar que sua voz tem um peso considerável, e há uma grande parcela da comunidade brasileira que o tem como um referencial importante e talvez o único. Fausto precisa saber que sua voz só é ouvida porque tem atrás de si uma entidade de respeito e de luta como o Centro do Imigrante Brasileiro, daí, a importância do que fala.

Inclusive, o board do Centro do Imigrante Brasileiro fez questão de dizer que a opinião emitida por Fausto a favor de um boicote ao censo é pessoal, mas como dissociar a fala da pessoa da entidade? Tampouco adiantaria jogar a culpa em cima do jornalista que fez a reportagem, pois este expediente já não cola mais

Se Fausto quisesse emitir a sua opinião como pessoa – e tem todo o direito de fazê-lo, deveria se afastar definitivamente do seu cargo, pois certamente a repercussão do que disse seria outra totalmente diferente. Também precisa saber que é hora de deixar o lugar para que outro tome conta e conduza uma das mais conceituadas organizações brasileiras no exterior ao patamar que ela precisa estar, e que tanto falta faz para a comunidade brasileira.

Não se sabe ainda se Fausto da Rocha foi infeliz ou precipitado – ou ambas as coisas – nas suas declarações, mas a realidade é que o estrago foi feito e agora teremos que nos desdobrar para corrigir o que foi dito.

Há por parte de alguns setores da sociedade, principalmente algumas lideranças religiosas  hispânicas um movimento para boicotar o Census 2010 em troca de uma anistia aos imigrantes indocumentados, e talvez seja a vontade de estar bem com esta gente é que tenha levado Fausto a se posicionar ao lado deles, mas há de se ressaltar que este boicote inoportuno gere problemas irremediáveis para quem está aqui sem documentos, ou seja, é possível que tudo piore em vez de melhorar. Se querem fazer um boicote que o façam, mas deixem de lado o Census 2010.

Fausto da Rocha poderia ter ficado calado em vez de pregar o boicote ao Census 2010, mas preferiu falar e deu um tiro no próprio pé, e desta vez passou de todos os limites.

Jehozadak Pereira

Quantas vezes já ouvimos a famosa frase de que os tempos mudaram? É certo que nossos pais e avós viveram em épocas totalmente diferentes da qual criamos os nossos filhos. As dificuldades da infância que muitos tiveram, nem de longe se assemelham às dificuldades enfrentadas pelas crianças, adolescentes e jovens dos tempos modernos.

Era comum crianças dos sete anos em diante ir trabalhar para ajudar no sustento da casa. Os filhos eram muitos e as dificuldades imensas.

No início da década de 60, a renda per capita dos brasileiros era equivalente a US 1,867. Hoje passa de US$ 5 mil. Sem contar que o Brasil era considerado um país subdesenvolvido e em processo de industrialização. As universidades eram acessíveis a um pequeno e seleto grupo, e a estabilidade familiar – os casamentos – era mais duradoura em todos os aspectos. Os meios de comunicação não eram tão eficientes, com a televisão praticamente engatinhando em muitos lugares no mundo todo.

Os tempos mudaram mesmo. Se antes a criação era rígida em princípios morais e éticos, e os filhos tinham obrigação de obedecer aos seus pais, hoje esta mesma educação já não é tão severa especialmente nos Estados Unidos onde vivemos.

Aqui é a terra e pátria dos ditos direitos humanos, tudo é permitido em nome das liberdades civis, desde declarar abertamente a opção sexual, e eles fazem questão absoluta de que isto fique patente e evidente, sendo possível ver nos carros adesivos com o arco-íris estilizado em vidros e pára-choques, sem contar os lugares onde a freqüência é de homossexuais – masculinos ou femininos – igualmente identificados pela bandeira multicolorida, contando com a indiferença da população americana.

Por vezes é possível encontrar pelas ruas, portas de escolas, metrô e ônibus com criaturas andróginas no modo de falar, de vestir, alguns com tantos piercings, brincos e alfinetes que as feições ficam disformes. E os cabelos? Pink, blue, green, entre outras tantas matizes. As idades? É possível identificar entre tantos alguns com onze, doze anos. E como fumam e bebem álcool! Diga-se que em muitos estados americanos tanto o fumo como a bebida alcoólica é proibida. Mas nunca os jovens e adolescentes americanos beberam e fumaram tanto como neste dias.

