Jehozadak Pereira

E quando sentimos inveja?

Posted by: jehozadakpereira on: May 31, 2012

Jehozadak Pereira

Continuando com a publicação dos 10 artigos e textos mais acessados do blog desde a sua criação, publico hoje ‘E quando sentimos inveja?’

Quantas vezes você já ouviu ao longo da sua vida a frase “inveja santa”? Certamente muitas vezes. Mas a inveja não é, nunca foi e jamais será santa. E por quê? Como pode ser santa algo que nasceu no coração de Lúcifer? Que foi o motivo da defenestração dele. Não há como justificar que a inveja, sob qualquer pretexto ou motivo seja santa.

Mas por que sentimos inveja? Ou melhor o que fazer quando sentirmos inveja?

A Bíblia nos alerta acerca disto. Vamos começar por Asafe, o salmista. No Salmo 73.3-14 ele diz “Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio. Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens. Daí, a soberba que os cinge como um colar, e a violência que os envolve como manto. Os olhos saltam-lhes da gordura; do coração brotam-lhes fantasias. Motejam e falam maliciosamente; da opressão falam com altivez. Contra os céus desandam a boca, e a sua língua percorre a terra. Por isso, o seu povo se volta para eles e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos. E diz: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo? Eis que são estes os ímpios; e, sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas. Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência. Pois de contínuo sou afligido e cada manhã, castigado”.

1 João 2.16 “… porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”.

Notem que Asafe era de fato um servo do Senhor, mas creio que exausto ou enfadado por alguma circunstância especial ele se ressente de fazer tudo corretamente. E vai desfiando num lamentar as causas da prosperidade dos ímpios. Asafe explicita o contraste entre as suas aflições e os benefícios dos ímpios.

Algumas vezes nossa tendência é a de ser piegas e perguntar – por que eu que sou honesto, decente, trabalhador, cumpridor de todos os meus compromissos, dizimista fiel, cooperador diligente da obra do Senhor, bom pai, bom marido, boa esposa, boa mãe, filho ou filha exemplar, e não progrido? Enquanto isto eu vejo ao meu lado o ímpio, o incrédulo, o homem ou a mulher que dá os piores exemplos progredir, prosperar, adquirir bens e riquezas, comprar a sua casa, o seu carro, ser feliz, viajar, cumular para si coisas inimagináveis?

Aqui existem duas situações. Uma delas é sentir inveja dos ímpios. Outra de sentir inveja dos nossos irmãos em Cristo. Ambas são execráveis e desprezíveis.

Um dos nossos grandes problemas é achar que somos preteridos por Deus. Por mais que nos esforcemos não conseguimos ter tudo aquilo que desejamos, mas que nem sempre precisamos. Se pensarmos desta forma e modo entenderemos as razões de Asafe. Não há como duvidar da fidelidade de Asafe. No há como imaginar que o salmista tivesse uma pequena sombra de dúvida no seu coração. Vejam que muitas vezes esta é a nossa reação. Perdemos a noção de fidelidade e a semente da inveja se põe a postos no nosso coração.

Uma coisa é de se notar com relação à inveja: ninguém nasce invejoso. A inveja nasce no coração do homem, instala-se e por muitas vezes não é possível desalojá-la de lá. A inveja é como um câncer que se aloja no organismo e vai corromper e contaminar o ser humano, e estamos falando aqui de seres humanos. Aliás, não é possível saber o que nasceu primeiro – o câncer ou a inveja, o certo é que ambos são explosivos e, às vezes, mortais. Ouso dizer que a palavra inveja deveria ser riscada do dicionário do cristão verdadeiro e fiel.

Como é possível detectar se você está sentindo inveja de alguém? Preste atenção nos seus atos e atitudes para com as pessoas a sua volta. Veja nos ambientes onde você convive com outras pessoas, seja na igreja, seja no seu trabalho ou mesmo no convívio familiar. Certa feita, numa determinada igreja, o tesoureiro – homem que trabalhara duro a vida toda e durante muitos anos pagou consórcio de um carro novo sem que ninguém além da sua família e do seu pastor soubesse. Um dia qualquer ele foi contemplado e no domingo seguinte ele estacionou o seu automóvel último tipo na porta da congregação. Queixos caíram, rostos se viraram para contemplar com admiração a nova aquisição. Porém, muitos torceram o nariz, e olhares trocados entre alguns diziam tudo – onde ele havia arrumado dinheiro para comprar aquele carro? Entres estes estava o seu melhor amigo, ou melhor um amigo de longa data. No coração deste amigo estava plantada a semente da inveja, e ao final daquele ano, ele foi um dos que exigiram uma análise detalhada nas finanças da igreja.

Vejam que este amigo tinha toda a liberdade para perguntar ao tesoureiro como foi que ele havia comprado o carro, mas optou por dar vazão ao sentimento pérfido da inveja. Tempos depois um dos seus filhos veio com a notícia de que o carro do amigo havia sido adquirido num consórcio, mas era tarde para ele, a amizade já não era a mesma de tempos atrás.

A inveja finge, dissimula, falseia – vejam o caso acima, houve a opção deliberada pela desconfiança com o carro comprado pelo amigo, que era tesoureiro da igreja. A inveja põe uma máscara intransponível de indiferença que ao longo dos anos se torna irremovível. Uma das faces desta máscara é a do desmerecimento dos méritos ou conquistas alheias. É aí que aparece a inveja.