Em muitas escolas, é possível ver carros destruídos com os respectivos nomes dos adolescentes mortos em acidentes por causa da ingestão de álcool. A cada dia na América, mais jovens e adolescentes se envolvem em delitos, que vão desde dirigir sem a driver license – a carteira de motorista, tráfico de drogas, porte ilegal de armas, violência – inclusive sexual, roubo e assassinato entre outros tantos crimes. As estatísticas apontam que a cada ano a quantidade de crimes e contravenções praticadas por jovens e adolescentes é maior em relação ao ano anterior.

Nas escolas as crianças são ensinadas a denunciar as autoridades eventuais maus tratos praticados por pais, mães, irmãos, parentes. Qualquer correção que deixe marcas é denunciada incontinenti.

A grande e crucial questão é que as famílias têm negligenciado a educação e correção dos seus filhos, e o que vemos são cenas chocantes, como a de Nathaniel Brazill, o adolescente de 14 anos que em 2000 assassinou seu professor de inglês com um tiro no rosto, na Flórida, e foi condenado a 28 anos de prisão. Quando deixar a prisão, aos 42 anos, Brazill – ainda terá de passar dois anos em prisão domiciliar e mais cinco em liberdade condicional. Neste período, terá de fazer cursos de reinserção na sociedade.

Brazill foi julgado como adulto. Se o crime fosse de primeiro grau – premeditado, ele seria condenado possivelmente à prisão perpétua, ou ainda a tragédia na Columbine School, onde dois ensandecidos adolescentes mataram também a tiros treze pessoas, e por fim colocaram fim nas suas vidas. Poderia citar dezenas de casos de adolescentes americanos que cometeram assassinatos por motivos fúteis, ou sem uma motivação aparente, se bem que nenhum crime de morte é justificável.

Hoje cada vez mais filhos são deixados à mercê das suas próprias sortes. Alguns se deprimem, outros transgridem partindo para o crime, com conseqüências desastrosas e chocantes. Jeff Weise, de 17 anos pegou uma arma, invadiu a escola onde estudava e matou nove pessoas, entre eles seus avós. Admirador de Adolf Hitler, Weise era deprimido e estranho para muitos dos seus colegas. Jeff era órfão de pai e sua mãe é adoentada em virtude de um grave acidente de carro.

Explosões de ódio e rancor como este e de outros casos de adolescentes que são cada vez mais agressivos, tem se tornado comum, sobretudo, pela falta de perspectiva de vida de pais ausentes e omissos.

Além da delinqüência juvenil, um outro fator é motivo de preocupação para as autoridades – o alcoolismo, cada vez maior. Basta ir ao redor das escolas ou de festas onde há a participação de adolescentes e jovens para ver a quantidade de garrafas de bebidas alcoólicas vazias e jogadas pelos cantos. Outro fator preocupante é a iniciação sexual precoce, com o risco de se adquirir doenças sexualmente transmissíveis, além do vírus da Aids.

Hoje a educação deixou de ser um privilégio dos pais para se tornar uma imposição à sociedade e as autoridades. Ao deixar para as autoridades a tarefa de educar seus filhos, o que vemos é uma sociedade exasperada e sem a devida paciência com a delinqüência, que não hesita em corrigir aplicando a força fria da lei. Que os digam os reformatórios juvenis e as penitenciárias cada vez mais lotadas. Logicamente que há as exceções, existem pais que educam seus filhos de modo adequado e segundo os padrões bíblicos, mas parte considerável de gerações tem-se perdido por causa da severidade das leis de proteção aos jovens e adolescentes.

O quadro atual é o de uma geração que se assoma sem a devida atenção de pais e mães, que está à mercê das autoridades, que somente aplicarão o preceito legal. O resultado é que temos visto, atrevimento, insolência, falta de regras e de educação, ausência de preceitos hierárquicos, uma geração sem limites que não respeita absolutamente nada.

Esta é uma geração que tem sido criada sob os auspícios do famoso 911, que não hesita em punir quem corrige os seus filhos, a pretexto de os proteger. Mas é este mesmo 911 que será chamado para corrigir os delinqüentes de hoje que ontem protegeu. Uma sociedade permissiva e indulgente que já começa a se questionar sobre tanta liberalidade na educação dos seus filhos.

Basta ir as imediações de qualquer court para presenciar adolescentes e jovens acorrentados e algemados nos pés e nas mãos, por crimes cada vez mais graves. A maioria dos estados americanos prende, julga e condena menores como se fosse adultos, tamanha a gravidade dos delitos e crimes cometidos.

Em outubro de 2002, Suzane Louise von Richthofen, tramou a morte de seus pais – Manfred Albert e Marísia Von Richthofen. O casal foi morto a pauladas e marteladas quando dormiam pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos de Paula e Silva. Daniel e Suzane à época com 21 e 19 anos respectivamente eram namorados, e o faziam contra a vontade dos pais de Suzane.

A brutalidade e a frieza de Suzane durante o velório e sepultamento dos seus pais chocou a todos, especialmente ao delegado que conduziu o inquérito policial. Suzane foi a mentora intelectual do crime e em nenhum momento demonstrou arrependimento. Jovem, bonita e rica, Suzane tinha tudo para ser diferente. No entanto, optou pelo crime hediondo de permitir matar seus pais.

Todos os direitos reservados ao autor – 2005

 

Jehozadak Pereira

Juliano Cruz já foi de tudo na vida. Feirante, vendedor, mágico, despachante, mecânico, cozinheiro, seminarista, garçom, motorista e propagandista. Foi dono de uma pastelaria, de uma agência de viagens, de boutique num shopping em Curitiba, de uma pousada em Caldas Novas e outra em Porto Seguro, até que faliu o hotel da família em Florianópolis e decidiu vir para os Estados Unidos.

Juliano é daquelas pessoas que tem boas ideias e excelentes iniciativas, mas que se perdem em pouco tempo e põem tudo a perder, fazendo o que se espera que eles façam de fato. Juliano é uma das milhões de pessoas que são atingidas pela incapacidade de o organismo restabelecer o equilíbrio físico ou mental alterado por um problema estrutural ou funcional – definição patológica. Por isso não conseguem se concentrar em absolutamente nada.

Juliano sempre arruma um problema com quem está próximo dele, a ponto de nem seus irmãos o suportarem. Quando veio para a América em 1998, foi trabalhar numa publicação ligada à igreja adventista, e logo o ambiente que era perfeito, deteriorou-se de tal maneira que o diretor da área o dispensou com a recomendação que jamais tornasse a pisar naquele lugar novamente.

Tal como Juliano, são pessoas que se intrometem nas vidas alheias, escutam conversas, dão palpites fora de hora, acham que as suas ideias são sempre brilhantes, querem impor a sua vontade sempre, e quando contrariados acham-se perseguidos por tudo e por todos.

Quando se sentem ultrajados partem para outra sem a menor cerimonia, sem se importar com investimentos de tempo e de dinheiro. A exemplo de Juliano que deixou na mão alguns sócios, sem ao menos se dignar a dar qualquer tipo de justificativa ou satisfação. Os descompensados são ressentidos e dizem que fracassaram porque o mundo conspirou contra eles. Geralmente a origem dos seus problemas está na infância ou na adolescência. Juliano, por exemplo, era chamado de desastrado e trapalhão pelos seus pais e irmãos, daí a sua insegurança e hesitação constante.

As vezes o descompensado pode ser briguento e hostil com quem os cerca. Cristiana Silva, é um exemplo disto. Em quatro anos de América já morou em tantos lugares que nem se lembra deles todos. Já teve muitas amigas e namorados e rompeu com todos eles a ponto de ninguém querer saber dela quando se acidentou em 2005 e ficou quatro meses internada.

Uma cena comum na sua vida nos Estados Unidos é dormir no carro com todas as suas coisas, por ter brigado novamente. A última foi há um ano, quando chegou em casa e as duas pessoas com quem ela dividia uma casa estavam rindo e ela perguntou o motivo. Não era nada de importante disseram as duas. Foi o suficiente para que ela se revoltasse a partisse para cima de uma delas, achando que era dela que elas riam.

Foram parar na polícia e como consequência ela foi posta para fora da casa no meio da noite, foram noites dormindo no carro até que ela arrumasse uma outra casa para morar.