A máscara ou dissimulação do sentimento da inveja é um dos recursos que o invejoso usa para esconder a sua prática. Em alguns casos nas nossas igrejas, a dissimulação ou máscara pode vir em forma de espiritualidade. Você já viu quando um irmão ou irmã se diz mais espiritual que outro? Quando ele se gaba de ter um dom que o outro não tem? Ou quando ele se acha melhor que o outro na execução de alguma tarefa ou função.

Raramente, em casos como este o invejoso vai deixar transparecer o seu sentimento.

Ao querer competir com o outro, o invejoso vai sempre se sobressair vencedor – mesmo que não esteja em jogo absolutamente nada, mesmo que não haja competição alguma.

Somos pessoas razoáveis, e não há dúvida alguma disto. Mesmo sendo idôneos, nos é por vezes difícil admitir que temos alojado em nós determinados sentimentos, entre eles a inveja, e mais ainda quando nos entristecemos com o êxito alheio. Muitas vezes nos sentimos os piores, os incapazes, os derrotados com o sucesso daquele que nos rodeia, nos cerca, na igreja, no trabalho ou na família.

Surge então o sentimento de raiva, de ira, que se apossa do invejoso, fazendo com que ele se sinta merecedor da conquista do outro, ele vai achar que o seu território pessoal foi invadido e não admite a sua inércia ou incapacidade. Logo ele vai estar boicotando, fofocando, preparando armadilhas para destruir o outro, sempre querendo provar que ele é que fato capaz, e que o outro é na realidade um impostor e um usurpador.

Salmos 68.16 – “Por que olhais com inveja, ó montes elevados, o monte que Deus escolheu para sua habitação? O SENHOR habitará nele para sempre”. A habitação do teu próximo é melhor que a tua? Aceite isto, porque Deus assim o permite e quer.

Este processo do crente sentir inveja não é percebido facilmente, e ele busca principalmente a desestabilização espiritual e pessoal.

Provérbios 24.1 – “Não tenhas inveja dos homens malignos, nem queiras estar com eles”. Já observou a sua volta? Viu se existem homens “populares”, homens que vivem cercados por outros, que parecem felizes, mas na realidade são pecadores empedernidos, que vivem de fazer o mal a todos? Conta-se a história de determinado governante, que tinha uma fama muito ruim. Um dia ele disfarçou-se de mercador e saiu para saber o que pensavam dele os seus súditos. Numa vila distante, bateu numa porta pedindo comida e água. Foi acolhido em uma casa simples, porém aconchegante. Pôde então notar as feições tranqüilas dos donos da casa, pôde ver que ele era um homem feliz e realizado. Ao servir o jantar ele tinha ao seu lado os seus filhos e empregados, todos sentados na comprida mesa. Viu também que todos respeitavam o homem, e chamou-lhe a atenção o tratamento que a esposa dedicava a ele.

Lá pelas tantas, o viajante perguntou qual era a opinião do dono da casa a respeito do seu governante maior. Perguntou-lhe se ele não sentia inveja do rei. O homem respondeu então que não e lhe mostrou o que estava escrito em Provérbios 24.1. Por que motivo ele teria de ter inveja de um homem maligno?

Maligno?

Então esta era a imagem que o povo tinha do seu governante? Anos depois um rei mudado e temente a Deus mandou que lhe levassem a presença aquele homem, pois queria que ele visse a mudança na sua vida.
 Provérbios 24.19 – “Não te aflijas por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos perversos”.

A Bíblia alinhava uma série de advertências para que nós como crentes, não sintamos inveja ou mesmo que admiramos o ímpio. Como crentes e filhos escolhidos de Deus, não temos o direito de “espichar” o olho para o nosso próximo. A palavra de Deus é bem clara em muitos aspectos e um deles é o que fala sobre inveja. Na vida do crente não deve haver lugar para a inveja. Provérbios 16.18 – “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda”. Um dos grandes problemas do homem é a soberba.

Soberba que junto com a inveja leva o homem ao buraco do sofrimento e da angústia.

Mas como evitar a inveja? Vejamos em Salmos 119.11 – “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”. Somente esta atitude de guardar a palavra do Senhor no coração é que se torna possível refutar e recusar ter inveja de alguém.

Marcos 7.22 – “A avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura”.

Romanos 1.29 – “Cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores…”.

Gálatas 5.26 – “Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros”.

1 Timóteo 6.4 – “É enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas”.

Tito 3.3 – “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros”.

Tiago 3.14 – “Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade”.

Tiago 3.16 – “Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins”.

Crente, em Cristo Jesus, não deixe que a inveja ou qualquer outro sentimento faccioso, antagônico ou ardiloso se aloje em seu coração. Repreenda, resista e refute qualquer sentimento destes, especialmente o da inveja, pois como ficou demonstrado a inveja vem direto do coração de Lúcifer.

Conflitos familiares

Posted by: jehozadakpereira on: May 30, 2012

A partir de hoje e nos próximos 10 dias estarei postando os 10 textos e artigos mais lidos do blog desde a sua criação. Conflitos familiares é um deles e narra as agruras de muita gente boa – e má que faz do convívio familiar um tormento para uns e outros.

Invariavelmente um conflito familiar passa por duas etapas ou razões primordiais e importantes: ciúmes e dinheiro. Um ou outro. Quando não os dois juntos. Conflito familiar não escolhe classe social, e ninguém está imune a ele. Certamente você tem uma história na sua família. Por vezes pai ou mãe são os fatores que fazem as aparências ser mantidas. Mas quando estes se vão… Em muitos lares, aniversários, datas especiais e festividades de fim de ano, são comemoradas parcialmente porque irmãos não podem se encontrar no mesmo recinto. Você já presenciou alguma cena destas?