Quem convive com um descompensado fica perplexo diante de cada nova trapalhada ou atitude inconveniente feita mais uma vez. As vezes busca alguma resposta e se pergunta se o problema é seu ou se fez alguma coisa que justificasse o ato do descompensado.

Raramente o descompensado se dá conta das suas atitudes e por causa disto não buscam ajuda clínica ou terapêutica, mesmo porque acham que não precisam, e que o mundo mais uma vez está contra eles.

Jehozadak Pereira

Ainda não se sabe direito o que está por trás do atentado que aconteceu no sábado, 8, em Tucson no Arizona que matou seis pessoas e deixou outras 19 feridas, entre elas a deputada democrata Gabrielle Giffords, cujas plataformas incluem a defesa dos direitos de imigrantes indocumentados.

Jared Loughner, o atirador teria premeditado o atentado contra a deputada e sabe-se que têm antecedentes de ameaças contra a deputada a quem chama de ‘mulher escandalosa’. De imediato, criou-se suposições que o atentado teria motivações preconceituosas e racistas, já que Jared tinha a deputada como inimiga. Certamente muito vai ser discutido a respeito do assunto principalmente quando se sabe que o escritório político da deputada foi vandalizado quando da votação da reforma da saúde.

A ex-governadora do Alaska, Sarah Palin, colocou o nome de Gabrielle Griffords numa lista de democratas a serem derrotados nas eleições legislativas de novembro do ano passado. Justo Sarah Palin que foi celebrada como a maior novidade da eleição presidencial que elegeu Barack Obama e desde então deu uma guinada, ou melhor, se revelou o que na realidade o que sempre foi – conservadora, retrógrada, pernóstica, arrogante a ponto de ser uma das expoentes do Tea Party, movimento de direita conservadora e radical que se abriga dentro do Partido Republicano. O pior de tudo isto é que tem gente – brasileiros inclusive que acham que Palin é a solução de todos os problemas da América e ela já está em campanha desde já para se habilitar como a candidata republicana dentro de dois anos.

Já se sabe que os republicanos não vão dar boa vida ao presidente Barack Obama nos próximos dois anos e prometem que vão fazer de tudo para dificultar o governo democrata. Na raiz de tudo está a condução da política econômica e também da questão imigratória que os republicanos não aceitam fazer de modo algum, e a prova disto foram os oito anos de escuridão e obtusidade da administração de George W. Bush.

O acirramento destas questões têm criado e gerado tensões que não se sabem onde vão parar, se é que vão parar. Sabe-se de antemão que os republicanos se pudessem deportariam todos os imigrantes deste país só para satisfazer as suas vontades espúrias e preconceituosas.

Logo, com todo o acirramento que vai além da política e das posições partidárias e da falácia irresponsável de determinadas figuras que compõem o cenário nacional. Logo, um louco e transtornado que ouve um político dizer que vai dificultar a vida do presidente da república e dos adversários toma isto como uma ordem e vai tentar fazer justiça com as próprias mãos. Daí se deduz o perigo de certas lavagens cerebrais que algumas pessoas sofrem ao longo da vida e em determinadas situações, pois muita gente não sabe diferenciar ou não tem o discernimento de separar o que é uma palavra de ordem, uma bravata do que é sério e perigoso.

Pode-se ver claramente que os bastidores da política americana são compostos de interesses específicos onde o que vale é o que determinados indíviduos pensam em detrimento do interesse e do bem comum. Portanto, se foi feita uma reforma da saúde que atende interesses do público, mas foi feita por um democrata, deve-se necessariamente aterrorizar a população dizendo que vai-se rever as decisões mesmo que elas causem transtorno e prejuízo aos cofres da nação. Sem contar que torcem desesperadamente pelo fracasso de Barack Obama, tal como determinados democratas queriam o fracasso de George W. Bush. Se Obama fracassar vai ser o ápice para determinadas figuras carimbadas, se o fracasso incluir a retirada de todos os imigrantes documentados e indocumentados daqui então será o ideal, pois estes idealizam um país imenso só para eles.

Ou os políticos tomam consciência do grave momento que pesa sobre a cabeça de todos, como uma imensa espada pronta para degolar o primeiro incauto que estiver na frente, ou então daqui por diante fatos como estes do Arizona serão uma constante daqui e será uma pena que seja assim…

 

Jehozadak Pereira

Escrevi este artigo um tempo atrás, e lembrei dele pois recentemente convivi com uma pessoa descompensada que me fez passar raiva. Mas a vida é assim mesmo. Cada uma destas pessoas existe e por respeito a eles, não vou citar o seu nome aqui, mas os sintomas são os mesmos. Sem tirar nem por.

Juliano Cruz já foi de tudo na vida. Feirante, vendedor, mágico, despachante, mecânico, cozinheiro, seminarista, garçom, motorista e propagandista. Foi dono de uma pastelaria, de uma agência de viagens, de boutique num shopping em Curitiba, de uma pousada em Caldas Novas e outra em Porto Seguro, até que faliu o hotel da família em Florianópolis e decidiu vir para os Estados Unidos.

Juliano é daquelas pessoas que tem boas idéias e excelentes iniciativas, mas que se perdem em pouco tempo e poem tudo a perder, fazendo o que se espera que eles façam de fato. Juliano é uma das milhões de pessoas que são atingidas pela incapacidade de o organismo restabelecer o equilíbrio físico ou mental alterado por um problema estrutural ou funcional – definição patológica. Por isso não conseguem se concentrar em absolutamente nada.

Juliano sempre arruma um problema com quem está próximo dele, a ponto de nem seus irmãos o suportarem. Quando veio para a América em 1998, foi trabalhar numa igreja evangélica, e logo o ambiente que era perfeito, deteriorou-se de tal maneira que a direção da igreja o dispensou com a recomendação que jamais tornasse a pisar naquele lugar novamanente.

Tal como Juliano, são pessoas que se intrometem nas vidas alheias, escutam conversas, dão palpites fora de hora, acham que as suas idéias são sempre brilhantes, querem impor a sua vontade sempre, e quando contrariados acham-se perseguidos por tudo e por todos.

Quando se sentem ultrajados partem para outra sem a menor cerimônia, sem se importar com investimentos de tempo e de dinheiro. A exemplo de Juliano que deixou na mão alguns sócios, sem ao menos se dignar a dar qualquer tipo de justificativa ou satisfação.

Os descompensados são ressentidos e dizem que fracassaram porque o mundo conspirou contra eles. Geralmente a origem dos seus problemas está na infância ou na adolescência. Juliano, por exemplo, era chamado de desastrado e trapalhão pelos seus pais e irmãos, daí a sua insegurança e hesitação constante.

As vezes o descompensado pode ser briguento e hostil com quem os cerca. Cristiana Silva, é um exemplo disto. Em seis anos de América já morou em tantos lugares que nem se lembra deles todos. Já teve muitas amigas e namorados e rompeu com todos eles a ponto de ninguém querer saber dela quando se acidentou em 2005 e ficou quatro meses internada.

Uma cena comum na sua vida nos Estados Unidos é dormir no carro com todas as suas coisas, por ter brigado novamente. A última foi há um tempo atrás, quando chegou em casa e as duas pessoas com quem ela dividia uma casa estavam rindo e ela perguntou o motivo. Não era nada de importante disseram as duas. Foi o suficiente para que ela se revoltasse a partisse para cima de uma delas, achando que era dela que elas riam.

Foram parar na polícia e como conseqüência ela foi posta para fora da casa no meio da noite, foram noites dormindo no carro até que arrumasse uma outra casa para morar.

Quem convive com um descompensado fica perplexo diante de cada nova trapalhada ou atitude incoveniente feita mais uma vez. As vezes busca alguma resposta e se pergunta se o problema é seu ou se fez alguma coisa que justificasse o ato do descompensado.

Raramente o descompensado se dá conta das suas atitudes e por causa disto não buscam ajuda clínica ou terapêutica, mesmo porque acham que não precisam, e que o mundo mais uma vez está contra eles.

Há algum tempo, a atriz Cassia Kiss, esteve no programa Mais Você da apresentadora Ana Maria Braga e contou o drama que a afligiu por muitos anos. Ela sofria de transtorno bipolar, que hoje é controlada com remédio e terapia recomendada pelo seu psicanalista e psiquiatra. Cassia lamentou o tempo perdido em que desconhecia o seu problema, e que hoje é uma outra mulher em todos os aspectos.


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