Numa determinada família a cada final de ano os pais ceavam cinco vezes seguidas. Cada uma com um filho diferente. O irmão mais velho reclama do segundo, as duas irmãs reclamam uma da outra e o caçula reclama de todos. Um filho intermediário de uma família numerosa desde pequeno mostrava intolerância para com seus irmãos. Tudo dele era melhor, mesmo que fosse inferior. Seus amigos eram melhores do que os amigos dos seus irmãos. Ciumento com suas coisas, tudo era guardado debaixo de segredos e segredos. Seus olhos por vezes ficavam vermelhos. O que era intolerância pueril, virou arrogância adulta. Sua situação financeira era péssima, pois negócios mal feitos o levaram a quase passar por necessidades. Para ele a culpa de ele estar naquela situação eram dos seus ex-amigos e ex-sócios, que segundo ele o haviam roubado e enganado. O conflito com seus irmãos ainda continuava, pois, beligerante não perdoava nada. Um carro novo, uma viajem, um relógio comprado eram motivos mais do que suficientes para a critica exasperada e continua.

Na mesma hora que sorria, hostilizava, numa atitude de passionalismo exacerbada. Mesmo com toda esta carga emocional e de problemas um dos irmãos resolveu que devia ajudá-lo. Depois de muitos anos afastados somente se cumprimentando, mas não sendo inimigos, foi lhe dada a oportunidade de fazer alguns negócios, sobre a tutela do irmão. O irmão deu carro, dinheiro, roupas, apresentou amigos e clientes, dando a chance de se restabelecer financeiramente. Durante uns poucos meses as coisas pareciam ir bem, mas novamente o ciúme e a inveja falaram mais altos e ele fez o que fizera a vida inteira: indispôs-se com seu irmão. Só que desta vez foi longe demais. O sucesso alheio o maltratava e logo ele revelou o seu verdadeiro eu. Esta história faz lembrar do episódio da serpente venenosa com a espinha quebrada. Não adianta tratar dela. Tem de deixá-la à própria sorte, se você for cuidar dos ferimentos e ela se curar, cedo ou tarde ela vai te morder. É da índole e do caráter dela. Não há outro jeito. Você, leitor pode dizer que a misericórdia divina deve superar cada obstáculo destes. É verdade. Mas vá dizer isto a gente que tem o caráter corrompido? Primeiro que o errado nunca vai reconhecer que está errado. Depois porque a arrogância e a empáfia dele jamais vai permitir que ele se humilhe diante dos seus irmãos. Daí o conflito tende sempre a se acentuar cada vez mais. Se tiver dinheiro envolvido na história então… Qual então é o papel dos pais neste processo todo? O diálogo deve ser exercido de todas as formas e meios.

Muitos são incapazes de detectar os conflitos e os sanearem. Não estamos abordando os relacionamentos de pais com filhos, de marido e mulher, ou dos demais graus de parentesco, somente os entre irmãos. Invariavelmente o conflito familiar entre irmãos tem as suas origens na infância. O pai gosta mais de um do que de outro. A mãe aprecia mais o outro do que o um, e por ai vai. Há filhos que não sentem, mas via de regra ressentem-se pela vida afora. Em qualquer família tem sempre aquele que se destaca em tudo o que faz, tem aquele que trata os pais com carinho e atenção, tem aquele que por motivos diversos se retrai, tem o expansivo e o tímido, o que explode por tudo e o que tudo tolera. Tem o sorridente e o que chora por nada. Há pais que tratam os diferentes como iguais e os iguais como diferentes. Há também a questão dos anos que se passam, nem sempre o amoroso da infância é o atencioso na idade adulta, o certo é que por vezes os conflitos familiares nascem nas disputas domésticas por um carrinho, um carinho, uma boneca, um pedaço diferente do bolo da mamãe, e atravessa armazenando raízes de amargura e ódio, para descambar em irreversíveis conflitos que jamais serão resolvidos.

Há aqueles casos de que um dos irmãos fez com que a estabilidade financeira da família vá para o buraco, por imprevidência, por causa de negócios mal feitos ou mesmo por imprudência. Os conflitos familiares são extremamente dolorosos e deixam as suas marcas indeléveis. O grande e crucial problema é que pais não sabem como resolvê-los. Por vezes as tragédias ou dores reaproximam os contendores, mas jamais as relações serão as mesmas, ficará no ar a mágoa e a dor. Permanecerá a desconfiança de que quem aprontou uma vez, fará de novo.

Abuso sexual e pedofilia

Posted by: jehozadakpereira on: May 23, 2012

Jehozadak Pereira

Num depoimento muito corajoso feito no Fantástico de domingo passado, a apresentadora Xuxa revelou que foi vítima de sucessivos abusos sexuais. Disse também que sentia culpada e que não era dela e que não podia falar com sua família sobre o assunto. Diariamente milhares de crianças são abusadas dentro das suas casas, nas escolas ou em outros ambientes. Escrevi o texto abaixo em 2007 e o republico abaixo.

Grande parte das crianças e adolescentes são abusadas por parentes de primeiro grau – avôs, pais, tios e irmãos, depois por primos e padrastos, especialmentge por estes últimos que veêm nos filhos dos companheiros rivais com quem não querem dividir atenção e carinho. Depois – e principalmente – quem mais abusa são pessoas que estão inseridas no convívio familiar, e por isso gozam de confiança – e são estes os quem mais cometem abuso sexual.

Na maioria das vezes o agressor sexual é pessoa do convívio familiar e social da criança.

Maria, descobriu que seus filhos eram fotografados pelo próprio pai que vendia as imagens na internet. A menina com oito anos fora manipulada de tal forma que somente depois de muito custo e insistência da terapeuta admitiu as práticas do pai. A cada seção de fotos a que era submetida ganhava doces, roupas e brinquedos, e era lembrada de que não devia contar nada para ninguém, especialmente sua mãe. Já o irmão de quatro anos era fotografado e filmado desde um ano de idade. Maria descobriu tudo ao acessar um arquivo de fotos que o marido havia esquecido aberto e precisou ser internada por causa do abalo sofrido.

Há casos registrados no mundo de crianças que foram adotadas, sofrerem abusos sexuais por parte de quem as adotou, e que fotos e filmes destas crianças circularam entre pedófilos do mundo todo. Fora do círculo familiar, os maiores violadores são professores, amigos, conhecidos, que tornam a criança cúmplice, imputando a elas a responsabilidade de não contar nada a ninguém. Fisicamente o crime de abuso sexual muitas vezes é difícil de ser evidenciado, restando ao abusado as seqüelas emocionais e psicológicas, que invariavelmente vai carregar pela vida toda.

O maior escândalo sexual da história americana foi protagonizada por padres e sacerdotes da igreja católica, principalmente no Estado de Massachusetts, o que custou milhões de dólares em indenizações que foram pagas às vítimas.

A rede de proteção que cerca e esconde criminosos têm que ser desmascarada e banida, apesar de toda a repulsa que a prática provoca, há de se admitir que é um mercado em franca expansão e que movimenta verdadeiras fortunas todos os anos.

Somente a exposição, como fez a Interpol divulgando e mostrando a cara dos criminosos é que pode inibir quem pratica, produz, veicula e distribui material pornográfico e sobretudo, quem é praticante de tais atos, que verdadeiramente são execráveis e condenáveis sob todos os aspectos.

Proteja seus filhos

  • Desconfie de amizades repentinas de seus filhos com pessoas mais velhas;
  • Questione presentes e valores em dinheiro que seus filhos ganhem sem motivo aparente;
  • Não deixe seus filhos a sós com pessoas que demonstrem carinho e atenção excessivos;
  • Fique atento a qualquer mudança brusca de comportamento dos seus filhos, especialmente choro, agressividade e introspecção – estas características podem significar problemas;
  • Verifique as páginas e sites visitados por seus filhos na internet;
  • Verifique arquivos e e-mails trocados por seus filhos;
  • Monitore qualquer conversa que seus filhos menores manter com estranhos via computador e em comunicadores como MSN, Skipe, Orkut, Facebook, etc;
  • Verifique de há sinais de sangue nas roupas íntimas dos seus filhos;
  • Se tiver dúvidas de que seus filhos estão sendo abusados emocional e sexualmente, busque ajuda especializada, inclusive das autoridades policiais;
  • Proteja, ampare e ame seus filhos se eles forem abusados ou molestados. É a melhor forma de minorar o sofrimento;
  • Lembre-se que se isto acontecer na sua família, é grave e não se vingue, ao contrário, denuncie o agressor.

Sex offenders

A lei exige que ofensores sexuais se cadastrem nos estados e cidades onde moram. Massachusetts registra cada um deles com as respectivas fotos e crimes cometidos.

Prestação de serviço

National Coalition Against Domestic Violence

Em caso de agressão física, psicológica e sexual denuncie o agressor imediatamente

1 800 799 7233 – Hot line – nacional 24 horas

www.ncadv.org 

língua maldita

Posted by: jehozadakpereira on: May 10, 2012

Jehozadak Pereira

Tenho lidado nos últimos dias com uma fofoqueira profissional que insiste em dizer uma versão fantasiosa de um fato do quel ela conhece a verdade. Porém, quer porque quer espalhar o seu veneno e contar a mentira que ela queria que fosse verdade mas não é. Tenho ganas de revelar o seu nome, mas não vou fazê-lo, mas não posso deixar de dedicar-lhe – e a outros tantos fofoqueiros e maledicentes – este texto, escrito há alguns anos, mas sempre atual.

Quebrar a cara do maledicente e fofoqueiro!

Se esta foi alguma vez a sua reação, eu não o critico, pois eu também já tive esta vontade algumas vezes. Eu tenho me perguntado como proceder diante da calúnia, da mentira, da falta de respeito para com o próximo. O maledicente e fofoqueiro trabalha com a vida dos outros. Ele cuida da vida alheia mais do que a própria vida. É exasperante, afoito, sorrateiro, covarde e inoportuno.

Na sua boca, nada presta ou tem algum valor. Ele é desrespeitoso e despeitado. Na boca do fofoqueiro, boatos tomam dimensões de verdade absoluta e irrevogável. Logo ele estará contando tudo e a todos de tudo e de todos. Só há um jeito de tratar com o maledicente e fofoqueiro: desmascará-lo publicamente diante de todos ou então quebrar a cara dele.

Para alguns, segredos ou confidências ouvidas de outros de nada valem.

O economista, senador, embaixador e ex-deputado Roberto Campos, já falecido, afirmava que a inveja é o mau hálito da alma. E a fofoca, e o mexerico, e a maledicência? O que são? São fezes na boca do mexeriqueiro, fezes das quais ele se alimenta e se nutre tal qual um parasita intestinal.

O fofoqueiro é sombrio, furtivo, escamoteado, e trabalha com a cumplicidade alheia que às vezes ouve e passa adiante aquilo que ouve. O mexeriqueiro não perdoa nada, tudo para ele é errado.

O que também mais irrita é a fofoca em família. Tenho uma tia que trata da vida de todo mundo (quem não tem um exemplo deste na família?), menos da vida dela. Qualquer movimento, por menor que seja, para ela é um fato importante que logo estará sendo passado adiante. Sabe da vida de todo mundo, uma fofoqueira de primeira. Além de fofoqueira é uma maledicente.

E vou mais longe ainda ao afirmar que todo maledicente é um agressor. Agressor da moral alheia. Eu comparo o maledicente a um estuprador. Tal qual ele, não respeita nada. Se tiver a oportunidade, vai cometer um crime perverso e irreparável em todos os aspectos e, como um violador sexual, o maledicente tem de ser repudiado.

Tempos atrás, provei na minha vida do veneno de um fofoqueiro e senti-me ultrajado, humilhado, desgostoso, destratado, por causa de um maledicente que não tinha todas as informações de um problema real e que, se considerando um ser altamente espiritual, colocou para frente um problema que não lhe dizia respeito. Depois reclamou que foi desrespeitado.

Dias depois deste fato, um amigo ouviu uma notícia desabonadora de um outro amigo. Comunicado, fui conferir com o próprio a veracidade do assunto. Expus-lhe o problema e sua resposta foi bem humorada, e embora o assunto não me dissesse respeito, senti-me na obrigação bíblica de comunicar o fato ao meu amigo. Ninguém, absolutamente ninguém, ouviu de mim ou do meu outro amigo o que se passou. Confesso que me senti aliviado por poder ajudar a desfazer a intriga de um fofoqueiro.

Sei que alguns terão estas palavras por muito fortes e contundentes, mas elas são realidade. Quantas vezes temos de sofrer os danos calados sem poder reagir ou mesmo contestar quem fala da vida alheia?

Certamente, você tem um monte de casos semelhantes para contar, e como eu, sentiu ganas e vontades de bater no maledicente. Mas passado os momentos de cólera, de ira, vem os questionamentos. Por que? O que eu fiz? Precisava ser falado? Mas no fim acabamos por – como disse um outro amigo meu – deixando para lá.

PS Se você notou o título deste artigo, está em letras minúsculas, pois, como o maledicente é um personagem menor moralmente, nada mais justo do que lhe dar tratamento igual.

 

O chato

Posted by: jehozadakpereira on: May 4, 2012

Não, não estou falando do Phthirius púbis, que para quem não sabe é aquele pequeno carrapato que como o nome mesmo diz, ataca entre outros lugares, nas regiões pubianas, e por isso mesmo enche o saco. Talvez seja daí a frase tão popularmente consagrada. Eu falo de um outro tipo de chato, daqueles que igualmente – com o perdão da palavra – enchem o saco. Tem chato para todo o gosto, e você certamente deve conhecer um montão deles, que tal o carrapato querem ser notados.

Tem o chato que quando você pergunta como ele vai, ele conta. Já topou com um destes? E o chato especialista? É catedrático em alguma coisa e por isso mesmo acha que todo mundo tem de ser igual a ele. Normalmente ele se intitula o bam-bam-bam, o sabe-tudo, e pensa que tem resposta para tudo, querem mostrar que sabem tudo e de tudo. Ai do seu lado deve ter uma dúzia destes.

Tem chato que é pior do que bêbado. Perturba uma barbaridade e não fala coisa com coisa. E o ruim é que se você bater nele ele vai achar a vida inteira que foi o vencedor. Vivem procurando confusão e quando acham e apanham saem por ai cantando de vitoriosos, são os chatos posudos. Querem aparecer de qualquer jeito. Um horror.

Como tratar o chato? Ora, o próprio nome já diz, ele é um chato e se você der atenção para ele, mais atenção ele vai querer. Então o melhor modo de tratar um chato é ignorá-lo por completo, deixar ele para lá. Antigamente quando um chato vinha em nossa direção, atravessávamos a rua e fazíamos de conta que não tínhamos visto o chato, hoje com o advento dos identificadores de telefone não os atendemos, ou ainda com os e-mails, nós bloqueamos os endereços deles – pois chato que se preza tem mais de um endereço eletrônico.

Outro dia, um chato que se diz torcedor de futebol perturbou tanto a vida de todo mundo quando o time dele ganhou, que ao perder ele deletou o Facebook para se livrar do troco. Aí, dias depois ressurgiu como se não tivesse acontecido nada, pois chato que se preza é acima de tudo um grande cara de pau…

Facebook

Posted by: jehozadakpereira on: May 3, 2012

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Até quando vamos esperar que o navio entregue as nossas caixas?

Posted by: jehozadakpereira on: May 3, 2012

O recente debacle da BR Courier traz novamente à luz um antigo problema das transportadoras de caixas para o Brasil. Já se escreveu e falou de tudo, e não é a primeira vez que a comunidade, ou melhor, que o consumidor brasileiro é surpreendido e lesado nos seus interesses, bens e posses.

Na terça-feira desta semana, uma consumidora que esperava para receber de volta a caixa que havia entregue para a BR Courier em setembro do ano passado desabafou e expressou o sentimento de gente trabalhadora e honesta que novamente é enrolada na sua confiança. “Isto é uma indignidade e é muita humilhação! E o pior é que não há ninguém que nos dê uma resposta coerente para as nossas dúvidas. Até quando seremos enrolados e maltratados no nosso direito?”

E ela não deixa de ter absoluta razão, já que não é a primeira vez que isto acontece. Somente em Massachusetts nos últimos anos foram milhares de brasileiros lesados em milhões de dólares, tanto na cobrança do frete quanto nos bens que adquire para mandar para o Brasil. Informações dão conta de que somente em Massachusetts são cerca de 3,6 mil caixas que são aproximadamente 50% do total nos EUA. A BR Courier está devolvendo as caixas e ao que parece se cercou de todos os cuidados legais para preservar os seus direitos. Mas e o direito do consumidor, quem há de olhar por eles? A pergunta que se faz é por que a empresa continuou coletando caixas e mercadorias se sabia que não teria condições de cumprir com o serviço contratado?

É certo que nem todos os empresários que trabalham no ramo são picaretas ou espertalhões e ninguém está a salvo de passar por um infortúnio qualquer. Porém quebras de transportadoras deixam o segmento em descrédito.

Qual será a próxima a deixar o consumidor esperando o navio chegar em vão? Como saber se a transportadora que anuncia é idônea e vai realmente entregar a sua caixa ou se é mais uma picaretagem? A comunidade brasileira tem se transformado aos poucos sem se dar conta disto. Entre os brasileiros há gente que rouba lojas, postos de gasolina, bancos, carros para tirar rodas, bancos e acessórios. Há gente que explora mulheres, vive de agiotagem, de falsificação de documentos, de extorsão, de roubo de carros e residências, baderna, gangues, e brigas.  Além de outros golpes infestam a comunidade.

As histórias são muitas. No tocante aos consumidores que enviaram suas caixas, o que se vê é desamparo, falta de informação, mau humor dos atendentes e responsáveis pelas empresas que se escondem e se omitem como se a questão não fosse com eles. O consumidor brasileiro merece sim, atenção e satisfação por parte das companhias.

Aliás, o silêncio de algumas delas é constrangedor e fica no ar o cheiro de picaretagem, pois o que interessava era receber por um serviço que já se sabia de antemão não seria dado como contrapartida.

São as famosas companhias de transportes de cargas para o Brasil que surgem e somem num piscar de olhos, deixando muitos clientes literalmente querendo ver o navios com as suas cargas que jamais chegam ao destino, e quando chegam muitas delas são entregues totalmente saqueadas e roubadas. De quem é a culpa? Como resposta é um eterno jogo de empurra e de como dissemos anteriormente, de omissão mesmo. Até se pode entender que alguns segmentos passem por dificuldades e lutem contra elas, mas é sempre a mesma coisa sempre, e quem acaba por pagar a conta, ou melhor, o prejuízo é sempre do consumidor. Já passou da hora disto acabar.

O salutar disto tudo é que a comunidade se mobiliza em busca de respostas e de uma satisfação por pequena que seja, no sentido de que e justiça seja de fato feita e que tais fatos não se repitam jamais.

Já os que vivem de expedientes pouco excusos e de golpe em golpe, contribuem para que a reputação da comunidade seja manchada e jogada no lixo, e logo as coisas que já são difíceis se tornarão ainda mais dificultosas. A razoável abundância de oportunidades atraiu para cá uma multidão de desocupados e golpistas que esperam viver aqui do mesmo modo que viviam no Brasil – aplicando golpes e lesando quem trabalha honestamente, o que nos faz sentir saudades dos tempos que transgressão era dirigir com carteira internacional.

Ayrton Senna, o gênio

Posted by: jehozadakpereira on: May 2, 2012

Jehozadak Pereira

Depois de Pelé, a maior expressão do esporte brasileiro foi, sem dúvida alguma, Ayrton Senna da Silva – ou o Ayrton Senna do Brasil. Ayrton viveu e morreu como gostava – correndo e batendo recordes e mais recordes na Fórmula 1. Quando morreu em 1994 aos 34 anos de idade, Senna era o maior nome em atividade no automobilismo mundial. Tricampeão de Fórmula 1 pela McLaren em 1988, 1990 e 1991, Senna era um piloto arrojado e dono de uma técnica quase que insuperável, e que fez contratos milionários mesmo para os padrões da categoria – no seu último ano na McLaren, recebia, além do seu salário anual, US$ 1 milhão por corrida.

Ao longo da sua carreira foi piloto da Tolleman, Lótus, McLaren e por fim da Willians.

Senna começou sua carreira correndo de kart, como muitos dos pilotos brasileiros, e atrás do sonho dourado foi para a Inglaterra correr na Fórmula 3 onde foi campeão. Sua forma de pilotar e suas vitórias chamaram a atenção, e logo ele estava na categoria que é a nata dos pilotos mundiais.

Na McLaren estava o seu maior “inimigo” na modalidade – Alan Prost, com quem Senna dividia podiuns, títulos e desavenças. Em 1989, na última corrida da temporada no Japão, Senna precisava de um ponto para se sagrar campeão, e logo na primeira curva foi jogado para fora da pista por Prost. Com a desistência de Senna, Prost sagrou-se campeão daquela temporada.

O troco veio em grande estilo dois anos depois. No mesmo grande prêmio do Japão, desta vez quem precisava de um ponto era Prost, e ele foi devidamente jogado sem cerimônia alguma para fora da pista por Senna, que ficou com o título; numa manobra arriscada a 250 quilômetros por hora, que poderia ter custado a vida de ambos. Para alimentar ainda mais a polêmica em torno da vitória de Senna, Jean Marie Ballestre, presidente da Associação dos Construtores e da FIA – Federação Internacional de Automobilismo, ameaçou caçar o título de Senna, justo ele que dois anos antes não havia tomado atitude alguma contra Allan Prost.

Ao trocar a McLaren pela Willians, que tinha o melhor carro da temporada, Senna se juntava à melhor equipe da temporada, e os analistas e especialistas afirmavam que ambos – equipe e piloto – seriam imbatíveis e as vitórias seriam inesquecíveis.

Ao encerrar a sua carreira de modo trágico e prematuro no muro da Tamburelo, a 300 quilômetros por hora, Senna transformou-se no mito que fazia tanto sucesso vivo quanto morto. Senna foi um recordista na Fórmula 1, e muitos dos seus recordes pessoais durarão muitos anos. As alegrias dos brasileiros nas manhãs dominicais com as suas vitórias e performances, eram embaladas ao som do tema da Vitória, tocadas após suas conquistas transmitidas pela Rede Globo durante os dez anos que Senna pilotou um carro de Fórmula 1.

Ayrton Senna foi o piloto que mais venceu corridas de ponta à ponta – 19 vezes. Se para uns Senna era um gênio perfeccionista, que inaugurou o hábito na categoria de ir para os autódromos andar pela pista, para conhecer o traçado, pontos de ultrapassagem, área de escape, e com isso desenvolver estratégias para treinos e corridas, para outros era um maluco alucinado e obcecado que buscava a superação a 300 quilômetros por hora, o que lhe custou a vida. Ou mesmo que seu carro fosse inferior tecnicamente, ele tirava a diferença no “braço”, andando acima dos limites do carro e do risco.

Implacável com seus erros que não admitia em possibilidade alguma, buscava a perfeição no pilotar fosse em pista seca ou molhada ou em detrimento do seu estado físico, como na vitória antológica do Grande Prêmio do Brasil em 1993, onde, para sair do carro e ir receber o seu troféu, Senna teve de ir carregado. Aquele triunfo foi a síntese da carreira vitoriosa de Ayrton Senna da Silva e mostrou o que todo mundo já sabia – ninguém pilotava um carro de Fórmula 1 como ele.

 

Estatísticas de Ayrton Senna

GPs disputados 161

Vitórias   41

Pódiuns   80

Pole position   65

Largada na primeira fila   87

Voltas mais rápidas   19

Total de pontos 614

 

Escrever é cortar palavras

Posted by: jehozadakpereira on: April 30, 2012

Jehozadak Pereira

Ganhei este texto de um dos meus professores na faculdade, e foi escrito pelo Armando Nogueira e publicado no Jornal do Brasil no dia 7 de agosto de 1996, mas é atualíssimo, e resolvi postar no dia do Jornalista como um lembrete importante.

Passei alguns anos certo de que o autor dessa preciosa máxima era Carlos Drummond de Andrade. Até que um dia perguntei ao poeta. Ele conhecia, mas negou que fosse dele. Confesso que fiquei desapontado. A sentença tinha a cara de mestre Drummond, cuja prosa é um exemplo de concisão. Otto Lara Resende desconfiava que pudesse ser de um escritor mexicano a idéia da dica preciosa. Eu, por mim, seria capaz de atribuí-la a John Ruskin, notável escritor e crítico inglês do século passado. Se não o disse, com todas as letras, certamente foi Ruskin quem melhor ilustrou o adágio, num conto antológico.

É o caso de um feirante de peixes num porto britânico. O homem chega à feira e lá encontra seu compadre, arrumando os peixes num imenso tabuleiro de madeira. Cumprimentam-se. O feirante está contente com o sucesso do seu modesto comércio. Entrou no negócio há poucos meses e já pode até comprar um quadro-negro para badalar seu produto. Atrás do balcão, num quadro-negro, está a mensagem, escrita a giz, em letras caprichadas: “Hoje, vendo peixe fresco.” Pergunta, então, ao amigo o compadre: Você acrescentaria mais alguma coisa? O compadre releu o anúncio. Discreto, elogiou a caligrafia.

Como o outro insistisse, resolveu questionar. Perguntou ao feirante: Você já notou que todo dia é sempre hoje? E acrescentou: Acho dispensável. Essa palavra está sobrando… O feirante aceitou a ponderação: apagou o advérbio. O anúncio ficou mais enxuto: “Vendo peixe fresco.” — Se o amigo me permite — tornou o visitante —, gostaria de saber se aqui nessa feira existe algum peixe dado de graça.

Que eu saiba, estamos numa feira, e feira é sinônimo de venda. Acho desnecessário o verbo. Se a banca fosse minha, sinceramente, eu apagaria o verbo. O anúncio encurtou ainda mais: “Peixe fresco” — Me diga uma coisa: por que apregoar que o peixe é fresco? O que traz o freguês a uma feira, no cais do porto, é a certeza de que todo peixe, aqui, é fresco. Não há no mundo uma feira livre que venda peixe congelado… E lá se foi também o adjetivo. Ficou o anúncio reduzido a uma singela palavra: “Peixe”.

Mas por pouco tempo. O compadre pondera que não deixa de ser menosprezo à inteligência da clientela anunciar, em letras garrafais, que o produto aqui exposto é peixe. Afinal, está na cara. Até mesmo um cego percebe, pelo cheiro, que o assunto, aqui, é pescado… O substantivo foi apagado. O anúncio sumiu. O quadro-negro também. O feirante vendeu tudo. Não sobrou nem a sardinha do gato. E ainda aprendeu uma preciosa lição: escrever é cortar palavras.

Vantagens e desvantagens das redes sociais

Posted by: jehozadakpereira on: April 27, 2012

Jehozadak Pereira

Publicado originalmente no www.acheiusa.com

Rafael têm muitos amigos e amigas no seu perfil no Facebook. Outro dia na balada foi ignorado por um deles e ficou revoltado pois fora adicionado e frequentemente o seu ‘amigo’ postava-lhe mensagens e curtia as suas fotos e atividades. Conversando com a sua namorada deu-se conta de que não era o único naquela situação, pois com ela acontecia a mesma coisa, inclusive com colegas de sala de aula na faculdade, ou seja, eles eram ao mesmo tempo amigos e desconhecidos de gente com quem partilhavam todas as coisas.

A partir daquele dia resolveram que as coisas seriam diferentes e somente teriam como amigos aqueles com quem realmente tivessem afinidades e começaram uma limpeza que durou dias até que ficassem somente amigos e parentes. “Tornou-se um hábito das pessoas adicionar qualquer um que lhes peça para ser adicionado e as vezes não nos damos conta de que sequer sabemos quem são ou o que representam de fato”, diz Rafael.

Com a febre do Facebook que originariamente nasceu para ser um pólo de integração dos alunos de Harvard, milhares de pessoas abandonaram os seus perfis no Orkut e uma nova onda aconteceu, pois as redes sociais servem para que as pessoas possam ver e ser vistas independentemente do lugar onde estejam. Também se tornou um método para reencontrar velhas amizades, parentes e sobretudo para interagir com novas pessoas.

Porém, o que deveria ser uma diversão acaba por se tornar uma fonte de preocupação e stresse, pois como não há um manual de etiqueta de como se comportar as pessoas não sabem como agir diante de algumas situações que as vezes tendem a se tornar embaraçosas e preocupantes. A maioria das vezes as pessoas estão ou são solitárias e não tem paciência para cultivar amizades duradouras e é aí que entra as redes sociais.

Em 2009, Eudes Souza, que morava em Boston, Massachusetts aplicou via MSN Messenger um golpe numa brasileira que mora em New Jersey. Adicionada no MSN por Eudes, a mulher não se deu conta de que estava caindo numa armadilha e perdeu aproximadamente US$ 6 mil – parte em dinheiro e parte numa dívida do cartão de crédito. Além disto seu irmão perdeu no Brasil outros US$ 6 mil, já que Eudes afirmava ter um esquema que facilitava a retirada de vistos de trabalho nos EUA. Uma queixa foi prestada numa delegacia de polícia em Governador Valadares e Eudes sequer foi ouvido pela justiça, já que o inquérito policial não deu em nada, ficando a frustração da brasileira que acreditou que Eudes ou ‘Paulo’ como ele se apresentava estava apaixonado por ela.

Na semana passada uma discussão sobre como agir no caso de encontrar uma pessoa a quem havia excluído do perfil no Facebook. Cumprimentar ou não? “Eu cumprimentaria a todos como sinal de civilidade e boa educação. Manter alguém no Facebook é decisão que não pode abranger a todos os que conhecemos. Cumprimente sim, é mais elegante. Acho que há relacionamentos que não cabem num social network, mas como tudo é relativamente novo, vamos descobrindo à medida que erramos”, disse uma das debatedoras.

Lara – nome fictício se deu mal no ano passado por causa de umas fotos que postou no Facebook. Há 12 anos nos EUA e morando na região de New York, Lara fez de brincadeira umas fotos sensuais com um fotógrafo que é seu amigo no final de 2010. Formada na universidade se candidatou a uma vaga num dos mais respeitados escritórios de advocacia na cidade e ficou com o emprego. Um mês depois foi dispensada por causa as fotos postadas no Facebook e que haviam sido descobertas por investigadores contratados pelo escritório para levantar a vida pregressa dos recém-contratados. De nada adiantou os seus argumentos. “Disse a eles que as fotos eram uma mera brincadeira e que não via maldade alguma nelas, já que estavam abertas para o meu círculo de amizade. Até hoje penso que quem descobriu foi uma determinada pessoa que me adicionou e que jamais conheci ou sabia quem era, só sei que depois disto só adiciono quem realmente eu conheço e aprendi uma dura lição de que o meu futuro pode ser comprometido por causa de algumas fotos. Fotos, que tirei imediatamente do meu perfil hoje tenho 50 e poucas pessoas como amigos, mas tenho a certeza de que são realmente meus amigos”, disse.

Dicas para se dar bem

-       Se tiver dúvidas sobre quem está te adicionando, não aceite

-       Se tiver dúvidas acerca daquela pessoa que você não conhece e que te adicionou, delete-o

-       Jamais justifique ter excluído, bloqueado ou não aceitado uma amizade

-       Elabore listas específicas e coloque nelas as pessoas conforme seu critério

-       O Facebook permite que se bloqueie as suas informações, fotos e postagens

-       Jamais coloque em redes sociais informações pessoais como data de nascimento, número de documentos, endereços, relações familiares, trabalho e telefones

-       Se for colocar fotos de carros e motocicletas, omita as placas

-       Partilhe somente informações com quem você confia de fato

-       Não exponha sua intimidade de modo algum

-       Não xingue e nem destrate ninguém

-       Respeite para ser respeitado

-       Não poste spam ou propaganda do seu negócio ou profissão

-       Não envie mensagens não solicitadas

-       Não clique em links que te enviam. Você pode estar caindo numa armadilha

-       Cuidado com as correntes e mensagens de cunho religioso ou político

-       Se cansou, delete o seu perfil nas redes sociais

-       Não poste e nem escreva nada do qual possa se arrepender mais tarde

-       Lembre-se que por mais restrito que esteja o seu perfil, as redes sociais são sim um livro aberto…

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